quarta-feira

Tributo a Lee Iacocca

Partiu um dos mais importantes e icónicos gestores do séc. XX. Lee Iacocca era filho de imigrantes italianos e teve uma infância difícil, mas acabou por se tornar num dos maiores executivos de Detroit, vendo o seu nome ligado ao famoso Ford Mustang e O K-Car, que serviu para tirar a Chrysler da eminência de falência em que estava envolvida. 
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Nos anos 70 do séc. XX Iacocca foi, de facto, um dos mais importantes gestores de top de nível mundial, sendo que a sua influência foi muito para além da indústria automóvel. Ele contagiou também o mundo das ideias, do pensamento e da gestão estratégica, factos que o qualificaram como um dos homens mais sagazes do seu tempo. 

Deixamos algumas das suas reflexões seminais que produziram eco no futuro e melhoraram a vida a milhões de pessoas. 


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  • O administrador não é mais do que um motivador de pessoas.“ —  Lee Iacocca.
  • Para resolver grandes problemas, você deve estar disposto a fazer coisas que desagradam.“ —  Lee Iacocca 
  • O Meu pai costuma dizer sempre que se, quando você morrer, se tiver feito cinco amigos verdadeiros, então você teve uma vida notável.“ —  Lee Iacocca.
  • Se puder encontrar um carro melhor, compre-o. L.Iacocca.
  • Eu adoraria encontrar o sujeito que supostamente sou. Eu o contrataria em um segundo.“ —  Lee Iacocca 

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sexta-feira

O Estado está desnatado de quadros qualificados





O Estado está desnatado...
Resultado de imagem para Siresp- De funcionários de qualidade. Aqui há uns anos os ministérios tinham departamentos de planeamento e prospectiva e também bem apetrechados do ponto de vista jurídico - que aconselhavam os serviços na resolução de problemas correntes e de questões mais complexas que se desenvolviam entre a Administração e a sociedade e a economia.
Hoje, quando surge um problema, um conflito, um contrato o Estado recorre quase sistematicamente aos escritórios de advogados que, além de cobraram honorários principescos que desgastam o erário público também deixam alçapões nas negociações, nos contratos e nas leis por forma a que o Estado tenha de recorrer a eles frequetemente pagando mais e mais por serviços jurídicos que em lugar de defender e promover os interesses legítimos do Estado só o secundarizam em prol dos interesses de empresas privadas que assim ganham ilegitimamente rios de dinheiro à conta dos impostos dos contribuintes, que são quem de facto pagam essas avenças de LUXO.
Neste exemplo do Siresp, assim como noutros, o Estado é ludibriado deliberadamente por juristas, consultores, advogados de negócios e outros players que, a coberto do interesse público, desprotegem juridicamente o Estado para encher os bolsos ao sector privado. Até porque inúmeros daqueles quadros trabalham simultaneamente para o Estado e o sector privado.
Isto resulta, entre outras coisas, porque o Estado decidiu não ter um corpo de técnicos superiores qualificados e bem pagos em toda a Administração Pública - desde a área informática à esfera jurídica - para assegurar que o Estado é bem representado nas relações com a sociedade. E mesmo que o quisesse ser o regime de austeridade cego assente na política de cativações, pela mão do Sr. Cativações do €urogrupo - só poderia redundar num enfraquecimento progressivo dos serviços do Estado, desde a segurança social à justiça passando pela educação e saúde - que tem degradado a capacidade de resposta dos serviços sociais do Estado aos problemas e complexidades da vida moderna.
Esta degradação é, objectivamente, um passivo deixado por mário centeno e também por quem resolveu desinvestir de modo grosseiro na qualidade dos serviços do Estado dizendo, sem vergonha, que assegurará esses serviços do Estado numa segunda legislatura.
Até dá vontade de dizer que, primeiro façam lá as reformas necessárias e cumpram as promessas que depois os eleitores votam em vocês...

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quinta-feira

Poder, Prazer e Lucro - por David Wootton -

   Nota prévia: Tudo quanto diga respeito ao pensamento do florentino, Nicolau Maquiavel, fundador da Ciência Política, porque isolou a Política das questões ético-morais, é um marco na evolução do pensamento e da formulação das ideias que fazem avançar ou regredir as sociedades. 
Poder, Prazer e Lucro  David Wooton é um historiador com um pensamento original e procura, naquelas quase 500 págs., fazer uma incursão ao Iluminismo até aterrar no mundo contemporâneo, estudando cerca de 400 anos de história no contexto do pensamento ocidental. Já o excepcional Sir Bertrand Russel, matemático, filósofo e também um eminente historiador das ideias da Renascença, Época Moderna e Idade contemporânea deu um contributo inestimável para estudo do conceito de Poder e concluiu que a Democracia pouco significado tem sem uma igualdade económica entre os homens e sem um sistema educativo que tenda a promover a tolerância na sociedade. 
  Contudo, a história tem constatado que as tiranias acabam sempre por cair, pelo que não há qualquer razão para supor que um ditador terá  maior permanência no poder do que um seu sucessor. 
  Ainda assim, nunca temos a certeza de que a democracia está protegida ou imune aos regimes degenerados, e, a qualquer momento, por excesso de nacionalismos, xenofobia ou qualquer outro processo social desviante relacionado com as migrações em massa, como hoje se verifica no Norte de África, Médio e Próximo Oriente em direcção à Europa (em que as populações buscam melhores condições de vida, ou apenas sobreviver fugindo aos conflitos civis nos seus países), o pior pode ocorrer e comprometer os sistemas democráticos. A democracia está, assim, flanqueada e permanentemente ameaçada por aqueles comportamentos degenerados. 
  Não deixa de ser curioso como este historiador e professor catedrático da U. de York escolheu os três conceitos mais poderosos da dinâmica social e económica - Poder, Prazer e Lucro - para, em torno deles, (re)desenhar a história do pensamento político de Maquiavel ao presente. 
Resultado de imagem para Maquiavel, Hobbes e Adam Smith   A essa luz, e nos últimos anos, foram poucos os que de modo consistente conseguiram não ceder ao gratuito e ao disparate e enquadrar a história das ideias num mundo em turbulência, de mentira institucionalizada e global conferindo, ao mesmo tempo, um grande poder às ideias e à sua dinâmica. Quer para melhorar o sentido de evolução das sociedades, quer para registar um retrocesso no processo de mudança social. 
  Poder, Prazer e Lucro é, de facto, uma obra que está na intersecção da Ciência Política, da Filosofia política e da Economia política, e é essa interdisciplinaridade que interessa à ambivalência dos tempos, pois sem o concurso dessas lentes graduadas no estudo e avaliação da realidade o resultado afigura-se diminuto em sem grande interesse intelectual na explicação do mundo contemporâneo. 
Resultado de imagem para adam smith, lucro  Em suma: o historiador britânico conseguiu por em diálogo três dos maiores pensadores dos últimos 500 anos: Nicolau Maquiavel, T. Hobbes e A. Smith. Uma tarefa que só está reservada a alguns. 






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Resultado de imagem para david wootton«Wootton apresenta a viragem conceptual que conduziu ao modo de vida atual num livro que é ambicioso e abrangente no seu alcance [...]. Uma história apaixonante da forma como as ideias podem mudar o mundo.
John Gray, New Statesman



Poder, Prazer e Lucro
David Wootton, nascido em Winchester em 1952, é professor catedrático e Anniversary Professor de História da Universidade de York (Reino Unido). Entre as suas obras encontram-se Paolo Scarpi(1983), Bad Medicine (2006), Galileo (2010) e A Invenção da Ciência: Nova História da Revolução Científica, publicado pela Temas e Debates em 2017















SINOPSE


«O título do meu livro é Poder, Prazer e Lucro, por essa ordem, porque o poder foi conceptualizado primeiro, no século XVI, por Nicolau Maquiavel e os seus seguidores; no século XVII, Hobbes reviu radicalmente os conceitos de prazer e felicidade; e o modo como o lucro funciona na economia foi bem teorizado pela primeira vez, no século XVIII, por Adam Smith.»


Procuramos incessantemente poder, prazer e lucro.
Nesta procura sem limites recorremos a um raciocínio instrumental - ou análise custo-benefício - para os alcançarmos. Julgamo-nos a nós próprios e aos outros pelo grau do nosso sucesso. É um modo de vida e de pensamento que parece natural, inevitável e inescapável. Porém, David Wootton mostra que isso não é verdade. 



Neste livro, revisita a revolução intelectual e cultural que substituiu os antigos sistemas da ética aristotélica e da moralidade cristã pela jaula de ferro do raciocínio instrumental que agora dá forma e propósito às nossas vidas.



críticas de imprensa


Wootton esclarece de que modo o pensamento europeu abandonou as virtudes tradicionais e aceitou o “sistema egoísta” do utilitarismo […] explica teorias sociais e políticas complexas com uma clareza admirável.»

Jeffrey Collins, Wall Street Journal



«Mais relevante nas circunstâncias políticas e culturais atuais do que qualquer outro livro que li nos últimos quatro anos.»
Lewis Lapham, The World in Time



«Wootton apresenta a viragem conceptual que conduziu ao modo de vida atual num livro que é ambicioso e abrangente no seu alcance […] Uma história apaixonante da forma como as ideias podem mudar o mundo.»
John Gray, New Statesman

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quarta-feira

A morte é um escândalo


Segundo as autoridades do México, as duas vítimas são de El Salvador, o homem tinha 25 anos e a filha apenas um ano e 11 meses de idade. Morreram afogados durante a travessia do Rio Grande para conseguir chegar aos Estados Unidos.(...)




A morte regula a vida. Visível ou oculta, ela está sempre ao nosso lado e exerce uma influência brutal sobre todas as nossas acções. Em rigor, ela entranha-se de tal modo na nossa existência, que representa metade do nosso ser.

É vendo imagens como aquela, que a civilização há muito já deveria ter erradicado, que facilmente concluímos que são os mortos que empurram os vivos para a acção. Mas não tinha de ser assim. 

É também perante imagens como esta que se torna quase grotesco crer em Deus, pois parece, diante estes despojos, que já só existem cacos e fantasmas que ruíram, primeiro a nossa civilização, depois na relação entre povos, estados e sociedades - que hoje se tornaram completamente incapazes de regular a "nova transumância" que afecta este primeiro quartel do 3º milénio. 

Esta imagem, se, porventura, alguma conclusão nos dá - é que não há Deus. E constatar isso mesmo, revela que o mundo, tal como o conhecíamos, também mudou de carácter e de roupagens. 

E isso representa uma profunda frustração e dor. 
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segunda-feira

Evocação de Raul Brandão explica uma boa parte do que foi e é Portugal


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- (...) Desde que se cumpram certas cerimónias ou se respeitem certas fórmulas, consegue-se ser ladrão e escrupulosamente honesto - tudo ao mesmo tempo. A honradez deste homem assenta sobre uma primitiva infâmia. O interesse e a religião, a ganância e o escrúpulo, a honra e o interesse, podem viver na mesma casa, separados por tabiques. Agora é a vez da honra - agora é a vez do dinheiro - agora é a vez da religião. 
- Tudo se acomoda, outras coisas heterógeneas se acomodam ainda. Com um bocado de jeito arranja-se-lhes sempre um lugar nas almas bem formadas. (...)

RB, in Húmus, pág. 16-17, Bertrand Ed. 2011.

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Três reflexões sobre o 10 de Junho e o Dia de Portugal e das Comunidades

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Luís Vaz de Camões - ca.1524 / 10 Junho 1580
Vê que aqueles que devem à pobreza
Amor divino, e ao povo, caridade,
Amam somente mandos e riqueza,
Simulando justiça e integridade.
Da feia tirania e de aspereza
Fazem direito e vã severidade,
Leis em favor do Rei se estabelecem;
As em favor do povo só perecem.

Os Lusíadas, IX, 28.

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Uma reflexão de Camões
Que espelha o zeitgeist
A "qualidade" e motivação da classe política
O espírito das leis (Montesquieu...)
E a corrupção política e moral do nosso tempo.

Vive-se para dar lustro ao capital simbólico, esqueceu-se a definição da lógica desenvolvimentista das cidades do interior, de que Portalegre, por ex., é o exemplo mais acabado.

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Como se desenvolve o interior de Portugal?
- Gastando 5 ou 7 Milhões de €uros a deslocar todo o equipamento militar (de todos os ramos das FAs) para uma cidade do interior e fazer pequenas demonstrações parcelares do que cada ramo é capaz; ou organizar conferências temáticas, com chamada de investidores nacionais e estrangeiros, acompanhada dum pacote de redução substancial de impostos e de apoios às PMEs - veiculado pelo Governo e pela autarquia respectiva?
Como se deve gastar os recursos dos portugueses em tempos de crise?
Apostar mais no capital simbólico, como se fez nas Comemorações do 10 de Junho (que também é importante); ou apostar mais numa via desenvolvimentista, orientada para a captação imediata de investimento estratégico capaz de atrair e fixar recursos nas áreas da Saúde, da Educação, do Ambiente, das Novas Tecnologias, da Logística, etc... Que poderia ser determinante.
Naturalmente, tudo isto só seria possível se Portugal fizesse duma descentralização a sério, transferindo competências e recursos hoje centralizados em Lisboa para delegações regionais que, com maior proximidade das populações, conseguiriam identificar as prioridades estratégicas para cada uma dessas regiões deste nosso querido Portugal que ainda está muito atrasado comparativamente aos seus parceiros europeus.
Seguramente, não se desenvolve um território por decreto, mas é da articulação do desenvolvimento de ferramentas de gestão do território, em particular o seu Plano Director Municipal, planos de urbanização, planos de pormenor, áreas de reabilitação urbana assim como cuidar dos chamado plano estratégico de desenvolvimento - que reflictam todas aquelas estratégias parcelares - é que se encontra a condição essencial para o aumento da qualidade de vida dum território e dum concelho.
É disto que, por ex., o concelho de Portalegre carece, mas urge que os actores vivos da sociedade civil participem e discutam essas vias para o desenvolvimento, e desenhem as políticas públicas que lhes possam dar resposta rapidamente, sempre preservando as identidades locais e regionais e potenciando a elevação da qualidade de vida para todos.

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Parabéns a João Miguel TAVARES

A imagem pode conter: 1 pessoa, óculos graduados- que preside à Comissão do 10 de Junho em Portalegre -
e como natural da terra teve a coragem de denunciar a corrupção que ainda graça na nossa classe política, o afastamento das pessoas do interior da capital, das assimetrias regionais, das cunhas institucionalizadas na nossa cultura nacional, da dificuldade em vencer na vida apenas pelo mérito, da relevância da arraia miúda na construção do Portugal contemporâneo, etc...

Foi um discurso lapidar com grande sentido e racionalidade para o futuro. E com uma grande mensagem de esperança para todos e de combate à interioridade, de que Portalegre tem sido alvo ao longo das décadas.
E disse tudo perante um PR algo sorridente e um PM com ar sisudo e grave.
A. Costa tem de perceber, tal como sublinhou JMT, que temos de compreender que precisamos de saber para que somos precisos além de pagar impostos.
Ainda que a sua mensagem não fosse dirigida para nenhum em particular, cada qual parece ter assumido, sintomáticamente, as suas dores.

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domingo

O realismo mágico de Vitor Constâncio e os seus anos de solidão

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A MENTIRA É UMA REINTERPRETAÇÃO INTERESSADA DA VERDADE.

Nos últimos anos em Portugal, a vida económica e financeira e até política está pejada de exemplos de gestores, administradores, agentes políticos que mentem descaradamente.

Fazem-no porque corromperam e foram corrompidos, para enriquecer à custa da economia, da finança e da actividade política, ou de todas em simultâneo. Os casos são conhecidos, mas a Justiça, porque também está amputada nos seus poderes e deveres, não consegue tocar nesses intocáveis. O escândalo do ex-BES e de Ricardo Salgado foi demasiado grande para ficar guardado, envolveu o próprio regime de Abril criado em 1974, e penalizou milhares de pessoas e de empresas, por isso teve de ser conhecido, mas o seu mentor passeia-se nas ruas de Lisboa como quem vai a Roma ver o Papa.

Os ex-politicos do cavaquismo, como Dias loureiro, Oliveira e Costa e muitos outros também andam por aí como se fossem uns peregrinos a Santiago de Compostela. Nuns e noutros casos, é o sentimento de impunidade que campeia, o que dá a firme convicção ao povo que a justiça não é cega, como tal é inútil, incapaz, lenta, cara e só serve para executar os bens do Zé Povinho quando não pagam as dívidas contraídas aos bancos para liquidar empréstimos para compra de casa. Casas essas que depois acabam por ir parar às mãos dos usuários prestamistas, ou seja, os bancos. 

Além de muitas insuficiências, o peso da memória (selectiva) torna-se aqui numa mola fundamental que explica a crise de regime em que nos encontramos. Vejamos alguns exemplos dessa vergonhosa e milionária falta de memória, ou de vergonha: Zeinal Bava vai ao Parlamento e diz que não se lembra dos actos de gestão ruinosa cometidos para ajudar Ricardo Salgado a destruir a PT; Henrique Garganeiro fez o mesmo, mas de forma menos explícita. Agora, alguns gestores da TAP dizem-se enganados pelos accionistas privados... neste teatro da gestão das empresas públicas financiadas pelo Estado. 

Inúmeros administradores do banco público, a CGD, também não se lembram das suas acções ao viabilizarem empréstimos ruinosos para empresas e empresários que conseguiram obter milhões de €uros de dinheiros públicos para comprar acções de bancos que, entretanto, se desvalorizaram e, com isso, delapidaram recursos públicos que nunca mais seram resgatados e devolvidos ao Estado. 

Todos estes casos, que cruzam a banca, a política e os negócios são conhecidos entre nós. Envolvem um ex-PM, cavaquistas, pessoas do PS, do CDS e até já do BE houve casos de especulação imobiliária, o escandaloso caso Robles, que levou à sua demissão do BE. Do PCP também são já conhecidos casos menos claros na autarquia de Loures...

Os alegados crimes em causa são sempre os mesmos: corrupção activa e passiva, participação económica em negócio, peculato, branqueamento de capitais, tráfico de influências, etc... Todavia, em todos eles há uma exploração da memória para, quando aqueles arguidos são inquiridos, negarem o seu envolvimento em tais actos criminosos que delapidaram recursos públicos e ajudaram a destruir a economia e a minar a coesão social e moral entre os portugueses, que vivem cada vez com maior carga e assimetria fiscal, económica, regional, etc.

A memória é, pois, esse dispositivo gigante que é capaz de terraplanar os factos, as relações e contar apenas o que interessa a cada momento contar. Ou seja, alguém que pode ter tido uma conduta verdadeiramente delapidadora dos recursos públicos, num dado momento, pode invocar anos depois que, apesar de tudo, teve a conduta mais zelosa de sempre, falando em probidade e grandes serviços prestados à causa pública. 

Na prática, é o viés sentimental e das emoções, distorcidos pelo peso da memória (natural e selectiva) que acaba por imprimir uma "nova verdade" sobre os factos do passado que verdadeiramente importa negligenciar ou distorcer. 
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A memória, como no livro de Gabriel García Márques, Cem Anos de solidão, concede o direito de nos movimentarmos pelo labirinto do passado, misturando a realidade com a ficção sem gerar consternação em terceiros. Por vezes, ou muitas vezes os "artistas do meio económico, financeiro e político" servem-se dessa espécie de "realismo mágico" para recriar contextos e atmosferas novos, quiça dando a entender que o tempo estava tão húmido que era possível aos peixes entrarem pelas portas do Banco de Portugal e darem ordens ao supervisor bancário para autorizar operações de financiamento verdadeiramente delapidadoras do interesse público. 
Contâncio é, hoje, um inegável seguidor do escritor colombiano e adepto confesso do chamado realismo mágico. 



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quinta-feira

O desenvolvimento das cidades e os "rebuçados" para Portalegre. Desenvolvimento de mercearia


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As cidades, tal como as pessoas, têm que se desenvolver em duas dimensões: na sua vertente simbólica e dos valores, e na sua vertente mais desenvolvimentista. 

Aquela faz apelo à história, à cultura local e regional, aos costumes e práticas imateriais que remetem para um universo simbólico de memórias e relações que distinguem umas cidades das outras e lhes conferem especificidade entre as demais cidades de um tecido conjuntivo nacional. Esta outra dimensão, mais desenvolvimentista, remete o campo de actividades para o pensar urbano, para o planeamento das cidades de forma sistemática, o qual visa assegurar o acesso das populações a um conjunto de serviços urbanos, como a mobilidade (em que Portalegre deixa muito a desejar...), infraestruturas, educação, saúde, qualidade ambiental, etc. 

Em rigor, o desenvolvimento genuíno não se confunde com uma simples expansão da malha urbana e uma crescente complexidade desse enredo urbano, mas com um desenvolvimento equilibrado do crescimento económico, da modernização tecnológica, das vias de acesso, de serviços sociais capazes de responder às necessidades das populações, no fundo, as cidades têm de saber responder ao desenvolvimento social e espacial dos seus territórios. 

E cumpre ao Estado (central), numa primeira linha, e aos municípios, numa segunda linha, planear essa malha de desenvolvimento urbano capazes de qualificar as cidades, especialmente as do interior que estão mais confrontadas com os problemas do desenvolvimento, desde logo por terem populações envelhecidas, não serem capazes de atrair investimento (público e privado) orientado para a criação de empresas, empregos, bem-estar e prosperidade sustentável, ou seja, durável no tempo. 

Ora, a cidade de Portalegre, por ex., enferma de todas essas lacunas da interioridade: as vias de acesso rodoviárias são pré-históricas, as populações estão envelhecidas e muito ruralizadas, os serviços de saúde são muito deficientes, a atração de investimento é uma miragem, a criação de emprego é nula, os incentivos à fixação de quadros qualificados é praticamente inexistente, o diálogo com o poder central é sempre desigual e não conduz a resultados práticos. E só nos momentos eleitorais as promessas ganham foros de cidade..., neste conhecido e cíclico teatro da política à portuguesa. 

Resultado de imagem para camões e os lusíadasÉ neste contexto que o PR, Marcelo Rebelo de Sousa, vai iniciar as comemorações do Dia de Portugal (ou da "raça", como diria Cavaco...) em Portalegre. A tal cidade cujo marco do desenvolvimento ficou parado no tempo e marca passo na escala do desenvolvimento desejado, à semelhança, aliás, como outras cidades de pequena-média dimensão, como Abrantes, no Ribatejo. 
Em termos simbólicos, é um acto gratificante para as populações do interior, qual espécie de "rebuçado político" dado a essa parte do interior do território esquecido por não dispôr de tudo o resto que é essencial ao seu desenvolvimento. Marcelo será, seguramente, recebido e ouvido como um rei numa república desfazada, em que as injustiças sociais ainda são tremendas, a taxa de natalidade deficitária, os salários baixos, a carga fiscal brutal, a ponto de sobrecarregar e asfixiar pessoas e empresas e libertando poucos recursos quer para o aforro, quer para o investimento em áreas reprodutíveis capazes de dinamizar sectores importantes da economia local ou regional. 
Neste quadro, e além do convívio sempre saudável do PR com as autoridades e as gentes locais, que se sentem reconhecidas com a sua presença, o que restará dessa presença que comporta em si um imenso capital simbólico?
Alguma ajuda do PR para (re)pensar em atrair novos investimentos públicos e privados para a região?
- Alguma orientação para o Poder local agir duma certa forma e, por via disso, conseguir atrair novos projectos, quadros  qualificados, tecnologias e uma lógica integrada de desenvolvimento capaz de fazer sair Portalegre do marasmo em que vive há décadas?
Exceptuando a carga simbólica do momento, inerente ao Dia de Portugal e das Comunidades, o que poderá fazer Marcelo pelo interior do país, esquecido que foi à promessa vã do desenvolvimento desejado por muitos?
Numa palavra: em que se traduzirá, na prática, a ida de Marcelo a Portalegre senão passear o seu ego, portador dum projecto de reeleição presidencial, sem que, com isso, a cidade de Portalegre fique a ganhar algo, senão uma cobertura mediática que potenciará o número de notícias do interior nos media nacional. 
Será essa uma ocasião para o PR promover a região, que é de per se pobre, ou, perversamente, será a região pobre a promover o actual PR à sua reeleição futura!?
É que a lógica do desenvolvimento debate-se sempre com duas faces. Pois o que é bom para uns, por regra, acaba por ser lesivo para outros. E aqui "os outros" são as populações e as comunidades do interior esquecido de Portugal, num estado ainda demasiado centralista e burocrático, em resultado duma herança pombalista que parece não (querer) ser apagada pelo tempo. 
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A Candidatura do Fandango a Património”, por Aurélio Lopes



Resultado de imagem para património imaterial, fandangoNota prévia: Uma reflexão interessante acerca do Património Imaterial, suas vicissitudes, ambições, desejos, equívocos e, porventura, exageros.

E, acima de tudo, não se compreende como é que a Região de Turismo do Ribatejo, pela sua história, cultura, diversidade e dimensão - no plano da promoção turística e cultural - não é hoje senão um apêndice da região de turismo do Alentejo, sem colar aqui qualquer tipo de luta de capelinhas. 

Ainda que as realidades sejam em inúmeros casos complementares, no plano da lógica da definição de prioridades estratégicas, ou seja, do desenho político e da autonomia da decisão administrativa, deveriam ser entidades regionais separadas, ainda que dialogantes, sob pena duma submergir ou condicionar a estratégia de actuação da outra.

Uma reflexão interessante por Aurélio Lopes.
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“A Candidatura do Fandango a Património”, por Aurélio Lopes




O fandango também era dançado pelas mulheres. Ilustração DR


Enfim! Parece que a divisão do Ribatejo por entidades regionais de turismo (nas quais dá origem, essencialmente, a apêndices), recebe como compensações este tipo de rebuçados que servem para comprar consciências e adormecer resistências; num processo administrativo de morte anunciada.
Passados três anos de esquecimento, este processo dá novamente mostras de reanimação.
Resta saber como é que o Fandango vai preencher o requisito que a UNESCO exige: o de se tratar, obrigatoriamente, de um padrão cultural vivo. Requisito que, como se sabe, o Fandango deixou de cumprir há largas décadas. Bem largas por sinal!

Portanto, para vender o mesmo como uma tradição viva e atuante (e não como a representação etnográfica que os diversos grupos, ditos folclóricos, hoje veiculam) obriga à construção de ações supostamente vivas: mas que, de vivas. só poderão, mesmo, ter o nome.
É um facto que o “cante alentejano” é, também ele, um padrão cultural praticamente fóssil e a respetiva Candidatura conseguiu vendê-lo como algo, se não vivo, pelo menos ainda ligado a uma qualquer máquina de reanimação. Suponho, contudo, que conseguir convencer os técnicos da UNESCO de que o Fandango é uma dança ainda hoje viva é, com certeza, bem mais difícil.
Seja como for, se o Fandango é uma dança morta há diversas décadas (de que os grupos folclóricos vão essencialmente preservando a memória), dela se pode dizer que é, talvez, a mais deficientemente representada no elenco programático dos agrupamentos ribatejanos.

Aquele que constituía, inegavelmente, o padrão cultural mais criativo e variado é hoje, curiosamente, o mais estereotipado. E, convenhamos, mal estereotipado.

Esperemos portanto que, a acontecer, a dita Candidatura consiga ver para lá da exagerada estilização que o enforma ainda hoje. E contribua, já agora, para não agravar mais os diversos equívocos que afetam as suas representações.
– Por exemplo, que o Fandango não é uma dança. Mas, sim, um tipo de danças!
– Que à semelhança de outras danças, igualmente vistas como regionais, o Fandango não constitui uma dança estritamente ribatejana!
– Que o Fandango não é, como se poderia julgar, uma dança em que o canto esteja, necessariamente, ausente!
– Que o Fandango, no Ribatejo, não era só dançado por homens, mas indiferenciadamente por homens e/ou mulheres. Isto tanto no Bairro onde (embora relutantemente) se foi há mais tempo aceitando, como na Charneca ou na Lezíria.
– Finalmente, que o Fandango não era, como hoje se julga, uma dança de movimentos rígidos, invariáveis, quase hieráticos, mas sim, pelo contrário, uma dança cujas variações se expressavam, livremente, a nível coreográfico.
Que consiga consagrar tais atributos; hoje estudados e comprovados. E não constitua, pelo contrário, a consagração (para memória futura) do erro e do equívoco!
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Sobre o autor

Aqui, Medio Tejo Net.


Investigador universitário na área da cultura tradicional, especialmente no que respeita à Antropologia do Simbólico e à problemática do Sagrado e suas representações festivas, tem-se debruçado especialmente sobre práticas tradicionais comunitárias culturais e cultuais, nomeadamente no que concerne à religiosidade popular e suas relações sincréticas com raízes ancestrais e influências mutacionais modernas. É Licenciado em Antropologia Social, Mestre em Sociologia da Educação e Doutorado em Antropologia Cultural pelo ISCSP da Universidade Técnica de Lisboa.


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segunda-feira

Agustina Bessa-Luís: uma mulher de raízes...

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Até no casamento marcou a diferença, já que casa no termo da II Guerra Mundial (1945) com o homem que lhe respondera a um anúncio que pusera no jornal em busca de uma pessoa cujo perfil fosse culta. Assim era Alberto Luís, estudante de Direito em Coimbra, onde viveu uns anos, depois Esposende, de seguida viajou para o Porto. 

Agustina Bessa-Luís é uma mulher com muitas raízes. E, acima de tudo, sabia escrever. E talvez mais importante, sabia pensar. 

- Fica, naturalmente. 

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Uma reflexão de Agustina Bessa-Luís


As relações humanas são assim: fios interrompidos e retomados até...

E o que dizer desta sábia que atravessou todo o século XX com raízes perto de Amarante, unindo Douro e Minho?!

- Provavelmente, poucos como ABL conheceram o mundo rural, o seu casario, as produções agrícolas das famílias e das pequenas empresas, aliado a um detalhe minucioso da geografia,  dos hábitos e costumes dum povo.

- Também poucos como ela, na esteira de Camilo Castelo Branco, enquadraram as maldades humanas, as relações entre vizinhos e um conjunto de teias que religam os aspectos mais obscuros da economia, da sociedade, da história e da religião. E foi esta interligação de factores, dimensões e realidades sociológicas , combinado com uma imaginação prodigiosa, que fizeram de Agustina uma escritora excepcional em todo o séc. XX. 

No fundo, ela sabia melhor do que ninguém que "a morte vinha fechar o anel em que pousaram em vão esperanças e vontades. 

Contudo, uma escritora com uma obra tão rica e vasta viverá para sempre. 



As relações humanas são assim: fios interrompidos
e retomados até que a morte venha fechar o anel em que
pousaram em vão 
esperanças e vontades.

Agustina, in Os Quatro Rios, p. 33

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quarta-feira

Você sabia o que se passava no seu ministério?



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Você sabe o que se passa no seu ministério???

- Centeno tem de preparar as reuniões do €urogrupo e planear as negociações de Costa com os vários agrupamentos partidários do Parlamento Europeu para decidir quem manda na Europa; o secretário de Estado, o sr. mendonça não conta porque ele só recebe e transmite recados; Eduardo Cabrita, MAI, também (alegadamente) não sabia da participação da GNR na operação conjunta do Fisco de cobrança no alcatrão, porque estava a assinar o despacho que visava dar cabimento orçamental para atribuir dez motas à polícia.


Costa ainda se encontrava no hotel Altis a ler os resultados eleitorais com Pedro Marques e a ver da melhor forma de "vender" uma geringonça na Europa. Estavam todos verdadeiramente ocupados.

De modo que os verdadeiros responsáveis por esta operação subterrânea do Fisco é o porteiro do ministério das Finanças e a empresa que faz as limpezas no átrio do MAI.
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PS: já agora, já se descobriu algo sobre Tancos...

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Violam a lei das leis - a Constituição da República Portuguesa - e não se demitem -

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Os srs. mendonça e centeno

Ministro das Finanças e SE alegaram desconhecer a operação "secreta" da AT no concelho de Valongo, com o fito de fazer cobranças difíceis nas estradas de Portugal, de forma quase-pidesca a lembrar os tempos da "outra senhora". 

O modus operandi, alegadamente sem qualquer enquadramento legal e político, parece ter sido o seguinte: 10 elementos da GNR, que deviam conhecer um pouco de Direitos, Liberdades e Garantias previstos na CRP, mandavam parar os transeuntes; e depois os 20 elementos da Autoridade Tributária faziam as inquirições necessárias a fim de cobrar coimas com base nos dados das matrículas das viaturas inseridos nos sistemas informáticos. Foi, pois, um regresso ao passado: ao espírito de fronteira, caldeado pelo ambiente de medo, ódio, segredo, ameaças e coações várias...

O objectivo desta operação da AT, alegadamente desconhecida pela tutela, seria penhorar bens (as viaturas, no caso) e, desse modo, liquidar as dívidas que estivessem em execução fiscal. Na prática, se o condutor fosse devedor ao Fisco e não tivesse liquidez para saldar essa dívida de imediato veria a sua viatura penhorada.

Então, num estado de direito não há recursos a apresentar; não há negociação com o Fisco a fim de planear uma forma faseada de pagamentos em função dos rendimentos de cada pessoa, agregado, família ou empresa? E se não tivesse dinheiro para liquidar a casa, as pessoas iam para baixo da ponte? Será este o socialismo de rosto humano da geringonça levado à prática por aquela dupla de alegados desconhecedores do que passa na sua própria casa?!

Após as reacções adversas da opinião pública, é óbvio que o sr. mendonça, o ainda SE, teve medo, e mandou interromper algo que ele - ou alguém por ele iniciou, mesmo que grosseiramente porque em clara violação da CRP, e utilizando uma abjecta desproporção de meios utilizados. 

Mais grave ainda: ministro e secretário de Estado das Finanças revelaram desconhecer a operação, quem deu a ordem, como e porquê?

Viola-se, civil e penalmente os direitos das pessoas de forma arbitrária com o único fito de o Fisco arrecadar um prato de lentilhas e ninguém se demite ou é demitido? 

Ficamos a saber, em vantagem para o futuro, que quando o Estado tiver a necessidade de cobrar os milhões ao Joe Berardo, ao Ricardo Espírito Santo, ao Dias loureiro, ao Oliveira e Costa e tutti quantti - os srs. mendonça e centeno mandam a GNR e os funcionários da AT - equipados de metralhadoras e luvas de pelica - para as mansões dos ditos para lhes fazer uma espera para se ressarcir dos danos que aqueles, durante décadas a fio, provocaram à sociedade. 

Se tudo isto não fosse dramático, em alguns casos trágico (porque envolve a falência de pequenas empresas e a destruição de empregos), seria apenas hilariante, como quem está à soleira da porta a ouvir contar as perseguições que a PIDE-DGS fazia aos elementos considerados inimigos do regime e, portanto, a eliminar.

E também não deixa de ser curioso que estas pequenas barbariedades anti-democráticas ocorridas sob a negligência grosseira dos srs. mendonça e centeno ocorram em pleno exercício de um Governo dito socialista, em que seria suposto haver um cuidado suplementar com a protecção dos tais Direitos, Liberdades e Garantias previstos na CRP.

O que diria Mário Soares destas travessuras dos srs. mendonça e centeno?! - que, alegadamente, desconhecem o que fazem certas entidades da alta administração do Estado, organicamente dependentes do ministério das Finanças...

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PS:  Alegadamente, presumimos que a dupla mendonça e centeno ainda integra o Governo. Ou será que já se demitiram?! Nem que seja por vergonha na cara, descontada a incompetência e incúria de (alegadamente) desconhecerem o que se passa na sua própria casa. 

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