sexta-feira

Savage Garden - To The Moon & Back (Extended Version) (Official Video)






She's taking her time making up the reasons
To justify all the hurt inside, guess she knows
From the smiles and the look in their eyes
Everyone's got a theory about the bitter one, they're saying
Mama never loved her much and
Daddy never keeps in touch
That's why she shies away from human affection, but
Somewhere in a private place
She packs her bags for outer space
And now she's waiting for the right kind of pilot to come
And she'll say to him (she's saying)
I would fly you to the moon and back
If you'll be, if you'll be my baby
I've got a ticket for a world where we belong
So would you be my baby?
She can't remember a time when she felt needed
If love was red then she was color-blind
All her friends, they've been tried for treason
And crimes that were never defined
She's saying, love is like a barren place
And reaching out for human faith is
Is like a journey I just don't have a map for
So baby gonna take a dive and push the shift to overdrive
Send a signal that she's hanging all her hopes on the stars
What a pleasant dream (just saying)
I would fly you to the moon and back
If you'll be, if you'll be my baby
I've got a ticket for a world where we belong
So would you be my baby?
Mama never loved her much and daddy never keeps in touch
That's why she shies away from human affection
But somewhere in a private place
She packs her bags for outer space
And now she's waiting for the right kind of pilot to come
And she'll say to him (just saying)
I would fly you to the moon and back
If you'll be, if you'll be my baby
I've got a ticket for a world where we belong
So would you be my baby?
I would fly you to the moon and back
If you'll be, if you'll be my baby
I've got a ticket for a world where we belong
So would you be my baby?

Fonte: LyricFind
Compositores: Daniel Jones / Darren Hayes
Letras de To the Moon and Back © Warner Chappell Music, Inc

quinta-feira

Tempestade perfeita em Portugal


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Coletes amarelos querem juntar-se à greve dos motoristas e entupir Ponte 25 de Abril. Governo foi alertado (in Expresso).

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Com esta nova deriva está criado o clima perfeito para a chamada tempestade perfeita, uma situação que já é delicada pelos efeitos nefastos que gera na economia e na sociedade portuguesas, e, agora, tenderá a agravar-se com esta possibilidade de radicalização dos coletes amarelos no nosso país. Esta rara combinação de condições, circunstâncias e de efeitos colocam a sociedade portuguesa sob a eminência de um desastre social, económico, financeiro e até no plano da projecção da imagem externa do país abroad

O chefe de banda dos sindicatos do sector sabe disso, os patrões do sector também. E ambos também sabem que o extremar de posições, por nenhuma das partes querer assumir as suas efectivas responsabilidades, faz transbordar o copo cheio dos problemas para a esfera política, ou seja, para a generalidade dos portugueses. 

Mas aqui é o superior interesse nacional que está em jogo, e não os interesses particularistas do grupo A ou B. E isso diz tudo acerca do modo como o Governo deverá reagir (de forma musculada) a esses bloqueios aprazados que condicionam e penalizam a vida de 10 milhões de portugueses. 


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quarta-feira

Independência nacional = Independência energética. O terrorismo doméstico em Portugal que torna refém os portugueses

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Em resultado do impasse gerado pelo conflito entre motoristas de combustíveis perigosos e a respectiva entidade patronal o país, e os portugueses, mais uma vez, estão reféns de mil ou duas mil pessoas que conseguem paralisar a economia nacional.



Assim sendo, e sem nos atermos às exigências concretas das partes em conflito, que o Governo tenta mediar, Portugal fica em suspenso em pleno Agosto, depois daquele grave precedente da Páscoa, em que as férias de milhões de portugueses ficaram comprometidas.


Ora, como o problema é eminentemente nacional, pelos efeitos e consequências que gera, deve valorizar-se mais o que o Governo já deveria ter feito para anular aqueles efeitos devastadores na economia nacional, e não as questões técnicas e reivindicações que as partes em conflito reclamam para si. 


Nesse sentido, e porque cabe ao Governo da República assegurar a independência energética dos portugueses e garantir a ordem pública e a paz social, que agora estão novamente ameaçadas, o que tem feito o governo em funções (e os precedentes!??) para garantir essa independência?

Que meios (incluindo os militares..) o Governo gere para atingir os fins maiores da política? Ou que estratégia, i.é, que cálculo e coordenação coerentes de objectivos e meios é usada para garantir aos portugueses que estes não ficam reféns daqueles sindicatos e entidade patronal que bloqueiam literalmente um país inteiro?



Além dumas declarações vagas sobre paz social e apelo à concertação das partes pelo ministro da tutela, pouco mais se sabe. 

O que tem feito o Governo para contornar este novo ambiente de insegurança energética a que 10 milhões de portugueses são trismestralmente chantageados? Como se estivessem sob a eminência de um ataque terrorista com os efeitos conhecidos na vida quotidiana das comunidades e no projecto e modelo de sociedade democrática e pluralista em que decidimos viver. 

Que investimentos públicos tem o Governo da República promovido para criar infra-estruturas de modernização ao abastecimento de energia aos portugueses diante da chantagem a que estão submetidos? Usando, para o efeito, uma estratégia civil e militar em função das capacidades necessárias ao cumprimento das missões prioritárias da nação. 

Ou o Governo só se preocupa em desenhar uma estratégia integrada - civil e militar - para fazer face às ameaças e riscos decorrentes de acções terroristas a nível global. 

Neste capítulo, a avaliar pelas declarações elementares do ministro da tutela - somos forçados a concluir que a promoção da segurança e prosperidade dos portugueses, através do desenvolvimento das capacidades materiais e imateriais do país, e da redução das suas vulnerabilidades e dependências, é praticamente inexistente. Esta situação faz, aliás, evocar os mecanismos de combate aos fogos, em que após o país ter todo ardido as entidades públicas falam em prevenção. 

Os portugueses não querem saber se a associação dos empresários do sector transportador paga os 900€ mês aos motoristas, ou se estes passam a ter um ajudante para assegurar a descarga dos combustíveis nos postos de abstecimento; nem os motoristas se interessam pela forma como os demais portugueses vivem e pagam os impostos. O que verdadeiramente interessa, e é aquilo que o Governo ESTÁ OBRIGADO a garantir e a zelar constitucionalmente, é determinar como se limitam aquelas vulnerabilidades, pelo que a incidência estratégica da acção futura do Governo deverá passar a dar relevância às dimensões financeira, científica e tecnológica, alimentar e energética de Portugal e dos portugueses.

Naturalmente, a política de défice ZERO e de cativações cegas é completamente incompatível com a estruturação destas alternativas como resposta à pressão e à chantagem que estes movimentos mais ou menos inorgânicos têm feito sobre Portugal e os portugueses.

E é neste capítulo, como no dos fogos, Tancos, Borba e outros que o governo tem "andado à nora", dando ao país uma imagem de ineficácia, laxismo e de irresponsabilidade ao deixar 10 milhões de portugueses inseguros e reféns nas mãos de sindicatos irresponsáveis e de patrões de moralidade duvidosa. 
Um país que não tem valorizado uma política de independência energética, mesmo internamente, é um país que sucumbe às mãos de meia dúzia de bárbaros que já compreendeu que com meia dúzia de declarações e um advogado oportunista e habilidoso - tem o país a seus pés.

E é perante este tipo de novo terrorismo doméstico que os portugueses, ante a incapacidade do Governo, têm de saber lidar. 

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sexta-feira

A mediação e os bons ofícios do Governo no caso da greve dos motoristas de combustíveis perigosos

PAIRA DE NOVO A AMEAÇA DE PARALISAÇÃO DO PAÍS MEDIANTE O AVISO DE GREVE DOS MOTORISTAS DE COMBUSTÍVEIS PERIGOSOS. VIVEMOS, DORAVANTE, SOB UM REGIME DE CHANTAGEM TRIMESTRAL POR PARTE DE DOIS GRUPOS PRIVADOS QUE TEIMAM EM NÃO SE ENTENDER ENTRE SI. 

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Doravante, o Governo já não pode evocar o argumento que não está preparado com esta nova ameaça de greve dos motoristas de combustíveis perigosos. Desde o início do mês de Abril, pelo menos, que o Governo sabe dessa intenção dos sindicatos e do sector patronal dos transportes que, de novo, ameaçam paralisar a circulação rodoviária e a aviação, bem como interromper o fornecimento de bens e serviços à população, interromper o transporte de doentes e, no limite, criar o caldo de cultura colectiva para instabilizar a ordem pública que incumbe ao Governo garantir, ou prevenir. 
O que aqui é mais inaceitável é a forma como o Governo não se preparou para a crise anunciada, e desde Abril também nada tem feito para criar uma alternativa credível aquela greve que, em rigor, deixa o país em suspenso e refém daqueles dois grupos privados, sindicatos e entidade patronal do sector dos transportes, cujo número de trabalhadores nem sequer ascende ao milhar, ainda que sejam justas as suas pretensões socio-laborais. 

O governo apresenta-se como mediador entre as partes, ou seja, o elemento facilitador que procura integrar a acção conjunta daqueles dois contendores. Contudo, a natureza delicada daquele sector estratégico para o país, porque interfere directa e imediatamente com a economia e os comportamentos dos seus agentes (e a ordem pública e a paz social!!!), faz com que incumba ao Governo assumir a responsabilidade imediata daqueles efeitos nefastos na economia acaso ocorra uma nova greve no sector.

Aquela interrogação conduz à seguinte (re)formulação: será que ao Governo apenas incumbe a mediação dos interesses entre as partes em nome da justiça para ambos (os trabalhadores e a componente empresarial), ou exige uma atitude mais musculada a fim de evitar que o Governo do país, ou seja, os 10 milhões de portugueses fiquem, de novo, reféns dessa situação por parte dos "amigos do costume"?!

 O Governo, por saber que se abriu um grave precedente em Abril que paralisa completamente todo o país, com custos avultados para a economia nacional e a imagem externa do país, não deveria criar uma verdadeira alternativa de "postos de abastecimento públicos independentes" capazes de esvaziar aquele efeito da greve por parte dos motoristas de materiais perigosos!?

Momentos há em que os Governos dos Estados não devem apenas ser mediadores de complexos processos negociais ou cultores dos bons ofícios, mas ser os verdadeiros guardiões do interesse público, nem que para o efeito tivesse de intervencionar o sector (ou parte dele) a fim de garantir que esse tipo de ameaças e chantagens não sobrevoasse mais a economia nacional e a ordem pública.

Ao fim e ao cabo, este tipo de ameaça não deixa de configurar uma nova modalidade de terrorismo pós-moderno das sociedades contemporâneas, em que por via de acção ou omissão de um ou dois grupos de representantes de classes sociais, bloqueia-se completamente o país.

E isso é inaceitável num estado de direito.


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quarta-feira

A Nova Europa da Sra Ursula von der LEYEN


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A alemã Ursula von der Leyen, de 60 anos, do partido União Democrata-Cristã (CDU), foi eleita para a presidência da Comissão Europeia pelo Parlamento Europeu, numa votação em que obteve 383 votos a favor, 327 contra, 22 abstenções e um voto nulo. Recorde-se que há 5 anos o Sr. J.C. Junckers foi eleito com 422 votos. 

Esta aritmética faz supor que a sua vida política não terá grande folga, pois precisará do apoio permanente dos deputados do PE para aprovar leis para o espaço europeu, o que a obrigará a negociar permanentemente com os eurodeputados a fim de viabilizar consensos e entendimentos políticos sobre todas as matérias. 


É esta estrada de Damasco que condicionará a acção de Ursula von der Leyen na Comissão e que poderá ser de uma hábil liderança, gerando os consensos necessários, ou um desastre com a paralisia da sua acção política e legislativa. Daí que os próximos 5 anos possam ser de esperança ou de grande frustração.


Na ânsia de agradar a gregos e troianos van der Leyen prometeu tudo a todos, e elaborou uma agenda ambiciosa alinhada com o centro-esquerda, ainda que goze da cobertura da própria Angela Merckel, de cujo governo faz parte como ministra da Defesa. 
Todavia, a nova presidente da CE terá escasso poder sobre os eurodeputados, dada a sua nova recomposição, o que fará com que alguns dos seus grupos políticos votem desalinhadamente consoante as matérias em discussão. Daí a sua agenda abrangente, na tentativa de agradar ao maior número de grupos políticos que integram o novo Parlamento Europeu (hoje mais atomizado).
Os poderes da CE, em rigor, não são ilimitados. A CE desenvolve um esforço para dotar a UE das leis necessárias para desempenhar um papel significativo no contexto da legislação europeia e conduz as negociações de comércio internacional e o complexo e contraditório processo do Brexit - que fará com que, após a saída do RU da UE este deixe de ter os actuais 751 deputados para passar a ter 705. 

Este processo supõe que as grandes decisões sejam efectivamente tomadas pelos chefes de Estado e de governo (através do Conselho Europeu) - e não tanto pela CE ou pelo Parlamento Europeu. De resto, em linha com a própria história e evolução da União Europeia neste último meio século de existência.

Se atentarmos bem nos poderes efectivos da nova presidente da CE, von der Leyen, constataremos que nem os seus comissários ela poderá designar, já que estes são nomeados pelos Estados membros, as usual. Poderá, contudo, e após consultas com cada um desses Estados membros, atribuir a cada um desses comissários pastas ou matérias mais ou menos relevantes para a vida de cada um desses países e da Europa no seu conjunto.

E tratando-se das decisões mais críticas sobre o Brexit estas também terão de ser tomadas antes do mês de Novembro de 2019, ou seja, antes que o Sr. Juncker cesse efectivamente funções e seja, de facto, substituído por von der Leyen. Portanto, também aqui a nova presidente da CE terá poderes limitados.


AGENDA

Então, onde é que a nova presidente da CE poderá inovar ou fazer diferente? 

Precisamente na sua ambiciosa e abrangente agenda, vertida no seu emotivo discurso no PE no dia da sua eleição, em particular nas guidelines que deixou entrever. 

E que matérias são essas: (1) as relacionadas com as alterações climáticas, prevendo uma redução das emissões de carbono na ordem dos 50% até 2050; (2) um significativo "investimento verde" (€1trilião) na próxima década na Europa; (3) o resseguro para o desemprego na Europa, diminuindo a vulnerabilidade dos mais desprotegidos socialmente; (4) estabelecer um salário mínimo que garanta uma vida decente; (5) conferir flexibilidade às normas da UE a fim de tirar partido do Pacto de Estabilidade e Crescimento; (6) concluir o mercado de capitais e a união bancária, incluindo o seguro de depósitos europeu; (7) dar ao Reino Unido uma prorrogação até 31 Outubro para repensar (melhor) o seu processo de saída da UE; (8) dar o direito ao Parlamento Europeu para desencadear legislação que coadjuve a CE naquele sentido.

Sem considerar a necessidade de alterar os tratados europeus, a presidente da CE terá de trabalhar em ligação estreita ao PE, até pela atomização deste, e a forma como as pastas forem atribuídas aos vários comissários, designadamente nas questões económicas, financeiras e de natureza fiscal, von der Leyen algum poder e controle terá sobre esta nova Europa que está em acelerado processo de recomposição. 


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Tributo a Lee Iacocca

Partiu um dos mais importantes e icónicos gestores do séc. XX. Lee Iacocca era filho de imigrantes italianos e teve uma infância difícil, mas acabou por se tornar num dos maiores executivos de Detroit, vendo o seu nome ligado ao famoso Ford Mustang e O K-Car, que serviu para tirar a Chrysler da eminência de falência em que estava envolvida. 
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Nos anos 70 do séc. XX Iacocca foi, de facto, um dos mais importantes gestores de top de nível mundial, sendo que a sua influência foi muito para além da indústria automóvel. Ele contagiou também o mundo das ideias, do pensamento e da gestão estratégica, factos que o qualificaram como um dos homens mais sagazes do seu tempo. 

Deixamos algumas das suas reflexões seminais que produziram eco no futuro e melhoraram a vida a milhões de pessoas. 


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  • O administrador não é mais do que um motivador de pessoas.“ —  Lee Iacocca.
  • Para resolver grandes problemas, você deve estar disposto a fazer coisas que desagradam.“ —  Lee Iacocca 
  • O Meu pai costuma dizer sempre que se, quando você morrer, se tiver feito cinco amigos verdadeiros, então você teve uma vida notável.“ —  Lee Iacocca.
  • Se puder encontrar um carro melhor, compre-o. L.Iacocca.
  • Eu adoraria encontrar o sujeito que supostamente sou. Eu o contrataria em um segundo.“ —  Lee Iacocca 

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sexta-feira

O Estado está desnatado de quadros qualificados





O Estado está desnatado...
Resultado de imagem para Siresp- De funcionários de qualidade. Aqui há uns anos os ministérios tinham departamentos de planeamento e prospectiva e também bem apetrechados do ponto de vista jurídico - que aconselhavam os serviços na resolução de problemas correntes e de questões mais complexas que se desenvolviam entre a Administração e a sociedade e a economia.
Hoje, quando surge um problema, um conflito, um contrato o Estado recorre quase sistematicamente aos escritórios de advogados que, além de cobraram honorários principescos que desgastam o erário público também deixam alçapões nas negociações, nos contratos e nas leis por forma a que o Estado tenha de recorrer a eles frequetemente pagando mais e mais por serviços jurídicos que em lugar de defender e promover os interesses legítimos do Estado só o secundarizam em prol dos interesses de empresas privadas que assim ganham ilegitimamente rios de dinheiro à conta dos impostos dos contribuintes, que são quem de facto pagam essas avenças de LUXO.
Neste exemplo do Siresp, assim como noutros, o Estado é ludibriado deliberadamente por juristas, consultores, advogados de negócios e outros players que, a coberto do interesse público, desprotegem juridicamente o Estado para encher os bolsos ao sector privado. Até porque inúmeros daqueles quadros trabalham simultaneamente para o Estado e o sector privado.
Isto resulta, entre outras coisas, porque o Estado decidiu não ter um corpo de técnicos superiores qualificados e bem pagos em toda a Administração Pública - desde a área informática à esfera jurídica - para assegurar que o Estado é bem representado nas relações com a sociedade. E mesmo que o quisesse ser o regime de austeridade cego assente na política de cativações, pela mão do Sr. Cativações do €urogrupo - só poderia redundar num enfraquecimento progressivo dos serviços do Estado, desde a segurança social à justiça passando pela educação e saúde - que tem degradado a capacidade de resposta dos serviços sociais do Estado aos problemas e complexidades da vida moderna.
Esta degradação é, objectivamente, um passivo deixado por mário centeno e também por quem resolveu desinvestir de modo grosseiro na qualidade dos serviços do Estado dizendo, sem vergonha, que assegurará esses serviços do Estado numa segunda legislatura.
Até dá vontade de dizer que, primeiro façam lá as reformas necessárias e cumpram as promessas que depois os eleitores votam em vocês...

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quinta-feira

Poder, Prazer e Lucro - por David Wootton -

   Nota prévia: Tudo quanto diga respeito ao pensamento do florentino, Nicolau Maquiavel, fundador da Ciência Política, porque isolou a Política das questões ético-morais, é um marco na evolução do pensamento e da formulação das ideias que fazem avançar ou regredir as sociedades. 
Poder, Prazer e Lucro  David Wooton é um historiador com um pensamento original e procura, naquelas quase 500 págs., fazer uma incursão ao Iluminismo até aterrar no mundo contemporâneo, estudando cerca de 400 anos de história no contexto do pensamento ocidental. Já o excepcional Sir Bertrand Russel, matemático, filósofo e também um eminente historiador das ideias da Renascença, Época Moderna e Idade contemporânea deu um contributo inestimável para estudo do conceito de Poder e concluiu que a Democracia pouco significado tem sem uma igualdade económica entre os homens e sem um sistema educativo que tenda a promover a tolerância na sociedade. 
  Contudo, a história tem constatado que as tiranias acabam sempre por cair, pelo que não há qualquer razão para supor que um ditador terá  maior permanência no poder do que um seu sucessor. 
  Ainda assim, nunca temos a certeza de que a democracia está protegida ou imune aos regimes degenerados, e, a qualquer momento, por excesso de nacionalismos, xenofobia ou qualquer outro processo social desviante relacionado com as migrações em massa, como hoje se verifica no Norte de África, Médio e Próximo Oriente em direcção à Europa (em que as populações buscam melhores condições de vida, ou apenas sobreviver fugindo aos conflitos civis nos seus países), o pior pode ocorrer e comprometer os sistemas democráticos. A democracia está, assim, flanqueada e permanentemente ameaçada por aqueles comportamentos degenerados. 
  Não deixa de ser curioso como este historiador e professor catedrático da U. de York escolheu os três conceitos mais poderosos da dinâmica social e económica - Poder, Prazer e Lucro - para, em torno deles, (re)desenhar a história do pensamento político de Maquiavel ao presente. 
Resultado de imagem para Maquiavel, Hobbes e Adam Smith   A essa luz, e nos últimos anos, foram poucos os que de modo consistente conseguiram não ceder ao gratuito e ao disparate e enquadrar a história das ideias num mundo em turbulência, de mentira institucionalizada e global conferindo, ao mesmo tempo, um grande poder às ideias e à sua dinâmica. Quer para melhorar o sentido de evolução das sociedades, quer para registar um retrocesso no processo de mudança social. 
  Poder, Prazer e Lucro é, de facto, uma obra que está na intersecção da Ciência Política, da Filosofia política e da Economia política, e é essa interdisciplinaridade que interessa à ambivalência dos tempos, pois sem o concurso dessas lentes graduadas no estudo e avaliação da realidade o resultado afigura-se diminuto em sem grande interesse intelectual na explicação do mundo contemporâneo. 
Resultado de imagem para adam smith, lucro  Em suma: o historiador britânico conseguiu por em diálogo três dos maiores pensadores dos últimos 500 anos: Nicolau Maquiavel, T. Hobbes e A. Smith. Uma tarefa que só está reservada a alguns. 






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Resultado de imagem para david wootton«Wootton apresenta a viragem conceptual que conduziu ao modo de vida atual num livro que é ambicioso e abrangente no seu alcance [...]. Uma história apaixonante da forma como as ideias podem mudar o mundo.
John Gray, New Statesman



Poder, Prazer e Lucro
David Wootton, nascido em Winchester em 1952, é professor catedrático e Anniversary Professor de História da Universidade de York (Reino Unido). Entre as suas obras encontram-se Paolo Scarpi(1983), Bad Medicine (2006), Galileo (2010) e A Invenção da Ciência: Nova História da Revolução Científica, publicado pela Temas e Debates em 2017















SINOPSE


«O título do meu livro é Poder, Prazer e Lucro, por essa ordem, porque o poder foi conceptualizado primeiro, no século XVI, por Nicolau Maquiavel e os seus seguidores; no século XVII, Hobbes reviu radicalmente os conceitos de prazer e felicidade; e o modo como o lucro funciona na economia foi bem teorizado pela primeira vez, no século XVIII, por Adam Smith.»


Procuramos incessantemente poder, prazer e lucro.
Nesta procura sem limites recorremos a um raciocínio instrumental - ou análise custo-benefício - para os alcançarmos. Julgamo-nos a nós próprios e aos outros pelo grau do nosso sucesso. É um modo de vida e de pensamento que parece natural, inevitável e inescapável. Porém, David Wootton mostra que isso não é verdade. 



Neste livro, revisita a revolução intelectual e cultural que substituiu os antigos sistemas da ética aristotélica e da moralidade cristã pela jaula de ferro do raciocínio instrumental que agora dá forma e propósito às nossas vidas.



críticas de imprensa


Wootton esclarece de que modo o pensamento europeu abandonou as virtudes tradicionais e aceitou o “sistema egoísta” do utilitarismo […] explica teorias sociais e políticas complexas com uma clareza admirável.»

Jeffrey Collins, Wall Street Journal



«Mais relevante nas circunstâncias políticas e culturais atuais do que qualquer outro livro que li nos últimos quatro anos.»
Lewis Lapham, The World in Time



«Wootton apresenta a viragem conceptual que conduziu ao modo de vida atual num livro que é ambicioso e abrangente no seu alcance […] Uma história apaixonante da forma como as ideias podem mudar o mundo.»
John Gray, New Statesman

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quarta-feira

A morte é um escândalo


Segundo as autoridades do México, as duas vítimas são de El Salvador, o homem tinha 25 anos e a filha apenas um ano e 11 meses de idade. Morreram afogados durante a travessia do Rio Grande para conseguir chegar aos Estados Unidos.(...)




A morte regula a vida. Visível ou oculta, ela está sempre ao nosso lado e exerce uma influência brutal sobre todas as nossas acções. Em rigor, ela entranha-se de tal modo na nossa existência, que representa metade do nosso ser.

É vendo imagens como aquela, que a civilização há muito já deveria ter erradicado, que facilmente concluímos que são os mortos que empurram os vivos para a acção. Mas não tinha de ser assim. 

É também perante imagens como esta que se torna quase grotesco crer em Deus, pois parece, diante estes despojos, que já só existem cacos e fantasmas que ruíram, primeiro a nossa civilização, depois na relação entre povos, estados e sociedades - que hoje se tornaram completamente incapazes de regular a "nova transumância" que afecta este primeiro quartel do 3º milénio. 

Esta imagem, se, porventura, alguma conclusão nos dá - é que não há Deus. E constatar isso mesmo, revela que o mundo, tal como o conhecíamos, também mudou de carácter e de roupagens. 

E isso representa uma profunda frustração e dor. 
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segunda-feira

Evocação de Raul Brandão explica uma boa parte do que foi e é Portugal


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- (...) Desde que se cumpram certas cerimónias ou se respeitem certas fórmulas, consegue-se ser ladrão e escrupulosamente honesto - tudo ao mesmo tempo. A honradez deste homem assenta sobre uma primitiva infâmia. O interesse e a religião, a ganância e o escrúpulo, a honra e o interesse, podem viver na mesma casa, separados por tabiques. Agora é a vez da honra - agora é a vez do dinheiro - agora é a vez da religião. 
- Tudo se acomoda, outras coisas heterógeneas se acomodam ainda. Com um bocado de jeito arranja-se-lhes sempre um lugar nas almas bem formadas. (...)

RB, in Húmus, pág. 16-17, Bertrand Ed. 2011.

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Três reflexões sobre o 10 de Junho e o Dia de Portugal e das Comunidades

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Luís Vaz de Camões - ca.1524 / 10 Junho 1580
Vê que aqueles que devem à pobreza
Amor divino, e ao povo, caridade,
Amam somente mandos e riqueza,
Simulando justiça e integridade.
Da feia tirania e de aspereza
Fazem direito e vã severidade,
Leis em favor do Rei se estabelecem;
As em favor do povo só perecem.

Os Lusíadas, IX, 28.

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Uma reflexão de Camões
Que espelha o zeitgeist
A "qualidade" e motivação da classe política
O espírito das leis (Montesquieu...)
E a corrupção política e moral do nosso tempo.

Vive-se para dar lustro ao capital simbólico, esqueceu-se a definição da lógica desenvolvimentista das cidades do interior, de que Portalegre, por ex., é o exemplo mais acabado.

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Como se desenvolve o interior de Portugal?
- Gastando 5 ou 7 Milhões de €uros a deslocar todo o equipamento militar (de todos os ramos das FAs) para uma cidade do interior e fazer pequenas demonstrações parcelares do que cada ramo é capaz; ou organizar conferências temáticas, com chamada de investidores nacionais e estrangeiros, acompanhada dum pacote de redução substancial de impostos e de apoios às PMEs - veiculado pelo Governo e pela autarquia respectiva?
Como se deve gastar os recursos dos portugueses em tempos de crise?
Apostar mais no capital simbólico, como se fez nas Comemorações do 10 de Junho (que também é importante); ou apostar mais numa via desenvolvimentista, orientada para a captação imediata de investimento estratégico capaz de atrair e fixar recursos nas áreas da Saúde, da Educação, do Ambiente, das Novas Tecnologias, da Logística, etc... Que poderia ser determinante.
Naturalmente, tudo isto só seria possível se Portugal fizesse duma descentralização a sério, transferindo competências e recursos hoje centralizados em Lisboa para delegações regionais que, com maior proximidade das populações, conseguiriam identificar as prioridades estratégicas para cada uma dessas regiões deste nosso querido Portugal que ainda está muito atrasado comparativamente aos seus parceiros europeus.
Seguramente, não se desenvolve um território por decreto, mas é da articulação do desenvolvimento de ferramentas de gestão do território, em particular o seu Plano Director Municipal, planos de urbanização, planos de pormenor, áreas de reabilitação urbana assim como cuidar dos chamado plano estratégico de desenvolvimento - que reflictam todas aquelas estratégias parcelares - é que se encontra a condição essencial para o aumento da qualidade de vida dum território e dum concelho.
É disto que, por ex., o concelho de Portalegre carece, mas urge que os actores vivos da sociedade civil participem e discutam essas vias para o desenvolvimento, e desenhem as políticas públicas que lhes possam dar resposta rapidamente, sempre preservando as identidades locais e regionais e potenciando a elevação da qualidade de vida para todos.

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Parabéns a João Miguel TAVARES

A imagem pode conter: 1 pessoa, óculos graduados- que preside à Comissão do 10 de Junho em Portalegre -
e como natural da terra teve a coragem de denunciar a corrupção que ainda graça na nossa classe política, o afastamento das pessoas do interior da capital, das assimetrias regionais, das cunhas institucionalizadas na nossa cultura nacional, da dificuldade em vencer na vida apenas pelo mérito, da relevância da arraia miúda na construção do Portugal contemporâneo, etc...

Foi um discurso lapidar com grande sentido e racionalidade para o futuro. E com uma grande mensagem de esperança para todos e de combate à interioridade, de que Portalegre tem sido alvo ao longo das décadas.
E disse tudo perante um PR algo sorridente e um PM com ar sisudo e grave.
A. Costa tem de perceber, tal como sublinhou JMT, que temos de compreender que precisamos de saber para que somos precisos além de pagar impostos.
Ainda que a sua mensagem não fosse dirigida para nenhum em particular, cada qual parece ter assumido, sintomáticamente, as suas dores.

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domingo

O realismo mágico de Vitor Constâncio e os seus anos de solidão

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A MENTIRA É UMA REINTERPRETAÇÃO INTERESSADA DA VERDADE.

Nos últimos anos em Portugal, a vida económica e financeira e até política está pejada de exemplos de gestores, administradores, agentes políticos que mentem descaradamente.

Fazem-no porque corromperam e foram corrompidos, para enriquecer à custa da economia, da finança e da actividade política, ou de todas em simultâneo. Os casos são conhecidos, mas a Justiça, porque também está amputada nos seus poderes e deveres, não consegue tocar nesses intocáveis. O escândalo do ex-BES e de Ricardo Salgado foi demasiado grande para ficar guardado, envolveu o próprio regime de Abril criado em 1974, e penalizou milhares de pessoas e de empresas, por isso teve de ser conhecido, mas o seu mentor passeia-se nas ruas de Lisboa como quem vai a Roma ver o Papa.

Os ex-politicos do cavaquismo, como Dias loureiro, Oliveira e Costa e muitos outros também andam por aí como se fossem uns peregrinos a Santiago de Compostela. Nuns e noutros casos, é o sentimento de impunidade que campeia, o que dá a firme convicção ao povo que a justiça não é cega, como tal é inútil, incapaz, lenta, cara e só serve para executar os bens do Zé Povinho quando não pagam as dívidas contraídas aos bancos para liquidar empréstimos para compra de casa. Casas essas que depois acabam por ir parar às mãos dos usuários prestamistas, ou seja, os bancos. 

Além de muitas insuficiências, o peso da memória (selectiva) torna-se aqui numa mola fundamental que explica a crise de regime em que nos encontramos. Vejamos alguns exemplos dessa vergonhosa e milionária falta de memória, ou de vergonha: Zeinal Bava vai ao Parlamento e diz que não se lembra dos actos de gestão ruinosa cometidos para ajudar Ricardo Salgado a destruir a PT; Henrique Garganeiro fez o mesmo, mas de forma menos explícita. Agora, alguns gestores da TAP dizem-se enganados pelos accionistas privados... neste teatro da gestão das empresas públicas financiadas pelo Estado. 

Inúmeros administradores do banco público, a CGD, também não se lembram das suas acções ao viabilizarem empréstimos ruinosos para empresas e empresários que conseguiram obter milhões de €uros de dinheiros públicos para comprar acções de bancos que, entretanto, se desvalorizaram e, com isso, delapidaram recursos públicos que nunca mais seram resgatados e devolvidos ao Estado. 

Todos estes casos, que cruzam a banca, a política e os negócios são conhecidos entre nós. Envolvem um ex-PM, cavaquistas, pessoas do PS, do CDS e até já do BE houve casos de especulação imobiliária, o escandaloso caso Robles, que levou à sua demissão do BE. Do PCP também são já conhecidos casos menos claros na autarquia de Loures...

Os alegados crimes em causa são sempre os mesmos: corrupção activa e passiva, participação económica em negócio, peculato, branqueamento de capitais, tráfico de influências, etc... Todavia, em todos eles há uma exploração da memória para, quando aqueles arguidos são inquiridos, negarem o seu envolvimento em tais actos criminosos que delapidaram recursos públicos e ajudaram a destruir a economia e a minar a coesão social e moral entre os portugueses, que vivem cada vez com maior carga e assimetria fiscal, económica, regional, etc.

A memória é, pois, esse dispositivo gigante que é capaz de terraplanar os factos, as relações e contar apenas o que interessa a cada momento contar. Ou seja, alguém que pode ter tido uma conduta verdadeiramente delapidadora dos recursos públicos, num dado momento, pode invocar anos depois que, apesar de tudo, teve a conduta mais zelosa de sempre, falando em probidade e grandes serviços prestados à causa pública. 

Na prática, é o viés sentimental e das emoções, distorcidos pelo peso da memória (natural e selectiva) que acaba por imprimir uma "nova verdade" sobre os factos do passado que verdadeiramente importa negligenciar ou distorcer. 
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A memória, como no livro de Gabriel García Márques, Cem Anos de solidão, concede o direito de nos movimentarmos pelo labirinto do passado, misturando a realidade com a ficção sem gerar consternação em terceiros. Por vezes, ou muitas vezes os "artistas do meio económico, financeiro e político" servem-se dessa espécie de "realismo mágico" para recriar contextos e atmosferas novos, quiça dando a entender que o tempo estava tão húmido que era possível aos peixes entrarem pelas portas do Banco de Portugal e darem ordens ao supervisor bancário para autorizar operações de financiamento verdadeiramente delapidadoras do interesse público. 
Contâncio é, hoje, um inegável seguidor do escritor colombiano e adepto confesso do chamado realismo mágico. 



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quinta-feira

O desenvolvimento das cidades e os "rebuçados" para Portalegre. Desenvolvimento de mercearia


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As cidades, tal como as pessoas, têm que se desenvolver em duas dimensões: na sua vertente simbólica e dos valores, e na sua vertente mais desenvolvimentista. 

Aquela faz apelo à história, à cultura local e regional, aos costumes e práticas imateriais que remetem para um universo simbólico de memórias e relações que distinguem umas cidades das outras e lhes conferem especificidade entre as demais cidades de um tecido conjuntivo nacional. Esta outra dimensão, mais desenvolvimentista, remete o campo de actividades para o pensar urbano, para o planeamento das cidades de forma sistemática, o qual visa assegurar o acesso das populações a um conjunto de serviços urbanos, como a mobilidade (em que Portalegre deixa muito a desejar...), infraestruturas, educação, saúde, qualidade ambiental, etc. 

Em rigor, o desenvolvimento genuíno não se confunde com uma simples expansão da malha urbana e uma crescente complexidade desse enredo urbano, mas com um desenvolvimento equilibrado do crescimento económico, da modernização tecnológica, das vias de acesso, de serviços sociais capazes de responder às necessidades das populações, no fundo, as cidades têm de saber responder ao desenvolvimento social e espacial dos seus territórios. 

E cumpre ao Estado (central), numa primeira linha, e aos municípios, numa segunda linha, planear essa malha de desenvolvimento urbano capazes de qualificar as cidades, especialmente as do interior que estão mais confrontadas com os problemas do desenvolvimento, desde logo por terem populações envelhecidas, não serem capazes de atrair investimento (público e privado) orientado para a criação de empresas, empregos, bem-estar e prosperidade sustentável, ou seja, durável no tempo. 

Ora, a cidade de Portalegre, por ex., enferma de todas essas lacunas da interioridade: as vias de acesso rodoviárias são pré-históricas, as populações estão envelhecidas e muito ruralizadas, os serviços de saúde são muito deficientes, a atração de investimento é uma miragem, a criação de emprego é nula, os incentivos à fixação de quadros qualificados é praticamente inexistente, o diálogo com o poder central é sempre desigual e não conduz a resultados práticos. E só nos momentos eleitorais as promessas ganham foros de cidade..., neste conhecido e cíclico teatro da política à portuguesa. 

Resultado de imagem para camões e os lusíadasÉ neste contexto que o PR, Marcelo Rebelo de Sousa, vai iniciar as comemorações do Dia de Portugal (ou da "raça", como diria Cavaco...) em Portalegre. A tal cidade cujo marco do desenvolvimento ficou parado no tempo e marca passo na escala do desenvolvimento desejado, à semelhança, aliás, como outras cidades de pequena-média dimensão, como Abrantes, no Ribatejo. 
Em termos simbólicos, é um acto gratificante para as populações do interior, qual espécie de "rebuçado político" dado a essa parte do interior do território esquecido por não dispôr de tudo o resto que é essencial ao seu desenvolvimento. Marcelo será, seguramente, recebido e ouvido como um rei numa república desfazada, em que as injustiças sociais ainda são tremendas, a taxa de natalidade deficitária, os salários baixos, a carga fiscal brutal, a ponto de sobrecarregar e asfixiar pessoas e empresas e libertando poucos recursos quer para o aforro, quer para o investimento em áreas reprodutíveis capazes de dinamizar sectores importantes da economia local ou regional. 
Neste quadro, e além do convívio sempre saudável do PR com as autoridades e as gentes locais, que se sentem reconhecidas com a sua presença, o que restará dessa presença que comporta em si um imenso capital simbólico?
Alguma ajuda do PR para (re)pensar em atrair novos investimentos públicos e privados para a região?
- Alguma orientação para o Poder local agir duma certa forma e, por via disso, conseguir atrair novos projectos, quadros  qualificados, tecnologias e uma lógica integrada de desenvolvimento capaz de fazer sair Portalegre do marasmo em que vive há décadas?
Exceptuando a carga simbólica do momento, inerente ao Dia de Portugal e das Comunidades, o que poderá fazer Marcelo pelo interior do país, esquecido que foi à promessa vã do desenvolvimento desejado por muitos?
Numa palavra: em que se traduzirá, na prática, a ida de Marcelo a Portalegre senão passear o seu ego, portador dum projecto de reeleição presidencial, sem que, com isso, a cidade de Portalegre fique a ganhar algo, senão uma cobertura mediática que potenciará o número de notícias do interior nos media nacional. 
Será essa uma ocasião para o PR promover a região, que é de per se pobre, ou, perversamente, será a região pobre a promover o actual PR à sua reeleição futura!?
É que a lógica do desenvolvimento debate-se sempre com duas faces. Pois o que é bom para uns, por regra, acaba por ser lesivo para outros. E aqui "os outros" são as populações e as comunidades do interior esquecido de Portugal, num estado ainda demasiado centralista e burocrático, em resultado duma herança pombalista que parece não (querer) ser apagada pelo tempo. 
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