quarta-feira

O silêncio comprometedor do alegado Presidente da República: a tragédia nacional


Como é que a principal figura política do país, que ocupa o vértice do aparelho de Estado, pode estar calado perante um dos principais escândalos que afectam a dignidade do Estado, as suas instituições e o seu funcionamento que ele, precisamente "ele", o sr. Silva, deveria saber representar e dignificar?!

Pois trata-se de um escândalo de corrupção altamente organizada que envolve, pelo menos, três ministérios: A Administração Interna, a Justiça e o Ambiente, ao que se sabe até ao momento...

Por outro lado, um escândalo que visava inflacionar os valores dos imóveis de luxo nacionais vendidos essencialmente a chineses e angolanos, países com quem temos relações histórias, de natureza secular, pode até criar problemas de imagem externa (até perante a União Europeia, onde temos responsabilidades), ainda que se tratem de países não-democráticos - China e Angola - e com níveis de corrupção consideráveis, ainda que com métodos diferenciados de estado paralelo e de obediência cega a uma ideologia, ao partido e à sua liderança. 

Cavaco - ao não mexer uma palha sobre o tema dos vistos GOLD, ao não tomar uma única posição pública sobre o assunto, ainda que de orientação geral, pois não pode interferir com o andamento concreto das investigações por observação ao princípio da separação de poderes, está a denegar a realidade e, por essa via, a fazer o joguinho sujo de um Governo (que suporta constitucionalmente) que se está a partir aos bocados na praça pública sem que o PR, de acordo com a CRP, faça algo para proteger a dignidade do Estado de que é, ou deveria ser, o guardião. 

Ora, a dinâmica política em Portugal, que tem protagonistas e caracterizações, encenações, artifícios e adereços, não pode redundar num simples espectáculo de teatro encenado apenas para transmitir mensagens úteis (de sobrevivência políticas) aos seus espectadores, como tem feito Paulo Portas, o "pai e a mãe" do diploma que viabilizou os vistos dourados e que tem sido, ab initio, um fartar de vilanagem - feito de negócios e de negociatas totalmente controlados - directa ou indirectamente - pelas pessoas ligadas ao cds no Governo, e que estão colocadas em postos-chave da alta administração cujo fito era facilitar a operacionalização dos esquemas de corrupção da venda inflacionada de imóveis de luxo, designadamente na zona da grande Lisboa, e consequente distribuição de luvas por parte dos "agentes e operadores" corruptos (activos e passivos), devidamente autorizados para o efeito

Naturalmente que membros destacados do PSD estariam também a par de tudo. Pois ninguém se demite de ministro (ainda por cima duma pasta bem informada e sensível como a da AI - em que se tem relatórios sobre tudo e todos, até sobre as estátuas a urinar nas praças mais recônditas de Lisboa) sem saber que algo mais está podre no reino da Dinamarca... E Miguel Macedo, quer pela sua experiência e trajectória política, quer pelas ligações dangereuses que tem neste caso (de amizade e de âmbito societário!!!), quer ainda pela estreita proximidade com o cds - tomou a decisão que tomou pensando na sua própria sobrevivência política a prazo, e não por qualquer outra razão, como tem sido erradamente alegado. 

Daqui decorre uma conclusão simples: a evolução política nacional caminha para uma tragédia, uma tragédia real, e não uma ficção ou encenação em linha com os discursos e as escapatórias habituais do dr. Portas, o grande responsável político por este caso gritante de corrupção em Portugal. Pelo menos hoje já se sabe para que têm servido tantas viagem ao Oriente, pagas pelo erário público, e quais têm sido os seus resultados em Portugal!!!

Por último, convém fazer uma distinção importante, quiça ainda confusa nas "cabeças brilhantes" que têm conduzido este miserável Portugal para a decadência e a falência multiorgânica, nesta antecâmara da morte em que Portugal se encontra. É que ao invés das tragédias de teatro/encenadas - em que os actores não podem desviar-se da trajectória do argumento que foi definido pelo seu autor/guionista, nas tragédias reais, aquelas tramas têm sido tecidas por Portas, Passos, Cavaco e tutti quanti, são os próprios protagonistas que se conduzem até à fatalidade, arrastando consigo um povo inteiro. Aqui, ao contrário das tragédias ficcionadas, não existe a inevitabilidade imposta pelo dramaturgo, pelo que as posições de silêncio cirúrgico a que se reservam Portas, cavaco e Passos são escolhas políticas pessoais determinadas pela função de representação que têm no presente e desejam projectar no futuro. 

Ou seja, estão a tratar da sua vidinha, e não da do Portugal que deveriam saber representar com elevação. Eis a metáfora patente na imagem supra - do Palácio pró Convento..., como que a ilustrar uma certa loucura, paga pelo Zé Povinho!!!

Tudo aqui concorre - pelos ingrediente perigosos com que a República se depara - para uma tragédia sui generis, v.q., nem sempre nas tragédias são os seus timoneiros que morrem diante do povo, mas é antes, perversamente, o povo que é soterrado diante dos verdadeiros falsários que conduziram a este desfecho. 

Ante isto, resta perguntar ao povo português o que prefere: ser enterrado vivo pelos que alegadamente representam a República, ou, desejavelmente, enterrar os falsários do regime para salvar o povo e restaurar a República!?

Creio que a resposta é óbvia. 

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sábado

A Tragédia de Portugal assenta na dimensão do figurante


Alguns analistas têm defendido que Portugal testemunha e enfrenta uma tragédia. Ela encerra uma dimensão política, mas os seus efeitos são essencialmente financeiros, económicos e, claro, socialmente devastadores. As pessoas nunca são números, apesar de serem tratados como tais. 

- A tragédia de Portugal, cuja devastação social está à vista (as PMEs foram destruídas, a taxa de desemprego é brutal, a emigração assumiu a dimensão da década de 60/70, com a agravante de se tratar de pessoal qualificado em que o país investiu), excepto para os mercados-agiotas para quem Passos Coelho e o XIX Governo trabalha - decorre do conflito que envolve aquele personagem (ou melhor, figurante) - dado que nunca sabe nada, nem decide o que quer que seja - e o poder e a instituição que supostamente representa: o Executivo. 
- Sucede, porém, que o Executivo nada vale de per se, o poder pelo poder é igual ao vazio. Ele só encontra justificação na sua finalidade social, i.é., deve comportar uma estratégia, uma ideia definidora para Portugal, um desígnio. 
- Tudo conceitos que Passos Coelho desconhece e nem sequer utiliza na sua gramática política, de tão pobre que é com aquele seu linguajar de "economês": desonerar, desalavancar, cap -  entre outros termos que podem ser verificados na lamentável entrevista que deu ao seu novel assessor de imprensa, José Gomes Ferreira, o clone da Gomes Teixeira destacado na estação de Carnaxide do dr. Balsemão, o sócio fundador n. XX do PSD.
- Esse conflito nasce porque entre o personagem, perdão, o figurante e a falta de destino (ou projecto de sociedade independente da troika) para Portugal, pura e simplesmente, não existe, o que gera um fosso grave entre o Estado e os cidadãos, os governantes e os governados. E ao não existir uma bússola tudo é possível, até os maiores níveis de incongruência, incompetência, desnorte... 
- Não porque a pessoa do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, seja má, apostada com o diabo ou animada por uma má fé visando destruir Portugal e os portugueses, mas, simplesmente, porque o visado é, por paradoxal que pareça, a pessoa mais impreparada do mundo para a exigente missão de ser PM em Portugal nesta fase da história da Europa e da conjuntura mundial. 
- Ou seja, a Tragédia entre nós decorre da terrível circunstância de que entre o figurante (Passos) e a sociedade portuguesa - não existe um projecto social e desenvolvimentista, um desígnio, uma energia mobilizadora e uma esperança que motive os portugueses para construir algo colectivamente que nos transcenda enquanto povo. 
- E é esse vazio que explica o sentido trágico de Passos Coelho na vida do país e dos portugueses. Com ele - e por ele - estamos todos a ir ao fundo. E por uma qualquer energia  negativa, quiçá modelada por quase meio século de ditadura conservadora, que nos formatou na lógica e na psicose do MEDO, o povo encontra-se com MEDO, está paralisado, circunstância que o impede de resistir e, no limite, de reagir e desencadear uma mobilização social verdadeiramente nacional - capaz de produzir uma alteração geral de circunstâncias, ou seja, de fazer uma nova Revolução. Uma nova revolução em nome dum novo modelo de desenvolvimento e de coesão social, em ordem a corrigir os múltiplos desvios, erros e abusos de Abril de 1974 - até  ao momento. Isto implica construir uma nova Utopia, naturalmente. 
- Qualquer tragédia, por regra, contempla heróis, deuses e reis e é narrada com uma linguagem estruturada, cujas asserções façam sentido e não a verborreia debitada naquela entrevista do figurante à Sic que, vista à lupa, é uma sucessão de mentiras seguida duma catadupa de esbulhos ao povo português. A tal austeridade que é para manter e agradar aos mercados. Aliás, os dois artigos infra, quer o de Pedro Adão e Silva, quer o de Nicolau Santos - ambos no Expresso - demonstram essa terrível debilidade à saciedade. 
- Em face do exposto, urge sublinhar que o actual primeiro-ministro nem sequer teria lugar de secretário de Estado num governo de Salazar. Jamais teria qualidade técnico-política para o integrar; tratando-se duma democracia, o seu papel dificilmente iria além do de secretário de Estado da Juventude, por ser um lugar eminentemente politizado, em linha com a sua condição de "jotinha", que foi o que sempre fez na vida, excepto o intervalo em que trabalhou com o seu "padrinho político", Ângelo Correia, do qual se afastou e depois se incompatibilizou. 
- Portanto, a tragédia de Passos Coelho, ou melhor, a tragédia nacional assenta no facto de não termos destino. Somos, assim, uma espécie de projecto sem qualquer finalidade social, e o desiderato invocado consiste, tão somente, em atingir o nível de défice ZERO (imposto de fora). É isso que os portugueses vão comer e servirá de base para pagarem as suas contas, educar os seus filhos, etc...
- Em suma: o figurante Passos converteu-se no Penteu - um personagem aparentemente "elevado", um grilo-falante, que supostamente tem motivos nobres em relação ao seu país, mas, de facto, carrega consigo o peso da sua impreparação e incompetência, agravada com as suas ideias tão medíocres quanto perigosas para a economia e a sociedade, e é isso que faz dele um homem tão perigoso quanto imprevisível. É, pois, dessa tragédia que os 10 milhões de portugueses (8, actualmente) se devem ver livres o mais urgentemente possível, sob pena de nos aguardar aquela terra prometida...
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sexta-feira

A partida de Fernando Tordo representa a decadência de um sistema, a pobreza de um povo, a desesperança..

Pouco importa se a partida de Tordo é direita ou de esquerda, ou mesmo do centro; ela representa, seguramente, a falência de um sistema de regras que assegura uma democracia (representativa) que não garantiu o prometido - 4 décadas após a revolução dos Cravos. Não obstante termos a democracia (possível), a liberdade (coarctada) e a justiça (lenta, cara e cega) neste canto da Europa - dirigida pelo directório unipessoal de origem germânica. 

Democracia, liberdade e justiça ainda não rimam com coesão social, crescimento e desenvolvimento - os conceitos de sempre que decidem se uma nação está ou não no rumo certo. 

Por isso, é duma profunda amargura verificar que até a geração grisalha - que já deveria estar a reformar-se com qualidade de vida e de bem-estar (virada para o lazer e a companhia dos netos), ser compelida a emigrar em busca de melhores condições socioeconómicas. 

Os partidos do arco da governação, os patrões, os sindicatos, o conjunto das forças sociais terão de entender-se quanto a um novo modelo de desenvolvimento social e económico, porque este, volvidos 4 décadas de Abril - não atingiu as metas desenvolvimentistas que desejávamos. 

Esta não é uma constatação de direita ou de esquerda, é uma verificação trágica do ponto em que nos encontramos, ou seja, de empobrecimento estrutural do povo português (e também do seu tecido económico) - que vive hoje a maior desesperança desde o pós-II Guerra Mundial. 

Será isto aceitável no 1º quartel do séc. XXI ?!


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quarta-feira

O Medo trazido para a sociedade portuguesa pelo "jovem mais velho" de Portugal: Passos coelho

Talvez nunca nenhum outro político no Portugal pós-25 de Abril, como Passos coelho, trouxe tanto empobrecimento, miséria e medo para a sociedade portuguesa como o actual PM.
Vivemos, por isso, na época dos medos múltiplos, piores que os medos do passado, já que estes questionam os fundamentos de tudo, da economia, da família e da própria nação - enquanto entidade colectiva que deveria sobreviver com um projecto nacional autónomo e soberano dos demais países. Com a agravante de sermos enxovalhados diáriamente pela pressão exterior presente na Troika, que nos diz que impostos o Estado deve tributar aos seus concidadãos. Qualquer dia pedem-nos as nossas mulheres, como penhor dessa incerteza.
Pois, Passos coelho foi muito além da Troika para aumentar os impostos e esbulhar os portugueses, ficando-lhes com boa parte dos salários, dos subsídios, aumentando a generalidade dos impostos, sem que daí resulte a mais leve certeza de que esse esforço não será em vão. Pondo funcionários públicos contra funcionários privados, num sectarismo perigoso, apesar daqueles terem um índice de escolaridade muito superior, e atrofiando a economia - que sem acesso ao crédito tende a morrer neste estertor do tempo que passa. Ilustra-o o aumento das falências das PMEs e, consequentemente, da taxa de desemprego em Portugal - que já ronda os 700 mil desempregados. E atingirá 1 milhão dentro de um ano ou dois.
Contudo, Coelho sabe que, em tese, ainda terá mais 3 anos para governar, por isso terá de impôr aos tugas os maiores sacrifícios neste arranque da legislatura para depois poder repor algum poder de compra, restituir alguns dos restos que esbulhou às populações e devolver a dignidade perdida às pessoas e às empresas. Coelho, no fundo, além das pressões europeias e das imposições da troika, está a gerir o seu próprio calendário com um calculismo político florentino, mesmo que isso implique o maior ciclo de subdesenvolvimento, empobrecimento e miséria desde 1974 em Portugal.
Coelho fala, fala, fala, ainda é mais "picareta-falante" do que Guterres, como um dia Vasco Pulido Valente o cunhou, mas a sua herança será pesada. Será a herança do medo difuso e concreto, dos impostos que convertem o Estado na figura do Estado-ladrão e de má fé e relapso a pagar as suas dívidas aos seus credores e fornecedores - que quase convida as populações à evasão fiscal, não porque sejam criminosos, mas por uma questão de sobrevivência, pois inúmeras micro e PMEs já não aguentam manter-se sem acesso ao crédito.
Pois grande parte dos activos disponíveis no sistema bancário foi consumido pelo próprio Estado, nada ficando para estruturar programas de incentivos à economia. Neste sentido, o actual PM não só está a destruir a economia nacional através deste tratamento de choque, como também fragiliza a identidade duma nação, dum povo quase milenar - hoje agrilhoada por forças e instituições financeiras exteriores - que nos ditam o que devemos ou não fazer, como e quando.
É como se fôssemos bé-bés velhos em busca duma liberdade que está ausente porque alguém nas últimas décadas hipotecou o futuro das próximas gerações, o que deveria ser tipificado como crime. Mas mesmo que o fosse plasmado nos códigos de pouco adiantaria, já que o maior cancro em Portugal tem nome: a justiça - que não julga, é cara, lenta e profundamente incompetente.
É em suma esta sociologia do medo, da incerteza e da insegurança que configura o breve mas penoso legado do jovem mais velho que conduziu Portugal ao abismo em que estamos sem, com isso, ilibar os responsáveis que nos governos precedentes conduziram ao avolumar desta tragédia nacional.
Adenda:
O ministro da Economia, o Álvaro é o ministro do desemprego (in Expresso).

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