quarta-feira

Carta aberta de Silva Peneda a Pedro Passos Coelho - por José Silva Peneda -

Nota prévia: Isto não é uma carta ao líder da mais fraca oposição de que há memória no Portugal democrático, é uma encomenda de caixão (político) fino à Servilusa visando a pessoa do sr. Passos Coelho. 




Exmo. Senhor Dr. Passos Coelho
Presidente do Partido Social Democrata
Maia, 17 de janeiro de 2017
A decisão anunciada por V. Ex.ª, de que o grupo parlamentar do PSD votará contra um dos pontos do acordo celebrado em sede de concertação social fere muito gravemente a identidade do PSD e atenta contra o seu património. Ora, é sabido que quando se começa a alienar património, normalmente o que se segue é a falência.
Qualquer força política só tem credibilidade se for capaz de se apresentar na base de um conjunto de valores coerentes entre si e que a diferencia de todas as outras.
O PSD nasceu em condições muito difíceis, sem beneficiar de apoios internacionais, e cresceu com base num entusiástico apoio popular, muito assente nas classes médias e em muitos portugueses do meio rural.
"É sabido que quando se começa a alienar património, normalmente o que se segue é a falência."
Os valores fundamentais que caracterizam a identidade do PSD são a liberdade, valor supremo para a plena realização do ser humano; a valorização da chamada sociedade civil, em que o PSD é a força política que melhor soube encarnar o pensamento do bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, quando este escreveu: "Tanto do Estado quanto seja necessário, tanto da liberdade cívico-política quanto seja possível"; a importância do papel da classe média, pois o PSD desde o início percebeu que uma sociedade desenvolvida pressupõe uma classe média pujante; a existência de estabilidade política, como elemento basilar para o desenvolvimento; e uma visão de modernidade na forma de governar assente na valorização e no desenvolvimento de uma cultura de compromisso.
Ao contrário de outras forças políticas de origem marxista que querem impor as suas verdades, na base de uma pretensa vitória de uma classe social sobre as outras, o PSD, como partido interclassista que é, sempre entendeu que as melhores soluções para os problemas do país devem ser estudadas, analisadas, discutidas e decididas atendendo aos diversos interesses envolvidos. O crescimento económico e o desenvolvimento não resultam da ação de uns poucos, mas sim do esforço conjugado de muitos.
A concertação social é, por isso, um património do PSD, e prova disso tem sido o papel dos seus governos no desenvolvimento dessa plataforma de entendimento.
"Aceito o facto de o governo ter agido com ligeireza, não assegurando condições para assinar o acordo."
Sobre o recente acordo de concertação aceito o facto de o governo ter agido com ligeireza, não cuidando de assegurar que dispunha de todas as condições para assinar o acordo. Também aceito que se possa discordar da solução, relativamente ao desconto da taxa social única para os beneficiários do salário mínimo, muito embora eu próprio, como titular da área social em dois governos de Cavaco Silva, tenha adotado soluções idênticas, para ajudar a atenuar problemas relacionados com grupos sociais mais desfavorecidos em termos de acesso ao emprego como foram os casos dos jovens, dos desempregados de longa duração e dos deficientes, ou para serem aplicadas em regiões mais afetadas por crises económicas e sociais, como aconteceu na península de Setúbal e no Vale do Ave.
Mas tenho muita dificuldade em aceitar que, de forma direta e objetiva, o meu partido vote ao lado de forças políticas que nunca valorizaram a concertação social, nem o diálogo entre as partes, porque sempre tiveram uma conceção totalitária de exercício do poder.
"Tenho dificuldade em aceitar que o meu partido vote ao lado de quem nunca valorizou a concertação social"
Dos valores que atrás identifiquei como fazendo parte do património do PSD, um deles tem estado esquecido. Refiro-me à importância da classe média, fortemente fustigada durante a aplicação do programa da troika. Neste ponto, não me assiste o direito de responsabilizar exclusivamente o PSD, porque a criação de condições para essa desvalorização tem as suas raízes em governos do PS, mas também não deixa de ser verdade que os governos presididos por V. Ex.ª não evidenciaram sinais evidentes de preocupação com a derrocada que se abateu sobre grande parte da classe média no nosso país.
Mas agora, com a decisão anunciada por V. Ex.ª, a situação é pior porque o PSD criará uma rotura numa das suas bases identitárias, atentará contra o seu próprio património político e contra muito dos seus tradicionais apoiantes que estão nas pequenas e médias empresas, nas instituições particulares de solidariedade social, nas Misericórdias e em sindicatos da UGT.
"A decisão anunciada por V. Ex.ª criará [no PSD"
O PSD só foi um partido de roturas quando sentiu que algum dos seus valores fundamentais se encontrava ameaçado e, nessas alturas, soube portar-se com muita coragem e foi entendido pelos portugueses.
Os portugueses sempre identificaram o PSD como o partido que busca de forma incessante o compromisso.
É em nome desta componente ideológica e de toda uma coerente prática passada, baseada em valores que identificam o PSD como o partido português autenticamente social-democrata, que apelo a V. Ex.ª para que mude de opinião.
Cumprimentos.
José A. da Silva Peneda
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sexta-feira

Ferreira Leite: Portugal perdeu pasta do emprego na Europa porque recusou nomear Silva Peneda

Ferreira Leite: Portugal perdeu pasta do emprego na Europa porque recusou nomear Silva Peneda





Ferreira Leite (ao centro) e Silva Peneda (2.º à dir.) no doutoramento de Juncker em 2013 pela Universidade do Porto FERNANDO VELUDO/NFACTOS


Manuela Ferreira Leite revelou na noite desta quinta-feira que Portugal não ficou com a pasta do Emprego na nova Comissão Europeia porque não escolheu Silva Peneda para o lugar.
No seu habitual comentário no programa Política Mesmo, da TVI24, a ex-presidente social-democrata foi peremptória: “Essa pasta [Emprego, Assuntos Sociais e Modalidade Laboral] não estava destinada a Portugal, mas a um português, Silva Peneda”.
E concluiu que, ao não escolher Peneda, militante do PSD e presidente do Conselho Económico e Social (CES), o Governo acabou por perder essa importante pasta.
Silva Peneda, que chegou a oferecer-se para comissário europeu, tem sido muito crítico das políticas económicas do Governo enquanto presidente do CES.

Manuel Ferreira Leite considerou que a pasta atribuída a Portugal, que terá Carlos Moedas como comissário europeu da Investigação, Ciência e Inovação, é uma boa pasta. Afirmou, porém ser “uma ironia do destino” Portugal ficar com este cargo, uma vez que “a ciência, e nomeadamente as universidades, têm sido dos sectores mais castigados pelo Governo”.
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Obs: Ferreira leite está a constatar o óbvio: Roma não paga a traidores. 
E para ser "traidor" nos tempos que correm basta que se pense de modo diferente e independente do Governo ainda em funções, fora do molde, como diria Umberto Eco. 
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Silva Peneda. Receita da troika não corrigiu nenhum problema estrutural do país. A SÉRIO???







Afinal de contas, está tudo por fazer. A reforma do Estado, a regionalização, a mudança do modelo estrutural da economia nacional dos bens não transaccionáveis para os transaccionáveis. A afirmação veio do antigo ministro de Cavaco Silva e hoje presidente do Conselho Económico e Social, Silva Peneda, que se escusou a dizer se é a favor ou contra o manifesto recentemente assinado por 70 personalidades sobre a dívida pública, porque considera que o problema deve ser resolvido no âmbito da União Europeia. Mas o político voltou a defender que deve haver uma redução da taxa de juro do empréstimo e o alargamento do prazo de pagamento. ...]

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Obs: Afinal, ninguém dá ouvidos ao dr. Peneda, e é uma pena. 

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