domingo

Uma questão de fé - por Paulo Baldaia -


Nota prévia: Uma reflexão interessante de Paulo Baldaia que, por regra, pensa e equaciona eficientemente o fenómeno político em Portugal. 

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Apresentadas as primeiras linhas programáticas do PS, o que se dá como certo é a clivagem ideológica em relação à linha do governo e o assumir por parte dos socialistas que, com eles, a despesa pública será maior. É também provável que o PS tenha seguido uma estratégia política, em que garante responsabilidade com a manutenção da austeridade e promete "amanhãs que cantam" com o fim da austeridade, acreditando que assim consegue convencer este mundo e o outro, a começar por eles próprios. No entanto, os socialistas podem proclamar aos quatro ventos a certeza das suas previsões, mas nenhum ser racional pode acreditar no que ouve fazendo fé na simples vontade de mudança. É claro que isso não impede que os eleitores façam a sua opção com base em promessas que lhes permitem sonhar com o fim de uma realidade da qual estão fartos. Ver para crer, não sendo um princípio cristão, é uma boa bitola para avaliar as políticas que cada partido apresenta. O problema é que nós temos de votar antes de ver em concreto.
O escrutínio às propostas de cada um dos lados tem de ser reforçado, porque vivemos tempos de risco elevado e a dicotomia empresas/pessoas é redutora, porque nenhuma existe sem outra. A ideologia certa, portanto, é a que não separa o que não pode viver separado. Para bem do país, para bem de nós todos, é preciso é que tudo seja muito bem explicado. Temos todos, por isso, de fazer um apelo à memória para avaliar historicamente o que vale cada um dos políticos que se apresentam a eleições. E avaliar igualmente as políticas. Pelas propostas já apresentadas pelo PSD-CDS e pelo PS parece que os dois blocos vão no caminho de reduzir a austeridade, mantendo-a. É uma questão de velocidade. Podemos confiar? Se depender apenas da nossa fé nos economistas, convém recordar que eles existem para todas as teorias e só as que foram amplamente testadas têm validade científica. O resto é política. Pode andar pelas ruas da amargura, mas ainda é o que faz a diferença.
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