quinta-feira

Passos Coelho: um nado-morto e um PSD à deriva


Passos fez o papel do polícia que fingiu que não viu o assalto para não ter problemas...

Resultado de imagem para passos coelho, policia

Ocorreu hoje o debate do OE/17 no Parlamento. Foi um debate activo e intenso por parte de todas as bancadas parlamentares e em que cada partido enviou o seu melhor orador para combater o oponente e convencer o país de que os partidos são sérios, competentes e, uma vez no poder, se preocupam verdadeiramente em defender e promover os interesses do povo, e na oposição fazem o mesmo. 

Só mesmo os parvos e os parvinhos, que são parvos a dobrar, acreditam nessa versão. Adiante.

Mas há um  aspecto que aqui sublinho, porque ele é sintomático do que virá depois na vida pública nacional, ou seja, no intenso debate que se desenvolveu Passos Coelho, ainda que presente, não abriu a boca, nem por acção nem por omissão. Foram os deputados do costume, o imberbe Miguel Morgado e o orquestrador Montenegro que falaram pelo chefe, que, aliás, não chefia coisa nenhuma num PSD moribundo. 

Passos foi um verdadeiro nado-morto, não dando sinais de vida. Apenas batia palmas aos seus parlamentares, como quem se demite da liderança do partido, do combate político na casa da democracia e, no limite, em partilhar com o país uma visão alternativa do desenvolvimento e do futuro de Portugal, se a tivesse. 

No fundo, o nado-morto Passos estava alí com um único propósito: anunciar ao país que já não é líder de coisa nenhuma, e que o seu delfim é, doravante, Luís Montenegro, que revelou uma especial aptidão para contar estórias e embrulhá-las com um certo papel pardo muito utilizado nas mercearias para embrulhar enchidos. Foi, aliás, nisso que consistiu o seu número em directo para o país. 


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quarta-feira

Urgência em o PSD fazer... Se reformar, começando pelo chefe do economato


.. Um congresso ou um debate interno profundo para identificar o que correu mal no passado recente, mormente o enfeudamento excessivo à austeridade da troika que empobreceu Portugal e os portugueses, e escolher um novo líder para o partido. - Alguém sério, preparado (o que é difícil) e com uma visão humanista e genuinamente social-democrata - de e para - Portugal. - Admito que é uma tarefa tão ingrata quanto imprevisível, mas enquanto o PSD contar com Passos coelho como chefe do economato do partido da Lapa - o PSD será sempre um partido amputado, reaccionário, ultraliberal, enfim, um partido menor desfazado da realidade social e económica nacional e a governar para alguns empresários do sector financeiro, energia e de telecomunicações do PSI-20 - com desprezo manifesto pelos demais portugueses. ______________________


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sexta-feira

A falta de credibilidade do PSD e de Passos é aqui patente




Será relevante Mª L. Albuquerque ser apenas uma directora não executiva duma Financeira, cujo papel é fazer apenas uns telefonemas, ou, mais relevante, decorre do facto dela ser portadora de segredos de Estado (ligados à sua alta função no governo anterior, na qualidade de ministra das Finanças)!?

- Esta foi, em rigor, a razão pela qual incidiu a sua contratação por parte da Financeira. 

Além de renegar a confiança dos eleitores, pois torna-se insustentável continuar a ser deputada, já que trocou a política pelo dinheiro, ainda que procure estar a jogar nos dois tabuleiros,  Mª Albuquerque, com esta sua lamentável atitude, contribui para degradar profundamente a imagem da classe política em Portugal, já de si muito degradada. 

Por outro lado, a conduta de Passos Coelho, ao segurar - ou amarrar-se a ela - defendendo que esta contratação pela Financeira (Arrow) é positiva e releva do mérito ou prestígio da contratada - é lamentável, já que o principal partido da oposição em Portugal perdeu aqui uma grande oportunidade perante o país de afirmar valores e princípios de transparência, verdade, legalidade e ética e moral  na política.

O PSD irá sofrer com esta atitude de Passos, e, no limite, poderá até desencadear energias no interior do partido para incentivar uma discussão interna da qual poderá irromper uma nova disputa no próximo congresso do PSd tendo em vista a eleição de um novo líder.

Já que o PSD, em rigor, está sem líder... E depois deste alinhamento perigoso de Passos a Albuquerque, ainda o está mais. 

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terça-feira

Genealogia duma intriga política no Poder em Portugal. Uma coligação perniciosa para Portugal

Nota prévia: Que comentários fazer duma coligação de conveniência e contra-natura, feita por mero calculismo partidário e sem qualquer ideia ou projecto nacional, com vista, unicamente, à captura do poder a fim de satisfazer clientelas partidárias, colocar os boys nos respectivos postos de comando da alta administração do Estado, como tem ocorrido com a colonização nos lugares-chave das delegações da Segurança Social em todo o país, em que os critérios meritocráticos de escolha para esses postos de direcção têm sido sistematicamente violados pelo titular da pasta da SS - Mota soares - para povoar aquela importante estrutura do aparelho de Estado, não em nome do interesse nacional, mas em proveito das clientelas do Largo do Caldas. 

É também por causa dessa actuação lamentável do agente de Paulo Portas na Praça de Londres - que o cds é, hoje, sem qualquer dúvida, o partido político mais pernicioso para a economia portuguesa e para o conjunto do interesse nacional. Ele não existe para servir o país, existe, sim, para se servir dele. 

- O PSD com o CDS às costas carrega um fardo; o PSD com o CDS liderado por Paulinho das feiras às costas - carrega um câncer que multiplica metástases em todo o organismo da sociedade portuguesa. E é isso que é trágico. Tanto mais que essa tragédia ameaça repetir-se numa futura coligação com os mesmos actores, a mesma estratégia e o mesmo objectivo: capturar o poder para continuarem - PSD e CDS - a servir-se dos recursos do país sem nenhuma contrapartida ou visão de futuro para o conjunto nacional.

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Mário Cruz/Lusa
Paulo Portas diz que formalizou pedido de demissão por carta e não por SMS
Passos Coelho (E) e Paulo Portas (D)
O gabinete de imprensa do CDS-PP esclareceu hoje que Paulo Portas formalizou o seu pedido de demissão do Ministério dos Negócios Estrangeiros por carta, e não por mensagem de telemóvel (SMS), como é referido numa biografia autorizada do primeiro-ministro.
"O gabinete de imprensa do CDS informa que o Dr. Paulo Portas não comenta nem valoriza algumas notícias hoje surgidas a propósito da publicação do livro 'Somos o que escolhemos ser'. O gabinete apenas esclarece que o pedido de demissão do então Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros aconteceu na manhã de 2 de julho de 2013, e foi naturalmente formalizado por carta", refere uma nota dos democratas-cristãos.
A nota acrescenta ainda que Paulo Portas "não falou com a autora do livro pelo que admite que a mesma tenha incorrido num lapso a que não atribui importância".
José Sena Goulão/Lusa
Paulo Portas diz que formalizou pedido de demissão por carta e não por SMS
Capa do livro "Somos o que escolhemos ser"
A biografia autorizada do primeiro-ministro e presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, intitulada "Somos o que escolhemos ser", da autoria de uma assessora do grupo parlamentar social-democrata, Sofia Aureliano, foi hoje lançada, em Lisboa.
Neste livro, da editora Alêtheia, é citada uma frase atribuída a Pedro Passos Coelho, relativa à crise do verão de 2013: "Fui almoçar e quando ia a caminho da comissão permanente, às 15:00, recebi um SMS do dr. Paulo Portas a dizer que tinha refletido muito e que se ia demitir".
Lusa
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domingo

Uma questão de fé - por Paulo Baldaia -


Nota prévia: Uma reflexão interessante de Paulo Baldaia que, por regra, pensa e equaciona eficientemente o fenómeno político em Portugal. 

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Apresentadas as primeiras linhas programáticas do PS, o que se dá como certo é a clivagem ideológica em relação à linha do governo e o assumir por parte dos socialistas que, com eles, a despesa pública será maior. É também provável que o PS tenha seguido uma estratégia política, em que garante responsabilidade com a manutenção da austeridade e promete "amanhãs que cantam" com o fim da austeridade, acreditando que assim consegue convencer este mundo e o outro, a começar por eles próprios. No entanto, os socialistas podem proclamar aos quatro ventos a certeza das suas previsões, mas nenhum ser racional pode acreditar no que ouve fazendo fé na simples vontade de mudança. É claro que isso não impede que os eleitores façam a sua opção com base em promessas que lhes permitem sonhar com o fim de uma realidade da qual estão fartos. Ver para crer, não sendo um princípio cristão, é uma boa bitola para avaliar as políticas que cada partido apresenta. O problema é que nós temos de votar antes de ver em concreto.
O escrutínio às propostas de cada um dos lados tem de ser reforçado, porque vivemos tempos de risco elevado e a dicotomia empresas/pessoas é redutora, porque nenhuma existe sem outra. A ideologia certa, portanto, é a que não separa o que não pode viver separado. Para bem do país, para bem de nós todos, é preciso é que tudo seja muito bem explicado. Temos todos, por isso, de fazer um apelo à memória para avaliar historicamente o que vale cada um dos políticos que se apresentam a eleições. E avaliar igualmente as políticas. Pelas propostas já apresentadas pelo PSD-CDS e pelo PS parece que os dois blocos vão no caminho de reduzir a austeridade, mantendo-a. É uma questão de velocidade. Podemos confiar? Se depender apenas da nossa fé nos economistas, convém recordar que eles existem para todas as teorias e só as que foram amplamente testadas têm validade científica. O resto é política. Pode andar pelas ruas da amargura, mas ainda é o que faz a diferença.
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sexta-feira

Sondagem da Católica coloca PS à beira da maioria absoluta

Sondagem da Católica coloca PS à beira da maioria absoluta, Link



Sondagem da Católica coloca PS à beira da maioria absoluta

Sara Piteira, RTP

O Partido Socialista está à beira de uma maioria absoluta nas legislativas do próximo ano, aponta o barómetro realizado pela Universidade Católica para a RTPAntena 1Jornal de Notícias eDiário de Notícias. O estudo realizado duas semanas após a vitória de António Costa nas Primárias do PS revela um desejo de mudança dos portugueses, que castigam os partidos do Governo com percentagens que são das piores já registadas, quer pelo PSD quer pelo CDS-PP.

Estes números foram obtidos calculando a percentagem de intenções diretas de voto em cada partido em relação ao total de votos válidos (excluindo abstenção e não respostas) e redistribuindo indecisos com base numa segunda pergunta sobre intenção de voto. São apenas consideradas intenções e inclinações de voto de inquiridos que dizem ter a certeza que vão votar ou que dizem que em princípio vão votar.O estudo da Universidade Católica para a RTP e Antena 1 revela uma clara intenção de mudança do universo eleitoral português, que ganha força na resposta sobre a abstenção: 70% dos inquiridos manifestam a intenção de votar (15% “em princípio” e 55% “de certeza”). Dados que quebram o ciclo de crescimento da abstenção dos últimos atos eleitorais.
Assim, se as eleições fossem hoje - e respondendo já depois de António Costa assumir a liderança do PS – 45% dos inquiridos votariam no PS, percentagem que em anteriores cenários eleitorais já valeu ao PS uma maioria absoluta. No PSD votariam 28% da amostra e 4% no CDS-PP, o que representa para a atual coligação uma queda superior aos 10 pontos percentuais, face à última sondagem.

À esquerda, a CDU (coligação do PCP com os Verdes) garante 10% de intenção de voto (desce 2 pontos) e o BE prossegue a curva descendente com apenas 4% da preferência da amostra. O Bloco é o partido que mais cai desde o barómetro anterior (tinha 7%).

Estes dados revelam ainda que, desde o barómetro realizado em abril, a diferença entre PS e PSD alargou-se de 6 para 17 pontos percentuais. Os socialistas são aliás o partido que mais sobe desde o estudo anterior, com mais 9 pontos.Efeito Costa
Os números da sondagem vão no sentido de um novo ciclo sob a liderança de António Costa como candidato do PS a primeiro-ministro. Quando questionados acerca das personalidades mais influentes da vida política portuguesa, é António Costa que merece mais avaliações positivas (62%), seguido a uma larga distância por Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP (53%). Todos os outros líderes partidários e o Presidente Cavaco Silva têm avaliações abaixo dos 50%.

António Costa consegue uma preferência pouco inferior àquela de Passos Coelho e Paulo Portas em conjunto (respectivamente 36% e 33% para uma soma de 69%). Os líderes dos partidos que compõem a coligação do Governo são as figuras políticas mais penalizados nesta avaliação.

De referir ainda a entrada para esta tabela de Marinho e Pinto, que recolhe para já 47% de avaliações positivas. Cavaco Silva, que em abril obteve 48% de avaliações positivas, fica-se agora pelos 46%.
Apenas 22% dão nota positiva ao Governo
À semelhança do barómetro realizado há seis meses, o desempenho do Governo continua a colher uma avaliação esmagadoramente negativa (37% Mau e 33% Muito Mau).

Face a estes dados penalizadores para o Executivo Passos-Portas, as pessoas que respondem à sondagem manifestam-se contudo descrentes (54%) na capacidade de qualquer dos outros partidos para fazer melhor.

Apenas 26% dos inquiridos acreditam nas capacidades dos partidos da oposição. Destes, 61% apontam o PS como a melhor alternativa à coligação PSD-CDS. A CDU mereceu 16% e o BE 7%.
Coligações sim… mas à esquerda
A Universidade Católica questionou ainda a amostra do Barómetro quanto aos cenários eleitorais do próximo ano (caso se mantenha o calendário eleitoral previsto).

A ideia que fica das respostas é que a maior parte dos inquiridos que votam PSD ou CDS-PP defendem que devem concorrer coligados (PSD: 60% contra 33%; CDS: 62% contra 32%).

Já os eleitores identificados com a esquerda parlamentar (PS, CDU e BE) consideram que a coligação deve dissolver-se para as próximas Legislativas.

Colocados perante o cenário de uma vitória do PS no próximo escrutínio, os eleitores de direita preferem um executivo de coligação do PS com um partido da direita a um Governo apenas socialista. O mesmo sucede com os partidos à esquerda do PS, que manifestam igualmente a preferência por um executivo de coligação, neste caso com um partido de esquerda.

Os eleitores do PS prererem um governo de partido único, o Partido Socialista (46%, contra 32% de eleitores socialistas que aceitariam de bom grado uma coligação à esquerda).


Ficha Técnica

Esta sondagem foi realizada pelo CESOP–Universidade Católica Portuguesa para a Antena 1, a RTP, o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias nos dias 11, 12 e 13 de outubro de 2014. O universo alvo é composto pelos indivíduos com 18 ou mais anos recenseados eleitoralmente e residentes em Portugal Continental. Foram selecionadas aleatoriamente dezanove freguesias do país, tendo em conta a distribuição da população recenseada eleitoralmente por regiões NUT II e por freguesias com mais e menos de 3200 recenseados. A seleção aleatória das freguesias foi sistematicamente repetida até que os resultados eleitorais das últimas eleições legislativas nesse conjunto de freguesias (ponderado o número de inquéritos a realizar em cada uma) estivessem a menos de 1% dos resultados nacionais dos cinco maiores partidos. Os domicílios em cada freguesia foram selecionados por caminho aleatório e foi inquirido em cada domicílio o mais recente aniversariante recenseado eleitoralmente na freguesia. Foram obtidos 1064 inquéritos válidos, sendo 62% dos inquiridos do sexo feminino, 36% da região Norte, 18% do Centro, 31% de Lisboa, 8% do Alentejo e 7% do Algarve. Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição de eleitores residentes no Continente por sexo, escalões etários, região e habitat na base dos dados do recenseamento eleitoral e do Censos 2011. A taxa de resposta foi de 66%*. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1064 inquiridos é de 3%, com um nível de confiança de 95%.

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Obs: Mais uma má notícia para o PSD/CDS e para Seguro; mais uma boa notícia para Portugal e para os portugueses.
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domingo

A nova alface do PSD


Ver e ouvir Marques Mendes professar a teoria do Teoria do Estado alicerçada naquilo que designou ser a sua dream-team - composta de Vitor Bento (um homem de Belém) e Moreira Rato (um homem do Terreiro do Paço) - é concluir que, afinal, este PSD apurou a tese de Francisco Sá Carneiro e, doravante, reformula a ideia para a reapresentar em novos moldes à sociedade: um Presidente, um Governo, uma Maioria e um Banco e, já agora, um Governador do BdP - que serve de notário para selar a negociata inter-institucional.



É, convenhamos, uma "grande conquista" pós-revolucionária, ainda que deixe má memória, v.q., os portugueses conhecem bem a fraude que foi o BPN e o modo como ainda hoje pagam essa desbunda bancoburocrática com miserável cobertura política, i.é, de Belém e de S. Bento (de que o governo anterior também não está isento com a sua nacionalização, bem entendido!!!). 

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segunda-feira

A mentira política é a nova droga do séc. XXI


Há casos em que a mentira é verdadeiramente difícil de identificar. A mentira vai muito para além da dissimulação ou da deformação deliberada de um facto, de um gesto ou comportamento ou de uma interpretação. Quando assim ocorre, pode haver a denúncia contrafactual ou o reconhecimento, pelo autor da mentira, de que efectivamente mentiu. Pode acreditar-se no mentiroso quando, ao denunciar a sua mentira, se revela como ela foi construída, e daí deriva o processo interno da sua reconstituição e da falta cometida mediante confissão. 

Mais problemático de clarificar é o caso em que a mentira tem a sua origem na impossibilidade, por parte de quem mente, de aceitar e de reconhecer a verdade da sua mentira. Trata-se, pois, duma patologia do comportamento que distorce a avaliação dos factos. Ou seja, quando alguém mente porque não pode reconhecer a verdade, isso poderá não decorrer do efeito da vergonha, da culpa, do pudor ou de uma intencionalidade perversa, poderá decorrer do facto de a mentira se ter tornado inconsciente.

Esta teorização empresta cobertura aquele sujeito que, recém-chegado ao aeroporto da Portela, apanha o táxi no respectivo terminal para regressar a Cascais, mas só em plena 2ª Circular é que decide ir a um congresso partidário que referiu não ir, até por julgar nada ter por dizer. 

Politicamente isto é pouco relevante, mas no plano dos valores, princípios e estruturas morais que formam o carácter e orientam a conduta das pessoas, é grave. E é grave porque se esconde no inconsciente aquilo que, por obra e graça do espírito santo, se fez desaparecer do consciente. 

Neste caso, assistimos à sinceridade consciente de quem mente, porque reprimiu a mentira no inconsciente, explica a capacidade de adaptação e de renascimento de alguns desses personagens políticos. É óbvio que não estou a falar do Sr. dr. Miguel Relvas, mas do doutor Marcelo que, apesar de serem muito diferentes, em certos casos parecem iguais. 

Nestes casos, quem mente nunca reconhecerá que mentiu, mas o seu inconsciente continuará a conhecer a verdade. No entanto, o mentiroso acabará por ser denunciado enquanto tal pelo seu inconsciente, que se revela na forma de sintoma.

A vida pública portuguesa, por causa do poder, da sua captura e manutenção, está repleta deste tipo de condutas lamentáveis que sistematicamente ocultam a verdadeira informação em democracia. E uma democracia onde a mentira fique oculta, é uma democracia incapaz de ser regulada, não apenas pela manifesta incapacidade crítica e de construção de alternativas pela oposição, mas também porque a dissimulação e a simulação transformaram-se na regra no âmbito da actuação do espaço público nacional. 

Foi a este processo que em tempos aqui chamamos de sociedade que institucionaliza  a mentira em política em Portugal. 

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quarta-feira

PSD expulsa António Capucho, um militante que fundou o partido com Sá Carneiro





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Obs: Momentos há na vida dos partidos (e das pessoas), e porque estes são feitos de pessoas e supostamente para as pessoas, em que importa não levar demasiado à letra aquilo que os estatutos dizem, pois para além da letra está sempre o espírito da motivação que impele os homens para a acção. 
- Capucho é um histórico do PSD, seu membro fundador, colaborador próximo de Sá Carneiro e defensor duma linha verdadeiramente social-democrata que o partido actualmente conduzido por Coelho nada tem a ver. 
A esta luz, o partido sequestrado pelo neoliberalismo puro e duro de Passos coelho (obediente à Alemanha e à troika) - que fez uma interpretação estrita dos estatutos do partido na ressaca eleitoral, perde mais em identificar inimigos internos do que em procurar alinhar o seu discurso e praxis com as necessidades das populações, cujos rendimentos e condições gerais de vida tem empobrecido Portugal em nome da austeridade. 
Neste contexto, a expulsão de Capucho pelos homens de Coelho representa várias coisas cumulativamente: 1) o psd deixou de ser um partido social-democrata e com preocupações genuinamente sociais e marcadamente inter-classista para passar a ser um partido ultra-liberal e sem alma obsecado com os impostos e com o esbulho às empresas, famílias e pessoas; 2) as purgas internas nos partidos pluralistas assemelham-se a algumas práticas do PCP - que sempre conviveu mal com a diferença; 3) Capucho já há muito que se deveria ter desvinculado do PSD, pois o partido em que ainda estava inscrito é estruturalmente outra coisa; 4) se Sá Carneiro assistisse a esta fantochada a que passos coelho reduziu o partido e conduziu o país colocar-se-ia mais facilmente do lado de Capucho do que da actual nomenklatura de gente impreparada que integra o XIX Governo (in)Constitucional.
Neste quadro, a expulsão de Capucho representa mais uma libertação pessoal, política e partidária, e o psd de Coelho & Compª - demonstra que já só consegue calar a diferença observando os métodos que outrora criticava no comité central do PCP.
Tudo isto é vergonhoso e lamentável, e tem lugar no pior momento de desenvolvimento da nossa sociedade e economia. 
O que revela que Passos coelho é "tão bom" a governar o país como a disciplinar a diferença no seio do seu próprio partido.

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sexta-feira

Rui Rio perfila-se para a liderança do PSD


Já começou a contagem decrescente para que Rui Rio, que saiu da autarquia do Porto com capital político, se perfile para a liderança do PSD. Ao ter recusado o convite que Coelho lhe dirigiu para dirigir o novo Banco de Fomento (que Marques Mendes já pediu mudasse de nome) - Rio não só quis demarcar-se da actual gestão liquidatária do PSD como também declinar um convite que, directa e indirectamente, poderia ter várias leituras, a principal das quais seria paralisar politicamente Rio a novos vôos no partido. 

Querendo ser livre, Rio fez bem em ter declinado o convite, ainda por cima oriundo duma pessoa e dum governo em quem já ninguém acredita. 

Assim, com uma cacetada mata logo dois coelhos...

Na prática, Rui Rio demonstrou que não gosta de presentes envenenados nem de ser empurrado. 


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sábado

A quinquilharia do laranjal ao serviço do XIX Governo (in)Constitucional


Esta semana o CC continua a fazer serviço público denunciado a quinquilharia de malfeitores blogosféricos que se especializou em abater o líder do governo anterior e cujo desenvolvimento poderá ser lido aqui. De caminho, mandou estudar não o dr. Relvas - que já foi, mas um outro sujeito, presumo que licenciado numa universidade idónea, que tinha a prática de cortar os artigos aos articulistas que graciosamente colaboravam no Euronotícias sem os consultar previamente, o que já denunciava uma predisposição censora (ou censória) que posteriormente subiu aos píncaros do poder oficial sem ter a mínima preparação técnica, política e cultural para o efeito. Também aqui vigora o princípio de Peter, para mal deste país e de 10 milhões de portugueses, ou menos, visto que emigram compulsivamente 300 pessoas por dia - muitos deles qualificados que não precisam das cunhas de um governo moribundo para comer um prato de lentilhas como public relations numa empresa do Estado numa situação de manifesto (e degradante) favor. 

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Pergunte-se às bases social-democratas

...O que acha disto...


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quinta-feira

O experimentalismo político errático e primário de Pedro Passos Coelho.

Qualquer português atento ao fluir seródio da vida pública nacional percebe que aquilo que PPCoelho fez foi um ensaio geral para depor o PS e Sócrates do poder através desse grande teste concretizado mediante a famosa revisão constitucional, que, nos termos em que foi fixada por PPC não tem pés nem cabeça, é anti-social, desequilibra o sistema de poderes na arquitectura política vigente e apenas trás instabilidade ao relacionamento entre as instituições e aos players políticos.
É certo que não sendo jurista as possibilidades de PPC cometer erros e ventilar baboseiras são maiores, mas no seu caso tais erros revelam não apenas ignorância jurídica, mas uma gritante falta de consciência social e um desespero pela captura do poder, a ponto de pensar que aquilo que a sociedade e a economia nacionais precisam é de uma revisão constitucional para dar mais poderes a Cavaco, fortalecer a capacidade de as empresas despedirem os seus empregados e, no limite, implicar mais desemprego e mais pobreza no país.
Confesso que não esperava tanta tacanhez política daquele que há vinte anos se considera uma esperança política, pois nenhuma das suas pseudo-ideias de RC agiliza o decison-making process, conduz a mais competitividade na área da economia e a maior coesão na esfera social. Uma desgraça, portanto.
O psd de Relvas e PPCoelho, sequestrados ideológicamente pelo eloquente Ângelo e o sobredotado Paulo Teixeira Pito, tomou consciência dos erros cometidos, por isso pretende retocar o texto que informa o anteprojecto num experimentalismo político de trazer por casa. Ou seja, primeiro o líder do psd, que julgava ser um pouquinho melhor do que Manuela Ferreira leite, atira o barro à parede, os actores políticos, sindicais e sociais reagem negativamente - e aí o aparelho do psd retrai-se e manda retocar o documento. Faz lembrar aquele cliente que manda vir uma pizza, dá-lhe meia dúzia de dentadas, e quando constata que não gosta do que pediu manda vir outra seguindo o mesmo método, até acertar no sabor e no gosto.
Por estas e por outras é que o zé povinho se pergunta se não será preferível continuar com Sócrates no poder do que para lá enviar um inexperiente e errático beginner que ainda não percebeu por que razão é uma esperança na política portuguesa há 20 anos e cujas propostas oriundas do eloquente Ângelo e do sobredotado Paulo Teixeira Pinto só conduzem a um destino: à tragédia.
Por isso lhes dedicamos a música (ver vídeo abaixo) do mesmo nome do famoso grupo - os Bee Gees...
E o mais grave em todo este processo é constatar que nenhuma daquelas ideias, ainda que estapafúrdias, são de PPC.
Dele mesmo só a vox e a dicção, pois que lhe faça bom proveito..., mas é no S. Carlos))))

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quarta-feira

Paulo Teixeira Pinto: o homem que "tramou" PPCoelho

O problema dos homens excepcionalmente inteligentes é que criam mundos alternativos, muito próprios que não atendem às chamadas necessidades básicas das populações: educação, saúde, etc. É também apanágio destes homens muito inteligentes terem feito uma carreira socioprofissional que lhes permite ter acumulado altos rendimentos e daí extrair 7, 9, 12 mil contos mês, ou seja, aquilo que para estes homens mui dotados é uma mensalidade corresponde ao comum dos tugas o exercício de um ano - ou mais - de trabalho. Por isso, torna-se fácil fazer propostas, considerações sobre a "desestatização" do Leviatão daquelas áreas sociais em sede de revisão constitucional onde actualmente o Estado social tem uma intervenção regulatória de cariz fortemente social, praticando aí a tal equidade social que não existiria caso essa mão assistencial do Estado não tivesse lugar.

Neste quadro, já se percebeu que PPcoelho pouco ou nada sabe de direito, é até um economista modesto licenciado aos trinta e tal anos, e o que veicula publicamente é-lhe soprado por homens de empresa - como o eloquente Ângelo Correia, PTP, agora poeta e livreiro (de qualidade, ao que parece!!), pouca coisa sobra ao candidato a PM que hoje anda a brincar às revisões constitucionais, enquanto que os portugueses de carne e osso enfrentam o problema do desemprego e a crise económica e financeira em todos os seus aspectos e dimensões.
Isto não significa que expressões anacrónicas - como a sociedade portuguesa deve caminhar para uma "sociedade socialista" não deva ser expurgada da CRP, é óbvio que sim, mas há que ter cautelas com as áreas da saúde e educação, onde o psd não pode - nem deve - brincar aos experimentalismos jurídico-constitucionais só porque o menino PPCoelho não sabe como depor Sócrates do poder e arranjou este expediente - que a generalidade dos portugueses não compreende - para tentar ganhar na secretaria o que não tem conseguido ganhar no terreno político.
Mexer no equilíbrio de poderes, conferindo mais poderes ao PR é má ideia e cheira a parcialidade para aproveitar a boleia de Cavaco, talvez não fosse má ideia PPCoelho ouvir alguns juristas, e aqui Santana Lopes poderia dar-lhe uma ajudinha para evitar repetir propostas de RC que são verdadeiros ensaios de demagogia política em vésperas de eleições presidenciais.
Com efeito, PPC quis demonstrar ter ideias originais aos portugueses, mas acabou por revelar toda a sua futilidade ao agendar uma questão que não é essencial nem necessária ao funcionamento do nosso sistema político, queimou o seu emergente capital político ao pretender abater as dimensões do Estado social - aniquililando a esperança, o optimismo e a mobilização dos portugueses mediante a promessa daqueles valores relativos à saúde, ao ensino...e, por fim, revelou ser um mero "papagaio" das intimidades que Ângelo e PTP veiculam no âmbito de conversas privadas cujo fito é, naturalmente, também servir interesses privados a que a generalidade dos portugueses são alheios.
Só por este negro contexto de experimentalismo pseudo-constitucional made in PPC o candidato ao poder revelou todo o esplendor da sua idiotia e, mais grave, revelou também que perante uma adversidade - como a que vivemos em termos colectivos - não está minímamente preparado para ser presidente de câmara quanto mais candidato a PM. Ainda que seja bem falante e tenha uma excelente dixão.
PPCoelho é um nado-morto, demorou duas décadas a ser candidato a candidato, por fim lá conseguiu bater a pior e mais sinistra chefe do economato do psd, Manuela Ferreira leite, e agora partilha com os portugueses ensaios de RV no pior estilo do experimentalismo pseudo-constitucional, para ver se pega e cavalgar uma boleia que não o irá levar a lado nenhum, senão à Tragédia...
Bee Gees - Tragedy (live, 1997)

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sábado

Pantera cor de Rosa: uma alegoria à vida interna do PSD

...A grande questão está em saber se Pedro Passos Coelho consegue inverter a tendência.

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Pedro Passos Coelho é o novo líder do PSD

Passos Coelho parece ter recolhido o maior número de votos no PSD, obtendo cerca de 60 a 70% dos votos dos militantes com quotas pagas, não sei se pelo António Preto e pela sua madrinha. Coelho era já uma promessa no psd na década de 80/90. Entretanto, o psd teve vários líderes, mais ou menos fracos. A líder cessante, ferreira leite, representou o grao zero da política em Portugal, portanto não se torna difícil a Coelho superar as expectativas na liderança interna, o nó górdio reside, de facto, na conquista do país e na sistematização de um conjunto de políticas, de estratégias e de medidas para renovar as políticas públicas em Portugal. Coelho terá os próximos seis meses para se afirmar no país e minar o caminho a Sócrates. Tudo depende, portanto, da capacidade da geração de ideias e de projectos alternativos ao PS que sirva Portugal. Por ora Sócrates começa a ter um opositor à sua medida. Veremos qual serve melhor Portugal e os portugueses (mesmo com a oposição de Al berto joão jardim) nesta conjuntura de crise para construir uma sociedade mais justa, mais moderna e mais desenvolvida.

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O CDS de Rangel e Seara é o grande derrotado do PSD de Pedro Passos Coelho

Paulo Rangel e fernando Seara, dois militantes do cds (ex), e rivais de Paulo Portas, são os dois grandes derrotados do psd de Passos Coelho. A grande incógnita é saber se Passos Coelho consegue ganhar o país - que ainda é de Sócrates. Quanto a Castanheiro de Barros - somos de parecer que daria um eficiente autarca em Sintra.

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domingo

Fernando Costa, autarca das Caldas da Rainha dá uma lição de democracia interna ao PSD

Fernando Costa, autarca das Caldas Rainha, um veterano da política local e regional, um papa-eleições, vai ao congresso de Mafra e faz um discurso com múltiplos efeitos encerrando algumas lições democráticas para a vida interna do PSD: 1) mata politicamente Ferreira leite em directo e toda a sua direcção de economato; 2) apoia Pedro Passos Coelho; 3) afirma a sua identidade regional em todo a região do Oeste; 4) e cilindra algum snobismo e intelectualite - personalizado no filósofo da Marmeleira (pacheco PeReira) e conselheiro de Ferreira leite. Só faltou descompor o presidente da Mesa do Congresso, Rui machete, seu professor - que também não arriscou mandá-lo calar. Fernando Costa deu uma terrível lição de democracia interna ao seu próprio partido, e revelou um traço de autenticidade e sinceridade verdadeiramente raro em política em Portugal.

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sábado

O fingimento e a mentira em política no congresso do psd

Há quem tenha sido educado a dizer a verdade desde sempre. Tenho para mim que honesty is the best policy. Hoje ao visionar algumas das intervenções dos candidatos à liderança do psd vi toneladas de mentira disfarçadas de falsos elogios. Em inúmeros casos foi lamentável, só para não dizer que me causou alguns vómitos. Dou alguns exemplos, ainda que sabendo que a política é (também) feita dessa massa e atravessa todos os partidos: ver Passos Coelho elogiar Ferreira Leite foi tão comovente quanto surreal; ver Pedro Santana Lopes subscrever cavaco para Belém, depois de o desancar sobre o artigo do Expresso, foi também uma coisa do outro mundo; ver todos procurarem dar-se bem com Al berto joão jardim, embora não seja fácil negociar com o maior chantagista da república, foi um acto miserável que mitiga medo e cobardia política. Todos procuram o aval de Al berto da Madeira para beneficiar dos votos que ele sindicaliza e telecomanda. É a política no seu pior. De resto, lembremo-nos do que Jaime gama em tempos chamou ao dito Al berto e depois confira-se os elogios que lhe proferiu...
Marques Mendes fez um discurso mais sério, ainda que com o peso de várias derrotas e humilhações que sofreu de Sócrates no hemiciclo por perder todos os debates parlamentares. As derrotas políticas deixam sempre mossas. Marcelo, procurou assassinar politicamente Sócrates e os seus colaboradores mais próximos, basta ver a formulação do seu enunciado.
É lamentável constatar que a política se faça de doses tonelares de mentira, dissimulação e fingimento. É um péssimo exemplo para as futuras gerações. Mas lá estavam os jotinhas sabujos a aprender a mentir com os mais velhos, para depois replicarem esses mesmos mecanismos reprodutores da mentira, e serão eles os governantes de amanhã. Os mesmos que aprenderam na escola do Passos coelho, do Rangel, do Marcelo e por aí fora. Tudo por causa dos votos, primeiro para ganhar o partido, depois para ganhar o país, mesmo que isso não se traduza em mais e melhor desenvolvimento.
Aliás, a ciência da mais ampla usança em política é a arte do fingimento. Mas quando se começa a luta pelo poder interno a mentir, elogiando Manuela Ferreira leite a torto e a direito, que foi a pior líder do psd destes trinta e tal anos de democracia, é um mau augúrio. Não se compreende por que razão Pedro Passos Coelho, por exemplo, que fez um eficiente take-of no seu discurso, depois recorreu à mentira e ao fingimento. Elogiando quem detestava. Será só por causa dos votos?! Para ser cavalheiro?! Infelizmente, a arte da mentira é atemporal e universal, e cada tempo, cada época conhece sempre os seus intrujões.
Estes salamaleques impedem os líderes de ver a verdade e de corrigir os erros que perpetuam esses desvios, mas como Passos Coelho elogiou em público quem passou a vida a criticar nestes últimos dois anos, e compreende-se, importa dizer que a arte da mentira política é, de facto, a arte de fazer crer ao povo falsidades salutares, com determinado bom fim.
Ao ouvir parte daqueles falsos elogios, que são da praxe, mas que poderiam ser limitados no caso de Ferreira leite - que foi a verdadeira coveira deste psd, pensei que o povo não tem direito nenhum à verdade política. Assim como o zé povinho não deve possuir bens, valores, terras, acções ou castelos, ficámos hoje todos a saber que o povo do psd, segundo os oradores candidatos à liderança do partido e ao lugar de PM, também não têm direito à verdade.
E isso é assim por uma razão simples: essa verdade, como tudo na vida, é sempre propriedade privada, só certas pessoas, por umas certas qualidades, a podem dizer, e são essas mesmas pessoas que também a devem calar ou mascará-la.
Para aqueles oradores o povo é gelo ante as verdades, e fogo diante das mentiras. Confesso que tive pena que hoje, todos e cada um daqueles geniais oradores, incluindo Marcelo de sousa, não aproveitasse a oportunidade para dizer o que a srª Ferreira leite fez ao partido nestes últimos dois anos, desde a sua entronização no Congresso de Guimarães. Isso, sim, seria um acto de honestidade, uma busca da verdade. Mas todos foram cobardes e calaram aquilo que as bases estão carecas de saber relativamente à direcção do economato do actual psd.
Fazendo isso, seria um bom começo para começar a falar verdade ao partido e ao país. Por isso, não me pareceram felizes muitas daquelas intervenções nem alguns daqueles falsos elogios a Ferreira Leite, e depois acusar Sócrates de mentiroso é a suprema das hipocrisias. A mentira tem a perna curta, e apanha-se mais depressa um mentiroso do que um coxo... Assim, como poderão fazer-se acreditar pelo povo aqueles que nomeiam Sócrates de mentiroso?! O povo dirá: mentem todos, são todos mentirosos.
É isso que gera a crise de legitimidade nos partidos, nos políticos e nos órgãos de poder em geral. Em vez de se gerar a sociedade da confiança, multiplicam-se os sinais geradores da sociedade do risco e da desconfiança.
Hoje, em Mafra, aqueles elogios numa só tarde a Ferreira leite traduziram mais mentira, dissimulação e fingimento do que as mentiras que são imputadas a Sócrates nos últimos anos.
Ao ver o que aqueles notáveis disseram da actual coveira do psd fica-se a saber que a mentira é hoje o produto duma organização racional e duma rigorosa divisão do trabalho. E o douto Marcelo foi um mestre nessa arte de cerimónia disciplinando a sua mensagem por forma a que ela tivesse uma dupla finalidade: chamar corruptos aos que ocupam o poder e salvar a alma da verdadeira coveira do seu psd. A política é feita destas ambiguidades que convocam o vómito.
Ainda que muitos desses actores políticos mintam, ou escondem a verdade ao povo, com vista à sua salvação. Talvez por isso, Passos Coelho, Rangel, Aguiar-Branco, Marcelo e tutti quanti tenham dito o que disseram de Ferreira Leite, na esperança de a salvar do funeral a que ela submeteu o psd nestes últimos dois anos.

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É desta que o PSD...

... arranja líder para dois ou três (tri)semestres...

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