segunda-feira

Pedro Passos Coelho e José Maria Ricciardi: à COTOVELADA


Pedro Passos Coelho e José Maria Ricciardi estiveram juntos em público, pela primeira vez, desde o escândalo do BES

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Pedro Passos Coelho e José Maria Ricciardi estiveram juntos em público, pela primeira vez, desde o escândalo do BES /  Luís Forra/Lusa

Os psicólogos defendem que uma das razões pelas quais os adolescentes começam a fumar é porque, nos intervalos das aulas, não sabem como ocupar as mãos  e o recurso ao cigarro é um eficiente meio para preencher esse vazio de comunicação, especialmente numa idade em que os jovens procuram afirmar-se na relação com os colegas, perante a sociedade e no quadro das instituições com que, crescentemente, têm de interagir. 

Sucede, porém, que na imagem supra o que vemos já não são dois adolescentes em luta por afirmação e protagonismo no recreio do liceu, pois um, o da esquerda, é o alegado PM de Portugal, o qual se tem revelado um tremendo erro de casting; o player da direita, que se autoproclama um destemido, é um banqueiro do GES que viu afundar o ex-BES do primo, seguramente com a agravante de conhecer por dentro muitos dos erros, gestão danosa, participação económica em negócio a par de mais uma dezena de crimes económicos lesivos do erário público e nada disse à República, nem nada participou às suas instâncias judiciais no sentido de observar a lei e de acautelar os legítimos interesses dos pequenos e médios accionistas e clientes em geral do ex-BES. 

No fórum empresarial do Algarve, contexto em que este encontro ocorreu, o que vemos?

Vemos um PM a oferecer resistência física (dissimulada) com o cotovelo à tentativa de abraço por parte do banqueiro, que força, sem sucesso, o desejado abraço largo e fraterno a que Eça, epistolarmente, inúmeras vezes aludia. 

Assim sendo, e se interpreto bem aquela resistência física do PM, será legítimo perguntar a que se deve, por um lado, o desejo de Ricciardi em querer abraçar publica e afectuosamente Passos Coelho; e, por outro lado, como se explica o desejo de Coelho em querer manter as distâncias de um banqueiro que, no passado recente, lhe telefonara a propósito da alegada obtenção de informação privilegiada no caso das privatizações da REN e da EDP, ou seja, em processos que envolvem alegado tráfico de influências que são objecto de investigação por parte do MP. 

Por outro lado, Passos Coelho quando é surpreendido pelas mais diversas circunstâncias apresenta uma característica que acaba por o denunciar e, assim, deixar numa situação vulnerável: cora, cora muito. Parece um mega-tomate de Almeirim. Ou uma tonelada deles. E como é muito branquinho, embora não tão branquinho quanto uma alforreca, Portugal inteiro fica imediatamente a saber quando o ainda PM é apanhado em contra-mão, o que prenuncia algo ainda mais estranho e que se verte na seguinte questão: será que o seu staff assessorial não o informou que na sua mesa de jantar estaria o referido banqueiro?!

Minudências à parte, uma coisa é certa: quando Passos Coelho está comprometido com a verdade revela-se incapaz de olhar as pessoas de frente, joga, sim, o olhar para o chão como quem pede desculpa por erros que cometeu mas que nunca quis (ou quer) assumir. 

Tamanha obstinação tem penalizado a relação dos portugueses com a economia, cujo tecido produtivo Passos Coelho se tem encarregado de destruir, e, por outro lado, o locatário de S. Bento revela ainda uma incapacidade gritante de lidar, com seriedade, com os vários sectores da economia e da banca. Embora este último sector seja nevrálgico e da maior importante para os dirigentes políticos no activo...

Pedro Passos Coelho sabe que amanhã, no quadro de futuras eleições legislativas, se o governo não cair antes, será corrido ao pontapé por parte do eleitorado. O que significa ficar literalmente desempregado. Não podendo já regressar à Tecnoforma nem à Ong onde supostamente apenas recebeu honorários a título de "despesas de representação", nem se afigura previsível que volte a ser empregado do seu ex-mentor, o eloquente Ângelo Correia da Fomentinvest, o que é expectável é que Pedro Passos Coelho seja, num futuro próximo, recrutado por um qualquer banqueiro, à semelhança de Luís Amado (ex-MNE de Sócrates), para o board de um banco; ou por uma grande Construtora - que desenvolveu o culto de recrutar ex-ministros das Obras Públicas (ex. Jorge Coelho) e agora também autarcas, como luís Filipe meneses.

Esta possibilidade, como alternativa realista ao futuro desemprego a prazo, poderá explicar a razão pela qual o PM não quis abraçar o banqueiro, poupando-se publicamente ao efeito de associação negativo de tudo o que seja oriundo do GES/BES e, por outro lado, não levou longe demais essa resistência porque sabe, antecipadamente, que amanhã pode muito bem ser Ricciardi o seu novo patrão...

Talvez essa dependência psicológica, representada por cada cm do conjunto da gestualidade de Passos Coelho, explique por que razão os políticos portugueses dependem tanto dos banqueiros, especialmente quando perdem eleições e ficam literalmente desempregados. 

E enquanto esta dependência da política - e dos políticos - se verificar relativamente à alta finança - e aos banqueiros (ou alguns deles) - será lícito concluir que algo fede neste nosso Reino da Dinamarca... 

Talvez seja por isso que Passos Coelho cora tanto quando é confrontado com situações que evidenciam a sua dependência e fragilidade. 

Se assim for, e os argumentos aduzidos encontrarem correspondência nos factos, pode dizer-se que esta imagem pesa toneladas, por isso esmaga a própria realidade.

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