segunda-feira

As Alcunhas de Marvão - A imaginação e a arte da palavra - por Teresa Simão -


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No concelho de Marvão, a alcunha vai muito além da sua função de nomear; na verdade, reflete o modo de viver das gentes, a sua cultura e a forma de representar os seus valores.[...]

- Foi com esta nota de abertura que a autora, Teresa Simão, desenvolve as suas "considerações preliminares" neste pequeno grande livro sobre as alcunhas que, de forma quase intemporal e sem marcação geográfica, desenvolvem o crucial papel de integração social das pessoas numa determinada comunidade, num misto de picaresco, prazer, definição do outro, seja num tom jocoso ou de pura (re)criação social. 

Numa outra passagem da referida obra, As Alcunhas de Marvão (págs. 19-20) a autora socorre-se do importante legado do genial e abrangente José Leite Vasconcelos para sublinhar que, desde a Idade Média, a alcunha representa uma característica mais vincada nos homens do que nas mulheres, uma vez que estas pouca importância social tinham e o seu quadro de actuação ou de representação social se situava na esfera privada. E apesar de as mulheres actualmente terem um papel socialmente relevante, elas continuam a não ser o destinatário preferencial das alcunhas (pág. 20).

Nuns casos, a alcunha resulta duma intenção deliberada, noutros casos de forma involuntária ou inconsciente, mas acaba por ser a sociedade que se encarrega de lhes dar curso e de os sancionar, como que renomeando o nome de batismo de cada membro da comunidade. 

Variável é a forma como cada pessoa alcunhada lida com a sua alcunha: há os que a aceitam, e aqueles que reagem negativamente, acentuando-se neste caso a sua frequência e, claro, o motivo de chacota, como sistematiza a autora - agora apoiando-se noutro autor, Baena - quando diz que o anexim traduz uma característica que abrange todos, renomeando-os indistintamente, e remata:

Então a alcunha não mete no mesmo saco bons e maus, endinheirados e miseráveis, gente de respeito e ralé, homens e mulheres, honestos e aldrabões?!

E Francismo Ramos cita a propósito que a função das alcunhas é o de reduzir as diferenças socioeconómicas, eliminando privilégios e igualizando todos os membros da comunidade. Uma espécie de democratização linguística. 

Enfim, a autora, de forma eficiente, desenvolve uma tipologia das alcunhas em razão da sua motivação. A saber: de tipo hereditário, adquirida, linguística, derivada de nome ou apelido, profissional, físico, psicológico/comportamental ou ainda de tipo geográfico. Eis o percurso que a autora seguiu para chegar à dimensão histórica e sociológica deste trabalho. Dito doutro modo, é como se tivesse partido do estudo de duas ou três árvores para explicar a configuração global da floresta. 

Com efeito, quando se pretende conservar um museu, uma escola ou um teatro (na sua componente material ou edificado) é conveniente fazer obras de conservação e restauro a fim de dar continuidade à sua função social e cultural na comunidade.

De igual, quando se pretende preservar ou até promover todo um património imaterial (ou intangível) duma dada região ou cultura, urge fazer estudos que recuperem e sistematizem essas informações, essas relações, que carecem de tratamento e da devida integração socio-histórica, a fim de podermos ver recuperado esse capital de conhecimento que, doutro modo, se perderia nas brumas da memória. 

Creio que é isso que Teresa Simão faz neste pequeno trabalho. Pequeno na dimensão, mas grande no alcance e na memória futura que soube acautelar promovendo um pouco mais do tal Património Imaterial que, em suma, radica nos costumes e nos processos de representação social que consubstanciam a nossa cultura e que nos indica o grau de civilização em que nos encontramos. 

E que revela, no limite, uma premência crescente em registar, estudar e inventariar todo esse património cultural como sendo de interesse nacional, público ou municipal. Pois sem esse trabalho de inventariação inúmeros municípios (muitos deles do interior e que vivem muito dependentes deste tipo de turismo cultural), nuns casos, por não disporem de quadros técnicos qualificados e com formação cultural adequada; noutros casos, porque a liderança política das autarquias não está hablitada para compreender ou inspirar o alcance desses trabalhos e, por isso, não lhes sabe dar o exemplo, tendem a perder oportunidades de investimento, de reconhecimento e de desenvolvimento sustentável, já que muitos dos projectos no sector do intangível passa por compreender o significado e importância da valorização dessas práticas culturais, de que este trabalho é um eficiente exemplo.

Desse modo, a única forma de protegermos o chamado Património Cultural Imaterial (PCI), consiste na inscrição de todos esses costumes e práticas sociais e que conquistou enquadramento legal através da Lei de Bases do Património Cultural desenvolvido pelo Decreto-Lei n.º 149/2015, que institui o regime jurídico para a salvaguarda daquele património cultural imaterial. 

Por tudo isso, e por tudo o mais que já não cabe na função social das alcunhas, é que queria felicitar, mais uma vez, a Teresa Simão por este especial contributo cultural que confere aos estudos linguísticos, embora com uma dimensão socio-histórica, e que aqui sintetizou com mais esta obra.
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quarta-feira

Da desproporção e dos limites das coisas. O prémio a Greta




Greta é a personalidade do ano para a revista "Time". Foto foi tirada em Portugal
Da desproporção e dos limites das coisas
- Cada coisa em seu sítio


Toda a gente de bom senso valoriza a ideia de que os jovens se preocupem com o ambiente, dentro e fora das escolas; todos devem aceitar que os jovens devem contribuir para operar a mudança de sociedade, de tecnologia, enfim, de mentalidades em nome dum mundo mais limpo, mais justo e mais desenvolvido.
Contudo, se notarmos bem, o que a jovem Greta fez foi ter tido a coragem de faltar às aulas uma data de dias seguidos e pôr-se nas ruas com cartazes a fim de dramatizar o problema que afecta o planeta na sequência das mudanças climáticas. Fê-lo com especial afinco e um activismo só disponível aos mais ambiciosos e determinados.
Fê-lo com repercussão global, porque os media, à falta de tema mais "quente" (esgotado o tema da imigração e das idiotices globais do Trump) pegaram no assunto e ampliaram esse foco e emprestaram-lhe uma luz planetária. O resultado foi a elevação e a promoção a vedeta duma criança que, é bom sublinhar, não conseguiu avançar com UMA ÚNICA IDEIA ORIGINAL para combater as alterações climáticas que, por força do excesso de emissões de CO2 para a atmosfera por parte das indústrias dos países mais prevaricadores (China, Rússia, Irão, Índia...) provocam o degelo e, com isso, fazem subir o nível das águas que faz perigar as nossas cidades num quadro de desenvolvimento sustentável.
De facto, Greta tem o mérito de ter dramatizado - como nenhuma outra criança no planeta - esta problemática, sem, contudo, ter dado um contributo líquido para a forma de (como) resolver este problema colectivo.
Um problema que só pode ser resolvido estruturalmente se: (1) for encontrado um novo sistema económico que refreie o actual sistema capitalista neoliberal que nos faz produzir e consumir de forma intensiva, e que consome imensos recursos no planeta, os quais são cada vez mais finitos; (2) que esse novo sistema económico consiga substituir a tecnologia poluente por outra que não o seja, mas isso colocará, a curto e médio prazos, um problema de sustentabilidade económica. Temos o exemplo das baterias dos carros electricos que custam tanto (ou mais) que o preço das viaturas. O que desincentiva a procura desses veículos, pelo menos para já.
Naturalmente, a virtude da jovem que foi capa da Time consistiu em ter sido coerente, ou seja, ela adequou a sua causa à forma como procura viver no seu dia-a-dia. Portanto, se ela se preocupa com a emissão de CO2, então não anda de avião, transporta-se de barco. O que revela que tem uma estrutura e uma logística eficiente que a serve, servindo (supostamente) a sua causa.
Este simples encadeamento de factos revela coerência, mas será ela suficiente para ser considerada personalidade do Ano pela referida revista?!
Não teria sido mais relevante que a dita publicação se preocupasse mais com a actividade dos cientistas que trabalham arduamente para descobrir novos antídotos para inúmeros cancros que matam milhares de pessoas por ano?!
Com toda a sinceridade, olho para esta miúda como alguém com uma tremenda vocação para o teatro, para a capacidade de dramatizar causas nobres, mas, verdadeiramente, ela, ou a sua equipa, não conseguiram prendar o planeta com uma única ideia que possa beneficiar a vida colectiva e a sustentabilidade do planeta.
O resto redunda na vulgata discursiva do discurso pró-ambientalista que já remonta à década de 70 do séc. XX. Por isso, também aqui a revista Time foi sofrível na sua opção editorial. Cedeu ao show-of, em vez de ter procurado os casos verdadeiramente criativos e originais que salvam vidas e mudam o quotidiano das pessoas, das empresas e das sociedades.

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Evocação de Rachel CARSON, Silent Spring -

Nota biográfica: 

Rachel Louise Carson (Springdale27 de maio de 1907 – Silver Spring14 de abril de 1964) foi uma bióloga marinhaescritoracientista e ecologista norte-americana. Através da publicação de Silent Spring (1962), artigos e outros livros sobre meio ambiente, Rachel ajudou a lançar a consciência ambiental moderna[1]. Começou a carreira como bióloga marinha no United States Fish and Wildlife Service dos Estados Unidos, tornando-se escritora em tempo integral a partir dos anos 1950. Seu livro de 1951, The Sea Around Us, tornou-se um bestseller e ganhou o National Book Award, o que lhe deu segurança financeira e reconhecimento nacional[2]. Seu próximo livro, The Edge of the Sea e a nova edição de Under the Sea Wind, também se tornaram sucessos de vendas. A trilogia explora a vida marinha, desde à zona da praia até as profundezas[3].
No final dos anos 1950, Rachel começou a analisar a conservação ambiental, especialmente problemas que ela acreditava serem causados por pesticidas sintéticos. O resultado dessa pesquisa se tornou o livro Silent Spring (1962), que levou à população norte-americana uma preocupação ambiental sem precedentes. As companhias químicas logo se opuseram às colocações de Rachel em Silent Spring, e se engajaram em uma campanha de difamação da autora e do livro. Mas o legado de Rachel acabou por reverter a política nacional de uso de pesticidas, o que levou ao banimento do uso do DDT e de outros pesticidas nos Estados Unidos[4]. O trabalho de Rachel também levou à criação da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos. Postumamente, Rachel recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade pelo presidente Jimmy Carter, em 1980[5].


Silent Spring, 1962
Full text, aqui


Rachel CARSON, que certamente muitos desconhecem foi, talvez, a mulher que mais contribuiu para a criação duma verdadeira consciência ambiental nos EUA na década de 60 (séc. XX), e que mais eficientemente desmontou as estratégias e os esquemas da poderosa Indústria química de então, que, aliás, tudo fez para desprestigiar a autora de Silent Spring que denunciava o carácter nocivo dos pesticidas nos solos e sub-solos e, através disso, prejudicava toda a cadeia alimentar da vida animal e vegetal. 

Nesse ano os pássaros deixaram de cantar...

Foi ela, melhor do que ninguém, há quase meio século, que descobriu que o mundo estava doente, as políticas públicas eram lesivas para a Natureza, o desenvolvimento e para a condição humana e, por essa via, a bióloga conseguiu explicar a razão por que nesse ano a Primavera foi silenciosa e milhares de agricultores viram as suas vidas desgraçadas.

Deixo aqui o doc. para quem nunca teve a oportunidade de o ler e tirar as suas conclusões.

Desde já adianto que Carson não beneficiava de campanhas de marketing globais, não dispunha de financiamentos para as suas actividades, nem tinha uma agenda oculta para se beneficiar ou promover a sua carreira (seua amigos e familiares) à boleia do tema da prevenção ambiental que, na década de 60, ela fez de forma precursora. 

Seria neste imenso legado que os media se deviam centrar, e não em crianças egocêntricas, que debitam as banalidades da vulgata pró-ambiental plasmadas nos prefácios dos livros do sector, e que só enumeram problemas e desconhecem todas as soluções. 

Até no modo como os media reagem a estes fenómenos, acompanhado dos agentes políticos que (também) não querem perder a boleia do mediatismo e do tropismo pró-ambiental, revela que o mundo em que vivemos está verdadeiramente doente.

Mas não é a endeusar crianças que salvamos o planeta e cujo mérito foi fazer uma greve de fome pelas questões ambientais, mas, sim, repegar nos trabalhos cientificamente valiosos de quem sabe o que fez e, pela via do conhecimento e da experimentação (com o auxílio da C & T), poderá identificar futuras respostas aos problemas globais colocados pela economia capitalista e pelo modelo de desenvolvimento com que nos defrontamos actualmente. 

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Via Wiki

Silent Spring (no Brasil/Portugal: Primavera Silenciosa) é um livro escrito por Rachel Carson e publicado pela editora Houghton Mifflin em Setembro de 1962. O livro é amplamente creditado como tendo ajudado no lançamento do movimento ambientalista.[1]
New Yorker começou a editar Silent Spring em Junho de 1962, tendo sido publicado em forma de livro mais tarde nesse ano. Quando o livro Silent Spring foi publicado, Rachel Carson era já uma escritora bem conhecida na área da história natural, mas não tinha sido previamente uma crítica social. O livro foi amplamente lido, especialmente após a seleção pelo Book-of-the-Month Club e após a presença na lista de best-sellers, tendo inspirado ampla preocupação pública com os pesticidas e poluição do ambiente natural. Silent Spring facilitou o banimento do pesticida DDT[2] em 1969 na Suíça e [3] em 1972 nos Estados Unidos.
O livro documentou o efeitos deletérios dos pesticidas no ambiente, particularmente em aves. Carson disse que tinha sido descoberto que o DDT causava a diminuição da espessura das cascas de ovos, resultando em problemas reprodutivos e em morte. Também acusou a indústria química de disseminar desinformação e de se aceitar as argumentações dessa indústria de maneira pouco crítica.
Silent Spring tem sido colocado em muitas listas de melhores livros não-ficcionais do século XX. No Modern Library List of Best 20th-Century Nonfiction era número 5 e número 78 no conservador National Review.[4] Mais recentemente, Silent Spring foi nomeado um dos 25 maiores livros de ciência de todos os tempos pelos editores da Discover Magazine.[5]
Uma sequência, Beyond Silent Spring,[6] com co-autoria de H.F. van Emden e David Peakall, foi publicada em 1996.

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segunda-feira

A história repete-se...

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A história repete-se...
- Quem não se lembra do ambiente e da cultura do medo e do silêncio, qual omertà instituída no reinado do cavaquismo, nos anos 80 e 90 do séc. XX?!
- Os ministros do então PM, Silva - eram meros colaboradores de cavaco, e os secretários de Estado eram ainda mais banalizados, ou seja, não passavam de simples "ajudantes" sem qualquer dignidade institucional e autonomia política.
-Cavavo foi, assim, uma espécie de eucaliptp que secou tudo em seu redor, e também por isso as lideranças que se lhe seguiram - movidas pelo interesse próprio (barroso) e pela asneira e incapacidade de liderança e de reformar o país (santana lopes) - contribuíram decisivamente para enterrar sociológicamente o PSD e metê-lo no túnel negro onde ele hoje se encontra e donde ameaça não conseguir sair.
- Na prática, o cavaquismo, entre muitas outras características, simbolizou a prepotência, a cultura do "quero, posso e mando", e, claro, da falta de diálogo político e institucional na sociedade portuguesa.
- Constatar hoje a existência dessa cultura da imposição e do silêncio na casa da democracia, que é a Assembleia da República, impossibilitanto os partidos mais pequenos de interpelarem o PM nos debates parlamentares, designadamente o Chega, o Livre e a Iniciativa liberal (que apenas se representam com um só deputado) significa um retrocesso civilizacional na forma de exercer a nossa democracia representativa, e imputar esses custos políticos a quem hoje concentra as alavancas do poder, em particular a quem manda no Regimento da AR e da Conferência de líderes, o que coloca os actuais poderes ao nível da cultura política do cavaquismo.
- Verificar, ao cabo de mais de duas décadas, este paralelismo, é um exercício tão triste quanto lamentável. Seja como for, é bom que soem as campainhas de alarme aos ouvidos moucos do actual PM, que sempre se insurgiu contra essa cultura do medo e do silêncio traduzida no impedimento de falar livremente, por isso é muito estranho ver em A. Costa, ainda que indirectamente, uma réstia dessa cultura da imposição e da boca calada vinte anos após a cultura do cavaquismo ter ditado as suas regras em Portugal.
- O que o país assistiu ao ver que aqueles três deputados não podem falar na AR, em razão da sua importância sociológicamente, é, não apenas legitimar os populismos que alguns daqueles deputados representam, como enfraquecer a verdadeira democracia representativa em Portugal, ante um presidente da AR (Ferro Rodrigues) fraco e agastado a quem já poucos reconhecem a autoridade para, nos momentos decisivos, bater o pé ao partido de que é originário: o PS.
- No fundo, a história repete-se, ainda que sob outras roupagens...
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sexta-feira

Mario Draghi - um Sforza dos novos tempos -.O Sr. 0% das taxas de juro



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Podia ter sido o novo Francesco SFORZA de Milão dos novos tempos, que mandava no curso do dinheiro em toda a Europa. Marcelo gostou tanto dele que até o condecorou. Talvez por reconhecer que Draghi garantiu a coesão do €uro e deixou as taxas de juro pelas ruas da amargura, a ponto de serem negativas e desincentivarem os aforradores a poupar, porque nenhuma vantagem têm em fazê-lo.

Se, por um lado, Draghi evitou a implosão da chamada zona €uro, por outro colocou as taxas de juro a níveis negativos, com isso gerando várias disfunções na economia europeia, não obstante a possibilidade de o BCE continuar a comprar dívida pública.

Com a fórmula - Custe o que custar, Draghi colocou os mercados em sentido e pôs termo à crise da zona €uro. Eis a sua grande virtualidade. Mas quem gosta de ver os juros dos seus capitais devidamente remunerados viu nas políticas monetárias e financeiras de Draghi o pior. Juros cortados abruptamente durante anos a fio?! A ponto de atingirem valores negativos, tornando os aforradores "escravos" dos bancos que, lamentavelmente, já praticam comissões abusivas relativamente aos consumidores sem que, quer o regulador (o BdP) e o Parlamento (fonte legislativa) - cortem o mal pela raiz dos abusos reiterados da banca em Portugal, escravos que também estão desse sector que parece corromper tudo e todos.

O que Draghi consegui fazer, na relação dos aforradores com a banca foi o seguinte: quando os depósitos dos particulares e empresas são feitos à banca, as taxas de juros praticadas estão ao nível do negativo; quando é a banca a prestamista as taxas de juro disparam exponencialmente, gerando aqui uma desigualdade extrema na relação dos clientes (particulares e institucionais) com a banca, levando mesmo a uma quebra de confiança dos depositantes relativamente à banca.

Terá valido a pena levar à prática a sua fórmula: custe o que custar?!

Talvez valesse  a pena perguntar ao Sforza do novo tempo se obrigar milhares de depositantes a tirarem os seus capitais dos bancos, onde os juros estão ao nível da taxa 0% -  para depois os canalizarem para pequenos paraísos imobiliários, como é Portugal (leia-se, Lisboa, Porto, Algarve e pouco mais...) - para investir aí em força, em ordem a capitalizarem os recursos que valem zero em depósitos na banca.

As consequências desta bolha imobiliária em Portugal tem tido consequências terríveis na vida de milhares de pessoas, as quais são literalmente despejadas pelos respectivos senhorios, animados pela perspectiva da especulação dos seus imóveis, seja por via de alienação dos mesmos, seja por via do arrendamento clássico ou ainda do arrendamento de curta duração, que transformou a paisagem das cidades em nome dos rendimentos mais elevados para quem passou a explorar os famosos Alojamentos Locais (AL) e até fez disso um modo de vida.

Draghi é também o responsável  por essa bolha especulativa em torno do imobiliário, mormente em Portugal que passou a viver do turismo e onde as taxas de juro dos depósitos são negativas, é bom repetir, o que tem permitido à banca esbulhar os capitais dos depositantes que, duma maneira ou doutra, têm que escolher opções credíveis para as suas capitalizações. E o imobiliário é uma delas. 

Mas com custos brutais para milhares de portugueses, que foram compulsivamente destribalizados dos seus locais de origem, e cujas rendas têm subido em flecha. Tudo em nome dos interesses especulativos dos senhorios e, claro, a coberto das políticas financeiras e monetárias cegas do Sr. Draghi. 

Entre o deve e haver dos mandatos do Sr. Draghi no BCE, creio que o Sr. Europa não deixará grandes saudades à Europa, que apesar de ter tido um papel relevante na manutenção do €uro - não conseguiu evitar a catástrofe da Grécia que, ao tempo em que Mr. Barroso presidia à CE - foi completamente esmagada em nome dos elevados interesses dos sectores financeiros para quem aquele sr. barroso, aliás, tanto trabalhou, e depois até foi devidamente compensado. 

Hoje é o mesmo cretino que diz que o povo português é resiliente perante as políticas económicas que sofreu na pele, ao invés das elites nacionais, que não souberam estar à sua altura. 

Vindo de quem vem, aquela afirmação tem o mesmo valor facial das taxas de juros impostas às Europa pelo Sr. Draghi. Estão bem um para o outro. E uma desgraça nunca vem só...
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quinta-feira

Diogo Freitas do Amaral - foi quase tudo em Portugal...

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... e pelo seu trajecto profissional ligado à academia, de vida política merecia ter sido PR em Portugal. Foi Mário Soares quem lhe roubou esse desígnio em 1986. 

Ainda guardo na memória a imagem televisiva de Freitas do Amaral, de dezembro de 1980, a anunciar ao país a queda do Cessna que vitimou Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa em Camarate, entre outros que viajavam no avião. 

Freitas do Amaral, pela importância que teve na fundação e consolidação da democracia em Portugal, pela sua prestigiada obra académica na área do Direito (e mais recentemente na área da História de Portugal), pela sua continuada acção política, até na esfera da ONU, onde teve especiais responsabilidades na sua AG, merece um lugar de destaque na história política contemporânea entre nós.

Por essas razões, e por ser também uma mente brilhante e dotada dum cartesianismo explicativo invejável, é que Diogo Freitas do Amaral será recordado como um político que foi quase tudo, excepto PR. 


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A burla que é o Brexit e quem o defende


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O Sr. Boris julga que ao persistir na saída abrupta do RU da UE terá mais liberdade para negociar os novos acordos comerciais e obter mais dinheiro para investimentos públicos. Mas, na prática, ele, e os ingleses, ficarão mais pobres e terão ainda menos controle sobre a feitura dos tratados comerciais, menor domínio sobre as cruciais questões de segurança (por causa do terrorismo, que é recorrente) e sobre a elaboração das leis em geral. 

Ou seja, o Brexit terá um impacto negativo no crescimento económico britânico (estima-se em mais de 2%); o desemprego também soferá consequências, para além das exportações do RU para o exterior, que também se defrontará com um muro de tarifas às exportações e outras restrições ao comércio internacional por parte dos países da UE que fará do RU uma nação que caminhará para um empobrecimento a médio prazo. 

 Só mesmo um paraquedista poderá pensar que uma saída abrupta do RU da UE trará mais vantagens do que desvantagens, riscos e incertezas. 



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sexta-feira

Savage Garden - To The Moon & Back (Extended Version) (Official Video)






She's taking her time making up the reasons
To justify all the hurt inside, guess she knows
From the smiles and the look in their eyes
Everyone's got a theory about the bitter one, they're saying
Mama never loved her much and
Daddy never keeps in touch
That's why she shies away from human affection, but
Somewhere in a private place
She packs her bags for outer space
And now she's waiting for the right kind of pilot to come
And she'll say to him (she's saying)
I would fly you to the moon and back
If you'll be, if you'll be my baby
I've got a ticket for a world where we belong
So would you be my baby?
She can't remember a time when she felt needed
If love was red then she was color-blind
All her friends, they've been tried for treason
And crimes that were never defined
She's saying, love is like a barren place
And reaching out for human faith is
Is like a journey I just don't have a map for
So baby gonna take a dive and push the shift to overdrive
Send a signal that she's hanging all her hopes on the stars
What a pleasant dream (just saying)
I would fly you to the moon and back
If you'll be, if you'll be my baby
I've got a ticket for a world where we belong
So would you be my baby?
Mama never loved her much and daddy never keeps in touch
That's why she shies away from human affection
But somewhere in a private place
She packs her bags for outer space
And now she's waiting for the right kind of pilot to come
And she'll say to him (just saying)
I would fly you to the moon and back
If you'll be, if you'll be my baby
I've got a ticket for a world where we belong
So would you be my baby?
I would fly you to the moon and back
If you'll be, if you'll be my baby
I've got a ticket for a world where we belong
So would you be my baby?

Fonte: LyricFind
Compositores: Daniel Jones / Darren Hayes
Letras de To the Moon and Back © Warner Chappell Music, Inc

quinta-feira

Tempestade perfeita em Portugal


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Coletes amarelos querem juntar-se à greve dos motoristas e entupir Ponte 25 de Abril. Governo foi alertado (in Expresso).

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Com esta nova deriva está criado o clima perfeito para a chamada tempestade perfeita, uma situação que já é delicada pelos efeitos nefastos que gera na economia e na sociedade portuguesas, e, agora, tenderá a agravar-se com esta possibilidade de radicalização dos coletes amarelos no nosso país. Esta rara combinação de condições, circunstâncias e de efeitos colocam a sociedade portuguesa sob a eminência de um desastre social, económico, financeiro e até no plano da projecção da imagem externa do país abroad

O chefe de banda dos sindicatos do sector sabe disso, os patrões do sector também. E ambos também sabem que o extremar de posições, por nenhuma das partes querer assumir as suas efectivas responsabilidades, faz transbordar o copo cheio dos problemas para a esfera política, ou seja, para a generalidade dos portugueses. 

Mas aqui é o superior interesse nacional que está em jogo, e não os interesses particularistas do grupo A ou B. E isso diz tudo acerca do modo como o Governo deverá reagir (de forma musculada) a esses bloqueios aprazados que condicionam e penalizam a vida de 10 milhões de portugueses. 


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quarta-feira

Independência nacional = Independência energética. O terrorismo doméstico em Portugal que torna refém os portugueses

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Em resultado do impasse gerado pelo conflito entre motoristas de combustíveis perigosos e a respectiva entidade patronal o país, e os portugueses, mais uma vez, estão reféns de mil ou duas mil pessoas que conseguem paralisar a economia nacional.



Assim sendo, e sem nos atermos às exigências concretas das partes em conflito, que o Governo tenta mediar, Portugal fica em suspenso em pleno Agosto, depois daquele grave precedente da Páscoa, em que as férias de milhões de portugueses ficaram comprometidas.


Ora, como o problema é eminentemente nacional, pelos efeitos e consequências que gera, deve valorizar-se mais o que o Governo já deveria ter feito para anular aqueles efeitos devastadores na economia nacional, e não as questões técnicas e reivindicações que as partes em conflito reclamam para si. 


Nesse sentido, e porque cabe ao Governo da República assegurar a independência energética dos portugueses e garantir a ordem pública e a paz social, que agora estão novamente ameaçadas, o que tem feito o governo em funções (e os precedentes!??) para garantir essa independência?

Que meios (incluindo os militares..) o Governo gere para atingir os fins maiores da política? Ou que estratégia, i.é, que cálculo e coordenação coerentes de objectivos e meios é usada para garantir aos portugueses que estes não ficam reféns daqueles sindicatos e entidade patronal que bloqueiam literalmente um país inteiro?



Além dumas declarações vagas sobre paz social e apelo à concertação das partes pelo ministro da tutela, pouco mais se sabe. 

O que tem feito o Governo para contornar este novo ambiente de insegurança energética a que 10 milhões de portugueses são trismestralmente chantageados? Como se estivessem sob a eminência de um ataque terrorista com os efeitos conhecidos na vida quotidiana das comunidades e no projecto e modelo de sociedade democrática e pluralista em que decidimos viver. 

Que investimentos públicos tem o Governo da República promovido para criar infra-estruturas de modernização ao abastecimento de energia aos portugueses diante da chantagem a que estão submetidos? Usando, para o efeito, uma estratégia civil e militar em função das capacidades necessárias ao cumprimento das missões prioritárias da nação. 

Ou o Governo só se preocupa em desenhar uma estratégia integrada - civil e militar - para fazer face às ameaças e riscos decorrentes de acções terroristas a nível global. 

Neste capítulo, a avaliar pelas declarações elementares do ministro da tutela - somos forçados a concluir que a promoção da segurança e prosperidade dos portugueses, através do desenvolvimento das capacidades materiais e imateriais do país, e da redução das suas vulnerabilidades e dependências, é praticamente inexistente. Esta situação faz, aliás, evocar os mecanismos de combate aos fogos, em que após o país ter todo ardido as entidades públicas falam em prevenção. 

Os portugueses não querem saber se a associação dos empresários do sector transportador paga os 900€ mês aos motoristas, ou se estes passam a ter um ajudante para assegurar a descarga dos combustíveis nos postos de abstecimento; nem os motoristas se interessam pela forma como os demais portugueses vivem e pagam os impostos. O que verdadeiramente interessa, e é aquilo que o Governo ESTÁ OBRIGADO a garantir e a zelar constitucionalmente, é determinar como se limitam aquelas vulnerabilidades, pelo que a incidência estratégica da acção futura do Governo deverá passar a dar relevância às dimensões financeira, científica e tecnológica, alimentar e energética de Portugal e dos portugueses.

Naturalmente, a política de défice ZERO e de cativações cegas é completamente incompatível com a estruturação destas alternativas como resposta à pressão e à chantagem que estes movimentos mais ou menos inorgânicos têm feito sobre Portugal e os portugueses.

E é neste capítulo, como no dos fogos, Tancos, Borba e outros que o governo tem "andado à nora", dando ao país uma imagem de ineficácia, laxismo e de irresponsabilidade ao deixar 10 milhões de portugueses inseguros e reféns nas mãos de sindicatos irresponsáveis e de patrões de moralidade duvidosa. 
Um país que não tem valorizado uma política de independência energética, mesmo internamente, é um país que sucumbe às mãos de meia dúzia de bárbaros que já compreendeu que com meia dúzia de declarações e um advogado oportunista e habilidoso - tem o país a seus pés.

E é perante este tipo de novo terrorismo doméstico que os portugueses, ante a incapacidade do Governo, têm de saber lidar. 

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sexta-feira

A mediação e os bons ofícios do Governo no caso da greve dos motoristas de combustíveis perigosos

PAIRA DE NOVO A AMEAÇA DE PARALISAÇÃO DO PAÍS MEDIANTE O AVISO DE GREVE DOS MOTORISTAS DE COMBUSTÍVEIS PERIGOSOS. VIVEMOS, DORAVANTE, SOB UM REGIME DE CHANTAGEM TRIMESTRAL POR PARTE DE DOIS GRUPOS PRIVADOS QUE TEIMAM EM NÃO SE ENTENDER ENTRE SI. 

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Doravante, o Governo já não pode evocar o argumento que não está preparado com esta nova ameaça de greve dos motoristas de combustíveis perigosos. Desde o início do mês de Abril, pelo menos, que o Governo sabe dessa intenção dos sindicatos e do sector patronal dos transportes que, de novo, ameaçam paralisar a circulação rodoviária e a aviação, bem como interromper o fornecimento de bens e serviços à população, interromper o transporte de doentes e, no limite, criar o caldo de cultura colectiva para instabilizar a ordem pública que incumbe ao Governo garantir, ou prevenir. 
O que aqui é mais inaceitável é a forma como o Governo não se preparou para a crise anunciada, e desde Abril também nada tem feito para criar uma alternativa credível aquela greve que, em rigor, deixa o país em suspenso e refém daqueles dois grupos privados, sindicatos e entidade patronal do sector dos transportes, cujo número de trabalhadores nem sequer ascende ao milhar, ainda que sejam justas as suas pretensões socio-laborais. 

O governo apresenta-se como mediador entre as partes, ou seja, o elemento facilitador que procura integrar a acção conjunta daqueles dois contendores. Contudo, a natureza delicada daquele sector estratégico para o país, porque interfere directa e imediatamente com a economia e os comportamentos dos seus agentes (e a ordem pública e a paz social!!!), faz com que incumba ao Governo assumir a responsabilidade imediata daqueles efeitos nefastos na economia acaso ocorra uma nova greve no sector.

Aquela interrogação conduz à seguinte (re)formulação: será que ao Governo apenas incumbe a mediação dos interesses entre as partes em nome da justiça para ambos (os trabalhadores e a componente empresarial), ou exige uma atitude mais musculada a fim de evitar que o Governo do país, ou seja, os 10 milhões de portugueses fiquem, de novo, reféns dessa situação por parte dos "amigos do costume"?!

 O Governo, por saber que se abriu um grave precedente em Abril que paralisa completamente todo o país, com custos avultados para a economia nacional e a imagem externa do país, não deveria criar uma verdadeira alternativa de "postos de abastecimento públicos independentes" capazes de esvaziar aquele efeito da greve por parte dos motoristas de materiais perigosos!?

Momentos há em que os Governos dos Estados não devem apenas ser mediadores de complexos processos negociais ou cultores dos bons ofícios, mas ser os verdadeiros guardiões do interesse público, nem que para o efeito tivesse de intervencionar o sector (ou parte dele) a fim de garantir que esse tipo de ameaças e chantagens não sobrevoasse mais a economia nacional e a ordem pública.

Ao fim e ao cabo, este tipo de ameaça não deixa de configurar uma nova modalidade de terrorismo pós-moderno das sociedades contemporâneas, em que por via de acção ou omissão de um ou dois grupos de representantes de classes sociais, bloqueia-se completamente o país.

E isso é inaceitável num estado de direito.


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quarta-feira

A Nova Europa da Sra Ursula von der LEYEN


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A alemã Ursula von der Leyen, de 60 anos, do partido União Democrata-Cristã (CDU), foi eleita para a presidência da Comissão Europeia pelo Parlamento Europeu, numa votação em que obteve 383 votos a favor, 327 contra, 22 abstenções e um voto nulo. Recorde-se que há 5 anos o Sr. J.C. Junckers foi eleito com 422 votos. 

Esta aritmética faz supor que a sua vida política não terá grande folga, pois precisará do apoio permanente dos deputados do PE para aprovar leis para o espaço europeu, o que a obrigará a negociar permanentemente com os eurodeputados a fim de viabilizar consensos e entendimentos políticos sobre todas as matérias. 


É esta estrada de Damasco que condicionará a acção de Ursula von der Leyen na Comissão e que poderá ser de uma hábil liderança, gerando os consensos necessários, ou um desastre com a paralisia da sua acção política e legislativa. Daí que os próximos 5 anos possam ser de esperança ou de grande frustração.


Na ânsia de agradar a gregos e troianos van der Leyen prometeu tudo a todos, e elaborou uma agenda ambiciosa alinhada com o centro-esquerda, ainda que goze da cobertura da própria Angela Merckel, de cujo governo faz parte como ministra da Defesa. 
Todavia, a nova presidente da CE terá escasso poder sobre os eurodeputados, dada a sua nova recomposição, o que fará com que alguns dos seus grupos políticos votem desalinhadamente consoante as matérias em discussão. Daí a sua agenda abrangente, na tentativa de agradar ao maior número de grupos políticos que integram o novo Parlamento Europeu (hoje mais atomizado).
Os poderes da CE, em rigor, não são ilimitados. A CE desenvolve um esforço para dotar a UE das leis necessárias para desempenhar um papel significativo no contexto da legislação europeia e conduz as negociações de comércio internacional e o complexo e contraditório processo do Brexit - que fará com que, após a saída do RU da UE este deixe de ter os actuais 751 deputados para passar a ter 705. 

Este processo supõe que as grandes decisões sejam efectivamente tomadas pelos chefes de Estado e de governo (através do Conselho Europeu) - e não tanto pela CE ou pelo Parlamento Europeu. De resto, em linha com a própria história e evolução da União Europeia neste último meio século de existência.

Se atentarmos bem nos poderes efectivos da nova presidente da CE, von der Leyen, constataremos que nem os seus comissários ela poderá designar, já que estes são nomeados pelos Estados membros, as usual. Poderá, contudo, e após consultas com cada um desses Estados membros, atribuir a cada um desses comissários pastas ou matérias mais ou menos relevantes para a vida de cada um desses países e da Europa no seu conjunto.

E tratando-se das decisões mais críticas sobre o Brexit estas também terão de ser tomadas antes do mês de Novembro de 2019, ou seja, antes que o Sr. Juncker cesse efectivamente funções e seja, de facto, substituído por von der Leyen. Portanto, também aqui a nova presidente da CE terá poderes limitados.


AGENDA

Então, onde é que a nova presidente da CE poderá inovar ou fazer diferente? 

Precisamente na sua ambiciosa e abrangente agenda, vertida no seu emotivo discurso no PE no dia da sua eleição, em particular nas guidelines que deixou entrever. 

E que matérias são essas: (1) as relacionadas com as alterações climáticas, prevendo uma redução das emissões de carbono na ordem dos 50% até 2050; (2) um significativo "investimento verde" (€1trilião) na próxima década na Europa; (3) o resseguro para o desemprego na Europa, diminuindo a vulnerabilidade dos mais desprotegidos socialmente; (4) estabelecer um salário mínimo que garanta uma vida decente; (5) conferir flexibilidade às normas da UE a fim de tirar partido do Pacto de Estabilidade e Crescimento; (6) concluir o mercado de capitais e a união bancária, incluindo o seguro de depósitos europeu; (7) dar ao Reino Unido uma prorrogação até 31 Outubro para repensar (melhor) o seu processo de saída da UE; (8) dar o direito ao Parlamento Europeu para desencadear legislação que coadjuve a CE naquele sentido.

Sem considerar a necessidade de alterar os tratados europeus, a presidente da CE terá de trabalhar em ligação estreita ao PE, até pela atomização deste, e a forma como as pastas forem atribuídas aos vários comissários, designadamente nas questões económicas, financeiras e de natureza fiscal, von der Leyen algum poder e controle terá sobre esta nova Europa que está em acelerado processo de recomposição. 


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Tributo a Lee Iacocca

Partiu um dos mais importantes e icónicos gestores do séc. XX. Lee Iacocca era filho de imigrantes italianos e teve uma infância difícil, mas acabou por se tornar num dos maiores executivos de Detroit, vendo o seu nome ligado ao famoso Ford Mustang e O K-Car, que serviu para tirar a Chrysler da eminência de falência em que estava envolvida. 
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Nos anos 70 do séc. XX Iacocca foi, de facto, um dos mais importantes gestores de top de nível mundial, sendo que a sua influência foi muito para além da indústria automóvel. Ele contagiou também o mundo das ideias, do pensamento e da gestão estratégica, factos que o qualificaram como um dos homens mais sagazes do seu tempo. 

Deixamos algumas das suas reflexões seminais que produziram eco no futuro e melhoraram a vida a milhões de pessoas. 


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  • O administrador não é mais do que um motivador de pessoas.“ —  Lee Iacocca.
  • Para resolver grandes problemas, você deve estar disposto a fazer coisas que desagradam.“ —  Lee Iacocca 
  • O Meu pai costuma dizer sempre que se, quando você morrer, se tiver feito cinco amigos verdadeiros, então você teve uma vida notável.“ —  Lee Iacocca.
  • Se puder encontrar um carro melhor, compre-o. L.Iacocca.
  • Eu adoraria encontrar o sujeito que supostamente sou. Eu o contrataria em um segundo.“ —  Lee Iacocca 

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sexta-feira

O Estado está desnatado de quadros qualificados





O Estado está desnatado...
Resultado de imagem para Siresp- De funcionários de qualidade. Aqui há uns anos os ministérios tinham departamentos de planeamento e prospectiva e também bem apetrechados do ponto de vista jurídico - que aconselhavam os serviços na resolução de problemas correntes e de questões mais complexas que se desenvolviam entre a Administração e a sociedade e a economia.
Hoje, quando surge um problema, um conflito, um contrato o Estado recorre quase sistematicamente aos escritórios de advogados que, além de cobraram honorários principescos que desgastam o erário público também deixam alçapões nas negociações, nos contratos e nas leis por forma a que o Estado tenha de recorrer a eles frequetemente pagando mais e mais por serviços jurídicos que em lugar de defender e promover os interesses legítimos do Estado só o secundarizam em prol dos interesses de empresas privadas que assim ganham ilegitimamente rios de dinheiro à conta dos impostos dos contribuintes, que são quem de facto pagam essas avenças de LUXO.
Neste exemplo do Siresp, assim como noutros, o Estado é ludibriado deliberadamente por juristas, consultores, advogados de negócios e outros players que, a coberto do interesse público, desprotegem juridicamente o Estado para encher os bolsos ao sector privado. Até porque inúmeros daqueles quadros trabalham simultaneamente para o Estado e o sector privado.
Isto resulta, entre outras coisas, porque o Estado decidiu não ter um corpo de técnicos superiores qualificados e bem pagos em toda a Administração Pública - desde a área informática à esfera jurídica - para assegurar que o Estado é bem representado nas relações com a sociedade. E mesmo que o quisesse ser o regime de austeridade cego assente na política de cativações, pela mão do Sr. Cativações do €urogrupo - só poderia redundar num enfraquecimento progressivo dos serviços do Estado, desde a segurança social à justiça passando pela educação e saúde - que tem degradado a capacidade de resposta dos serviços sociais do Estado aos problemas e complexidades da vida moderna.
Esta degradação é, objectivamente, um passivo deixado por mário centeno e também por quem resolveu desinvestir de modo grosseiro na qualidade dos serviços do Estado dizendo, sem vergonha, que assegurará esses serviços do Estado numa segunda legislatura.
Até dá vontade de dizer que, primeiro façam lá as reformas necessárias e cumpram as promessas que depois os eleitores votam em vocês...

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quinta-feira

Poder, Prazer e Lucro - por David Wootton -

   Nota prévia: Tudo quanto diga respeito ao pensamento do florentino, Nicolau Maquiavel, fundador da Ciência Política, porque isolou a Política das questões ético-morais, é um marco na evolução do pensamento e da formulação das ideias que fazem avançar ou regredir as sociedades. 
Poder, Prazer e Lucro  David Wooton é um historiador com um pensamento original e procura, naquelas quase 500 págs., fazer uma incursão ao Iluminismo até aterrar no mundo contemporâneo, estudando cerca de 400 anos de história no contexto do pensamento ocidental. Já o excepcional Sir Bertrand Russel, matemático, filósofo e também um eminente historiador das ideias da Renascença, Época Moderna e Idade contemporânea deu um contributo inestimável para estudo do conceito de Poder e concluiu que a Democracia pouco significado tem sem uma igualdade económica entre os homens e sem um sistema educativo que tenda a promover a tolerância na sociedade. 
  Contudo, a história tem constatado que as tiranias acabam sempre por cair, pelo que não há qualquer razão para supor que um ditador terá  maior permanência no poder do que um seu sucessor. 
  Ainda assim, nunca temos a certeza de que a democracia está protegida ou imune aos regimes degenerados, e, a qualquer momento, por excesso de nacionalismos, xenofobia ou qualquer outro processo social desviante relacionado com as migrações em massa, como hoje se verifica no Norte de África, Médio e Próximo Oriente em direcção à Europa (em que as populações buscam melhores condições de vida, ou apenas sobreviver fugindo aos conflitos civis nos seus países), o pior pode ocorrer e comprometer os sistemas democráticos. A democracia está, assim, flanqueada e permanentemente ameaçada por aqueles comportamentos degenerados. 
  Não deixa de ser curioso como este historiador e professor catedrático da U. de York escolheu os três conceitos mais poderosos da dinâmica social e económica - Poder, Prazer e Lucro - para, em torno deles, (re)desenhar a história do pensamento político de Maquiavel ao presente. 
Resultado de imagem para Maquiavel, Hobbes e Adam Smith   A essa luz, e nos últimos anos, foram poucos os que de modo consistente conseguiram não ceder ao gratuito e ao disparate e enquadrar a história das ideias num mundo em turbulência, de mentira institucionalizada e global conferindo, ao mesmo tempo, um grande poder às ideias e à sua dinâmica. Quer para melhorar o sentido de evolução das sociedades, quer para registar um retrocesso no processo de mudança social. 
  Poder, Prazer e Lucro é, de facto, uma obra que está na intersecção da Ciência Política, da Filosofia política e da Economia política, e é essa interdisciplinaridade que interessa à ambivalência dos tempos, pois sem o concurso dessas lentes graduadas no estudo e avaliação da realidade o resultado afigura-se diminuto em sem grande interesse intelectual na explicação do mundo contemporâneo. 
Resultado de imagem para adam smith, lucro  Em suma: o historiador britânico conseguiu por em diálogo três dos maiores pensadores dos últimos 500 anos: Nicolau Maquiavel, T. Hobbes e A. Smith. Uma tarefa que só está reservada a alguns. 






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Resultado de imagem para david wootton«Wootton apresenta a viragem conceptual que conduziu ao modo de vida atual num livro que é ambicioso e abrangente no seu alcance [...]. Uma história apaixonante da forma como as ideias podem mudar o mundo.
John Gray, New Statesman



Poder, Prazer e Lucro
David Wootton, nascido em Winchester em 1952, é professor catedrático e Anniversary Professor de História da Universidade de York (Reino Unido). Entre as suas obras encontram-se Paolo Scarpi(1983), Bad Medicine (2006), Galileo (2010) e A Invenção da Ciência: Nova História da Revolução Científica, publicado pela Temas e Debates em 2017















SINOPSE


«O título do meu livro é Poder, Prazer e Lucro, por essa ordem, porque o poder foi conceptualizado primeiro, no século XVI, por Nicolau Maquiavel e os seus seguidores; no século XVII, Hobbes reviu radicalmente os conceitos de prazer e felicidade; e o modo como o lucro funciona na economia foi bem teorizado pela primeira vez, no século XVIII, por Adam Smith.»


Procuramos incessantemente poder, prazer e lucro.
Nesta procura sem limites recorremos a um raciocínio instrumental - ou análise custo-benefício - para os alcançarmos. Julgamo-nos a nós próprios e aos outros pelo grau do nosso sucesso. É um modo de vida e de pensamento que parece natural, inevitável e inescapável. Porém, David Wootton mostra que isso não é verdade. 



Neste livro, revisita a revolução intelectual e cultural que substituiu os antigos sistemas da ética aristotélica e da moralidade cristã pela jaula de ferro do raciocínio instrumental que agora dá forma e propósito às nossas vidas.



críticas de imprensa


Wootton esclarece de que modo o pensamento europeu abandonou as virtudes tradicionais e aceitou o “sistema egoísta” do utilitarismo […] explica teorias sociais e políticas complexas com uma clareza admirável.»

Jeffrey Collins, Wall Street Journal



«Mais relevante nas circunstâncias políticas e culturais atuais do que qualquer outro livro que li nos últimos quatro anos.»
Lewis Lapham, The World in Time



«Wootton apresenta a viragem conceptual que conduziu ao modo de vida atual num livro que é ambicioso e abrangente no seu alcance […] Uma história apaixonante da forma como as ideias podem mudar o mundo.»
John Gray, New Statesman

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