quarta-feira

PSD expulsa António Capucho, um militante que fundou o partido com Sá Carneiro





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Obs: Momentos há na vida dos partidos (e das pessoas), e porque estes são feitos de pessoas e supostamente para as pessoas, em que importa não levar demasiado à letra aquilo que os estatutos dizem, pois para além da letra está sempre o espírito da motivação que impele os homens para a acção. 
- Capucho é um histórico do PSD, seu membro fundador, colaborador próximo de Sá Carneiro e defensor duma linha verdadeiramente social-democrata que o partido actualmente conduzido por Coelho nada tem a ver. 
A esta luz, o partido sequestrado pelo neoliberalismo puro e duro de Passos coelho (obediente à Alemanha e à troika) - que fez uma interpretação estrita dos estatutos do partido na ressaca eleitoral, perde mais em identificar inimigos internos do que em procurar alinhar o seu discurso e praxis com as necessidades das populações, cujos rendimentos e condições gerais de vida tem empobrecido Portugal em nome da austeridade. 
Neste contexto, a expulsão de Capucho pelos homens de Coelho representa várias coisas cumulativamente: 1) o psd deixou de ser um partido social-democrata e com preocupações genuinamente sociais e marcadamente inter-classista para passar a ser um partido ultra-liberal e sem alma obsecado com os impostos e com o esbulho às empresas, famílias e pessoas; 2) as purgas internas nos partidos pluralistas assemelham-se a algumas práticas do PCP - que sempre conviveu mal com a diferença; 3) Capucho já há muito que se deveria ter desvinculado do PSD, pois o partido em que ainda estava inscrito é estruturalmente outra coisa; 4) se Sá Carneiro assistisse a esta fantochada a que passos coelho reduziu o partido e conduziu o país colocar-se-ia mais facilmente do lado de Capucho do que da actual nomenklatura de gente impreparada que integra o XIX Governo (in)Constitucional.
Neste quadro, a expulsão de Capucho representa mais uma libertação pessoal, política e partidária, e o psd de Coelho & Compª - demonstra que já só consegue calar a diferença observando os métodos que outrora criticava no comité central do PCP.
Tudo isto é vergonhoso e lamentável, e tem lugar no pior momento de desenvolvimento da nossa sociedade e economia. 
O que revela que Passos coelho é "tão bom" a governar o país como a disciplinar a diferença no seio do seu próprio partido.

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