quinta-feira

Evocação de David Mourão-Ferreira


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ADIAMENTO
Olhar-te bem nos olhos: que voragem!
Ouvir-te a voz na alma: que estridência!
É tão difícil termos coragem
de nos vermos enfim sem complacência.

É tão difícil regressar de viagem,
e descobrir no rastro tanta ausência...
Mas os meus olhos, súbito, reagem.
À tua voz chega o silêncio e vence-a.

Nos pulsos vibra ainda o mesmo rio
que no delta dos dedos se extasia
e moroso reflui ao coração.

O gesto de acusar-te? Suspendi-o.
Mas foi só aguardando melhor dia
em que tenha lugar a execução.


David Mourão-Ferreira, in "Infinito Pessoal"

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O mito de... Camus e o Absurdo



Resultado de imagem para o mito de sísifoTudo começa com um fundo de “nada”. Uma resposta atravessada a uma pergunta “Que pensas?”, nada. O absurdo é um ruído que nos persegue. 

Por um segundo, ele toma conta da percepção, como uma televisão mal sintonizada. E perdemos a capacidade de fingir, tamanha a desumanidade a que somos submetidos. 

O absurdo é um mal-estar diante de nós mesmos. É uma colisão frontal com a falta de sentido do mundo

O absurdo é a (i)razão ou des-razão, ou a razão fora de sítio. O absurdo esmaga-nos e persegue-nos a vida toda. 

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Evocação de Albert Camus - aqui a sintetizar os que mais nos falta -

Camus foi o homem que nos deu estas três opções: conviver com o absurdo, aceitar a morte ou ter esperança


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Antes, a questão era descobrir se a vida precisava de ter algum significado para ser vivida. Agora, ao contrário, ficou evidente que ela será vivida melhor se não tiver significado.

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Faria ontem 105 anos se fosse vivo.
Não está, mas é como se estivesse. 

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Gary MOORE - está vivo -

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terça-feira

A excepcionalidade de Sophia de Mello Breyner Andresen


  • UM DIAMANTE NASCIDO NUM PAÍS DE CALHAUS QUE DEPOIS FOI ESCOLPIDO


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A ilusão e a mentira em política



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- As sociedades contemporâneas vivem hoje paradoxos com efeitos trágicos, já que o sistema político, a economia e a sociedade ficam prisioneiros das mentiras institucionalizadas. Os protagonistas políticos e os interesses sociais não conseguem romper a circularidade das mentiras e das ilusões geradas com o seu poder, as suas posições e os seus privilégios. 

Resultado de imagem para ilusão e mentira na politica- Contudo, o mais grave é reconhecer que são os próprios dirigentes políticos os produtores dessas ilusões/mentiras obrigando a sociedade a ficar dependente da continuidade dessas promessas, estabelecendo-se uma relação de circularidade complexa nos procedimentos de legitimação democrática que acaba por reproduzir essas ilusões/mentiras sem que algum agente político possa estabelecer uma referenciação OBJECTIVA à realidade. 
- A essa luz, a emergência da realidade, no plano doméstico ou no plano internacional, só pode irromper pela força dos FACTOS e não pela condução política dos actores que têm contribuído para replicar este modelo de mentira, ilusão e de falsidade na forma de fazer política e de, por essa via, iludir os eleitorados e perpetuarem-se indefenidamente no poder.

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Fake news sempre houve! - por Nuno Garoupa -

Fake news sempre houve!

(2) Propaganda sempre houve, desde a Antiguidade. E fake news são apenas uma forma de propaganda. Vivemos 75 anos de propaganda soviética durante o século XX. E houve de tudo -milagre económico, milagre empresarial, milagre biológico, milagre social, milagre tecnológico, milagre político. Do leninismo ao estalinismo. Tudo absolutamente falso, como hoje bem sabemos. Um dos regimes mais desumanos da História universal era apresentado sistematicamente como um paraíso de riqueza, bem-estar, justiça social, ausência de criminalidade, igualdade de género, realização pessoal, paz e suprema felicidade. Não há muito tempo, alguns dos nossos intelectuais, jornalistas, artistas, fazedores de opinião e académicos repetiam essas fake news todos os dias. E em nome delas cometeram crimes, insultaram, prejudicaram e arrogaram-se direitos. Poucos pediram desculpa por tanta e tão longa mentira.
(3)  E sobre regimes instalados com fake news basta recordar como chegou ao poder a ditadura dos ayatollahs do Irão. Uma imensa e longa campanha de notícias falsas, orquestrada na comunicação social ocidental contra o autoritarismo selvagem do Xáe a favor da democracia islâmica. Bastaram uns meses, em 1979, para perceber que afinal se tratava de um regime religioso, fundamentalista, terrorista, feudal, violador dos mais básicos direitos humanos, opressor das mulheres. Khomeini nunca escondeu isso. Mas as fake new seram tão mais agradáveis para os intelectuais ocidentais. Os irresponsáveis que participaram nesse processo propagandístico que abriu caminho a um desastre humano atéhoje fingem ter sido meras vítimas inocentes de um qualquer engano alheio.
Não há muito tempo, alguns dos nossos intelectuais, jornalistas, artistas, fazedores de opinião e académicos repetiam essas fake newstodos os dias. E em nome delas cometeram crimes, insultaram, prejudicaram e arrogaram-se direitos. Poucos pediram desculpa por tanta e tão longa mentira.
(4) As fakes news não começaram, nem acabam nas redes sociais. A comunicação social tradicional dorme com elas há séculos e inventou as maiores falsidades que se contaram no século XX. Parece-me, pois, que a atual histeria com o tema tem duas causas distintas. Por um lado, uma mera retórica política de quem não gosta de perder e se acha moralmente superior.  Se Obama ganha com as redes sociais, as redes sociais são boas. Se Trump ganha com as redes sociais, as redes sociais são horríveis. Se Obama ganha, o eleitorado votou bem e as redes sociais oferecem um espaço público de mobilização muito interessante do eleitorado, principalmente do mais jovem. Se Trump ganha, o eleitorado votou mal e as redes sociais são um lixo de mentiras que enganaram os eleitores idiotas, que não sabem o que estão a fazer. Em vez de Trump, diga-se Brexit, Le Pen ou Bolsonaro. Em vez de Obama, diga-se Macron ou quem quer que seja dos nossos. Trata-se, bem entendido, de puro maniqueísmo de certa elite bem-pensante. Todos participam na propaganda agressiva que cada vez mais caracteriza o fenómeno eleitoral, todos usam fake news para mobilizar os seus eleitorados cada vez menos dispostos a compromissos, todos se socorrem das redes sociais para chegar a um público mais heterogéneo, simplesmente uns são melhores do que os outros em diferentes momentos do tempo. Nesse sentido, a tentativa de regulá-las não émais que uma forma de censura, de condicionar, de ganhar na secretaria o que o voto recusa nas urnas – poder político. As fake news são parte inerente da liberdade de expressão e da participação democrática; proibi-las apenas faz sentido no regime dos ayatollahs, onde alguém se arroga o direito de estar acima dos outros e de ser o verdadeiro intérprete da Verdade. Em democracia, proibir fake news é apenas mais um mecanismo para criar castas superiores, que se dedicam a vigiar o cidadão comum – os guardiões dos costumes.
(5) Mas há um outro lado preocupante: fake news não como causa de qualquer crise democrática ou ilegitimidade do poder eleito, mas como consequência do desaparecimento do centro político, do pensamento moderado, do compromisso entre quem pensa diferente, do “juste milieu”. Não foi Trump ou Bolsonaro que criaram as fake news. Nem foram as fake news que criaram Trump ou Bolsonaro. Foi o desgaste da democracia enquanto sistema de governo que criou Trump ou Bolsonaro e as fakes news não são mais que um dos reflexos que acompanha esse desgaste.
Em democracia, proibir fake news é apenas mais um mecanismo para criar castas superiores, que se dedicam a vigiar o cidadão comum – os guardiões dos costumes.
(6) A democracia burguesa da classe média e do bem-estar social foi a melhor forma de organização social que a humanidade conseguiu desenvolver nos últimos séculos. Com um contrato social simples. Em troca de escolhermos os privilegiados a quem chamamos representantes (que assim, ao contrário de outras formas de organização passadas, deixam de ser os senhores da guerra, os aristocratas em virtude do seu nascimento ou os ricos que acumularam mais património), estes garantem o bom governo para todos aqueles que não são eleitos. E, como todo o poder corrompe inevitavelmente, de vez em quando, temos crises regeneradoras que forçam uma saudável renovação do contrato social.
(7) Vivemos uma época em que a democracia deixou de garantir o bom governo. A globalização, as mudanças tecnológicas, a longevidade humana, as exigências da vida moderna, os movimentos migratórios, o aparecimento de organizações supranacionais, a concentração de riqueza àescala global criaram um conjunto de condicionantes que a democracia liberal e burguesa não soube, não conseguiu, desistiu de enfrentar. E o bom governo degradou-se e tende agora a desaparecer. E assim o centro político, a moderação, o “agree to disagree” que alimenta a convivência democrática estáa desmoronar-se. Os eleitorados polarizaram-se, a emoção substitui a racionalidade, a necessidade de encontrar “culpados” ocupou o espaço do debate.
(8) A regeneração necessária tarda. A corrupção, a captura das políticas públicas pelos interesses privados, a degradação moral dos privilegiados-eleitos que esqueceram o contrato social multiplicou a crise do bom governo. Por si só, a fúria da corrupção não énada de novo, nem particularmente preocupante. Para muitas sociedades, como os países anglo-saxónicos ou nórdicos, seria apenas mais um episódio de mudanças institucionais em democracias consolidadas, como ocorreu várias vezes nos últimos duzentos anos. Para outras sociedades, como a nossa, pouco habituada ao reformismo gradual, velha crente nas revoluções e nos pronunciamentos militares, seria um desafio inovador – conseguir a regeneração das suas elites políticas em democracia. Mas as profundas mudanças da nossa época impedem que, desta vez, a fúria da corrupção possa ser acautelada com um reformismo tranquilo e apaziguador.
(9) Depois da Idade das Trevas tivemos a Idade da Razão. Agora temos a Idade da Emoção. E com ela a crise da democracia liberal. Incapaz de responder aos novos desafios da humanidade, atolada e capturada por interesses privados, com uma regeneração que não aparece, sem centro político, substituído o “agree to disagree” pelo ódio ao outro lado, caminhamos para uma enorme crise da organização social. Evidentemente que certas sociedades conseguirão reencontrar-se a seu tempo sem sofrer as penas do autoritarismo salvífico. Outras terão de amargar os custos da destruição do seu contrato social em busca de novas formas de organização e institucionalização. Veremos a seu tempo quais são quais. Mas énesse caminho que aparecem as fake news.
Só a despolarização pode regenerar, mudar, reformar, encontrar consensos que estabeleçam as bases de um futuro melhor. Se as fake news polarizam, o fact checking despolariza
(10) Acredito que a única forma de evitar o percurso mais doloroso é reconstruir o “juste milieu” regenerado. Para isso, fact checking é fundamental. Não para proibir as fake news, um perigoso disparate. Mas sim para permitir distinguir aquilo que são interpretações realistas do mundo que nos rodeia das verdades pós-modernas que radicalizam e emocionam. Não acredito na Verdade. Há muitas verdades. Mas há verdades e verdades. Há verdades que fomentam o “agree do disagree”, que facilitam a convivência política, que relembram aos eleitos porque são privilegiados em democracia, que regeneram o contrato social na busca de uma organização social mais adequada para o século XXI. E há verdades que dividem, eliminam, alimentam o ódio, existem apenas pela emoção e para uma visão maniqueísta dos bons (aqueles que partilham essa verdade) e os maus (os outros), promovem a superioridade moral de um grupo em detrimento do resto da sociedade.
(11) O combate às fake news não é por elas serem “fake” ou “news”, não é por elas serem produto das redes sociais ou da comunicação social, mas porque nenhuma sociedade se pode organizar de forma pacífica, sustentável e prometedora polarizando. Pelo contrário. Só a despolarização pode regenerar, mudar, reformar, encontrar consensos que estabeleçam as bases de um futuro melhor. Se as fake news polarizam, o fact checking despolariza. E esse é o único caminho que vale a pena percorrer na Idade da Emoção.
Nuno Garoupa é professor da George Mason University Scalia Law

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Um regresso a Maquiavel: de como as coisas são e não o que aparentam ser...

Quantas vezes, senão todas, precisamos de ver ou que nos digam a verdade efectiva das coisas e não as suas aparências ou versões idílicas da verdade nua e crua. Assim, arredamos falsas expectativas, enganos e erros e muitas dissimulações. 

Esta preferência da verdade às aparências encontra particular relevância nas coisas do Estado, por ser aí que se jogam os grandes desafios colectivos e se questiona o bem comum ou se define e redefine o chamado interesse geral duma colectividade, de um Estado. 

Para prosseguir esse caminho, segundo Maquiavel, o homem tem de conhecer a história e recordar o que os homens do passado fizeram e daí extrair as conclusões. Perceber que resultados tiveram, ou seja, se tiveram sucesso nas suas empresas ou se falharam e somaram fracassos. 

Ora, em política só sabemos se uma acção é boa ou má, quando se conhecem os seus resultados. São estes, e não as suas intenções, que determinam a eficácia duma acção. Significa isto que o valor das acções não se avalia pelas suas intenções, mas pelos seus resultados, que consequências tiveram para uma dada sociedade. 

Certos aspectos da política portuguesa deviam ser mais e melhor conhecidos, ou seja, em caso de conflito entre actores políticos, urge sempre conhecer que motivações e intenções se escondem por detrás das acções políticas, uma vez que todas essas acções são dinamizadas por um desejo (ou ambição) dos actores políticos. Seja por acção ou omissão, existem sempre motivações ocultas na acção política que importa serem conhecidas. 
Imaginemos que ocorre um furto de medicamentos num laboratório que faz investigação e utiliza tecnologia de ponta para produzir os seus fármacos. Importa aqui conhecer a que lógica os roubos estiveram sujeitos e com que finalidade. O mesmo se diga de um furto de armas e munições duma base militar... 
Ninguém furta medicamentos ou armas apenas pelo simples prazer de fazer desaparecer esses bens, os quais podem servir a paz e o desenvolvimento do homem, ou, à contrário, podem fomentar a discórdia entre os homens numa comunidade e fomentar a guerra civil ou entre Estados. 
Nuns casos, compete ao homem público, ao decisor, mormente se estiver em perigo a paz entre as instituições e a descoberta da verdade num domínio sensível da vida pública, como a Segurança e Defesa, ser leão e raposa ao mesmo tempo. Ou seja, ser leão para mostrar a força e o ímpeto de fazer funcionar as instituições, especialmente a Justiça - que tem sido uma grande tartaruga entre nós; e a raposa, para evitar cair numa armadilha, ou em várias. 

Cumpre ao mesmo decisor político ser ambos, leão e raposa na gestão diária das coisas e dos negócios do Estado, sob pena de ser fraco e de cair nas armadilhas que outros homens e outras instituições lhes lançam. 
Todavia, o decisor político não pode ser leão o tempo todo, nem raposa a tempo inteiro, porquanto só a força ou só a manha ou a esperteza conduzirão a bons resultados. 
Se aplicarmos esta elaboração conceptual, de raiz maquiavélica, ao lamentável caso de Tancos, que tem quase dois anos e do qual pouco se sabe, facilmente se conclui que à cúpula do Estado, ou seja, ao Presidente da República e ao Primeiro-Ministro - o que se espera deles ou se lhes pede - é que sejam ambos leões e raposas em nome da defesa e do interesse do Estado. No fundo, pede-se-lhes que sejam virtuosos, líderes que actuem no tempo mais conveniente. 
Perante isto, os portugueses podem e devem perguntar à cúpula do Estado se tiveram, no momento adequado, o ímpeto do leão, e sem deixar de serem prudentes, na busca dos objectivos do Estado? 
E os factores e instituições que deles não depende (acaso ou sorte), como a Justiça (MP, Polícia Judiciária - Civil e Militar, etc) andaram bem, mal ou assim-assim? 
Em suma: Portugal e os portugueses parecem hoje estar sitiados pela descoberta duma verdade que teima em não aparecer, ou porque ela não quer aparecer porque a Justiça ainda não produziu as provas suficientes para revelar a verdade efectiva dos factos; ou porque existem forças cujo interesse consiste em ocultar aquelas provas e, consequentemente, adiar ou desvirtuar a verdade. 
Também aqui quem hoje ocupa a cúpula do Estado, o PR e o PM, tem de gozar da fortuna, ou seja, da sorte que conduza a um bom destino, nem que seja para explicar aos portugueses que inúmeros são os factores da vida que não podem ser controlados, pois tratam-se de infortúnios e de imponderáveis que nem o empenhamento conjunto daqueles, PR e PM, poderiam alguma vez esclarecer e/ou resolver. 

Se assim for, para esta impotência e desnorte não conhecerão os portugueses tamanha frustração. 
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segunda-feira

Quando o conhecimento, a tecnologia e a magia se juntam.



Quando o conhecimento, a tecnologia e a magia se juntam..
- Podem fazer acontecer alguns milagres. No limite, beneficiam o bem comum, embora na maior parte do casos estes negócios beneficem apenas uns quantos empresários que estão ávidos de acelerar o futuro à cadência com que pretendem ver as suas contas bancárias aumentadas sem que daí resulte um ganho social.

- Para já, o que podemos constatar é que Portugal se posicionou para ser um país de serviços, acolhedor de eventos internacionais com impacto global, e, desse modo, trazer vantagens para toda a indústria da hotelaria e da restauração.

- Mas também aqui não houve golpe d´asa, pois mais uma vez tudo se nucleariza na capital em vez de se descentralizar estes eventos para cidades de média dimensão, e do interior, onde seria crucial atrair investimento directo estrangeiro, fixar emprego, criar riqueza, enfim, potenciar a qualidade de vida das populações.

- Em suma: no meio de tanto show-of não consigo ver nesta mega cimeira de hi-tech um golpe d´asa que contribua, integradamente, para o desenvolvimento da sociedade e da economia portuguesa.

- Embora também saiba que o segredo nos negócios, o do Estado, o profissional, e até o de alcova ou o do gabinete médico mantêm lugares fechados, opacos e refractários à própria comunicação.

- Resta ainda saber o que a Net e a digitalização da sociedade global estão fazendo pela criação de emprego, pela prevenção dos problemas sociais (racismo, género, homofobia, religiosos, etc) e a forma como essas fracturas em vez de fortalecer os laços sociais e a coesão moral das sociedades as enfraquece e mina a relação dos cidadãos com a economia, a política, a justiça e as instituições em geral.

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The Spinners - o regresso dos rhythm blues...

UM REGRESSO AO VINIL...

.. formados em Detroit, na década de 50 do séc. XX - e que influenciaram a música dos anos 60 e 70 - aqui recordados num misto de nostalgia e grandeza numa amada recordação. 

SPINNERS -  ficam. 




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Recupero Novalis

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quinta-feira

Evocação de Teixeira de Pascoaes - entre a vida e a morte -

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O sol do outomno, as folhas a cair, 
A minha voz baixinho soluçando, 
Os meus olhos, em lagrimas, beijando 
A terra, e o meu espirito a sorrir... 

Eis como a minha vida vae passando 
Em frente ao seu Phantasma... E fico a ouvir 
Silencios da minh'alma e o resurgir 
De mortos que me fôram sepultando... 

E fico mudo, extatico, parado 
E quasi sem sentidos, mergulhando 
Na minha viva e funda intimidade... 

Só a longinqua estrela em mim actua... 
Sou rocha harmoniosa á luz da lua, 
Petreficada esphinge de saudade... 

Teixeira de Pascoaes, in 'Elegias' 
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Notas: 

- Teixeira de Pascoaes é designado o poeta da saudade, mas ele é muito mais do que isso dado que consegue recriar em nós várias paisagens e fronteiras, esperanças e escuras expectativas, como as que decorrem das conversas que mantemos com os mortos nessa linha do tempo. Ele sabia que ficamos presos aos lugares, neles ficamos paralisados, incapazes de decidir, por vezes até à morte. 

[...] Vivo, estou aqui, diante desta velha casa onde nasci, sofri e amei, e donde me afastaram, certo dia, metido entre quatro tábuas

- Naturalmente, este é um caminho que se repete em todos e em cada um de nós e que Teixeira de Pascoaes faz questão de nos recordar. Recordar que a vida nos corroi com múltiplas sombras, e que a morte é mais terrível para aqueles que fingiram a vida, não a souberam verdadeiramente assumir. 

- O Pobre Tolo consiste nesse despertar entre a vida e a morte, feito de esperanças e de frustrações, as quais todas são apagadas através dum fumo imparável. E esse fumo o que é senão o território da memória que é motorizada pelas imagens em movimento, quais desenhos animados, com formas azuis e negras enquadrada por uma imensa fogueira em que participam anjos e demónios, o bem e o mal. 

- Pascoaes sabia bem que somos o corpo dum macaco com uma alma de anjo, mas a conclusão redunda sempre na morte. A vida é, afinal, essa luta entre a lembrança e o esquecimento, a vida e a morte, acompanhada das demais imagens e metáforas engendradas pela nossa imaginação. 

Um jogo de luzes e sombras que nos modelam o corpo e a alma.
 
Hoje, que se celebra a vida dos mortos que jazem nos cemitérios talvez seja oportuno meditar neste importante legado filosófico, literário e poético que o imenso Teixeira de Pascoaes nos deu e por isso lhe estou grato. 

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quarta-feira

Centeno e a a esperteza saloia do Sr. 3 cêntimos



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A esperteza saloia do génio da lamparina faz com que diminua 3 cênt. a gasolina,
mas depois aumenta as portagens..

A esperteza saloia do Sr. cativações desta vez levou o génio da lamparina a descer 3 cêntimos o ISP sobre a gasolina (com um aumento em 1cênt. a taxa de carbono para 2019, logo são 2 cênt.), mas, por contraponto, aumenta as portagens. 

Centeno podia, ao menos, prestar tributo à inteligência, mas a sua habilidade política, exclusivamente assente nas cativações e nos cortes, não dá para mais... 

De caminho, torna TODO o PS refém desta sua manigância fiscal para inglês ver. Quiça, em nome da sua carreira europeia...
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terça-feira

O Sr. cêntimos. Centeno - o agente oficial das cativações -

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- O dr. Centeno podia ser ministro dum governo de direita, de extrema direita, dum governo liberal ou mesmo neoliberal, mas nunca ministro de um governo socialista. 
- Por isso, fica-lha mal a forma anti-social como manipula os impostos sem atender ao bem comum. Recorde-se  que 80% dos consumidores portugueses utililiza o gasóleo como combustível diário, o que penaliza sobremaneira os particulares e as empresas e agrava as assimetrias entre litoral e interior... 
- Além desta gracinha da descida dos 3 cêntimos do imposto sobre os combústiveis, excluindo o gasóleo, e que nenhum impacto positivo terá na economia nacional, este projecto de ministro ficará para a história como o agente político das cativações, que encerra uma outra forma de manipular os orçamentos dos ministérios, as contas públicas e, mais grave, o próprio desenvolvimento do país. 
- Este senhor, na verdade, não está (nunca esteve!!!) preocupado com a sustentabilidade do país, mas com a melhor forma como poderá gerir a sua carreira europeia. 
- Ora, em Belém, durante uma década, Portugal também teve uma pessoa assim, e com os resultados que conhecemos para o interesse geral da nação. 
- Terminou a escrever livros de memórias onde hoje acerta contas com adversários políticos. 

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Calvin Harris & Sam Smith - PROMISES -





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segunda-feira

Brasil e a Quadratura do círculo e o labirinto brasileiro


Texto alt automático indisponível.

Brasil e a Quadratura do círculo e o labirinto brasileiro
- Como governar o Brasil se o vencedor dividiu profundamente a sociedade brasileira, defendendo a utilização de armas para todos, erradicação da pobreza por via química, eliminação dos gays e imigrantes, etc... Além da sua estrutural impreparação para a governação.
- Se ele for congruente e levar à prática aquelas doentes filosofias ganhará, a curto prazo, uma guerra civil; se se desviar delas trairá o eleitorado radical e desesperado que nele votou, e isso também terá implicações tumultuosas no plano social.
- Portanto, qualquer que seja a orientação que o capitão-fascista tomar será sempre um molotov naquele imenso país-continente que terá graves consequências em todo o cone Sul americano e no mundo em geral.
- Pior não teria sido possível!!!

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domingo

Recupero Van MORRISON

ISTO É O QUE O TEMPO FAZ ÀS PESSOAS...

O Tempo...

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O espaço, o tempo e a circunstância

Resultado de imagem para tempoO espaço é o tempo da minha circunstância...
- e este diz-me que no meu Tlm marca uma hora, no meu relógio marca outra e na minha mente outra ainda.
Talvez a face do teu rosto, Tempo, que não perdoa nada. Nem o passar do tempo que o tempo não pára.

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Regresso a Damien Jurado - Allocate

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Memórias do cárcere: o sol em diálogo com a Natureza

SOMOS O ESPAÇO QUE OCUPÁMOS NA NATUREZA, AGORA VISTO DE FORA...

- Por vezes, ou muitas vezes, a Liberdade não é senão uma memória do cárcere, feita duma liberdade tão condicionada à luz dos sentidos e da razão que confundimos os conceitos e as realidades: Liberdade e falta d´ar. 
- Só a oxigenação da mente e do espírito, que se pensa abrange também a alma, poderá atenuar essa circunstância limitativa da razão e da emoção.  
- Os dias passam, o tempo não se confina a caprichos e talvez o melhor seja fazermos o "jogo" dele: aproximarmo-nos do Sol, falar com a Natureza como quem conta um segredo importante, pegar nas mãos das árvores, fixar-lhes olhos imaginários e, de seguida, abraçar todo esse crespúsculo. 
- Porque amanhã não sabemos se... E porque o tempo não pára e é um ditador sem igual!!!
- E como não pára e não o conseguimos ultrapassar, nem por desgaste ou cansaço, talvez o melhor seja sentarmo-nos nos degraus da escadinha onde o sol nasceu, e debitou os primeiros passos que depois fizeram eco por anos, por uma eternidade...
- Como se as luzes da emoção piscassem ininterruptamente, em casa e nas ruas, inundando todo o espaço da memória e daí colonizando todo o corpo ao "encontrão". Ou, como diria o poeta, por entre livros e autores contrastantes, de José Gil à História de Calígula - que foi "só" o mais terrível imperador romano, e fossem essas luzes, já com o sol a pôr-se na linha do horizonte, que permitisse ouvir novamente os passos finos de lã, registasse a respiração contida do seu amarelo-girassol e o cheiro exalado da sua pele.
- Sem que o sol ocupasse já o seu espaço central nos céus, era como se Ele continuasse ao meu lado...
- E ainda hoje me acompanha essa terrível sensação que a Natureza me deixou como amada recordação.
- Ainda que os caminhos da vida sejam sempre bifurcados... 






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sábado

Portugal tornou-se num mistério. O mistério regulado pela lei da Omertà


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Portugal tornou-se num mistério. Numa Aparição em busca de revelação!!!
- Múltiplos são os factos que ocorrem no rectângulo que, à partida, teriam descoberta e resolução fácil. Porém, há forças que tudo fazem para bloquear a descoberta da verdade desses mesmos factos e ligações, os quais podem ser de natureza económica, financeira, pessoal, envolvendo os chamados crimes de costumes ou ainda crimes e problemas de natureza politica e militar que questionam a soberania e perigam a segurança nacional.
- Todavia, casos há em que, pela natureza das instituições envolvidas, a originalidade dos crimes, pelo tipo de corporações e interesses instalados, nomes a proteger e hierarquias a respeitar, que os estragos para a República seriam maiores acaso a verdade se descobrisse do que se ela, convenientemente, ficasse oculta pregada num caixão.
- É assim que se explicam inúmeros bloqueios nas investigações judiciárias em Portugal, de que Tancos, obviamente, é o expoente mais assustador e negativo de que há memória no Portugal democrático, e que até põe a nú a impotência do próprio Presidente da República - que suplica pela verdade.
- É assim, pela lei do bloqueio, do segredo e em obediência a um certo código de honra que se fragmenta a informação, se trancam portas, se encerram cadeados, se silenciam pessoas, enfim, se faz contra-informação para lança a confusão e mascarar a verdade. Tudo a evocar um voto de silêncio que impede a cooperação judicial e policial, política e partidária, nos planos directos ou indirectos.
- Numa palavra, em certos aspectos Portugal evoca aquela parte Sul de Itália em que vigora a lei da Omertà, e se assim for temos parte da explicação para que a verdade se nos apresente a conta-gotas, e cujo fito final é que nada mude para que tudo fique na mesma. Lisboa e Porto, por vezes, assemelham-se à Sicília, à Sardenha ou à Córsega.
- A vantagem aqui no rectângulo é que, apesar de tudo, somos menos violentos, mas já houve ameaças de morte caso a verdade se viesse a revelar...

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Chico Buarque - Vai Passar




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Espelho retrovisor da história

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(...) Regresso a casa devagar, perdido no tráfego da cidade. E entretanto, a tua imagem oculta, um aceno horrível de outrora. (...) 

VF - A. ao.F.

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A consciência social de Raul Brandão em Os Pobres -



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Vou à rua vejo e pobres, mas eles encontram-se em todo o lado: nas casas de pasto, nas igrejas, à saída dos cafés, nos transportes públicos, nos supermercados, pendurados nos quiosques. 
- Por todo o lado se multiplicam sinais de pobreza que, aliás, coabitam com os sinais contrastantes de riqueza. Foi essa comiseração de Raul Brandão que o fez interiorizar o problema da pobreza e dos pobres do seu tempo, que dilacerou a sociedade tornando-a num organismo amputado e multiplicador de sofrimento entre os homens. 
- Aliás, onde RB apareceu mais em força, através do seu alter-ego, o Gabirú, enquadrado pela sua obra maior - Húmus - a dimensão filosófica desse problema social ganha uma nova densidade social, a qual poderia hoje encontrar múltiplas manifestações dessa pobreza e sofrimento.

- Mas o que mais impressiona no pensamento de Raul Brandão, que também era equivalente ao de Agostinho da Silva, quando este me dizia que foi com a gente simples (o povo!!!) que aprendeu a pensar e foi marcado pela vida, é uma passagem que aqui sublinho e  que remete para a grandeza e originalidade da obra de Raul Brandão que jamais esquecerá essa gente, até por reconhecer que são eles, os pobres, que esperam algo dele... 

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E é da gente ignorada que levo as maiores impressões da existência. Foram os pobres que me obrigaram a pensar – foi a série de figuras toscas que encontrei na estrada, duma realidade tão grande que nunca consegui afastá-las da minha alma. Ainda hoje desfilam diante de mim os mortos e os vivos… Não posso esquecê-los: parece que todos eles esperam alguma coisa de mim.”

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quinta-feira

Evocação de AS


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[...] Tudo é mentira, tudo ilusão. Quem sabe lá quanta podridão levedou para dar uma rosa, para abrir um malmequer, e para florir uma chaga? Que as chagas o que são senão rubras e esquisitas flores?  [...]

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Crónica duma morte anunciada

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Resposta de um democrata a um ditador

A democracia sempre derrotou a ditadura


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Evitar a Ditadura, a acaça às bruxas, a emigração compulsiva, o desastre na sociedade brasileira


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- O que esperar deste personagem sinistro e destituído? senão a ditadura e tudo aquilo que lhe é natural: a violência, a prepotência, as perseguições não já aos adversários, mas aos inimigos políticos que se querem abatidos. 

- Já não é preciso Caetano Veloso dizer que se este personagem ganhar "uma onda de violência e medo" assolará o Brasil, é da natureza das coisas, da índole dos regimes autoritários fazerem o que têm a fazer sem diálogo e com recurso sistemático à força e à violência institucionalizada, que acabará por ser a regra da governação dum caudilho desta estirpe. 

- De modo que o Brasil se encontra suspenso da democracia com a entrada em cena deste personagem sinistro que, pelo perfil, posições assumidas e declarações públicas - retomará o regime instaurado em 1964 - que durou até 1985, ou seja, foram 21 anos que o Brasil vegetou na ditadura apoiada em sucessivos governos militares, de tipo autoritário e com uma base ideológica nacionalista. 

- A início, prometeu-se ao povo que a intervenção militar seria breve, mas desse golpe militar, que derrubou um governo eleito democraticamente de José Goulart, durou só 21 anos e aagravou o fosso entre ricos e pobres e afastou o Brasil da rota do desenvolvimento e do concerto da nações.

- Substituiu-se a Constituição de 1946 e aplicou-se a de 1967, o Congresso Nacional foi dissolvido e, claro, as liberdades civis e políticas foram suprimidas. Isto além de ter sido criado, como é típico em ditadura, um código de processo penal militar que mandatava o Exército e a PM de poder prender pessoas consideradas suspeitas e de atentar contra o novo poder instituído. 

- É isto que o actual personagem sinistro, o capitão que desconhece os mecanismos da governação, e não domina um único assunto-problema da sociedade brasileira, de entre os milhares de problemas que tem pela frente, se propõe fazer para destruir o Brasil. 

- Ora, para evitar a ditadura, as perseguições, a caça às bruxas, a tortura e uma vaga de emigração compulsiva que contaminaria politicamente toda a América Latina, uma vez que o capitão sinistro fosse eleito, é que se torna URGENTE fazer o voto útil na oposição de modo a vetar a debacle que está em curso na sociedade brasileira. 

- É que o Brasil tem coisas tão belas que seria um crime contra a Humanidade permitir que um personagem tão sinistro, destituído de todas as qualidades humanas e políticas necessárias para conduzir uma nação, se viesse a tornar uma realidade. 

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