quarta-feira

Carta aberta de Silva Peneda a Pedro Passos Coelho - por José Silva Peneda -

Nota prévia: Isto não é uma carta ao líder da mais fraca oposição de que há memória no Portugal democrático, é uma encomenda de caixão (político) fino à Servilusa visando a pessoa do sr. Passos Coelho. 




Exmo. Senhor Dr. Passos Coelho
Presidente do Partido Social Democrata
Maia, 17 de janeiro de 2017
A decisão anunciada por V. Ex.ª, de que o grupo parlamentar do PSD votará contra um dos pontos do acordo celebrado em sede de concertação social fere muito gravemente a identidade do PSD e atenta contra o seu património. Ora, é sabido que quando se começa a alienar património, normalmente o que se segue é a falência.
Qualquer força política só tem credibilidade se for capaz de se apresentar na base de um conjunto de valores coerentes entre si e que a diferencia de todas as outras.
O PSD nasceu em condições muito difíceis, sem beneficiar de apoios internacionais, e cresceu com base num entusiástico apoio popular, muito assente nas classes médias e em muitos portugueses do meio rural.
"É sabido que quando se começa a alienar património, normalmente o que se segue é a falência."
Os valores fundamentais que caracterizam a identidade do PSD são a liberdade, valor supremo para a plena realização do ser humano; a valorização da chamada sociedade civil, em que o PSD é a força política que melhor soube encarnar o pensamento do bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, quando este escreveu: "Tanto do Estado quanto seja necessário, tanto da liberdade cívico-política quanto seja possível"; a importância do papel da classe média, pois o PSD desde o início percebeu que uma sociedade desenvolvida pressupõe uma classe média pujante; a existência de estabilidade política, como elemento basilar para o desenvolvimento; e uma visão de modernidade na forma de governar assente na valorização e no desenvolvimento de uma cultura de compromisso.
Ao contrário de outras forças políticas de origem marxista que querem impor as suas verdades, na base de uma pretensa vitória de uma classe social sobre as outras, o PSD, como partido interclassista que é, sempre entendeu que as melhores soluções para os problemas do país devem ser estudadas, analisadas, discutidas e decididas atendendo aos diversos interesses envolvidos. O crescimento económico e o desenvolvimento não resultam da ação de uns poucos, mas sim do esforço conjugado de muitos.
A concertação social é, por isso, um património do PSD, e prova disso tem sido o papel dos seus governos no desenvolvimento dessa plataforma de entendimento.
"Aceito o facto de o governo ter agido com ligeireza, não assegurando condições para assinar o acordo."
Sobre o recente acordo de concertação aceito o facto de o governo ter agido com ligeireza, não cuidando de assegurar que dispunha de todas as condições para assinar o acordo. Também aceito que se possa discordar da solução, relativamente ao desconto da taxa social única para os beneficiários do salário mínimo, muito embora eu próprio, como titular da área social em dois governos de Cavaco Silva, tenha adotado soluções idênticas, para ajudar a atenuar problemas relacionados com grupos sociais mais desfavorecidos em termos de acesso ao emprego como foram os casos dos jovens, dos desempregados de longa duração e dos deficientes, ou para serem aplicadas em regiões mais afetadas por crises económicas e sociais, como aconteceu na península de Setúbal e no Vale do Ave.
Mas tenho muita dificuldade em aceitar que, de forma direta e objetiva, o meu partido vote ao lado de forças políticas que nunca valorizaram a concertação social, nem o diálogo entre as partes, porque sempre tiveram uma conceção totalitária de exercício do poder.
"Tenho dificuldade em aceitar que o meu partido vote ao lado de quem nunca valorizou a concertação social"
Dos valores que atrás identifiquei como fazendo parte do património do PSD, um deles tem estado esquecido. Refiro-me à importância da classe média, fortemente fustigada durante a aplicação do programa da troika. Neste ponto, não me assiste o direito de responsabilizar exclusivamente o PSD, porque a criação de condições para essa desvalorização tem as suas raízes em governos do PS, mas também não deixa de ser verdade que os governos presididos por V. Ex.ª não evidenciaram sinais evidentes de preocupação com a derrocada que se abateu sobre grande parte da classe média no nosso país.
Mas agora, com a decisão anunciada por V. Ex.ª, a situação é pior porque o PSD criará uma rotura numa das suas bases identitárias, atentará contra o seu próprio património político e contra muito dos seus tradicionais apoiantes que estão nas pequenas e médias empresas, nas instituições particulares de solidariedade social, nas Misericórdias e em sindicatos da UGT.
"A decisão anunciada por V. Ex.ª criará [no PSD"
O PSD só foi um partido de roturas quando sentiu que algum dos seus valores fundamentais se encontrava ameaçado e, nessas alturas, soube portar-se com muita coragem e foi entendido pelos portugueses.
Os portugueses sempre identificaram o PSD como o partido que busca de forma incessante o compromisso.
É em nome desta componente ideológica e de toda uma coerente prática passada, baseada em valores que identificam o PSD como o partido português autenticamente social-democrata, que apelo a V. Ex.ª para que mude de opinião.
Cumprimentos.
José A. da Silva Peneda
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segunda-feira

Cavaco Silva prepara certificação de abono político a Pedro Passos Coelho

Da série: os amigos são para as ocasiões. 
A ocasião faz o ladrão.


Pronto Pedro, se na 4ª feira as coisas te correrem bem no Parlamento, faço uma declaração de abono político certificando a tua IDONEIDADE - semelhante à que fiz para o Ricardo Salgado do BES no Verão de 2014!!!

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sábado

Paulo Macedo aprendeu com Passos Coelho que aprendeu com Miguel Relvas que aprendeu com Zeinal Bava...que aprendeu...

Dívida. Assessor de Passos denunciou Paulo Macedo



O caso remonta a 2005. Rudolfo Rebelo, atual assessor económico de Passos, era jornalista do "DN" e denunciou uma execução fiscal por falta de pagamento de contribuição autárquica movida a Paulo Macedo, atual ministro da saúde e diretor-geral dos impostos na altura. Macedo justificou o atraso no pagamento "por não ter recebido o aviso".


A história é de 2005. Rudolfo Rebelo, atual assessor económico do PM, era jornalista do "Diário de Notícias" e Paulo Macedo, atual 
ministro da Saúde, era diretor-geral dos Impostos. Em primeira mão, o "DN" denunciou uma execução fiscal movida pelas Finanças
de Benavente a Paulo Macedo por falta de pagamento de contribuição autárquica. O então diretor dos Impostos confirmou a dívida,
mas insurgiu-se contra a "violação do segredo fiscal" que motivou a notícia.
Macedo justificou o atraso no pagamento "por não ter recebido o aviso". "Paguei quando fui lembrado para isso", disse.
"Uma desculpa", alegou um funcionário do fisco citado pelo jornalista sob anonimato, para quem o argumento "é usado por muitos
contribuintes devedores".
Rudolfo Rebelo cita ainda "especialista em direito fiscal" para lembrar que "os contribuintes, pelo facto de não receberem o aviso
não têm desobrigação fiscal de pagar". Além disso, "um diretor de impostos tem especiais responsabilidades e tem de permanecer 
acima de toda e qualquer suspeita", disse o mesmo especialista. A história repete-se.

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segunda-feira

Pedro Passos Coelho e José Maria Ricciardi: à COTOVELADA


Pedro Passos Coelho e José Maria Ricciardi estiveram juntos em público, pela primeira vez, desde o escândalo do BES

Imagem picada aqui
Pedro Passos Coelho e José Maria Ricciardi estiveram juntos em público, pela primeira vez, desde o escândalo do BES /  Luís Forra/Lusa

Os psicólogos defendem que uma das razões pelas quais os adolescentes começam a fumar é porque, nos intervalos das aulas, não sabem como ocupar as mãos  e o recurso ao cigarro é um eficiente meio para preencher esse vazio de comunicação, especialmente numa idade em que os jovens procuram afirmar-se na relação com os colegas, perante a sociedade e no quadro das instituições com que, crescentemente, têm de interagir. 

Sucede, porém, que na imagem supra o que vemos já não são dois adolescentes em luta por afirmação e protagonismo no recreio do liceu, pois um, o da esquerda, é o alegado PM de Portugal, o qual se tem revelado um tremendo erro de casting; o player da direita, que se autoproclama um destemido, é um banqueiro do GES que viu afundar o ex-BES do primo, seguramente com a agravante de conhecer por dentro muitos dos erros, gestão danosa, participação económica em negócio a par de mais uma dezena de crimes económicos lesivos do erário público e nada disse à República, nem nada participou às suas instâncias judiciais no sentido de observar a lei e de acautelar os legítimos interesses dos pequenos e médios accionistas e clientes em geral do ex-BES. 

No fórum empresarial do Algarve, contexto em que este encontro ocorreu, o que vemos?

Vemos um PM a oferecer resistência física (dissimulada) com o cotovelo à tentativa de abraço por parte do banqueiro, que força, sem sucesso, o desejado abraço largo e fraterno a que Eça, epistolarmente, inúmeras vezes aludia. 

Assim sendo, e se interpreto bem aquela resistência física do PM, será legítimo perguntar a que se deve, por um lado, o desejo de Ricciardi em querer abraçar publica e afectuosamente Passos Coelho; e, por outro lado, como se explica o desejo de Coelho em querer manter as distâncias de um banqueiro que, no passado recente, lhe telefonara a propósito da alegada obtenção de informação privilegiada no caso das privatizações da REN e da EDP, ou seja, em processos que envolvem alegado tráfico de influências que são objecto de investigação por parte do MP. 

Por outro lado, Passos Coelho quando é surpreendido pelas mais diversas circunstâncias apresenta uma característica que acaba por o denunciar e, assim, deixar numa situação vulnerável: cora, cora muito. Parece um mega-tomate de Almeirim. Ou uma tonelada deles. E como é muito branquinho, embora não tão branquinho quanto uma alforreca, Portugal inteiro fica imediatamente a saber quando o ainda PM é apanhado em contra-mão, o que prenuncia algo ainda mais estranho e que se verte na seguinte questão: será que o seu staff assessorial não o informou que na sua mesa de jantar estaria o referido banqueiro?!

Minudências à parte, uma coisa é certa: quando Passos Coelho está comprometido com a verdade revela-se incapaz de olhar as pessoas de frente, joga, sim, o olhar para o chão como quem pede desculpa por erros que cometeu mas que nunca quis (ou quer) assumir. 

Tamanha obstinação tem penalizado a relação dos portugueses com a economia, cujo tecido produtivo Passos Coelho se tem encarregado de destruir, e, por outro lado, o locatário de S. Bento revela ainda uma incapacidade gritante de lidar, com seriedade, com os vários sectores da economia e da banca. Embora este último sector seja nevrálgico e da maior importante para os dirigentes políticos no activo...

Pedro Passos Coelho sabe que amanhã, no quadro de futuras eleições legislativas, se o governo não cair antes, será corrido ao pontapé por parte do eleitorado. O que significa ficar literalmente desempregado. Não podendo já regressar à Tecnoforma nem à Ong onde supostamente apenas recebeu honorários a título de "despesas de representação", nem se afigura previsível que volte a ser empregado do seu ex-mentor, o eloquente Ângelo Correia da Fomentinvest, o que é expectável é que Pedro Passos Coelho seja, num futuro próximo, recrutado por um qualquer banqueiro, à semelhança de Luís Amado (ex-MNE de Sócrates), para o board de um banco; ou por uma grande Construtora - que desenvolveu o culto de recrutar ex-ministros das Obras Públicas (ex. Jorge Coelho) e agora também autarcas, como luís Filipe meneses.

Esta possibilidade, como alternativa realista ao futuro desemprego a prazo, poderá explicar a razão pela qual o PM não quis abraçar o banqueiro, poupando-se publicamente ao efeito de associação negativo de tudo o que seja oriundo do GES/BES e, por outro lado, não levou longe demais essa resistência porque sabe, antecipadamente, que amanhã pode muito bem ser Ricciardi o seu novo patrão...

Talvez essa dependência psicológica, representada por cada cm do conjunto da gestualidade de Passos Coelho, explique por que razão os políticos portugueses dependem tanto dos banqueiros, especialmente quando perdem eleições e ficam literalmente desempregados. 

E enquanto esta dependência da política - e dos políticos - se verificar relativamente à alta finança - e aos banqueiros (ou alguns deles) - será lícito concluir que algo fede neste nosso Reino da Dinamarca... 

Talvez seja por isso que Passos Coelho cora tanto quando é confrontado com situações que evidenciam a sua dependência e fragilidade. 

Se assim for, e os argumentos aduzidos encontrarem correspondência nos factos, pode dizer-se que esta imagem pesa toneladas, por isso esmaga a própria realidade.

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Entre Pedro e Paulo há um mar de diferenças


O da esquerda - que alegadamente ainda é primeiro-ministro - especializou-se em anunciar impostos, cortes salariais à função pública, esbulhos sucessivos aos reformados e pensionistas; Portas, ao invés, promove a economia nacional e relança as exportações, é uma ponta-de-lança da economia lusa a Oriente, barra o caminho ao FMI, começa a desvalorizar o sentido da austeridade - que considera já ser nociva à livre iniciativa e ao empreendedorismo, como hoje se diz. 

Entre um e outro há um mar de diferenças. O estranho é que Passos Coelho, por força de conviver com o seu parceiro de coligação, tem demonstrado, até à exaustão, nada ter aprendido com Portas, e podia fazê-lo. Porventura, é também por isso que tem cabido a Portas desempenhar o verdadeiro papel de PM, e assim é entendido intra e extra-muros. 

O que terá pensado Portas da nomeação de Relvas por Passos Coelho para o CN do PSD...


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quarta-feira

O Medo trazido para a sociedade portuguesa pelo "jovem mais velho" de Portugal: Passos coelho

Talvez nunca nenhum outro político no Portugal pós-25 de Abril, como Passos coelho, trouxe tanto empobrecimento, miséria e medo para a sociedade portuguesa como o actual PM.
Vivemos, por isso, na época dos medos múltiplos, piores que os medos do passado, já que estes questionam os fundamentos de tudo, da economia, da família e da própria nação - enquanto entidade colectiva que deveria sobreviver com um projecto nacional autónomo e soberano dos demais países. Com a agravante de sermos enxovalhados diáriamente pela pressão exterior presente na Troika, que nos diz que impostos o Estado deve tributar aos seus concidadãos. Qualquer dia pedem-nos as nossas mulheres, como penhor dessa incerteza.
Pois, Passos coelho foi muito além da Troika para aumentar os impostos e esbulhar os portugueses, ficando-lhes com boa parte dos salários, dos subsídios, aumentando a generalidade dos impostos, sem que daí resulte a mais leve certeza de que esse esforço não será em vão. Pondo funcionários públicos contra funcionários privados, num sectarismo perigoso, apesar daqueles terem um índice de escolaridade muito superior, e atrofiando a economia - que sem acesso ao crédito tende a morrer neste estertor do tempo que passa. Ilustra-o o aumento das falências das PMEs e, consequentemente, da taxa de desemprego em Portugal - que já ronda os 700 mil desempregados. E atingirá 1 milhão dentro de um ano ou dois.
Contudo, Coelho sabe que, em tese, ainda terá mais 3 anos para governar, por isso terá de impôr aos tugas os maiores sacrifícios neste arranque da legislatura para depois poder repor algum poder de compra, restituir alguns dos restos que esbulhou às populações e devolver a dignidade perdida às pessoas e às empresas. Coelho, no fundo, além das pressões europeias e das imposições da troika, está a gerir o seu próprio calendário com um calculismo político florentino, mesmo que isso implique o maior ciclo de subdesenvolvimento, empobrecimento e miséria desde 1974 em Portugal.
Coelho fala, fala, fala, ainda é mais "picareta-falante" do que Guterres, como um dia Vasco Pulido Valente o cunhou, mas a sua herança será pesada. Será a herança do medo difuso e concreto, dos impostos que convertem o Estado na figura do Estado-ladrão e de má fé e relapso a pagar as suas dívidas aos seus credores e fornecedores - que quase convida as populações à evasão fiscal, não porque sejam criminosos, mas por uma questão de sobrevivência, pois inúmeras micro e PMEs já não aguentam manter-se sem acesso ao crédito.
Pois grande parte dos activos disponíveis no sistema bancário foi consumido pelo próprio Estado, nada ficando para estruturar programas de incentivos à economia. Neste sentido, o actual PM não só está a destruir a economia nacional através deste tratamento de choque, como também fragiliza a identidade duma nação, dum povo quase milenar - hoje agrilhoada por forças e instituições financeiras exteriores - que nos ditam o que devemos ou não fazer, como e quando.
É como se fôssemos bé-bés velhos em busca duma liberdade que está ausente porque alguém nas últimas décadas hipotecou o futuro das próximas gerações, o que deveria ser tipificado como crime. Mas mesmo que o fosse plasmado nos códigos de pouco adiantaria, já que o maior cancro em Portugal tem nome: a justiça - que não julga, é cara, lenta e profundamente incompetente.
É em suma esta sociologia do medo, da incerteza e da insegurança que configura o breve mas penoso legado do jovem mais velho que conduziu Portugal ao abismo em que estamos sem, com isso, ilibar os responsáveis que nos governos precedentes conduziram ao avolumar desta tragédia nacional.
Adenda:
O ministro da Economia, o Álvaro é o ministro do desemprego (in Expresso).

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Pedro Passos Coelho ainda "sobe" a mártir pelo Vaticano

PPCoelho tem sido vítima das circunstâncias económicas e financeiras que envolvem o país numa crise a caminhar para uma recessão. Ainda assim, ele irá receber os presidentes dos quatro maiores bancos nacionais para consolidar a sua decisão no âmbito do OE para 2011.
É das dificuldades ao crédito de que falamos, até porque o BCE não poderá por muito mais tempo continuar a emprestar dinheiro à banca nacional, com a agravante de os juros desses capitais subirem exponencialmente e afectarem, por extensão, os portugueses em geral que vivem do crédito à habitação, ao carro, às viagens, ao consumo e o mais... É nesse contexto que Coelho irá receber Ricardo Salgado Espírito Santo (BES), Faria de Oliveira (CGD), Carlos Santos Ferreira (Millennium(BCP) e F. Ulrich (BPI).
Não vou cometer aqui a maldade de dizer que Coelho irá aproveitar a oportunidade para lhes pedir dinheiro emprestado para pagar a casa e o BMW série 7, mas pergunto-me por que razão PPCoelho continua a adiar uma decisão que ele, no seu íntimo, já tomou: aprovar o OE para 2011.
Pela pátria, naturalmente!!! Só lhe restará escrever o discurso justificatório dessa decisão difícil. Até porque se o fizer, PPCoelho emergirá à luz dos portugueses como um grande estadista, o que é estranho se atendermos ao facto de nunca ter gerido uma autarquia ou ter experiência governamental. Apenas tem gerido um partido, tarefa que bem poderia delegar em António preto.
Na melhor das hipóteses, PPCoelho ainda será martirizado em Roma pelos elevados sacrifícios a que se tem sujeito em prol da economia nacional, e é bom que o Papa Bento XVI lhe acuda rápidamente nesse sentido, porque o número de fiéis em Fátima já começou a diminuir, outro sinal da recessão que aí vem e já afectou os negócios do Altar.

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quinta-feira

O experimentalismo político errático e primário de Pedro Passos Coelho.

Qualquer português atento ao fluir seródio da vida pública nacional percebe que aquilo que PPCoelho fez foi um ensaio geral para depor o PS e Sócrates do poder através desse grande teste concretizado mediante a famosa revisão constitucional, que, nos termos em que foi fixada por PPC não tem pés nem cabeça, é anti-social, desequilibra o sistema de poderes na arquitectura política vigente e apenas trás instabilidade ao relacionamento entre as instituições e aos players políticos.
É certo que não sendo jurista as possibilidades de PPC cometer erros e ventilar baboseiras são maiores, mas no seu caso tais erros revelam não apenas ignorância jurídica, mas uma gritante falta de consciência social e um desespero pela captura do poder, a ponto de pensar que aquilo que a sociedade e a economia nacionais precisam é de uma revisão constitucional para dar mais poderes a Cavaco, fortalecer a capacidade de as empresas despedirem os seus empregados e, no limite, implicar mais desemprego e mais pobreza no país.
Confesso que não esperava tanta tacanhez política daquele que há vinte anos se considera uma esperança política, pois nenhuma das suas pseudo-ideias de RC agiliza o decison-making process, conduz a mais competitividade na área da economia e a maior coesão na esfera social. Uma desgraça, portanto.
O psd de Relvas e PPCoelho, sequestrados ideológicamente pelo eloquente Ângelo e o sobredotado Paulo Teixeira Pito, tomou consciência dos erros cometidos, por isso pretende retocar o texto que informa o anteprojecto num experimentalismo político de trazer por casa. Ou seja, primeiro o líder do psd, que julgava ser um pouquinho melhor do que Manuela Ferreira leite, atira o barro à parede, os actores políticos, sindicais e sociais reagem negativamente - e aí o aparelho do psd retrai-se e manda retocar o documento. Faz lembrar aquele cliente que manda vir uma pizza, dá-lhe meia dúzia de dentadas, e quando constata que não gosta do que pediu manda vir outra seguindo o mesmo método, até acertar no sabor e no gosto.
Por estas e por outras é que o zé povinho se pergunta se não será preferível continuar com Sócrates no poder do que para lá enviar um inexperiente e errático beginner que ainda não percebeu por que razão é uma esperança na política portuguesa há 20 anos e cujas propostas oriundas do eloquente Ângelo e do sobredotado Paulo Teixeira Pinto só conduzem a um destino: à tragédia.
Por isso lhes dedicamos a música (ver vídeo abaixo) do mesmo nome do famoso grupo - os Bee Gees...
E o mais grave em todo este processo é constatar que nenhuma daquelas ideias, ainda que estapafúrdias, são de PPC.
Dele mesmo só a vox e a dicção, pois que lhe faça bom proveito..., mas é no S. Carlos))))

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domingo

Os expedientes de Pedro Passos Coelho

Pedro Passos Coelho reagiu esta tarde às críticas que foram aparecendo ao longo do dia sobre as suas propostas de revisão constitucional expressas em entrevista ao PÚBLICO. O líder social-democrata afirmou que “ a constituição não pode ficar cristalizada”., Público
Obs: PPCoelho resolveu abrir mão dum expediente jurídico-político para resolver os problemas socioeconómicos do país. Acho que foi uma má jogada nesta seally season. Por várias razões: por um lado cola-o demasiado a cavaco - que criticara ao tempo de Ferreira leite e de quem sempre se distanciou políticamente, daí que a sua colagem súbita a Belém pareça agora puro oportunismo político para mais facilmente desalojar Sócrates do poder; em segundo lugar, o país carece mais de soluções de natureza económica, como a atracção de IDE gerador de emprego e riqueza do que de revisões constitucionais inspiradas no eloquente Ângelo; em terceiro lugar, pede-se ao maior partido da oposição que programe um corpo de ideias alternativas ao PS e as apresente ao país, é isso que faz do psd um partido de alternância de governo, ora PPC tem apresentado poucas ou nenhumas ideias, apenas tem apoiado o PEC e vetado algumas medidas relacionadas com a mui discutível política de transportes do Governo, logo a cristalização talvez seja mais do psd do que do governo, por mais paradoxal que pareça.
Em face deste quadro seria preferível que PPC fosse sincero e dissesse ao país aquilo que tenciona efectivamente fazer: lançar uma moção de censura ao país antes ou depois das eleições presidenciais - respeitados os prazos constitucionais, mas PPC também sabe que pegar no país assim é caminhar para o insucesso.
Esta indiferenciação do psd relativamente ao governo faz com que os portugueses não consigam compreender as vantagens de ter um governo chefiado por PPC, e se essa vantagem estratégica não é perceptível o povo pergunta-se se não será melhor deixar-se ficar como está?! cristalizado

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terça-feira

A aventura de Paulo Portas é chegar, de novo, ao poder (coligado)

Portas: "Sem a economia a crescer não há finanças públicas equilibradas"
por Lusa
O líder do CDS-PP, Paulo Portas, afirmou hoje que "Portugal nunca terá finanças públicas equilibradas se não tiver uma economia a crescer", ao comentar o aumento do número de falências de empresas e a taxa de desemprego.
À margem de uma visita a uma escola no Entroncamento, o líder do CDS-PP afirmou que "é prioritário colocar a economia portuguesa a crescer, olhar para as pequenas e médias empresas, olhar para os seus problemas de acesso ao crédito, para o funcionamento do sistema judicial, olhar para leis laborais que não favorecem a contratação e conciliar os interesses dos trabalhadores com os das empresas. (...)
Obs: Paulinho Portas tudo fará para chegar ao poder, pois tal como no tempo do governo Durão barroso, ele sabe que só lá chegará apoiado na muleta do PSD, ou então será o PSD que só será de novo poder apoiado na muleta do cds/pp. Enfim, é uma terrível coligação de interesses negativos que já se começa a esboçar entre Portas e PPCoelho. E até já prometem uma baixa significativa dos impostos que os levará ao poder.

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quinta-feira

Pedro Passos Coelho e Ferreira leite. Francos progressos no American Club

pedro passos coelho e ferreira leite Pictures, Images and Photos

Confesso ter apreciado a forma como PPCoelho estruturou a sua comunicação no American Club, onde dissertou sobre a economia nacional e a governação. Teceu depois umas considerações sobre as suas habilidades para dançar, mas pouca coisa. No entanto, distingue-se de Ferreira leite onde, exactamente no mesmo sítio, a sua antecessora referiu que o país só se reformaria mediante a institucionalização da ditadura como método de governação. Comparando ambas as declarações podemos concluir pelos tais francos progressos do actual líder do PSD. Razão por que PPCoelho está de parabéns, mesmo sendo um "pé de chumbo", como reconheceu...

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Gotan Project - Diferente

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Fusão de identidades e a política do caixote do lixo da Comissão de inquérito

A fotocomposição dá nisto, mas o essencial não é a forma, mas a substância, e esta revela que, afinal, a grande diferença entre Ferreira leite e PPcoelho radica no modo como reconhecem as intenções e os desejos: a srª Ferreira representava o bota-abaixo permanente, desarticulada e desconexa, ninguém a levou a sério, excepto Pacheco pereira que a aconselhava, pelo menos ele teria que fingir que acreditava; Coelho só agora está a reconhecer que, afinal, também segue a política de caixote do lixo da Comissão de inquérito, e que será ela que ditará a manutenão (ou não!!) do governo no poder. Coelho pode até votar essa putativa moção de censura, reinterpretando a vontade actual do PCP, mas a seguir perderá de novo as eleições, e se as ganhar com maioria relativa - nem a esquerda nem o cds o deixariam governar com estabilidade, já para não falar na situação macroeceonómica do país - que não é de esquerda nem de direita, mas crítica. No fundo, se a estratégia da política da tvi se confirmar PPCoelho revelará ao país que, afinal, a diferença entre ele e a srª Ferreira reside, precisamente, no sexo e na idade, já que a senhora tem idade para ser sua avó(zinha)

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quarta-feira

A democracia pró-activa de Sócrates e de Pedro Passos Coelho no novo "consórcio político" em gestação

Criticamos aqui tantas vezes a forma como a democracia é exercida pelos dirigentes políticos, sempre de modo muito partidário e pouco virada para o bem comum, que exige uma capacidade realista de analisar os problemas das pessoas encontrando para eles propostas de solução que tenham cabimento na nossa sociedade.
Hoje, ao invés desta generalizada prática entre nós, vimos que o PM e o principal líder da oposição (impensável caso Ferreira leite ainda estivesse na direcção do PSD), deram as mãos para concitar esforços e encontrar as melhores ideias para evitar que os mercados e a economia portuguesa sofram mais estragos, em face da onda especulativa que, da Grécia para a Europa, está em curso. Desvalorizando a nossa dívida soberana e a cotação da economia portuguesa perante os mercados internacionais que servem de prestamistas ao país nesta imensa economia de casino parida pela globalização predatória e pelos mecanismos gerados pelo neoliberalismo selvagem que remontam ao Consenso de Washington.
Por isso, no plano dos princípios foi "bonito" ver aqueles dois homens fazendo esforços para reabilitar a economia portuguesa num contexto de hiper-turbulência financeira e especulativa.
Tanto mais que as sociedades complexas em que vivemos não se deixam representar nem mobilizar facilmente, e a democracia directa ou forte também não é praticável entre nós, daí a grande utilidade deste novel "consórcio político" entre PS e PSD para limitar os estragos, mediante a antecipação de medidas no PEC pensadas pelo governo e a introdução de outras medidas equacionadas pelo PSD a fim de reduzir a despesa pública e, assim, expurgar, as ervas daninhas na nossa economia, como défice orçamental, a inflação e o desemprego, já na casa dos dois dígitos, com cerca de 570 mil desempregados entre a nossa população activa.
A esta luz, a entrada de PPCoelho - e do PSD - em jogo é vista como um reforço da democracia e das finanças públicas em Portugal, é como se Portugal, espera-se, passasse a contar com mais um ministro das Finanças, tornando mais presente e mais representada os cidadãos na política portuguesa, como se fossem necessários mais consumidores no mercado para o vigiar e controlar.
Assim, a democracia portuguesa fica mais representada, as decisões são mais pluralistas porque passa a funcionar o compromisso entre os dois grandes partidos do arco da governação, as deliberações ganharm mais força e a possibilidade de errar fica mais circunscrita. Se a receita não funcionar, o recém-líder do PSD também passará a ser corresponsabilizado, naturalmente!!!
Os assuntos públicos ficam, doravante, mais vigiados, a sua complexidade beneficia agora da massa cinzenta do PSD, logo é mais pluralismo social e político que concorre na formulação das decisões ligadas às políticas públicas neste compromisso político emergente da era pós-Ferreira leite.
Veremos, pois, que resultados darão este novo "consórcio político", este bloco central em gestação, na configuração das boas práticas para reduzir o défice, a inflação e o desemprego. Para evitar, por um lado, o agravamento de algum autismo político e da externalização da política (que come à sociedade a sua energia criativa mediante a pesada carga fiscal de que é alvo) e, por outro, atenuar a demoesclerose do nosso regime político em matéria de representação no exercício do poder em Portugal.
Naturalmente, podemos (e até devemos) perguntar que é feito das propostas do CDS, do PCP e do BE para este consórcio político em formação, talvez algumas delas, pudessem contribuir, com realismo, para o reforço do nosso contrato social que também anda em baixa.
Ou seja, chegou o tempo em que a generalidade dos governos minoritários na Europa ser ajudada pelos principais partidos da oposição, não porque isso atalha o caminho para as oposições chegarem ao poder mais cedo, mas porque se reforçam as políticas públicas e as energias que aplacam as devastadoras forças especulativas que do exterior pretendem proceder ao saque em Portugal, como em tempos fizémos no decurso da colonização e da criação dos impérios que deu origem ao chamado Euromundo...
Se isto merecer algum fundamento, concluirmos que, de vez em quando, em Portugal a democracia política entra ao serviço da democracia económica e social, e isso, só por isso, já é um grande activo político, porque revela, entre outras coisas, uma grande maturidade democrática, impensável com a pupila de Cavaco à frente do PSD...
Por vezes, é mesmo necessário colocar a desconfiança e as pequenas traições de lado, e afirmar o valor da confiança política, que também vale para a esfera económica, já que esta se regula pelo jogo de espectativas.

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segunda-feira

O problema do PSD e a teoria do António Variações...

Todos sabemos quão importante é estar na 1ª linha do combate político, isto é particularmente válido para o PSD de PPcoelho, recém-eleito presidente do partido, mas em que o seu líder, paradoxalmente, não tem assento parlamentar. Parece, segundo reza a estória, que a sua opositora interna, Ferreira Leite, excluio-o das listas no passado recente, e, desse modo, hoje PPC, apesar de ser o novel presidente do PSD, só poderá participar nos debates parlamentares à distância, o que constitui uma grande dificuldade para ele em afirmar-se como opositor credível a Sócrates. Pois mesmo que as coisas corram bem a Miguel Macedo, o novo presidente do Grupo Paralmentar, a vitória simbólica é sempre assacada ao grupo parlamentar e não ao presidente do partido que, na prática, estará sempre físicamente ausente.
Assim, convenhamos, torna-se difícil a PPC mostrar uma boa impressão ao país real, fazer a perguntas difíceis e comprometedoras a Sócrates (e em tempo real), pensar parlamentarmente em estratégias de combate à pobreza e ao desemprego, alinhar políticas de atracção de IDE e o mais que concorra para o fomento da economia nacional e o bem-estar dos portugueses.
Na prática, a ausência de PPC do Parlamento será sempre uma sombra que o perseguirá, e isso é uma vantagem objectiva para Sócrates, que se depara com a "múmia paralítica" que paralisou o PSD nos últimos dois anos. E aqui o paradoxo democrático não deixa de ser curioso, sobretudo se notarmos que Ferreira leite é deputada com assento parlamentar, está no hemiciclo a fazer croché político, mas como não consegue articular duas ideias seguidas, por isso não faz mossa ao PM; PPC, ao invés, tem telegenia e articula com facilidade está ausente.
Esta circunstância marcará negativamente a vida interna do PSD e a sua relação política com os demais partidos com assento parlamentar. E também não é verosímil que PPC seja tão genial que consiga compensar essa ausência com uma poderosa e quase omnipresença nos media e na sociedade que faça esquecer a sua ausência no hemiciclo de S. Bento, onde as guerras políticas se travam.
Sobretudo, nesta fase de regresso ao parlamentarismo puro e duro com a vigência das comissões de inquérito e de ética a fim de esclarecer os casos PT/TVI e conexos...
Perante esta ausência formal, o que restará a PPC fazer?
Curiosamente, aproximar-se de Belém e fazer precisamente aquilo que disse jamais pensar: acolitar-se em Belém para daí receber apoio político informal que lhe facilite a vida nas contendas com o PS de Sócrates. Estabelecer pontes com Cavaco em matéria económica de modo a evitar que falem a várias vozes contra o PS, sobretudo num tempo de vésperas de eleições presidenciais em que urge a PPC convergir com Cavaco para se posicionarem em face da nova batalha política das presidenciais em 2011.
Uma batalha que se agravará se o PS "for buscar" a reserva da nação já com as costelas repostas - Diogo Freitas do Amaral - para competir com Cavaco a Belém...
A ironia da história tem destas coisas: meter no Parlamento uma senhora que representa o grau zero da política e afundou o PSD nos últimos 2 anos; excluir dele o actual presidente do partido e, para densificar o paradoxo, empurrar PPC para os braços daquele que disse querer afastar-se por imperativos presidenciais.
É a este conjunto de sinais contraditórios que podemos designar, à falta de melhor análise, a teoria de António Variações, só estou bem onde não estou...

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quarta-feira

Socialistas elogiam novo PSD e Vitorino já fala em "diálogo"

dn
(...) O PS está bem impressionado com Pedro Passos Coelho. Os socialistas denunciam a deriva "liberal" e as ideias "fraquitas" do novo líder laranja, mas louvam o abandono da linha de ataques pessoais ao primeiro-ministro.
Os elogios vêm das mais improváveis figuras. Mário Soares escreveu na sua crónica semanal no DN que os discursos de Passos Coelho "foram sensatos e inteligentes, revelando perante as suas tropas uma grande dose de modéstia".
Numa entrevista à TVI24, Augusto Santos Silva, famoso por gostar de "malhar na direita", recusou a ideia de que Passos representava um perigo maior para o PS do que a sua antecessora. O ministro da Defesa considerou que o discurso no Congresso de Carcavelos mostrou uma coisa positiva: "O doutor Passos Coelho fez um discurso de combate político e crítica ao Governo e ao PS, mas não seguiu a via dos ataques pessoais, das calúnias e dos rumores."
Em declarações à Lusa, António Vitorino disse esperar que "a nova liderança do PSD permita criar uma base de diálogo para que o Governo possa ter no PSD um interlocutor válido para que as melhores ideias em relação à luta contra o desemprego e a pobreza possam fazer o seu caminho".
A mudança de tom há muito que vinha sendo exigida pelo PS. Mas essa não é a única vantagem que os socialistas encontram em Passos Coelho. O discurso "liberal"do novo líder laranja - favorável às privatizações e muito tolerante nos costumes - é visto como uma oportunidade para colar o PSD à direita, deixando o centro a descoberto para o PS.
"Com um CDS consolidado [...] e um liberal à frente do PSD, o bloco conservador e liberal acantona-se mais à direita, deixando completamente vazio o espaço eleitoral à esquerda moderada e ao centro, o tal que só quem o conquista ganha eleições em Portugal", escreveu Capoulas Santos.
Obs: Em suma, o PSD tem um líder mais civilizado, mais estruturado e mais dialogante do que a sua antecessora. E daqui pode nascer uma de três coisas: 1) o futuro PM de Portugal, hipótese remota; 2) as bases do futuro governo de bloco central; 3) ou, na pior das hipóteses, e ante uma desgraça súbita do PS, um governo de coligação PSD-CDS como que a reeditar a coligação durão-portas de 2004. Tenho para mim, que se afirmará mais a 2ª tendência em face dos problemas, desafios e constragimentos que a economia nacional enfrenta no quadro comunitário e global.

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segunda-feira

Os "mitos flutuantes" na democracia portuguesa

É difícil em democracia identificar a qualidade e o carácter dos homens, maxime se forem homens públicos com ambições políticas, como foi e é Sócrates, hoje PM, e como é doravante Pedro Passos Coelho, que deseja pela mola do PSD substituir aquele e já vem preparando esse trilho há um bom par de anos.
É legítimo que assim seja em democracia, por efeito de contraste com esse aborto político representado pelo exemplo anti-democrático de Alberto João jardim que ocupa o poder na Madeira desde a fundação da república democrática – em 1974/76 - e tem governado a ilha com populismo e incluindo aqueles que lhe prestam tributo, e excluindo todos aqueles que se recusam a pagar essa sua factura da notoriedade. Estes ficam de fora da administração pública, são excluídos dos contratos de adjudicação da administração pública, sobretudo na construção civil e são publicamente maltratados porque é esse os modus vivendi daquele que um dia Jaime gamas designou de Bokassa.
Provavelmente, e por conveniência de serviço, o actual presidente da AR já não se lembra. Veremos se não será ele o candidato oficial do PS a Belém queimando, no trajecto, o poeta Alegre que tem o particular gosto de "por a carroça à frente dos bois", mesmo sabendo que o candidato a Belém é supra-partidário, nem que seja para "inglês ver"..., como dirá o zé povinho.
Mas hoje, curiosamente, o Al berto é quem mais beneficia da solidariedade do continente que andou anos a achincalhar, embora saiba que o generoso povo português do continente tem gosto em ajudar o hospitaleiro povo português da Madeira, nada é, portanto, por causa do cabo da ilha.
Mas a dificuldade em identificar os grandes homens públicos nas sociedades modernas, onde o desenvolvimento das TIC poderia levar a acreditar que eles têm faculdades mágicas – finda as lutas ideológicas – agrava-se com o facto de alguns desses players serem, ou tornarem-se, eficientes comunicadores no espaço público.
Guterres pontificava na 1ª linha nessa arte, e Barroso foi várias vezes poe ele cilindrado na AR; Sócrates, embora menos articulado do que o seu mestre, também é um comunicador eficiente e articulado; e Pedro Passos Coelho, ontem entronizado no Congresso de Carcavelos, já demonstrou que tem características de ambos na arte de fazer passar a mensagem. Tanto mais que é nessa esfera pública de produção de ideias e de opinião que se geram os mecanismos legitimatórios de afirmação e de liderança pública que, por exemplo, a srª Manuela Ferreira leite, nunca teve nem tem. De resto, a face desagradada com que ontem a senhora assistia ao sucesso do seu ex-rival interno foi tão nítida que não deu para disfarçar.
Mas daqui não decorrem certezas, ou seja, Guterres apesar de comunicar bem e ter ideias organizadas acabou, após a derrota nas autárquicas em 2002, de desistir do poder e desiludir muita gente; Durão, apesar de não ser um comunicador nato, não obstante dominar bem o francês e o inglês, também fez a sua trânsfuga para o El dourado bruxelense; Sócrates tem deixado boa parte da classe média descontente; e, agora, surge uma espécie de novo salvador da economia portuguesa, Pedro Passos Coelho, que já interiorizou a ideia de que comunicar bem e ser fluente é a "pastilha" para o sucesso da economia portuguesa. Ora, não é!!! Ainda que facilite...
Alguns desses mitos flutuantes podem até tocar-nos ao coração, fazer-nos crer nos seus ideários e programas políticos com que se apresentam ao poder, mas permanece sempre a incógnita de saber se o político A, B ou C por comunicar bem também irá conseguir governar eficientemente em prol do seu país.
Hoje, na prática, vamos encontrar dois homens com características muito comuns. No estilo, na boa apresentação, na capacidade de comunicação e oratória, na faculdade de ventilarem mensagens estereotipadas que entrem facilmente na cabeça das pessoas. Sócrates e PPC têm essa faculdade em comum.
Enfim, vamos encontrar no Portugal-político dois homens que são parecidos no modo de fazer política, utilizam os mesmos trunfos, e, pela sua própria natureza, podem seduzir os eleitorados através da sua presença.
Tudo características que nos podem confundir ainda mais do que esclarecer, e o risco das teledemocracias reside precisamente aí: no facto de o povo acreditar que tudo aquilo que é dito nos media tem força de lei e vai ser concretizado, ou tudo aquilo que será anunciado nos media tem uma credibilidade adicional, já que aquilo que é anunciado nas rádios, televisões ou jornais adquire rapidamente um estatuto de verdade inquestionável.
Pedro Passos Coelho está em rota de ascensão. Já ganhou o partido. Já enterrou politicamente a sua predecessora de que, aliás, ninguém guarda memória. Agora terá de fazer prova junto da sociedade, o que implica converter aquelas suas ideias em políticas públicas que se revelem úteis ao país e aos portugueses. Tem também, note-se, de ganhar eleições.
E esse crivo, essa passagem do sistema para a estrutura, o trânsito dos conceitos e dos programas para a realidade dura do quotidiano sofre, nos tempos que correm, uma terrível resistência – ou resiliência – que impede que certos actores políticos promissores se aguentem muito tempo no estado de graça em que ficam, uma vez eleitos líderes dos partidos.
Vejamos se PPC é mais um mito flutuante na sociedade política em Portugal ou é alguém que poderá revelar-se um homem de Estado. Para já é de bom tom dar o benefício da dúvida e esperar que a sua entronização no PSD traduza também uma mais-valia para a democracia social e económica em Portugal.

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sábado

Pantera cor de Rosa: uma alegoria à vida interna do PSD

...A grande questão está em saber se Pedro Passos Coelho consegue inverter a tendência.

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Pedro Passos Coelho e o(s) futuro(s)...

Pedro Passos Coelho (PPC) tem presença, articula com facilidade, tem telegenia e passa bem em televisão e, portanto, concentra características pessoais e psico-políticas essenciais a um político moderno - que Sócrates também reúne - e que a pobre senhora Ferreira leite não tem. Isto, à priori, é uma mais-valia para o PSD e uma desvantagem para o PS e para o PM. Que agora tem alguém no PSD mais incisivo e não uma líder faz-de-conta sem capacidade de planificação política nem capacidade para comunicar uma única ideia ao país. O problema de PPC é outro, que, em certo sentido, também se coloca a Sócrates e remete para a definição do modelo de desenvolvimento socioeconómico do país. Desta feita, PPC, assim como Sócrates, têm que se preocupar com as estratégias de desenvolvimento do país, seleccionar as medidas correctivas para eliminar os desvios micro e macro-económicos, não governar em função da instabilidade do eleitorado e, por fim, aproveitar os recursos disponíveis do Estado e redistribui-los pelos portugueses com equidade e justiça social, será isso que fará dos dirigentes políticos homens de Estado. Ou seja, cada um à sua maneira, um no poder e outro na oposição, podem agora rivalizar e aprender um com o outro na arte e técnica da governação, e ambos terão que se preocupar com a orientação estratégica, o campo de possibilidades políticas, as suas correcções, os níveis de satisfação do povo, alimentar as suas expectativas e necessidades. Tudo para, no final, atingir um modelo de sustentabilidade de sociedade, que é o que Portugal hoje não tem, daí a desesperança. Diria, para concluir, que temos hoje dois homens à procura do poder em Portugal: Sócrates já o tem e quer mantê-lo; PPC tem o poder interno do partido mas ainda não ganhou a sociedade e o país. Mas esta competição saudável trará frutos aos portugueses, e se eles não vieram mais cedo deve-se ao adiar patológico de Ferreira leite que tem uma concepção anormal e incapacitante do poder e, por isso, deu uma péssima imagem não só do psd nestes últimos dois anos no país, como apoucou a condição feminina acerca dos que as mulheres conseguem ou não fazer na esfera política. PPC está, pois, confrontado com dois futuros: consolidar o poder no partido e ganhar o país. Terá um semestre para gerar uma dinâmica de vitória e mostrar o que vale na sociedade, depois disso, se não se conseguir impor, suceder-lhe-á o mesmo que sucedeu a Luís Filipe Meneses, Marques Mendes e a outros líderes do psd que foram literalmente abatidos internamente quando se percebeu que não atingiam o cadeirão de S. Bento. E é o que sucederá ao PS quando um dia Sócrates se reformar - ou for compulsivamente reformado. A política, como a lei do tempo, tem esse efeito de erosão: concede vida e energia, mas depois dá-nos um tiro na nuca.

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Pedro Passos Coelho é o novo líder do PSD

Passos Coelho parece ter recolhido o maior número de votos no PSD, obtendo cerca de 60 a 70% dos votos dos militantes com quotas pagas, não sei se pelo António Preto e pela sua madrinha. Coelho era já uma promessa no psd na década de 80/90. Entretanto, o psd teve vários líderes, mais ou menos fracos. A líder cessante, ferreira leite, representou o grao zero da política em Portugal, portanto não se torna difícil a Coelho superar as expectativas na liderança interna, o nó górdio reside, de facto, na conquista do país e na sistematização de um conjunto de políticas, de estratégias e de medidas para renovar as políticas públicas em Portugal. Coelho terá os próximos seis meses para se afirmar no país e minar o caminho a Sócrates. Tudo depende, portanto, da capacidade da geração de ideias e de projectos alternativos ao PS que sirva Portugal. Por ora Sócrates começa a ter um opositor à sua medida. Veremos qual serve melhor Portugal e os portugueses (mesmo com a oposição de Al berto joão jardim) nesta conjuntura de crise para construir uma sociedade mais justa, mais moderna e mais desenvolvida.

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