sábado

Symphony of Science - The Poetry of Reality (An Anthem for Science)



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À mulher de César não basta ser honesta...


Por referência à reportagem da RTP, Sexta às nove, de 22-2-2019
https://www.rtp.pt/play/p5338/e391611/sexta-as-9

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Coincidências ou casos deliberados?!

- Para serem coincidências os factos apresentam demasiados casos; tratando-se, alegadamente, de casos isolados é perigoso qualquer governo enveredar por um conjunto alargado de filiações familiares a coabitar no mesmo Governo. Ainda por cima um governo como a geringonça, cuja legitimidade é precária e assenta naquele frágil acordo de incidência parlamentar viabilizado entre o BE e o PCP, que foi o que permitiu a A.Costa ser PM mesmo após ter perdido as eleições legislativas para o PSD em Outubro de 2015...

- Será mérito dos candidatos? Pelo CV de alguns deles, como mariana vieira da silva, não é, seguramente. Pois nada nem cv se lhe conhece. Pelos resultados das políticas públicas, ainda é cedo para fazer essa avaliação.

- Seja como for, todas essas nomeações, que são às dezenas, violam grosseiramente o princípio ético republicano que, no mínimo, impediria tantos laços familiares de coabitarem no mesmo governo.

É que à mulher de César não basta ser honesta, tem de o parecer...

De tudo resulta uma percepção na opinião pública objectiva com a qual A.Costa deverá saber contar no próximo acto eleitoral. Além do episódio burlesco de Tancos, do chão de Borba, dos incêndios de Pedrogão.., ocorre agora mais este conjunto de "coincidências".


Os portugueses acreditam em coincidências, podem até acreditar em algumas delas, mas não acreditam em todas!!!

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quarta-feira

MARIO BIONDI - Prendila così - evocação de Lucio Battisti



Mario Biondi - fica. 
Battisti - também. 

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sexta-feira

A originalidade de Marcelo e a "mãosinha" ao Governo..

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- Numa só "jogada", o PR dá-se ao luxo de receber uma estação de TV privada (amiga) para fazer um programa de análise política e, ao mesmo tempo, estender a mão ao Governo no quadro da "requisição civil" a fim de suprir a não observância dos serviços mínimos no âmbito do trabalho dos enfermeiros.

- Como mero utente do SNS, fico sempre com a sensação de que os "serviços mínimos" são uma névoa, ainda que se reconheça fundamento nas reivindicações da classe.

- Seja como for, Marcelo põe os pontos nos ii, dá uma ajudinha ao Governo na guerra com os enfermeiros, e questiona a recolha de fundos de forma secreta para os financiar.

- Bem ou mal, Marcelo, até pela sua formação jurídica, acaba por ser o garante do estado de direito e fazer com que a República portuguesa não seja, de facto, uma república das bananas.
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segunda-feira

O reconhecimento de Estados na ordem internacional


Resultado de imagem para venezuela e petróleoNão há uma só definição para o reconhecimento de um Estado por parte de outros no sistema internacional. Esse reconhecimento, de facto e de iure, será sempre um acto livre por parte de outro Estado ou Estados que, isoladamente ou no âmbito de organizações internacionais, possam reconhecer outros estados, que assim assistem ao seu nascimento formal na ordem internacional considerando um determinado território, visando uma específica sociedade humana organizada. A este novo sujeito de Direito Internacional pede-se que possa cumprir as regras e as normas já instituídas no chamado Direito Internacional Público.

O reconhecimento político decorre assim duma verificação formal, mediante actos diplomáticos, de que o novo ente soberano passou a ter uma existência na ordem internacional. No caso da Venezuela, não se trata de reconhecer o Estado em si, que já existe, o que se reconhece é a legitimidade de um presidente interino, J. Guaidó - que fica investido de conduzir o país para um contexto de eleições livres, justas, inclusivas e internacionalmente válidas em ordem a permitir que todos os venezuelanos possam votar em condições de liberdade. 

Será isto permitido numa ditadura? É óbvio que não, mesmo sob grandes pressões internacionais, com sanções à mistura, é questionável.

Para agravar toda esta situação na Venezuela, onde existe uma viva comunidade portuguesa, muitos dos quais são pequenos empresários que dinamizam o tecido económico nacional, existem no momento dois presidentes, formados por duas legitimidades distintas e com poderes muito variados: (1) Maduro, que tem o apoio da clic militar e domina o aparelho de poder militar e do chamado aparelho de Estado e goza do apoio internacional da China e da Rússia de Putin; (2) o outro, J.Guaidó - que tem o apoio de milhões de venezuelanos descontentes com a forma como o ditador tem gerido o país, onde não há bens essenciais primários necessários à vida, medicamentos e uma inflação galopante que não permite a ninguém organizar a sua vida pessoal e familiar, daí a emigração massiva, a fome, as mortes nas ruas e os oprimidos e presos por delitos de opinião a quem a ditadura de Maduro jamais perdoará a manifestação de liberdade. Como não perdoaria Hugo Chaves... Guaidó conta ainda com apoios de peso da Comunidade internacional, desde logo os EUA de Trump e, talvez um pouco a reboque deste, a União Europeia.

Todavia, mesmo que um Estado reconheça outro como membro ou parte da sociedade internacional - este reconhecimento pode demorar anos a concluir-se e envolver uma grande diversidade de negociações com vista a subscrever tratados internacionais com base nos quais se avalia a observação de um conjunto de normas. 

Recorde-se, a título de exemplo, que o Brasil proclamou a sua independência em 1822, mas esse processo de reconhecimento por parte do Rei de Portugal só ocorreu três anos depois, em 1825, através de um Tratado de Paz e Aliança, o qual contou com os bons ofícios da Grão Bretanha, que hoje, curiosamente, precisa da ajuda de todos os países da União Europeia em resultado desse erro colossal que foi o Brexit iniciado, perversamente, pelo Sr. Cameron, de quem nunca mais se ouviu falar. Curiosamente, os EUA foi o primeiro país a reconhecer o recém-criado Brasil em 1824, um ano antes de Portugal o fazer. 

Ou seja, o reconhecimento de um Estado nascente por parte doutro(s) pode ser um processo simples e linear, mas também pode ser um processo longo e complexo e depender de inúmeras negociações e de variáveis e económicas e financeiras. E no caso da Venezuela, é bom lembrar que é dos maiores produtores de petrólo do mundo, ainda que não tenha grande capacidade em matéria de refinarias (que encerraram).

A posição de Portugal está enquadrada pela UE, de reconhecer Juan Guaidó, como o único actor capaz de encaminhar a Venezuela para eleições livres, justas, inclusivas e internacionalmente válidas. Atendendo a que Portugal tem uma grande comunidade de portugueses na Venezuela pode haver um risco destes serem mal tratados pelo regime de Maduro, como represália para com o governo português que, enquadrado pela UE, acabou por ir a reboque da posição norte-americana, que foi de reconhecimento político a Guaidó.

Imagine-se que, no limite, Maduro até assegura eleições livres e internacionalmente monitorizadas na Venezuela, e após o acto eleitoral Maduro consegue arrecadar mais votos e, desse modo, ganhar as eleições à oposição democrática...

Ainda que seja um cenário remoto, é lícito perguntar como ficará, nesse contexto, a posição de Portugal e do conjunto dos países da UE face à Venezuela?

Em suma: se Portugal e a comunidade internacional nada fizessem para ajudar os venezuelanos a sair daquela ditadura e situação económica e social explosiva havia, seguramente, elevados riscos de conflitualidade, fome, emigração, opressão, enfim, problemas humanitários e graves violações ao direito humenitário típicos das ditaduras. Como Portugal entende,  e bem, alinhar com a posição da UE, no sentido de pressionar o ditador a conduzir o país para eleições livres e justas, o risco persiste igualmente.

Entre fazer algo e nada fazer, creio que a resposta é óbvia!!!

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quinta-feira

A vingança dos políticos sobre os taxistas - ouvida no talho -

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Eles querem é andar pela cidade em belos carrões e encherem-se à custa dos nossos bolsos.

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Casa de Juan Guaidó invadida pela Polícia


O líder da Assembleia Nacional, que há oito dias se autoproclamou presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, denunciou que as forças especiais do país cercaram a sua casa e afirmou que teme pela integridade da filha. in JN
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Um ditador é sempre um ditador...
- Alguém que só enceta negociações sob a pressão dos factos e da comunidade internacional, mas fá-lo por uma questão de imagem pública, enquanto que por outro lado não abre mão daquilo em que assente a sua força: a clic militar que suporta o ditador e o guarda, servindo-se dessa força para intimidar ou esmagar as forças da oposição que lutam pela Liberdade e a Democracia na Venezuela.
Com esta jogada de intimidação, Maduro ainda saiu mais enfraquecido do que já está, pois se por um lado pretendeu intimidar Guaidó e os seus seguidores, o efeito foi exactamente o contrário pela coragem demonstrada por aqueles que lutam pela liberdade num país com grandes recursos naturais, mas que obrigou o povo a viver na indigência e a emigrar em busca de comida, segurança e uma oportunidade de vida.
Guaidó tem com ele a coragem, a determinação, uma massiva legitimidade popular e uma cultura democrática; o ditador tem apenas a clic militar do seu lado, mas será por pouco mais tempo, porque as denuncias de corrupção e a forma como o petróleo e a economia têm sido geridos é a mais pura evidência de que o país é corrupto, mal gerido e o povo reclama urgentemente uma mudança na composição do poder mediante eleições livres, justas e transparentes.
Veremos se isso se faz numa transição democrática, ou se o ditador perde a cabeça e, com ele, os militares usam e abusam do seu poder para continuarem sentados à manjedoura do orçamento de Estado regada a petróleo e usufruindo de muitos outros privilégios, enquanto que o povo nem consegue aceder a 1Litro de leite nas prateleiras dos supermercados.

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segunda-feira

Um até a Vergílio Ferreira (n. 28Jan. 1916 - m. 1. Março 1996)


E de súbito, como dizia VF, uma súbita irrealidade começa a existir numa pancada funda da alma. Pode até ser uma foto inesperada de alguém que amamos e morreu e desapareceu no montão de coisas que foram e nos aconteceram. 



Escrevemos para tornar possível a realidade, os lugares, tempos, pessoas...

Escrevo para tornar visível o mistério das coisas. Escrevo para ser. Escrevo sem razão, sublinhava VF.


Afinal, qual é o trabalho do poeta, do escritor, ou mesmo do pensador, já que um grande escritor deve ser também um grande pensador, senão o de fazer coincidir o indizível com o dizível.

Por vezes, isso torna-se possível na contingência do tempo que nos foi dado viver.

Vergílio Ferreira deu-nos isso e também nos deu o mistério das coisas com as quais hoje estamos confrontados e obrigados a viver, a cada dia, a cada hora e minuto a descodificar o seu sentido. 

Por tudo isso, VF fica. 


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domingo

Evocação de Ortega y Gasset

Caminhe lentamente, não se apresse, pois o único lugar ao qual tem que chegar é a si mesmo.
José Ortega y Gasset

Este caminho que temos de percorrer até à reconciliação connosco próprios - traduz um dos traços da nossa verdadeira existência e aqui é partilhada pelo autor de A rebelião das massas.

Por vezes não há muito tempo para nos conhecermos, ou porque adiados projectos ou priorizamos mal o que é verdadeiramente essencial. 

Basta, para o efeito, estar atento aos nossos erros e aprender as lições que eles nos transmitem. 

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António Costa de cabeça perdida. Não havia necessidade

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A cabeça perdida de Antônio Costa...
- Não se confinou apenas à resposta a Cristas, por causa da cor da pele, a questão substantiva é que Costa e o PS ainda não compreenderam que a privatização parcial dos CTT foi um atentado à economia nacional, à coesão territorial das populações do interior mais desfavorecidas. Costa não se pode refugiar na formalidade de que o contrato só se avalia em 2020, conferindo à ANACOM a ilusão de que supervisiona algo ou manda corrigir os desvios dos accionistas que apenas pretendem descapitalizar os Ctt e degradar progressivamente a sua oferta de serviços e fechar estações de correios por esse Portugal profundo. 

Também neste capítulo o PS de Costa foi claramente ultrapassado à esquerda pelo BE, que se propõe fazer aquilo que há anos já deveria ter sido feito, a bem da economia nacional e da coesão das populações mais isoladas que continuam a precisar daqueles serviços de proximidade. É por essas e por outras que quando Costa fala, ou pensa... em maioria absoluta tal releva dum absurdo cada vez mais absurdo. E percebe-se porquê...

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terça-feira

Os "abutres" descobriram as casas portuguesas


Resultado de imagem para abutres, fundos imobiliáriosNota prévia: Este texto, e parte do Relatório do Observatório sobre Crises e Alternativas fala por si, e descreve uma realidade lamentável que está a ocorrer no sector do imobiliário em Portugal, com os pequenos proprietários e arrendatários a empobrecerem galopantemente, sem que o Governo, a Assembleia da República (deputação!!!! - que é de esquerda) e as demais entidades sectoriais (públicas e privadas) coloquem um travão a esta enorme especulação imobiliária que visa exclusivamente entregar o parque habitacional de Lisboa, Porto e Algarve a alguns fundos (i)mobiliários à custa da estabilidade do mercado da habitação em Portugal. 

Aqui, o que é mais estranho nem sequer é a conduta laxista do PS, que até já levou a desentendimentos sérios com Helena Roseta, mas à perniciosa indiferença do BE e do PCP para, no plano legislativo e da iniciativa política e mediática, marcarem a agenda pela definição dum conjunto de prioridades e de estratégias que passariam, naturalmente, por uma defesa intransigente dos legítimos interesses dos arrendatários, dos proprietários e da obrigatoriedade da renovação e da modernização do parque imobiliário e da limitação à especulação por parte dos "abutres" do sistema que veem neste sector uma via para o rápido enriquecimento, já que a banca não paga juros ao capital depositado, e o dinheiro parado é "dinheiro morto".

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Esta é uma das conclusões do 4º Relatório do Observatório sobre Crises e Alternativas que é apresentado esta terça-feira em Lisboa. Na análise que o grupo de investigadores do Centro de Estudos Sociais (CES) faz à "questão da habitação", fica a ideia de que existe uma procura transnacional dirigida ao imobiliário português.
O coordenador do Observatório sobre Crises e Alternativas, José Reis, revela à TSF que existem novas questões descobertas pelos investigadores.
"A principal questão nova é que, nos últimos tempos, a habitação está também a tornar-se num ativo financeiro", explica José Reis.
Assim, foi identificada a presença de novos atores, como é o caso dos fundos de investimento, e estes fundos associados à procura internacional transformam o perfil de um mercado até agora assente na procura de habitação própria com acesso ao crédito.
O relatório diz mesmo que "a habitação vem sendo assim transformada num ativo financeiro transacionável, permitindo que agentes de uma qualquer parte extraiam as rendas fundiárias associadas, não necessitando de manter com o país qualquer tipo de ligação relacional de longo prazo, ao mesmo tempo que os rendimentos dos seus residentes se tornam cada vez mais insuficientes para satisfazer esta necessidade fundamental".
Os últimos dados da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) são ilustrativos deste movimento. "Em junho de 2018, estavam ativos 108 fundos de investimento imobiliário (FII), 95 fundos especiais de investimento imobiliário (FEII), três fundos de gestão de património imobiliário (FUNGEPI), e 11 fundos de investimento imobiliário de arrendamento habitacional (FIIAH), que geriam um valor global de cerca de 11 milhões de euros. A Interfundos (14,7%), a Norfin (11,8%) e a GNB (9,8%) detinham as quotas de mercado mais elevadas".
Para o investigador José Reis, esta nova realidade vem mesmo alterar as relações que estão instaladas. "Por exemplo, a tradicional relação entre senhorio e inquilino, que era uma relação cara a cara, provavelmente vai ser muito influenciada por esta presença" dos fundos imobiliários - o que acarreta riscos.
José Reis sublinha que, "em pouco tempo, o preço da habitação em Portugal subiu 38%, o que quer dizer que é razoável pensarmos que possamos estar a ver uma bolha imobiliária a formar-se", o que pode trazer problema ligados à exposição bancária, mas, também, à desvalorização do património das pessoas.
Por fim, o estudo sugere utilizar a política de habitação como um fator de povoamento do país. "O país afluente, que coexiste com um país em esforço, onde subsiste capacidade produtiva, e com um país em perda, marcado por intensa regressão demográfica e produtiva."
Daí que, para José Reis, se tenha que pensar "no país inteiro - e não apenas na dinâmica lisboeta".
O 4.º Relatório do Observatório sobre Crises e Alternativas, intitulado "A nova questão da habitação em Portugal analisa a evolução recente da habitação em Portugal", é apresentado esta terça-feira, às 17h00, na Fundação Calouste Gulbenkian.

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sábado

Eugénio de Andrade - Fica.

Resultado de imagem para eugénio de andrade- Falar dos poetas não é bem a mesma coisa do que falar dos agentes políticos que, por regra, volvem ao esquecimento por nada de útil, importante e decisivo terem feito ou legado à comunidade onde nasceram, viveram e morreram. Ainda que o único poder de que disponham sejam as palavras e a forma como as utilizam. 

- Falar de poetas, ou de alguns deles, tem e deve ser com pinças pelo maravilhoso campo emeocional que nos abriram, pela sensibilidade magistral que apuraram, pela musicalidade que emprestaram às palavras e pelos mundos alternativos que abriram e pelos territórios do amor e da amizade que rasgaram. 

- Eugénio de Andrade foi um desses ilustres representantes da cultura lusa que se tornou universal, porque universal foi o seu talento e sensibilidade no mundo das letras. 

- Por isso, Eugénio de Andrade FICA, hoje com 96 anos se coabitasse no mundo dos vivos. Assim, vive na eterniDADE. . 

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Frente a frente

Nada podeis contra o amor,
Contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.

Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
- e é tão pouco!

        Eugénio de Andrade


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quinta-feira

Edward Snowden, Julien Assange e Rui Pinto: três homens com um trajecto mais ou menos comum...

Edward Joseph Snowden  é um analista de sistemas, ex-administrador de sistemas da CIA e ex-contratado da NSA

Resultado de imagem para Julian assangeJulian Paul Assange é um jornalista, escritor e ciberativista australiano, que também possui cidadania equatoriana. É um dos nove membros do conselho consultivo do WikiLeaks, um wiki de denúncias e vazamento de informações.



Rui Pinto
Rui Pinto,o alegado 'hacker' que terá acedido ilegalmente a e-mails do Benfica.

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Marcelo - omnipresente, omnisciente e omnipotente



Resultado de imagem para marcelo rebelo de sousaO PR é hoje a ilustração que melhor exprime a velocidade da política, a ideia do quanto mais aparecer e quanto mais rápido forem as suas aparições melhor será o aproveitamento político junto das pessoas, dos eleitorados de modo a reforçar a sua visibilidade e legitimidade no exercício do poder que Marcelo quer imprimir ao seu actual cargo e que, seguramente, desejará repetir num segundo mandato. 

Marcelo está, pois, para a vertigem política como aquele exemplo parodiado por Charlie Chaplin com a ideia da máquina de comer que permitia alimentar o operário sem necessidade de interromper o seu trabalho, i.é, de perder tempo. 

Há ainda uma versão pós-moderna dessa estética da velocidade que o PR quis imprimir à vida política nacional, estando sempre em todo o lado e com todos. Essa ideia assenta naquela personagem de um filme de Woody Allen que afirmava o seguinte: "Vou suicidar-me. Sim, voarei até Paris e atirar-me-ei da Torre Eiffel. Morrerei. Mas se for no Concorde posso estar morto três horas mais cedo. Pois com a diferença horária, poderia estar vivo mais seis horas em Nova Iorque e três horas depois morto em Paris.  Ou seja, poderia resolver qualquer assunto e simultaneamente estar morto."

Talvez esta ideia de simultaneidade reflita a forma de o PR estar na vida pública nacional. 

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quarta-feira

Da (in)Justiça através do farol de Belém

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Foram dezenas de vezes que os amigos se encontraram e reencontraram. É natural que assim seja. Também é  natural que o supremo magistrado da nação pugne por uma justiça e que a mesma seja igual para todos. Sem discriminar, positiva ou negativamente, ninguém. 

À parte esta teoria geral, que integra o capital de simpatia do politicamente correcto tão do agrado do PR, nunca ouvimos Marcelo transpor a sua modesta teoria de justiça para os casos em que o seu amigo, Ricardo Salgado está envolvido e que lesou milhares de pessoas, particulares e empresas

Resultado de imagem para robalosMarcelo pugna por uma justiça igual para todos, mas nunca lhe ouvimos uma palavra, uma palavrinha, uma vírgula sequer sobre o impacto da queda do BES na economia nacional, do desempenho do seu amigo nesse edifício altamente corruptor em Portugal desde os anos 90, por isso parece-me profundamente injusta, porque desigual, que Armando Vara seja obrigado a cumprir pena por causa de 25 mil €uros, acusado de tráfico de influências, e ver Ricardo Salgado deixado de fora dessa majestosa teoria da justiça matizada por Belém. Não porque um merecesse estar fora e outro dentro, mas porque ambos devessem cumprir pena efectiva, e não que a justiça seja pesada para uns e leve e doce para outros. 

Para os amigos, guardamos sempre um tratamento privilegiado, é o que decorre da conduta de Marcelo (por acção eomissão). Talvez assim, Marcelo pense conquistar o paraíso, enquanto que na terra outros pensam que a hipocrisia de marcelo tem limites, ou deveria ter, e que a sua teoria permanente do querer agradar a gregos e a troianos não é senão a evocação constante da paz podre que hoje reina em Portugal, mormente na área da justiça em que uns são sempre mais iguais do que outros, para evocar o grande G. O., e o seu 1984 escrito após a II Guerra Mundial. 

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domingo

Tom Hiddleston Imita Robert DeNiro – The Graham Norton Show

segunda-feira

Regressar ao espírito de Natal dos Anos 80: O melhor do mundo ainda são as crianças. O espírito de excepção


A mensagem de Natal "é terrível"...

- Nem nos damos conta dela. "O peixinho é comido pelo gato"; o cão assusta "o gato, que teve de se esconder"...

Contudo, são sempre as crianças, que são o melhor do mundo, que O salvam e lá escudam "o coelhinho que veio com o Pai Natal e o palhaço no comboio ao circo". 

O nó gordio desta relação hiper-realista, por ser um retrato fiel do nosso tempo, é que são os adultos que governam o mundo e não as crianças. De modo que a selva(jaria) continua, com o homem a comer o homem e, no Natal, qual excepção, a ser salvo pela ingenuidade e credulidade das crianças. 

É isto que também é o Natal: um espírito de excepção - no tempo e no espaço - que passa rápido e dura muito pouco no coração dos homens.

Mas, ainda assim, e todos os anos, os adultos não resistem à farsa da representação, e as crianças afirmam a sua genuína autenticidade, como se fosse o teste para conquistarem o paraíso nesta terra de vãs promessas e em que o homem passa a vida a comer o seu semelhante, excepto no Natal. 


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O grande George Benson...

Num tema sem igual 
A evocar memórias sem par.

BENSON - fica. 



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Tiago Bettencourt - Se me deixasse





Tiago, fica. 

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Evoc. de Charles Chaplin

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quinta-feira

Triangle Sun - 100 stars -


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Uma estrela no horizonte... Um futuro assim - em forma de Maria -

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(...)

É sempre uma promessa por cumprir
Uma átomo em potência
Uma potência que depois se converte em acto.

Um acto num Ser, como se da estrada escura e deserta sobreviesse uma avenida rosada e barulhenta com múltiplas bifurcações.

Um vento fresco a bater-nos na cara, qual brisa de Primavera
Um perfume de pêlo que se transforma em cabelo

Um cheiro morno a calêndula que se esfuma
Uma mão trémula e um coração embassado

Uma noite que é dia, e um dia que desconhece o tempo
Um tempo absorvido por aquela mão trémula num corpo com cabeça oscilante

Lá estava ela, de olhos fechados,  mas já pressentindo tudo: presente, futuro e mais do que futuro

Uma ligação de céu e terra com vozes e choros de permeio

Lá estava ela, como se fosse um lugar encantador, dependente de tudo e de todos.

E de quem todos agora dependem, obedientes ao seu grito de comando.

Como se dançasse no meio dos adultos e os baralhasse
Ela é, doravante, o capitão, o chefe da traineira
Aquela que manda buscar o "vinho branco", qual leite de múltiplas formas

É aquela que encurta distâncias, acorda tudo e todos no escuro da noite
Porque entre o escuro da noite e o azul do céu só há uma saída: o futuro do futuro.

A estrela no horizonte é aquela que faz de nós seres programados para acolher, Sendo certo que ela, por ter vindo depois, nunca poderá partir. 

Ela é o futuro escrito assim, em forma de Maria. 

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Evocação de David Mourão-Ferreira


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ADIAMENTO
Olhar-te bem nos olhos: que voragem!
Ouvir-te a voz na alma: que estridência!
É tão difícil termos coragem
de nos vermos enfim sem complacência.

É tão difícil regressar de viagem,
e descobrir no rastro tanta ausência...
Mas os meus olhos, súbito, reagem.
À tua voz chega o silêncio e vence-a.

Nos pulsos vibra ainda o mesmo rio
que no delta dos dedos se extasia
e moroso reflui ao coração.

O gesto de acusar-te? Suspendi-o.
Mas foi só aguardando melhor dia
em que tenha lugar a execução.


David Mourão-Ferreira, in "Infinito Pessoal"

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O mito de... Camus e o Absurdo



Resultado de imagem para o mito de sísifoTudo começa com um fundo de “nada”. Uma resposta atravessada a uma pergunta “Que pensas?”, nada. O absurdo é um ruído que nos persegue. 

Por um segundo, ele toma conta da percepção, como uma televisão mal sintonizada. E perdemos a capacidade de fingir, tamanha a desumanidade a que somos submetidos. 

O absurdo é um mal-estar diante de nós mesmos. É uma colisão frontal com a falta de sentido do mundo

O absurdo é a (i)razão ou des-razão, ou a razão fora de sítio. O absurdo esmaga-nos e persegue-nos a vida toda. 

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Evocação de Albert Camus - aqui a sintetizar os que mais nos falta -

Camus foi o homem que nos deu estas três opções: conviver com o absurdo, aceitar a morte ou ter esperança


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Antes, a questão era descobrir se a vida precisava de ter algum significado para ser vivida. Agora, ao contrário, ficou evidente que ela será vivida melhor se não tiver significado.

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Faria ontem 105 anos se fosse vivo.
Não está, mas é como se estivesse. 

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Gary MOORE - está vivo -

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terça-feira

A excepcionalidade de Sophia de Mello Breyner Andresen


  • UM DIAMANTE NASCIDO NUM PAÍS DE CALHAUS QUE DEPOIS FOI ESCOLPIDO


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A ilusão e a mentira em política



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- As sociedades contemporâneas vivem hoje paradoxos com efeitos trágicos, já que o sistema político, a economia e a sociedade ficam prisioneiros das mentiras institucionalizadas. Os protagonistas políticos e os interesses sociais não conseguem romper a circularidade das mentiras e das ilusões geradas com o seu poder, as suas posições e os seus privilégios. 

Resultado de imagem para ilusão e mentira na politica- Contudo, o mais grave é reconhecer que são os próprios dirigentes políticos os produtores dessas ilusões/mentiras obrigando a sociedade a ficar dependente da continuidade dessas promessas, estabelecendo-se uma relação de circularidade complexa nos procedimentos de legitimação democrática que acaba por reproduzir essas ilusões/mentiras sem que algum agente político possa estabelecer uma referenciação OBJECTIVA à realidade. 
- A essa luz, a emergência da realidade, no plano doméstico ou no plano internacional, só pode irromper pela força dos FACTOS e não pela condução política dos actores que têm contribuído para replicar este modelo de mentira, ilusão e de falsidade na forma de fazer política e de, por essa via, iludir os eleitorados e perpetuarem-se indefenidamente no poder.

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Fake news sempre houve! - por Nuno Garoupa -

Fake news sempre houve!

(2) Propaganda sempre houve, desde a Antiguidade. E fake news são apenas uma forma de propaganda. Vivemos 75 anos de propaganda soviética durante o século XX. E houve de tudo -milagre económico, milagre empresarial, milagre biológico, milagre social, milagre tecnológico, milagre político. Do leninismo ao estalinismo. Tudo absolutamente falso, como hoje bem sabemos. Um dos regimes mais desumanos da História universal era apresentado sistematicamente como um paraíso de riqueza, bem-estar, justiça social, ausência de criminalidade, igualdade de género, realização pessoal, paz e suprema felicidade. Não há muito tempo, alguns dos nossos intelectuais, jornalistas, artistas, fazedores de opinião e académicos repetiam essas fake news todos os dias. E em nome delas cometeram crimes, insultaram, prejudicaram e arrogaram-se direitos. Poucos pediram desculpa por tanta e tão longa mentira.
(3)  E sobre regimes instalados com fake news basta recordar como chegou ao poder a ditadura dos ayatollahs do Irão. Uma imensa e longa campanha de notícias falsas, orquestrada na comunicação social ocidental contra o autoritarismo selvagem do Xáe a favor da democracia islâmica. Bastaram uns meses, em 1979, para perceber que afinal se tratava de um regime religioso, fundamentalista, terrorista, feudal, violador dos mais básicos direitos humanos, opressor das mulheres. Khomeini nunca escondeu isso. Mas as fake new seram tão mais agradáveis para os intelectuais ocidentais. Os irresponsáveis que participaram nesse processo propagandístico que abriu caminho a um desastre humano atéhoje fingem ter sido meras vítimas inocentes de um qualquer engano alheio.
Não há muito tempo, alguns dos nossos intelectuais, jornalistas, artistas, fazedores de opinião e académicos repetiam essas fake newstodos os dias. E em nome delas cometeram crimes, insultaram, prejudicaram e arrogaram-se direitos. Poucos pediram desculpa por tanta e tão longa mentira.
(4) As fakes news não começaram, nem acabam nas redes sociais. A comunicação social tradicional dorme com elas há séculos e inventou as maiores falsidades que se contaram no século XX. Parece-me, pois, que a atual histeria com o tema tem duas causas distintas. Por um lado, uma mera retórica política de quem não gosta de perder e se acha moralmente superior.  Se Obama ganha com as redes sociais, as redes sociais são boas. Se Trump ganha com as redes sociais, as redes sociais são horríveis. Se Obama ganha, o eleitorado votou bem e as redes sociais oferecem um espaço público de mobilização muito interessante do eleitorado, principalmente do mais jovem. Se Trump ganha, o eleitorado votou mal e as redes sociais são um lixo de mentiras que enganaram os eleitores idiotas, que não sabem o que estão a fazer. Em vez de Trump, diga-se Brexit, Le Pen ou Bolsonaro. Em vez de Obama, diga-se Macron ou quem quer que seja dos nossos. Trata-se, bem entendido, de puro maniqueísmo de certa elite bem-pensante. Todos participam na propaganda agressiva que cada vez mais caracteriza o fenómeno eleitoral, todos usam fake news para mobilizar os seus eleitorados cada vez menos dispostos a compromissos, todos se socorrem das redes sociais para chegar a um público mais heterogéneo, simplesmente uns são melhores do que os outros em diferentes momentos do tempo. Nesse sentido, a tentativa de regulá-las não émais que uma forma de censura, de condicionar, de ganhar na secretaria o que o voto recusa nas urnas – poder político. As fake news são parte inerente da liberdade de expressão e da participação democrática; proibi-las apenas faz sentido no regime dos ayatollahs, onde alguém se arroga o direito de estar acima dos outros e de ser o verdadeiro intérprete da Verdade. Em democracia, proibir fake news é apenas mais um mecanismo para criar castas superiores, que se dedicam a vigiar o cidadão comum – os guardiões dos costumes.
(5) Mas há um outro lado preocupante: fake news não como causa de qualquer crise democrática ou ilegitimidade do poder eleito, mas como consequência do desaparecimento do centro político, do pensamento moderado, do compromisso entre quem pensa diferente, do “juste milieu”. Não foi Trump ou Bolsonaro que criaram as fake news. Nem foram as fake news que criaram Trump ou Bolsonaro. Foi o desgaste da democracia enquanto sistema de governo que criou Trump ou Bolsonaro e as fakes news não são mais que um dos reflexos que acompanha esse desgaste.
Em democracia, proibir fake news é apenas mais um mecanismo para criar castas superiores, que se dedicam a vigiar o cidadão comum – os guardiões dos costumes.
(6) A democracia burguesa da classe média e do bem-estar social foi a melhor forma de organização social que a humanidade conseguiu desenvolver nos últimos séculos. Com um contrato social simples. Em troca de escolhermos os privilegiados a quem chamamos representantes (que assim, ao contrário de outras formas de organização passadas, deixam de ser os senhores da guerra, os aristocratas em virtude do seu nascimento ou os ricos que acumularam mais património), estes garantem o bom governo para todos aqueles que não são eleitos. E, como todo o poder corrompe inevitavelmente, de vez em quando, temos crises regeneradoras que forçam uma saudável renovação do contrato social.
(7) Vivemos uma época em que a democracia deixou de garantir o bom governo. A globalização, as mudanças tecnológicas, a longevidade humana, as exigências da vida moderna, os movimentos migratórios, o aparecimento de organizações supranacionais, a concentração de riqueza àescala global criaram um conjunto de condicionantes que a democracia liberal e burguesa não soube, não conseguiu, desistiu de enfrentar. E o bom governo degradou-se e tende agora a desaparecer. E assim o centro político, a moderação, o “agree to disagree” que alimenta a convivência democrática estáa desmoronar-se. Os eleitorados polarizaram-se, a emoção substitui a racionalidade, a necessidade de encontrar “culpados” ocupou o espaço do debate.
(8) A regeneração necessária tarda. A corrupção, a captura das políticas públicas pelos interesses privados, a degradação moral dos privilegiados-eleitos que esqueceram o contrato social multiplicou a crise do bom governo. Por si só, a fúria da corrupção não énada de novo, nem particularmente preocupante. Para muitas sociedades, como os países anglo-saxónicos ou nórdicos, seria apenas mais um episódio de mudanças institucionais em democracias consolidadas, como ocorreu várias vezes nos últimos duzentos anos. Para outras sociedades, como a nossa, pouco habituada ao reformismo gradual, velha crente nas revoluções e nos pronunciamentos militares, seria um desafio inovador – conseguir a regeneração das suas elites políticas em democracia. Mas as profundas mudanças da nossa época impedem que, desta vez, a fúria da corrupção possa ser acautelada com um reformismo tranquilo e apaziguador.
(9) Depois da Idade das Trevas tivemos a Idade da Razão. Agora temos a Idade da Emoção. E com ela a crise da democracia liberal. Incapaz de responder aos novos desafios da humanidade, atolada e capturada por interesses privados, com uma regeneração que não aparece, sem centro político, substituído o “agree to disagree” pelo ódio ao outro lado, caminhamos para uma enorme crise da organização social. Evidentemente que certas sociedades conseguirão reencontrar-se a seu tempo sem sofrer as penas do autoritarismo salvífico. Outras terão de amargar os custos da destruição do seu contrato social em busca de novas formas de organização e institucionalização. Veremos a seu tempo quais são quais. Mas énesse caminho que aparecem as fake news.
Só a despolarização pode regenerar, mudar, reformar, encontrar consensos que estabeleçam as bases de um futuro melhor. Se as fake news polarizam, o fact checking despolariza
(10) Acredito que a única forma de evitar o percurso mais doloroso é reconstruir o “juste milieu” regenerado. Para isso, fact checking é fundamental. Não para proibir as fake news, um perigoso disparate. Mas sim para permitir distinguir aquilo que são interpretações realistas do mundo que nos rodeia das verdades pós-modernas que radicalizam e emocionam. Não acredito na Verdade. Há muitas verdades. Mas há verdades e verdades. Há verdades que fomentam o “agree do disagree”, que facilitam a convivência política, que relembram aos eleitos porque são privilegiados em democracia, que regeneram o contrato social na busca de uma organização social mais adequada para o século XXI. E há verdades que dividem, eliminam, alimentam o ódio, existem apenas pela emoção e para uma visão maniqueísta dos bons (aqueles que partilham essa verdade) e os maus (os outros), promovem a superioridade moral de um grupo em detrimento do resto da sociedade.
(11) O combate às fake news não é por elas serem “fake” ou “news”, não é por elas serem produto das redes sociais ou da comunicação social, mas porque nenhuma sociedade se pode organizar de forma pacífica, sustentável e prometedora polarizando. Pelo contrário. Só a despolarização pode regenerar, mudar, reformar, encontrar consensos que estabeleçam as bases de um futuro melhor. Se as fake news polarizam, o fact checking despolariza. E esse é o único caminho que vale a pena percorrer na Idade da Emoção.
Nuno Garoupa é professor da George Mason University Scalia Law

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