sexta-feira

Justificação de auto-censura por parte dum Governo destituído


Personaje desnudo clavándose en el cuerpo zonas negras típicas para censurar imágenes


O nível de degradação política a que se atingiu forçou os partidos do poder, e não só.., a reconhecer que as suas prestações, as suas políticas públicas, as condutas d´alguns dos seus players são profundamente censuráveis, algumas até objecto de criminalização, como as que envolvem os casos dos vistos GOLD, que até levou à subtil e imediata demissão de um ministro que tardou em pedir o levantamento da imunidade parlamentar para esclarecer tudo o que sabe e omitiu ao MP. Um exemplo lamentável de falsa ética e moralidade em política, o que significa que nem sempre a demissão política traduz uma conduta transparente, por vezes até significa o seu exacto contrário. Mas o nosso direito assegura o valor da presunção da inocência... Aguardemos.

Todavia, esta tentativa de limitar os media ao direito à liberdade de informar em contextos eleitorais, que conhece restrições proporcionais aos fins a que se destinam, e o exemplo da proibição da passagem de filmes com conteúdo pornográfico para protecção da infância e da adolescência é justificado, pode ter encontrado nas mentes dos actuais governantes um tal estado de lucidez que os levou a concluir que o que pensam, dizem e fazem é tão obsceno e degradante no espaço público que se justifica uma autocensura dessa fábrica de asneiras, que a actual coligação contra-natura debita à polis envergonhando a república e as suas instituições.

Assim sendo, e reconhecendo a actual maioria, que já não o é, da sua estrutural impreparação para a governação, aquela solicitou aos media, a todos eles, que boicotem toda e qualquer cobertura a factos, opiniões ou notícias decorrentes da campanha eleitoral que se avizinha (e já está em curso), configurando essa situação uma medida de higiene política que o XIX Governo (in)Constitucional resolveu reconhecer, a bem do pudor e da moralidade, como sendo a aprioridade das prioridades para a nação. 

Desse modo, está mais do que justificada a limitação à liberdade de informação e de expressão dos media, já que o interesse público assim o exige, e até como medida de sanidade mental de toda a população portuguesa (e aos que se encontram na diáspora),  que assim se libertam não só do maior câncer político do pós-25 de Abril, como se livram de algumas das suas metástases que já se encontravam em formação no organismo do corpo social.
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