segunda-feira

Regresso a Giorgio Chirico - e à nostálgia do infinito -



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POESIA CUBANA DE RESISTÊNCIA


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POESIA CUBANA DE RESISTÊNCIA - Quatro Traduções
Apresento, abaixo, quatro poemas publicados na Revista Islas, Volume IX, Número 4, Out.Dez/1967, da Universidad Central de Las Villas, Santa Clara, Cuba, organizada por Samuel Feijóo, por mim traduzidos.
Cfr, aqui.
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IMORTALIDADE
(Manuel Navarro Lima – tradução: Goulart Gomes)

Enquanto possa mirar-se teu rosto destruído
e sobre ele erigir-se uma lágrima forte;
enquanto possa a luz, tão tua, contemplar-te
iluminando o fausto derradeiro e tua fronte

ainda não será toda a morte
senão um pouco de morte...
Nada mais que um pouco de morte!

Quando levemos teu ataúde nos ombros
e na casa quedem chorando as mulheres
e chorem os homens a dor infinita
de perder-te...

ainda não será toda a morte
senão um pouco de morte...
Nada mais que um pouco de morte!

Quando já estejas debaixo da terra
em vermes e poeira convertendo-se;
quando já estejas coberto de água negra
imerso na sombra para sempre...

ainda não será toda a morte
senão um pouco de morte...
Nada mais que um pouco de morte!

Quando os que hoje te choram e os que, tristes calam
ao ver  como tem caído teus estandartes verdes
amanhã não recordem tua juventude radiante
nem o claro frescor de tua presença alegre...

Então, sim, será toda a morte!
Toda a morte!

Mas se estás decidido, de cabeça erguida
a derramar teu sangue de forma dolorida
e morres batalhando para libertar o Homem
dos frios grilhões que o ferem...

Ainda que já estejas caído...
Ainda que já estejas inerte...
Para ti não haverá a morte!
Não haverá morte!
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MANHÃ
(Regino Pedroso - tradução: Goulart Gomes)

Como forjamos o ferro, forjaremos dias novos.

Suados e fortes
desceremos às profundas
e arrancaremos de suas entranhas novas conquistas.

Ascenderemos às montanhas
e o Sol nos encherá de vida:
seremos pedaços do Sol!

Forjaremos outra vida, grandiosa e humana;
a eternizaremos com um potente e unânime esforço.
E sob o olhar virgem dos amanheceres,
cantaremos à força criadora do músculo
e à harmonia fraterna das almas

Muitos,
e seremos só um.
Para o grande canto solo teremos uma voz.
Cantaremos ao ferro,
à beleza forte e nova da máquina.
à bigorna, aos tratores
que violam a terra em cúpula mecânica;
à turbina, ao dínamo;
à fuga infinita dos trilhos
- sistema nervoso de aço por onde circula a vida.
Os canais de luz dos cabos elétricos
- células cerebrais do mundo,
onde vibra a força.

Cantaremos ao ferro, porque o mundo é de ferro.
e somos filhos do ferro.
Mas estaremos sobre a máquina.

Um sentimento novo surgirá em nossos peitos
e será tão imenso
que para amá-lo a terra se transformará em um coração.
Aonde estará, então, nossa amargura?
Aonde estes dias miseráveis e inválidos?

Como forjamos o ferro, forjaremos outro século.
Coroados de júbilos,
os novos dias ver-nos-ão
musculosos  e fortes, desfilar ao Sol.

Veremos os campos, as cidades e as oficinas:
cada instrumento de trabalho será como uma arma:
- uma serra, uma chave, um martelo, uma foice - 
e ocuparemos a terra como um exército em marcha,
saudando a vida com nosso canto unânime!


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SANDINO ESTÁ CHAMANDO
(Rosa Hilda Zell – tradução: Goulart Gomes)

Nesta hora em que dizemos versos
(meia-noite ou manhã: sabes quando?
meia-noite de ontem: tu sabes quando!)
nesta hora em que dizemos versos
com metade da alma em outra parte,
esperando,
espiando,
advinhando
o temos dos pélagos perversos
porque um barco está soltando sua amarra
háa uma voz quieta que está chamando
mais alto que a tua, está chamando
por nós, também, está chamando
Sandino está chamando.

Sandino está chamando: já é manhã
mas ainda não é ontem. (Tu sabes quando...)
O que não é, é hoje. É a manhã
vermelha e negra. É um dia que já foi
e, contudo, não é. Primeiro do ano,
9 de abril ou 26 de julho,
um barco, o negro mar está cruzando.
Não diga versos já, que está chamando,
com sua voz profunda, está chamando,
por nós, também, está chamando:
a Liberdade, irmão, está chamando,
e se chama à Glória ou à Morte
não importa. Ouve: é sua voz, e está chamando


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LA HABANA UM DIA
(Nivaria Tejera – tradução: Goulart Gomes)

Um dia
minha glória atingirá a Manchúria...
um bom dia
povo meu
tu crescerás sobre o mar...

logo, um dia
os trabalhadores felizes pensarão em sua cidade
inventarão rampas infinitas
parques transparentes
para que as crianças corram
por espaços livres
indiferentes aos ruídos da cidade
à impaciência da cidade...
Um dia
minha cidade
te cansarás
dessa rigidez estranha
dos dominadores...

(Minha cidade de La Habana
manietada
não se assemelha ao mar
não se assemelha ao céu
nem à terra
nem ao fogo
não parece a minha ilha
despojada
serena
nem ao ser insular
natural
sorridente)

Um dia
minha cidade...
o mar te cobrirá
crescerá sobre ti
o mar...

E teus trabalhadores
te construirão no mundo
Goulart Gomes
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PATRIA. POEMA DE MIGUEL BARNET LANZA

PATRIA. 

POEMA DE MIGUEL BARNET LANZA


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No puedo esperar más
digo y vuelvo a repetir ahora
que cada día que pasa
quiero más este viento debajo de las hojas.
Esta casa que mis ojos han visto diariamente
que yo sabré cuidar
y la sombra del jagüey
y la tierra.
Pero no basta. Ahora van a oírme una voz
templada en el fuego
porque han preguntado por mí.
Y me parece que se trata
de un amigo cercano
y mi corazón me entiende
y yo sé que a mi lado, en los pueblos, lejos, en el campo
hay una fuerza como el viento
que está dispuesta a defender la vida.
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quinta-feira

Regresso a Vergílio Ferreira - Na tua fa..

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O regresso a Vergílio FerreirA é, por definição, a descoberta do eu e a definição do outro, aliado à insuficiência da comunicabilidade humana, como que a provar que ou as palavras estão gastas ou o que elas significam ou representam esbarram naquela porta: a da incomunicabilidade. No fundo, o regresso ao autor é sempre uma tentativa de nos superarmos, um apelo à transcendência que, por vezes, está à distância duma mão. 


Resultado de imagem para vergílio ferreira, na tua faceem Na TuA Face é ficcionada a problemática existencial (o amor, a morte, a solidão, a evidência da beleza, a descoberta do eu e a definição do outro, a insuficiência da palavra e a incomunicabilidade humana, e a experiência da doença e da dissolução do corpo, a transcendência). Mas aqui a história do pintor (Daniel) é de certo modo a história da vocação frustrada de Vergílio Ferreira que ao longo da “Conta-corrente” foi repetindo: «Não preferi a minha arte. Calhou-me. Ou talvez seja essa a sorte de todas as preferências: escolhe-se sempre o que nos coube, ou seja o que se é. Mas a verdade é que, se na escolha se escolhesse, escolheria a pintura».

"Não é fácil falar de amor – do amor – num romance como Na tua face que se move num complexo jogo de conexões e espelhos em que todas as coisas parecem ter o seu duplo, em que tudo parece oscilar entre o que se vê e o que se imagina ver, entre o que se vive e o que se evoca. Não é fácil determinar o lugar que o amor aí ocupa se não o considerarmos também ele como sentimento duplo, passível de ser questionado e olhado nas suas duas faces: o real e o irreal, o visível e o invisível, o possível e o impossível. Tudo nesse amor evocado por Daniel é duplo: Ângela e Bárbara são duas faces da mesma moeda que o acompanharão sempre. Ângela será a presença constante na conjugalidade partilhada da casa, dos filhos, das férias, mas também das leituras, das conversas, dos momentos de dor e silêncio… Bárbara será o objecto da evocação obsessiva; manter-se-á presente na memória de um breve instante, no eco de um chamamento, como manifestação de plenitude, de perfeição, de eternidade, a faceque se vê, mas só no impossível:

“Então olhei-a em deslumbramento e terror no intocável do seu ser. Queria ver-lhe os olhos verdadeiros e a boca e a face, mas não estavam lá. Porque eram só uma aparição difusa incontornável como a luz do ar que não se via e era só iluminação. (…) Via-lhe a face mas só no impossível como lha vejo agora” (pp.24-24).

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quarta-feira

Regresso a António Ramos Rosa - A FestA ....



A Festa do Silêncio

Escuto na palavra a festa do silêncio. 
Tudo está no seu sítio. As aparências apagaram-se. 
As coisas vacilam tão próximas de si mesmas. 
Concentram-se, dilatam-se as ondas silenciosas. 
É o vazio ou o cimo? É um pomar de espuma. 

Uma criança brinca nas dunas, o tempo acaricia, 
o ar prolonga. A brancura é o caminho. 
Surpresa e não surpresa: a simples respiração. 
Relações, variações, nada mais. Nada se cria. 
Vamos e vimos. Algo inunda, incendeia, recomeça. 

Nada é inacessível no silêncio ou no poema. 
É aqui a abóbada transparente, o vento principia. 
No centro do dia há uma fonte de água clara. 
Se digo árvore a árvore em mim respira. 
Vivo na delícia nua da inocência aberta. 

António Ramos Rosa, in "Volante Verde" 

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Evocação de Herberto Helder -

Escreve-se um poema devido à suspeitA de que enquanto o escrevemos algo vAi acontecer, umA coisa formidável, algo que nos transformará, que transformarÁ tudo.


Resultado de imagem para herberto helderJornal Público, 4 Dezembro 1990



Não sei como dizer-te que minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.
Não sei o que dizer, quando longamente teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado. Quando,
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
— eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.

Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a casa ardesse pousada na noite.
— E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
— não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.

Durante a primaverA inteira aprendo
Resultado de imagem para moinhos santana, resteloos trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço —
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me faltam
um girassol, uma pedra, uma ave — qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,

que te procurAm.

(excerto do poema «Tríptico», publicado em A Colher na Boca, 1961)
Cfr., biografia do autor, aqui.

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Regresso a Bosch - Morte do Avarento -


(...) A cena desenrola-se no interior de uma casa, com o leito de morte de um avarento disposto obliquamente. Vê-se o moribundo dividido entre o anjo, que lhe assiná-la um crucifixo, colocado numa janela no alto e da qual emana a luz, e um demónio que aparece por debaixo da cortina com um saco de dinheiro na mão. Diz-se que o diabo está a roubar o dinheiro e o avaro está mais preocupado com este facto do que com a sua salvação; também se diz que é ao contrário, que o demónio lhe está a oferecer esse dinheiro para comprar sua alma, e este tem dúvidas se aceita o dinheiro ou escolhe o crucifixo, isto é, a salvação.
De lado esquerdo, através de uma porta semi-aberta, aparece a morte, representada como um esqueleto que se apresenta a arremessar uma lança.
Aos pés da cama está um velho, o mesmo avarento, com o Rosário entre os dedos, que está repondo moedas dentro de um cofre cheio de animais monstruosos. (via Wiki, aqui) 
(...)

Errata: onde se lê assiná-la (a vermelho) deverá ler-se assinala.

A wiki tem virtudes, mas são virtudes com alguns erros. Não há bela sem senão. 
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terça-feira

Fazer uma "perninha": a vingança é um prato que serve a frio

Fazer uma "perninha": a vingança é um prato que serve a frio

Recentemente o CR/7 referiu que talvez viesse a fazer uma "perninha" no SCP. A ideia seria fazer um elogio a Alvalade, mas, na realidade, as suas declarações apoucaram o seu velho clube, já que o seu eventual regresso a Alvalade seria como dirigente e não como jogador.
Hoje, curiosamente, o RM, a equipa do CR/7, não está a demonstrar uma superioridade relativamente ao Sporting, mas como a vingança é um prato que se serve a frio - é o próprio Sporting e a sua dinâmica de jogo - que estão a encarregar-se de apagar por completo a prestação da estrela do Real Madrid.
Eis uma perninha que mais parece uma prótese...
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Extração da pedra da loucura - por Bosch prepara Bruegel -

Todos sabemos que uma parte de nós pensa racionalmente, a outra parte de nós delira, e é nesse delirar que pode estar a energia criadora para pensar fora da caixa e concluir extraordinárias realizações. 

Essa loucura, que encerra medos e incertezas, persegue-nos a cada momento e nunca sabemos como iremos estar ou ser avaliados pelos ditos "normais" à medida que o tempo passa e avalia as cicatrizes que vamos acumulando no rosto. Para nos sacar essa "loucura maior" alguém qualificado tirava a pedra da loucura do cérebro com uma pinça a fim de corrigir alguns excessos e desgoverno do cérebro. 

Bosch - viu tudo isso desta forma. 

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Hieronymus Bosch, A Extração da Pedra da Loucura, 1475-80

No fundo, a insanidade está latente em tudo o que o homem pensa, diz ou faz. E é essa loucura - consciente e de certo modo consentida - que é comum a todo o homem, ainda que de forma imperceptível.

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Bruegel, o Velho, A Extração da Pedra da Loucura, 1568
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segunda-feira

Evocação de Mário Cesariny

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Em Todas as Ruas te Encontro

(mAl)
Em todas as ruas te encontro 
em todas as ruas te perco 
conheço tão bem o teu corpo 
sonhei tanto a tua figura 
que é de olhos fechados que eu ando 
a limitar a tua altura 
e bebo a água e sorvo o ar 
que te atravessou a cintura 
tanto    tão perto    tão real 
que o meu corpo se transfigura 
e toca o seu próprio elemento 
num corpo que já não é seu 
num rio que desapareceu 
onde um braço teu me procura 

Em todas as ruas te encontro 
em todas as ruas te perco 
Mário Cesariny, in "Pena Capital" 




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O Diabo veste Passos Coelho: um PSD sem pilhas no comando



A semana passada foi uma semana negra para Passos Coelho e para o seu PSD, que teima em não saber fazer oposição nem querer pensar numa estratégia para repensar as suas ideias e projectos para Portugal. Nem sequer, como deveria, equaciona fazer um congresso (extraordinário) para fazer emergir as suas elites de modo a gerar a necessária concorrência interna a fim de fomentar a competição saudável entre ideias e agentes da mudança que possam fazer o virar de página. Sim, virar de página - porquanto Passos Coelho está demasiado conotado com os 4 anos de austeridade imposta aos portugueses (2011-15), a qual se traduziu em impostos sobre impostos e mais impostos, provocando mais um milhão de pobres e meio milhão de quadros qualificados que foram convidados a emigrar ocultando, assim, as estatísticas acerca do desemprego em Portugal. 

Mas vamos por partes para avaliar em que termos a semana passada queimou ainda mais o já desconsiderado Passos coelho. Ao tempo da troika, Passos tinha a Europa de Schaubel a seu favor, pois quem não se lembra do sinistro ministro alemão das Finanças organizar pequenas conferências para passear a sua novel caniche: Mª Luís Albuquerque - que ainda acreditava na chamada "saída limpa", ainda que para isso tivesse de varrer para baixo do tapete o problemático caso Banif, que teve de ser resolvido pelo Governo da geringonça uns meses depois daquele cair em desgraça pela nova maioria (parlamentar) aritmética, que então se formara para destituir o delegado da troika em Lisboa: Passos coelho/Vitor gaspar/Mª L. Albuquerque. Cavaco teve de ceder, Portas percebeu que o seu fim na coligação tinha chegado e resolveu ir fazer dinheiro para a privada à custa dos contactos granjeados na esfera política - que passou a alocar ao serviço da Mota Engil, tamanha a sua ética e moral. 

Por outro lado, quem não se lembra de ver passos humilhar o comentador Marcelo, a quem chamou de "cata-vento". Passos fez até um congresso para definir o perfil político do candidato a ser apoiado pelo PSD para Belém, e nesse perfil não encaixava, naturalmente, o prof. Marcelo. Contudo, este conseguiu impor-se ao país sem o apoio de qualquer máquina partidária, e assim saiu o tiro pela culatra ao pobre Passos que caíra em desgraça, já que veria emergir na área do seu próprio partido uma personalidade que teria perfil vencedor e que não precisaria nem do PSD nem do seu presidente para ser eleito. Eis a prova provada de que Passos começara a sucumbir em todas as frentes da política nacional e comunitária.

Passos levou a sua estratégia diabólica a um tal limite que não hesitou em formar governo sem a maioria parlamentar na AR, já que negligenciou a capacidade de entendimento das esquerdas (depois corporizada na famosa geringonça); e mais, foi ao ponto de invocar a ideia de um segundo resgate a Portugal como método para forçar uma crise política, já que seria nela que veria a sua oportunidade de ouro para antecipar eleições e, desse modo, obter a tão desejada maioria absoluta que o salvaria do abismo político em que acabara por cair. Apostou tudo nessa diabólica estratégia mas, mais uma vez, e apesar de formar aquele governo ridículo (empossado pelo igualmente ridículo locatário de Belém/sr. silva), a votação parlamentar da geringonça acabou por matar o sonho da dupla de pantomineiros - Passos & Portas (e cavaco) - que durante quatro anos apenas impuseram a austeridade a Portugal e aos portugueses sem, com isso, conseguir eliminar a pobreza, o desemprego, as falências, a emigração em massa e o mais...

No desespero do desespero, e já na oposição e de face perdida, a "ética" de Passos ainda abre mão das sanções da Europa contra Portugal (como método para a sua salvação política!!). Mais uma vez, o diabólico Passos teve azar: não só o orçamento da geringonça se aprovou (como tem um segundo em vias de ser aprovado); na frente económica, o INE dá conta do crescimento do PIB e da saída da economia nacional do chamado procedimento por défice excessivo - o qual nos imporia as tais multas e promessas de congelamento de fundos, os quais seriam catastróficos para a nossa sustentabilidade. Ora, foi tudo isso que o governo da geringonça ultrapassou, e essa circunstância ajudou ainda mais a soterrar politicamente o pobre Passos Coelho, que hoje mais parece um leão velho e sem pelo a vaguear sem norte por um território que ele já não patrulha.

Nem a capital parece já interessar ao PSD, já que se afigura o apoio a Assunção Cristas/cds para candidata a Lisboa nas próximas eleições autárquicas. Ora, se isto não é o grau ZERO da política do PSD e de Passos Coelho em concreto - não sei o que representará essa falta de planeamento político por parte do maior partido nacional. 

Em suma: mesmo com a novela mexicana da CGD, Passos Coelho parece viver exilado no seu próprio país. E mesmo com a subida dos impostos dos combustíveis contrabalançada com a devolução de rendimentos aos fp´s e pensionistas - a despesa do Estado manteve-se, e tem sido essa sustentabilidade (precária!!) que tem permitido ao Governo da geringonça receber notas sofríveis da agências de notação financeiras e, ao mesmo tempo, obter luz verde da Europa para a continuação dos fundos à economia nacional, agora sob um velho-novo qualificativo de que somos, afinal, o melhor aluno da Europa.

No fundo, parece que a estória se repete, para mal dos nossos pecados. E apesar do alívio momentâneo na economia e nas finanças públicas, tudo o mais arde em lume brando nas divisões mais recônditas da casa dos portugueses.

Uma casa à portuguesa e em que o ex-PM e actual liderzinho da oposição não hesitou em vestir a pele do diabo para se tentar salvar do afundamento a que os portugueses há muito já o votaram. 

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Passos Coelho, Obama E O Papa Conhecem O Diabo…

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ANEDOTA: Passos Coelho, Obama E O Papa Conhecem O Diabo…

O Passos Coelho, o Obama e o Papa viajavam juntos no mesmo avião, quando aparece numa das asas o Diabo com uma enorme serra e começa a serrar a asa da aeronave.
Quando viram o Diabo ficaram apavorados, e o Passos Coelho vira-se para o Obama:
– Obama, você que sabe falar e argumentar como ninguém, convença o demónio a parar com isso senão vamos cair e morrer todos!!!
Obama foi até lá, conversou… conversou… e nada do demónio parar…
Obama voltou e implorou ao Papa:
– Papa, só o senhor nos poderá salvar… Ele não quer nem conversa… vai mesmo derrubar o avião !!!
O Papa foi até ao Diabo, usou de toda sua persuasão, argumentou o que pôde… e nada… Desistiu, voltou e resumiu a conversa:
– Não sei o que fazer… Estamos perdidos… Vamos rezar!!!
Foi quando o Passos Coelho se levantou e disse:
– Deixem comigo… Sou a última chance, vou tentar.
E lá foi ele falar com o Diabo. Mal trocaram duas palavras o Diabo parou de serrar a asa do avião… e desapareceu.
Obama e o Papa ficaram surpreendidos e perguntaram:
– O que é que você lhe disse?
– Eu apenas lhe disse: Companheiro… se eu morrer, vou formar governo no Inferno!
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domingo

A simplicidade de Sting - que todos deveriam seguir -



Resultado de imagem para stingI want to get old gracefully. I want to have good posture, I want to be healthy and be an example to my children. 

Sting


It has very little to do with my work, but if your image is not sexy enough, people won't listen. It's part of the game.




One of the rewards of success is freedom, the ability to do whatever you like. 


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Sting - passado, presente e futuro -

- Sting lançou um novo trabalho (meio rockado). Em breve passará por Portugal a fim de o promover. Mas quando se ouve o Sting dos 80´s, 90´s e até na dobra do milénio (a solo ou em conjunto) - e se compulsa os seus trabalhos passados com este último - detecto uma distância que vai de Benfica à Muralha da China.
- Talvez o meu (modesto) padrão de avaliação sonoro seja injusto, mas é o que verdadeiramente sinto.
- De facto, não se consegue ser genial por MUITO tempo e de forma CONTINUADA. Deve ser uma lei da física que também tolhe os génios da música contemporânea.
- Aqui, o passado de Sting é que representa o seu FUTURO.

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Evocação de Jean Gabin (1904-76)


Compreender é entristecer
Compreender é um caminhar para o fim
Compreender é morrer.



Maintenat Je Sais
Quand j'étais gosse, haut comme trois pommes,
J'parlais bien fort pour être un homme
J'disais, Je Sais, Je Sais, Je Sais, Je Sais

C'était l'début, c'était l'printemps
Mais quand j'ai eu mes 18 ans
J'ai dit, Je Sais, ça y est, cette fois Je Sais

Et aujourd'hui, les jours où je m'retourne
J'regarde la terre où j'ai quand même fait les 100 pas
Et je n'sais toujours pas comment elle tourne !

Vers 25 ans, j'savais tout : l'amour, les roses, la vie, les sous
Tiens oui l'amour ! J'en avais fait tout le tour !

Et heureusement, comme les copains, j'avais pas mangé tout mon pain :
Au milieu de ma vie, j'ai encore appris.
C'que j'ai appris, ça tient en trois, quatre mots :

"Le jour où quelqu'un vous aime, il fait très beau,
j'peux pas mieux dire, il fait très beau !

C'est encore ce qui m'étonne dans la vie,
Moi qui suis à l'automne de ma vie
On oublie tant de soirs de tristesse
Mais jamais un matin de tendresse !

Toute ma jeunesse, j'ai voulu dire Je Sais
Seulement, plus je cherchais, et puis moins j' savais

Il y a 60 coups qui ont sonné à l'horloge
Je suis encore à ma fenêtre, je regarde, et j'm'interroge ?


Maintenant Je Sais, Je Sais Qu'On Ne Sait Jamais !

La vie, l'amour, l'argent, les amis et les roses
On ne sait jamais le bruit ni la couleur des choses
C'est tout c'que j'sais ! Mais ça, j'le Sais.

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quarta-feira

Birch Forest - por Gustav Klimt -

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Art is a line around your thoughts. 
(Gustav Klimt)

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Birch Forest

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Woman in Gold: The Muse Behind Gustav Klimt's Masterpiece

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The 5 best Trees of life of the XX century - LOOKLATERAL


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terça-feira

Bordados com casca de castanha, por Adelaide Martins





Imagem picada aqui
Esse trabalho de "relojoaria" que é bordar com cascas de castanha parece, à 1ª vista, uma estória de fantasia. Mas, na verdade, é uma arte e técnica minuciosas que consiste em aproveitar as cascas da castanha para as utilizar em objectos de decoração e arte cujas imagens documentam.

Enquanto saber-fazer - trata-se duma manifestação de ancestralidade e de cultura, arte e tradição que importa salvaguardar, proteger e promover de modo a que as gerações futuras as possam ampliar e integrar em contextos mais alargados de festas populares, lendas, músicas e costumes que convocam o regresso das pessoas à terra. 

A essa luz, esta técnica insere-se numa manifestação interessante do Património (cultural) Imaterial que importa não perder de vista.





Cfr., os trabalhos da autora, aqui (via FB)

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HUMAN -


- BRUTAL


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O descrédito absoluto do sr. domingues

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Narrativas paradoxais numa república das bananas
O problema, a esta altura, é saber se o sr. Domingues pretende assumir a presidência da CGD mediante a apresentação - extemporânea - da declaração de rendimentos ao TC - que a lei lhe exige desde sempre, e que ele, desde sempre, se quis furtar a entregar - violando o império da lei neste estado de direito que este gestor - "mui inteligente" - parece desconhecer.

Como pode um homem "tão inteligente" ser, afinal, tão desrespeitador do estado de direito onde vive?!

Será que quis gozar com os portugueses? Medir forças com o ministro das Finanças (que lhe prometeu isenção dessa obrigação junto do TC) - e que foi publicamente desautorizado pelo seu PM?!

O resultado imediato - é que o personagem já é conhecido no país por ser proprietário dum prédio na capital - onde habita - avaliado pelo Fisco em 1M€ - mas que - mui diversamente - o mercado avalia em 4ME (quatro vezes mais).

Será que corrompeu o fisco - ou algum funcionário - naquela sub-avaliação?! Será que houve erro, lapso ou laxismo nessa avaliação? Não será curial mandar avaliar o imóvel em questão para dissolver as dúvidas?

O sr. domingos, com letra pequena, além de estar sob fogo da desconfiança generalizada da opinião pública (e publicada!!), é já um nado-morto, que antes de o ser já era. Ou seja, mesmo que queira ir para a CGD - o sujeito já perdeu toda a CREDIBILIDADE e gravitas necessária para o desempenho dum cargo dessa relevância. Os seus cinco ou seis administradores podem venerá-lo, mas o país desprezá-lo-á até à medula.

Em qualquer país civilizado o sr. Domingues não só já não poderia aceder ao cargo para que fora nomeado, para gerir dinheiros públicos, como ficaria inibido de funções públicas durante uns bons anos.

E seria isso que o chefe da geringonça, A. Costa, que também não está isento de responsabilidades nesta gestão política lamentável, deveria defender e afirmar publicamente. É que ele é o PM de Portugal, e não o pm da CGD ou o patrono de dois monos (Centeno e Domingos), e o facto de ter sido omisso na gestão dessa informação faz dele, automaticamente e pela natureza das coisas, co-responsável desta miserável trapalhada que provoca imensos custos reputacionais ao país.

E isso, naturalmente, terá custos políticos mas, acima de tudo, terá custos para a economia e o seu financiamento a partir da CGD - hoje mais preocupada com a fortuna pessoal de meia dúzia de pindéricos, que revelam desconhecer a lei, o interesse público e a mais elementar ética republicana - do que com o tecido económico e social de Portugal cujas PMEs aguardam urgentemente por financiamentos da CGD.

Somos mesmos MISERÁVEIS - não somos?!

Um agente político que não compreenda (ou finja não compreender isso) no plano governamental - não deveria gerir a polis - para onde convergem os interesses de todos.

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segunda-feira

Leonard Cohen - A Thousand Kisses Deep




WhAt is a saint? A sAint is someone who has achieved a remote human possibility. It is impossible to say what that possibility is. I think it has something to do with the energy of love.”

~ from his 1966 novel, Beautiful Losers

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