Macroscopio
Macro de grande, skopein de observar: observar o infinitamente grande e complexo. Tentar perceber por que razão a ave vive fascinada pela serpente que a paralisa e, afinal, faz dela a sua presa.
terça-feira
Medo, muito medo. Paf = Puf a perorar no Largo do Rato

Narrativas do Medo, muito medo... Miúfa!!!
Pup/paf a perorar no Largo do Rato em busca do tempo perdido.
- Agora, já há reposição de salários em dois anos, reforma da seg. social, etc, etc...
- Como referi aqui várias vezes, no pós 4 de Outubro, veríamos o Lapsos coelho a governar com Programa do PS.
- Como se vê, o "baile está armado" - e é visível a predisposição e a preferência do PS em negociar à esquerda.
- É claro como água que A. Costa levará a Belém uma solução governativa de governo à esquerda.
- São uns "malandros" - dirá a dupla de meliantes, que mais parecem os cangalheiros da servilusa..., com receio de perder o poder e a capacidade de distribuir os tachos pelos boys do PSD e do CDS.
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segunda-feira
O fabricante de vinhos precisa de segurança para entrar na PT
Granadeiro com segurança extra na sua última assembleia geral

A Assembleia geral (AG) para a aprovação dos termos da fusão entre a PT e a Oi já
começou. Henrique Granadeiro, o presidente demissionário da PT SGPS,
entrou acompanhado de um segurança da empresa, o que não é habitual.
Estão presentes acionistas que representam 46% do capital. (..)
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Obs: O comerciante de vinhos, o Sr. Granadeiro, sabe, ou
deveria saber, que onde existe muito dinheiro existe também
a possibilidade de violência; e onde ela pode ocorrer é onde
existe (ou existiu!!!) também muito dinheiro. É uma pescadinha
de rabo na boca.
Existiu.., mas já não existe, e talvez seja esse vazio nos cofres
da empresa que justificará a segurança a um dos "homens-de-mão"
de Ricardo salgado na PT e responsável por este monumental
desfalque (mais ou menos institucionalizado).
Espero que possa ser responsabilizado por esse tremendo dano à
empresa, aos accionistas e ao conjunto da economia nacional.
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Etiquetas: Desfalque do BES, Granadeiro, Medo, PT, Segurança, Violência potencial
terça-feira
O soldadinho de chumbo muito leal ao governo: o efeito Super Bock na restauração
Pires de Lima é um ministro sui generis, no espaço de meses é capaz de defender uma coisa e o seu exacto contrário: fora do governo, mostra-se amigo dos empresários da restauração e prometeu-lhes defender a descida do IVA de 23 para 13%, a fim de evitar mais destruição de emprego com falências desse tipo de estabelecimentos e serviços; uma vez no governo defende o contrário e revela-se incapaz de negociar com a troika esse ajustamento do imposto iníquo para níveis aceitáveis e em linha com o que se pratica noutros países civilizados da Europa.
Além de incompetente, Pires de Lima revela todo o esplendor da sua fraqueza - pessoal e política.
Hoje, no Parlamento, Lima, o ministro "soldadinho" de chumbo mui "leal" ao governo, como se qualifica, acenava com a sua cabeça, qual roberto. Quiçá em concordância pelos sistemáticos esbulhos fiscais adoptados pela Miss swaps, a tal que recorreu ao PERJÚRIO para se manter a todo o custo no poder, e fiel pupila de Gaspar, hoje em trânsito para Bruxelas - a convite pessoal de Barroso - para taxar a economia digital, área em que nada percebe.
Pires de Lima ao concordar com esta política fiscal, que é um roubo descarado aos portugueses, não só denuncia a sua incompetência política e medo ante a troika, como revelou o seu carácter pessoal, mole e bipolar - por defender a descida do imposto fora do governo, e a sua manutenção uma vez no governo.
Pires de Lima representa, afinal, o pior que a política hoje comporta: a promessa fácil, o spin, a cambalhota e, at last, a descoberta da careca do ministro das cervejas.
Apesar de ter algum sucesso como gestor de empresas tal facto, como se comprova, não é condição suficiente para ser um político coerente e medianamente competente.
Lima, curiosamente, tal como o seu predecessor, é uma espécie de Álvaro refinado, só que em vez de propor a "internacionalização do pastel de nata" como way out da crise, Pires de Lima é mais chic: mete a cerveja aos queixos e bebe pelo gargalo.
Já agora, prefiro Sagres.
Etiquetas: chumbo, Incompetência, lealdade, Medo, O soldadinho, restauração, troika
quarta-feira
Medo, Raiva, Esperança - por Gustavo Cardoso -
Medo, Raiva, Esperança, in Público
Neste momento histórico de intervenções externas nas economias do euro, o medo constituí uma estratégia em uso generalizado – nomeadamente pelas instituições internacionais, como as presentes na Troika, que o exercem ora sobre os Governos ora sobre as populações em geral, tal como Portugal experimentou na última semana com o relatório do FMI.
Este é um artigo sobre como é que se constrói a mudança em épocas de crise. E começa em Junho de 2002, dez meses após os ataques de 11 de Setembro às Torres Gémeas e ao Pentágono, quando me encontrava em Washington junto com outros colegas europeus numa sessão com um membro do partido Democrata. Estava então na Casa Branca George W. Bush e o foco na segurança interna dos EUA e a intervenção militar no exterior eram o centro da agenda política. Entre o ingénuo e o provocador, inquiri o nosso interlocutor sobre porque razão é que o partido Democrata não criticava os excessos da política de então. A resposta foi a de que havia uma atmosfera de receio no ar e, portanto, não valia a pena dizer coisas diferentes, porque quem quer que falasse seria directamente acusado de não proteger os interesses fundamentais da nação.
O que este episódio ilustra é que, em situações de excepção, até mesmo as sociedades democráticas podem ficar paralisadas pelo medo. E o medo é uma forte arma política, como lembra Manuel Castells no livro Redes de Indignação e Esperança, o medo, é a emoção paralisante da qual os poderes dependem, a fim de prosperarem e se reproduzirem, pela intimidação e desencorajamento.
Neste momento histórico de intervenções externas nas economias do euro, o medo constituí uma estratégia em uso generalizado – nomeadamente pelas instituições internacionais, como as presentes na troika, que o exercem ora sobre os Governos ora sobre as populações em geral, tal como Portugal experimentou na última semana com o relatório do FMI.
No entanto, há um problema com o uso excessivo do medo como arma política. É que ele tende a sair fora de controlo. Pois, rapidamente uma sobredose de instrumentalização do medo se transforma em indignação, seguida de uma qualquer situação que provoca sentimentos de injustiça, sendo depois vencido pela raiva, a qual muitas vezes se transforma em esperança numa melhor sociedade – ou pelo menos é o que nos ensina a história desde sempre. O mundo pós-2008 viveu (e vive) múltiplas situações que nos demonstram como a raiva e a indignação têm vencido o medo e sido transpostas em esperança. A esperança tem brotado na Islândia, em Israel, no mundo Árabe, nos múltiplos movimentos Occupy e de Acampadas, nos movimentos estudantis do Canadá e do Chile, nas recentes mobilizações populares na Índia e, também, em tudo aquilo a que temos assistido nas redes e nas ruas de Portugal ao longo dos últimos quatro anos.
Iniciei este artigo declarando que esta era uma análise sobre a mudança e, muito provavelmente, chegado a este ponto o leitor pensará algo de parecido com “tudo muito bem, mas nada daquilo que vimos desde 2010 até agora mudou nada!”. Se for essa a sua questão, deixe-me contra-argumentar, dizendo que nem hoje nem antes nada mudou de repente. Não há nem ideias, nem pessoas, nem acções, nem políticas providenciais. Há sim pessoas que se juntam, que estão indignadas e que a dado momento dizem basta! E a partir daí ocupam os espaços públicos (na rede e fora dela) em busca de outros que pensem como eles e que queiram juntos encontrar soluções.
O poder da mudança reside em surgirem pessoas que dizem coisas diferentes, que apontam preocupações diferentes e, a dado momento, soluções diferentes. Mas acima de tudo o seu poder deriva de surgirem e terem a capacidade de provocar a diferença, pelo mero acto de existirem. Pois, por muito reduzido que seja o seu número, eles possuem uma característica fundamental, não almejam tomar o poder, mas sim mudar as mentes das pessoas, para assim mudar as instituições do poder. Um caminho que pode parecer longo, mas que sabemos que dá os seus resultados.
Tal como muitos outros, acredito que estamos a viver um momento que demonstra que a crise do capitalismo global financeiro, e o subsequente ataque aos estados europeus numa tentativa daquele restabelecer a sua boa saúde, não é necessariamente um beco sem saída – pode até ser o sinal de um “recomeço inesperado”. No entanto, esse recomeço não será encontrado nem nos relatórios do FMI nem nos comunicados das instituições da União Europeia sobre o futuro da Europa. Porquê? Porque a indignação generalizada nas sociedades intervencionadas europeias está centrada na humilhação provocada pelo cinismo e arrogância dos que assumem o poder, seja ele financeiro, político ou cultural – quer a nível nacional quer a nível das instituições europeias e multilaterais.
Mas de onde vêm então a esperança? Ela vem das pessoas que se decidem juntar de forma informal e em momentos em que possam experimentar, sem limitações institucionais, o futuro que querem construir. Dando origem a diferentes movimentos sociais. São esses os movimentos de pessoas que através da história são os produtores de novos valores e novas metas, em torno das quais as instituições da sociedade se transformam para a criação de novas normas que organizem a vida social.
E onde estão essas pessoas? Quando não estão nas ruas ou nas salas ao nosso lado, basta a qualquer um de nós navegar na web ou no facebook para as encontrar.
E como aqueles que incorporam o exercício do poder nas sociedades democráticas, isto é os partidos políticos, ajudar a romper com a actual maldição de perda de confiança, que no extremo está a levar a que os contratos sociais se dissolvam, podendo transformar-nos num conjunto de individualistas lutando apenas pela própria sobrevivência?
A resposta reside, muito provavelmente, na capacidade de os partidos deixarem de ser estruturas inspiradas no modelo hierárquico burocrático e assumirem a sua identidade de redes (reprogramáveis) com as ideias que germinam por entre aqueles que sempre mudaram as sociedades, as pessoas e não as instituições – pois estas últimas são “apenas” meros instrumentos para levar avante a mudança.
No geral, ao contrário do que alguns pensarão, o cenário parece hoje mais encorajador em Portugal, na medida em que os partidos ensaiaram e, estão a praticar, essa tentativa de busca de novas ideias que desencadearão novas formas de agir – o futuro, como sempre, nos dirá com que grau de sucesso.
E agora? Agora, falta assumir-se que a sociedade já está a mudar (e começou-o sem esperar pelas instituições políticas), ir ao encontro das pessoas que já se juntaram em busca de mudar o sentido da sua vida e não o sentido do poder, e ajudar-nos a todos nós através, não da reforma do Estado, mas sim primeiro da reforma dos modos de pensar para além do individualismo e do interesse próprio.
O resto virá por arrasto sem precisar de memorandos ou relatórios – os quais de qualquer forma passarão para a história como meros documentos – pois o que importa é a vida que queremos ter e o sentido que queremos dar-lhe.
Gustavo Cardoso é investigador e coordenador do Mestrado de Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação do ISCTE

Obs:
Mais uma reflexão interessante e estruturada de Gustavo Cardoso - que pensa claro e escreve num português que todos compreendem num tempo de grande turbulência que carece de mudança urgente.
Aliás, costuma dizer-se que do que os homens desejam se diz também que amam, e que odeiam aquelas coisas pelas quais sentem aversão. Do mesmo modo que o desejo e o amor são a mesma coisa, seguindo os ensinamentos de Hobbes, salvo que por desejo sempre se quer significar a ausência do objecto, e quando se fala em amor geralmente se quer indicar a presença do mesmo. Também por aversão se significa a ausência, e quando se fala de ódio pretende-se indicar a presença do objecto. Eis o lugar para que me remeteu a reflexão pertinente, determinada e lúcida de Gustavo Cardoso.
- E das coisas que não amamos nem odiamos se diz que desprezamos. Nesta linha, pergunto-me o que os portugueses hoje pensam da instrumentalização duma política do medo que está sendo infundida sobre os portugueses - via Troika e em estreita articulação com o Governo português - a fim de limitar o espaço de acção da sociedade civil e, desse modo, facilitar um conjunto de "reformas" que, em rigor, são tributárias da filosofia (ou da selvajaria) neoliberal oriunda do Consenso de Washington que J. Stiglitz, na dobra do milénio, oportunamente denunciou. Bem sei, que após essa denuncia Stiglitz demitiu-se (ou foi demitido do BM), mas logo a seguir foi Prémio Nóbel da Economia...
- Então, se a Esperança é aquele apetite ligado à crença de conseguir algo, a falta dela chama-se desespero. É assim que os portugueses hoje se encontram.
Este é um artigo sobre como é que se constrói a mudança em épocas de crise. E começa em Junho de 2002, dez meses após os ataques de 11 de Setembro às Torres Gémeas e ao Pentágono, quando me encontrava em Washington junto com outros colegas europeus numa sessão com um membro do partido Democrata. Estava então na Casa Branca George W. Bush e o foco na segurança interna dos EUA e a intervenção militar no exterior eram o centro da agenda política. Entre o ingénuo e o provocador, inquiri o nosso interlocutor sobre porque razão é que o partido Democrata não criticava os excessos da política de então. A resposta foi a de que havia uma atmosfera de receio no ar e, portanto, não valia a pena dizer coisas diferentes, porque quem quer que falasse seria directamente acusado de não proteger os interesses fundamentais da nação.
O que este episódio ilustra é que, em situações de excepção, até mesmo as sociedades democráticas podem ficar paralisadas pelo medo. E o medo é uma forte arma política, como lembra Manuel Castells no livro Redes de Indignação e Esperança, o medo, é a emoção paralisante da qual os poderes dependem, a fim de prosperarem e se reproduzirem, pela intimidação e desencorajamento.
Neste momento histórico de intervenções externas nas economias do euro, o medo constituí uma estratégia em uso generalizado – nomeadamente pelas instituições internacionais, como as presentes na troika, que o exercem ora sobre os Governos ora sobre as populações em geral, tal como Portugal experimentou na última semana com o relatório do FMI.
No entanto, há um problema com o uso excessivo do medo como arma política. É que ele tende a sair fora de controlo. Pois, rapidamente uma sobredose de instrumentalização do medo se transforma em indignação, seguida de uma qualquer situação que provoca sentimentos de injustiça, sendo depois vencido pela raiva, a qual muitas vezes se transforma em esperança numa melhor sociedade – ou pelo menos é o que nos ensina a história desde sempre. O mundo pós-2008 viveu (e vive) múltiplas situações que nos demonstram como a raiva e a indignação têm vencido o medo e sido transpostas em esperança. A esperança tem brotado na Islândia, em Israel, no mundo Árabe, nos múltiplos movimentos Occupy e de Acampadas, nos movimentos estudantis do Canadá e do Chile, nas recentes mobilizações populares na Índia e, também, em tudo aquilo a que temos assistido nas redes e nas ruas de Portugal ao longo dos últimos quatro anos.
Iniciei este artigo declarando que esta era uma análise sobre a mudança e, muito provavelmente, chegado a este ponto o leitor pensará algo de parecido com “tudo muito bem, mas nada daquilo que vimos desde 2010 até agora mudou nada!”. Se for essa a sua questão, deixe-me contra-argumentar, dizendo que nem hoje nem antes nada mudou de repente. Não há nem ideias, nem pessoas, nem acções, nem políticas providenciais. Há sim pessoas que se juntam, que estão indignadas e que a dado momento dizem basta! E a partir daí ocupam os espaços públicos (na rede e fora dela) em busca de outros que pensem como eles e que queiram juntos encontrar soluções.
O poder da mudança reside em surgirem pessoas que dizem coisas diferentes, que apontam preocupações diferentes e, a dado momento, soluções diferentes. Mas acima de tudo o seu poder deriva de surgirem e terem a capacidade de provocar a diferença, pelo mero acto de existirem. Pois, por muito reduzido que seja o seu número, eles possuem uma característica fundamental, não almejam tomar o poder, mas sim mudar as mentes das pessoas, para assim mudar as instituições do poder. Um caminho que pode parecer longo, mas que sabemos que dá os seus resultados.
Tal como muitos outros, acredito que estamos a viver um momento que demonstra que a crise do capitalismo global financeiro, e o subsequente ataque aos estados europeus numa tentativa daquele restabelecer a sua boa saúde, não é necessariamente um beco sem saída – pode até ser o sinal de um “recomeço inesperado”. No entanto, esse recomeço não será encontrado nem nos relatórios do FMI nem nos comunicados das instituições da União Europeia sobre o futuro da Europa. Porquê? Porque a indignação generalizada nas sociedades intervencionadas europeias está centrada na humilhação provocada pelo cinismo e arrogância dos que assumem o poder, seja ele financeiro, político ou cultural – quer a nível nacional quer a nível das instituições europeias e multilaterais.
Mas de onde vêm então a esperança? Ela vem das pessoas que se decidem juntar de forma informal e em momentos em que possam experimentar, sem limitações institucionais, o futuro que querem construir. Dando origem a diferentes movimentos sociais. São esses os movimentos de pessoas que através da história são os produtores de novos valores e novas metas, em torno das quais as instituições da sociedade se transformam para a criação de novas normas que organizem a vida social.
E onde estão essas pessoas? Quando não estão nas ruas ou nas salas ao nosso lado, basta a qualquer um de nós navegar na web ou no facebook para as encontrar.
E como aqueles que incorporam o exercício do poder nas sociedades democráticas, isto é os partidos políticos, ajudar a romper com a actual maldição de perda de confiança, que no extremo está a levar a que os contratos sociais se dissolvam, podendo transformar-nos num conjunto de individualistas lutando apenas pela própria sobrevivência?
A resposta reside, muito provavelmente, na capacidade de os partidos deixarem de ser estruturas inspiradas no modelo hierárquico burocrático e assumirem a sua identidade de redes (reprogramáveis) com as ideias que germinam por entre aqueles que sempre mudaram as sociedades, as pessoas e não as instituições – pois estas últimas são “apenas” meros instrumentos para levar avante a mudança.
No geral, ao contrário do que alguns pensarão, o cenário parece hoje mais encorajador em Portugal, na medida em que os partidos ensaiaram e, estão a praticar, essa tentativa de busca de novas ideias que desencadearão novas formas de agir – o futuro, como sempre, nos dirá com que grau de sucesso.
E agora? Agora, falta assumir-se que a sociedade já está a mudar (e começou-o sem esperar pelas instituições políticas), ir ao encontro das pessoas que já se juntaram em busca de mudar o sentido da sua vida e não o sentido do poder, e ajudar-nos a todos nós através, não da reforma do Estado, mas sim primeiro da reforma dos modos de pensar para além do individualismo e do interesse próprio.
O resto virá por arrasto sem precisar de memorandos ou relatórios – os quais de qualquer forma passarão para a história como meros documentos – pois o que importa é a vida que queremos ter e o sentido que queremos dar-lhe.
Gustavo Cardoso é investigador e coordenador do Mestrado de Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação do ISCTE

Obs:
Mais uma reflexão interessante e estruturada de Gustavo Cardoso - que pensa claro e escreve num português que todos compreendem num tempo de grande turbulência que carece de mudança urgente.
Aliás, costuma dizer-se que do que os homens desejam se diz também que amam, e que odeiam aquelas coisas pelas quais sentem aversão. Do mesmo modo que o desejo e o amor são a mesma coisa, seguindo os ensinamentos de Hobbes, salvo que por desejo sempre se quer significar a ausência do objecto, e quando se fala em amor geralmente se quer indicar a presença do mesmo. Também por aversão se significa a ausência, e quando se fala de ódio pretende-se indicar a presença do objecto. Eis o lugar para que me remeteu a reflexão pertinente, determinada e lúcida de Gustavo Cardoso.
- E das coisas que não amamos nem odiamos se diz que desprezamos. Nesta linha, pergunto-me o que os portugueses hoje pensam da instrumentalização duma política do medo que está sendo infundida sobre os portugueses - via Troika e em estreita articulação com o Governo português - a fim de limitar o espaço de acção da sociedade civil e, desse modo, facilitar um conjunto de "reformas" que, em rigor, são tributárias da filosofia (ou da selvajaria) neoliberal oriunda do Consenso de Washington que J. Stiglitz, na dobra do milénio, oportunamente denunciou. Bem sei, que após essa denuncia Stiglitz demitiu-se (ou foi demitido do BM), mas logo a seguir foi Prémio Nóbel da Economia...
- Então, se a Esperança é aquele apetite ligado à crença de conseguir algo, a falta dela chama-se desespero. É assim que os portugueses hoje se encontram.
- Sucede que a aversão ligada à crença de dano proveniente do objecto, designa-se medo. Ora, o medo é o que mais tem sido infundido aos portugueses pelo Gov e pela Troika para abrir caminho ao desmantelamento do Estado social que, embora deva ser racionalizado e reformado, não deverá ser extinto de sopetão, como aquelas instituições pretendem, e com perdas brutais de direitos sociais pelos portugueses, que já são o povo da Europa onde as desigualdades sociais mais se fazem sentir e a pobreza tem alastrado.
- Estando os portugueses sobrecarregados com impostos, que mata qualquer energia criadora, também não identificam por parte das entidades oficiais qualquer luz ao fundo do túnel que os faça pensar que a economia vai crescer, a riqueza vai aumentar e a distribuição dos recursos pela sociedade pode conhecer uma inflexão que permita, a curto prazo, melhorar a qualidade de vida das pessoas, das famílias e das empresas.
-Antes pelo contrário, o relatório do BdP diz que o crescimento do PIB será abaixo do estimado pelo Gov e, essa circunstância, não augura nada de bom nos próximos tempos entre nós.
- Por último, gostaria de sublinhar que esta fecunda reflexão de Gustavo Cardoso é, pode ser, um marco na forma como os portugueses pensam a política em Portugal. Dela poderá nascer situações imprevistas, não necessáriamente negativas, mas ideias, projectos, movimentos que podem representar uma verdadeira mudança social e política em Portugal.
- Se for assim, esta reflexão, juntamente com outras, poderá alimentar o detonador social em Portugal que já não apenas reclama a mudança, mas que é também capaz de a saber fazer, ainda que seja problemática e dolorosa.
- Estando os portugueses sobrecarregados com impostos, que mata qualquer energia criadora, também não identificam por parte das entidades oficiais qualquer luz ao fundo do túnel que os faça pensar que a economia vai crescer, a riqueza vai aumentar e a distribuição dos recursos pela sociedade pode conhecer uma inflexão que permita, a curto prazo, melhorar a qualidade de vida das pessoas, das famílias e das empresas.
-Antes pelo contrário, o relatório do BdP diz que o crescimento do PIB será abaixo do estimado pelo Gov e, essa circunstância, não augura nada de bom nos próximos tempos entre nós.
- Por último, gostaria de sublinhar que esta fecunda reflexão de Gustavo Cardoso é, pode ser, um marco na forma como os portugueses pensam a política em Portugal. Dela poderá nascer situações imprevistas, não necessáriamente negativas, mas ideias, projectos, movimentos que podem representar uma verdadeira mudança social e política em Portugal.
- Se for assim, esta reflexão, juntamente com outras, poderá alimentar o detonador social em Portugal que já não apenas reclama a mudança, mas que é também capaz de a saber fazer, ainda que seja problemática e dolorosa.
Etiquetas: Esperança - por Gustavo Cardoso -, Medo, Raiva
O Medo trazido para a sociedade portuguesa pelo "jovem mais velho" de Portugal: Passos coelho
Talvez nunca nenhum outro político no Portugal pós-25 de Abril, como Passos coelho, trouxe tanto empobrecimento, miséria e medo para a sociedade portuguesa como o actual PM.
Vivemos, por isso, na época dos medos múltiplos, piores que os medos do passado, já que estes questionam os fundamentos de tudo, da economia, da família e da própria nação - enquanto entidade colectiva que deveria sobreviver com um projecto nacional autónomo e soberano dos demais países. Com a agravante de sermos enxovalhados diáriamente pela pressão exterior presente na Troika, que nos diz que impostos o Estado deve tributar aos seus concidadãos. Qualquer dia pedem-nos as nossas mulheres, como penhor dessa incerteza.
Pois, Passos coelho foi muito além da Troika para aumentar os impostos e esbulhar os portugueses, ficando-lhes com boa parte dos salários, dos subsídios, aumentando a generalidade dos impostos, sem que daí resulte a mais leve certeza de que esse esforço não será em vão. Pondo funcionários públicos contra funcionários privados, num sectarismo perigoso, apesar daqueles terem um índice de escolaridade muito superior, e atrofiando a economia - que sem acesso ao crédito tende a morrer neste estertor do tempo que passa. Ilustra-o o aumento das falências das PMEs e, consequentemente, da taxa de desemprego em Portugal - que já ronda os 700 mil desempregados. E atingirá 1 milhão dentro de um ano ou dois.
Contudo, Coelho sabe que, em tese, ainda terá mais 3 anos para governar, por isso terá de impôr aos tugas os maiores sacrifícios neste arranque da legislatura para depois poder repor algum poder de compra, restituir alguns dos restos que esbulhou às populações e devolver a dignidade perdida às pessoas e às empresas. Coelho, no fundo, além das pressões europeias e das imposições da troika, está a gerir o seu próprio calendário com um calculismo político florentino, mesmo que isso implique o maior ciclo de subdesenvolvimento, empobrecimento e miséria desde 1974 em Portugal. Coelho fala, fala, fala, ainda é mais "picareta-falante" do que Guterres, como um dia Vasco Pulido Valente o cunhou, mas a sua herança será pesada. Será a herança do medo difuso e concreto, dos impostos que convertem o Estado na figura do Estado-ladrão e de má fé e relapso a pagar as suas dívidas aos seus credores e fornecedores - que quase convida as populações à evasão fiscal, não porque sejam criminosos, mas por uma questão de sobrevivência, pois inúmeras micro e PMEs já não aguentam manter-se sem acesso ao crédito.
Pois grande parte dos activos disponíveis no sistema bancário foi consumido pelo próprio Estado, nada ficando para estruturar programas de incentivos à economia. Neste sentido, o actual PM não só está a destruir a economia nacional através deste tratamento de choque, como também fragiliza a identidade duma nação, dum povo quase milenar - hoje agrilhoada por forças e instituições financeiras exteriores - que nos ditam o que devemos ou não fazer, como e quando.
É como se fôssemos bé-bés velhos em busca duma liberdade que está ausente porque alguém nas últimas décadas hipotecou o futuro das próximas gerações, o que deveria ser tipificado como crime. Mas mesmo que o fosse plasmado nos códigos de pouco adiantaria, já que o maior cancro em Portugal tem nome: a justiça - que não julga, é cara, lenta e profundamente incompetente.
É em suma esta sociologia do medo, da incerteza e da insegurança que configura o breve mas penoso legado do jovem mais velho que conduziu Portugal ao abismo em que estamos sem, com isso, ilibar os responsáveis que nos governos precedentes conduziram ao avolumar desta tragédia nacional.
Adenda:
O ministro da Economia, o Álvaro é o ministro do desemprego (in Expresso).
Etiquetas: Medo, Pedro Passos Coelho, Tragédia nacional





