terça-feira

António Costa, Diogo Lacerda e a mulher de César...





Narrativas de César
- Conhecendo como conhece as regras e os procedimentos concursais na Administracao Pública António Costa revela, no caso da nomeação do amigo Diogo Lacerda para representar o Estado em seu nome, que ou estava distraído, ficou ingénuo ou pensava que este "elefante" no meio da sala passaria despercebido pelos intervalos da chuva. Este será, porventura, o efeito colateral das bofetadas que "o outro" queria dar aos outros...

- É precisamente por Diogo Lacerda ser um amigo próximo do PM que esta relação deveria ter sido escrutinada pela CReSAP, nem que fosse para "inglês ver", pois cv não falta ao visado, e dizer à mulher de César que não basta sê-lo, tem de o parecer. 
- Além de que Lacerda integra uma soc. de Advogados que representa interesses chineses e pode, por essa via, incorrer em incompatibilidades entre os interesses públicos e privados que terão de ser acautelados em negociações futuras, seja no âmbito da TAP, do BPI ou no âmbito dos lesados do ex-BES.
- Por outro lado, trabalhar pro bono, é algo em que os portugueses absolutamente não acreditam, mesmo quando se trata daquelas missões de cooperação para o desenvolvimento em África, em que os missionários da Católica se empenham muito, anos mais tarde são os mesmos que ocupam lugares de responsabilidade à frente de instituições da banca, da universidade e do meio empresarial. Foi o resultado do pro bono...
- Sendo da transparência que se trata, não se compreende a razão pela qual o experiente António Costa caiu na sua própria casca de banana, com a agravante de parecer ter no seu seio um conjunto de assessores que não tiveram a modesta sabedoria de o alertar para esse perigo manifesto. 
- De facto, um PM tem imenso com que se preocupar, é também para isso que tem assessores cuja função é dizerem a verdade e o alertem para os perigos de decisões mais apressadas que podem fazer perigar o interesse público, mas para isso é preciso que os assessores não sejam assessores de cacique, que além de não terem a preparação e o conhecimento dos processos de tomadas de decisão públicos são, em inúmeros casos, meros yes man que dizem ao Príncipe aquilo que ele deseja ouvir. 
- Uma circunstância que acaba por trazer embaraços e custos políticos redobrados ao próprio PM, embaraços e custos esses que não foram atenuados ou eliminados pela equipa de assessores que o rodeia. 

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sexta-feira

Uma imagem que vale um governo novo, o resto é passado


FRACTURA EXPOSTA: uma imagem que espelha bem as duas dimensões do tempo - o passado (cavaco) e o futuro - representado na pessoa do novo PM, António Costa. Esta imagem vale bem um Governo.
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 Cavaco e Costa: fratura exposta


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domingo

A perfídia analítica de Marcelo

Nota prévia: Sob aparente neutralidade analítica, Marcelo desloca-se ao Seixal para tentar fazer o pleno, e arrebatar mais alguns votinhos para a sua ainda não confessada candidatura a Belém. Para isso, o comentador da linha do Estoril ou da Costa do Sol, que sempre foi um elemento elitista na sociedade portuguesa (antes e depois de 1974!!), tenta disfarçar a sua origem a fim de, oportunisticamente, se plebeizar e, assim, de forma dissimulada, procurar entrar no conservador eleitorado comunista e potenciar a força da sua proto-candidatura. 
- O comentador diz ainda que Costa está refém da vontade de Sócrates (para as eleições legislativas), recém-saído da cadeia de Évora. Pode haver alguma verdade nesta perigosa associação, mas também não deixará de ter (algum) fundamento, ainda que a natureza e a lógica da eleição presidencial seja unipessoal e distinta das eleições legislativas, que Marcelo esteja igualmente refém da vontade do PSD e, em especial, de Passos Coelho - que prefere Rui Rio àquele. 
- Veremos, no final, e também no decurso da luta eleitoral que se avizinha, quem está mais dependente de quem e que resultados irão ser alcançados pelos principais candidatos. 
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Reinaldo Rodrigues/Global Imagens
Marcelo diz que campanha de Costa "está nas mãos" de Sócrates
Marcelo rebelo de Sousa
Em visita à 39.ª Festa do "Avante!", no Seixal, o jurista dividiu a sua análise sobre a recente decisão relativa ao processo judicial que envolve o antigo primeiro-ministro socialista entre a "decisão judicial" e a sua "repercussão política", confessando ter tido "forte convicção" de que o juiz decidisse "um bocadinho mais cedo", "não em cima da campanha e dos debates", como aconteceu.
"Do ponto de vista político, vai depender de muita coisa, de haver acusação até às eleições ou não. Se houver, é evidente que o teor da acusação vai estar na cabeça dos portugueses", disse, simplificando depois: "se ele disser qualquer que tem a ver com a campanha imediatamente passa a ser um assunto de campanha. Está nas mãos de José Sócrates facilitar ou dificultar vida de António Costa".
Marcelo Rebelo de Sousa elogiou a postura dos atuais secretário-gerais de PS e PCP, respetivamente António Costa e Jerónimo de Sousa, por terem afirmado que não vão misturar política com justiça, tal como a coligação PSD/CDS-PP.
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quarta-feira

UM CASO PERDIDO. Por Luís Meneses leitão -


Syntagma (link)

Ao contrário do que sucedia no tempo de António José Seguro, em que era seguro que o PS iria ganhar as próximas eleições legislativas, hoje, com António Costa, todas as apostas são possíveis em relação ao próximo resultado eleitoral. A explicação para isso é simples. Seguro tinha tido o cuidado elementar de romper com o passado de Sócrates, enquanto que Costa assumiu, quando se candidatou,  querer reabilitar esse passado. Foi esse o objectivo principal da sua candidatura, e daí o apoio total dos socráticos do PS, que Costa fez questão de voltar a chamar, mal assumiu o cargo. Hoje parece evidente que a candidatura de Costa no PS era especialmente uma forma de lançar Sócrates para Belém, o que os socráticos sabiam que com Seguro seria completamente impossível.

A prisão de Sócrates destruiu essa estratégia e António Costa, embora esteja rodeado de socráticos, fez questão de isolar o PS do processo em que Sócrates estava envolvido. Apesar de se ter declarado amigo de Sócrates, só foi a Évora no último dia do ano e ainda hoje não lá voltou, enquanto que Mário Soares tem lá ido constantemente. O problema é que se Costa não vai a Évora, Évora tem vindo constantemente ter com ele, com as sucessivas comunicações que Sócrates faz sair, uma delas um ataque pessoal duríssimo a Passos Coelho, e que eclipsam completamente as frouxas declarações políticas de Costa. Por outro lado, o facto de o processo de Sócrates estar a decorrer nesta altura e envolver situações relativas ao período em que Sócrates foi primeiro-ministro é completamente mortal para quem queira precisamente elogiar o governo anterior e criticar o governo que se lhe seguiu. Terá sempre a resposta que Passos insinuou quando foi criticado pelas suas falhas na relação com a segurança social.

A estratégia de Costa para resposta a este problema complexo foi totalmente infantil. Resolveu atrasar o relógio vinte anos para os eleitores se esquecerem do governo de Sócrates e pensarem que vamos voltar aos governos de Cavaco Silva. Só que Cavaco Silva saiu em 1995, e grande parte dos eleitores, ou não tinha nascido, ou não se lembra nada desse tempo. Por muito que António Costa queira, não é António Guterres a querer substituir Cavaco Silva. É António Costa a querer substituir Passos Coelho, que foi para o governo devido ao desastre que foi o governo de Sócrates, que António Costa defendeu até ao último minuto em que esteve no poder e que queria voltar a defender hoje.

A única hipótese de o PS ganhar as eleições era romper com o passado e apresentar um conjunto de rostos completamente desconhecidos do eleitorado. António Costa foi buscar velhos rostos e acha que está a regressar ao combate político de há vinte anos. António Costa é um caso perdido, e vai arrastar o PS com ele. 
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Obs: Será mesmo assim?! para já, PSD mais CDS ainda não batem o PS, de acordo com as sondagens conhecidas. Seja como for, medite-se nos argumentos do articulista cuja virtualidade é fazer pensar no estado da arte actual do PS e da sua liderança.
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quinta-feira

António Costa ficou refém do seu próprio destino


Quando António Costa resgatou o PS a António José Seguro muito boa gente, dentro e fora do PS, à esquerda e à direita, e até ao centro, pensou que ele se iria desvincular da CML - resignando ao cargo a fim de libertar tempo, concentração e recursos para se dedicar exclusivamente à intensa tarefa de preparar um Programa de Governo Alternativo à actual situação, que é uma miséria, e, desse modo, preparar o caminho para a vitória nas legislativas. 

Mas não foi isso que aconteceu: Costa continuou na CML, embrulhado que está em propostas e discussões que só o desgastam politicamente. A exorbitância da taxa da água é um absurdo, procurar isentar o SLB de taxas devidas foi outro absurdo ainda maior, pela desigualdade social que criaria, e não dispor ainda de um Programa de Governo com base no qual dê ideias, projectos e esperança à sociedade - fazem de António Costa alguém que ficou refém dele próprio e do seu destino. 

E o mais paradoxal desta situação auto-paralisante, é que ela decorre duma opção política e pessoal após, precisamente, ter resgatado o PS a Seguro, que se considerava não estar à altura dos desafios do país e do embate com o Governo, especialmente no âmbito dos debates parlamentares, onde também não tinha uma equipa sólida e coesa. Pois a que estava foi a herdada ao tempo de Sócrates. 

A demonstração de que António Costa ficou refém de si próprio é que, hoje, por ter afirmado um conjunto de verdades banais acerca do Investimento Directo Estrangeiro (chinês e falando para empresários) em Portugal, e porque não disse - de imediato - que isso não tirou o país do abismo em que ele (ainda) se encontra, foi imediatamente metido num colete-de-forças pela rapaziada do Portas, que está habituada a fazer manchetes e a queimar pessoas, projectos e intenções - à semelhança do que acontecera ao tempo em que Paulo Portas era o director do Indy - em que, semanalmente, tinha processos em tribunal por difamar pessoas, a maior parte delas ligadas ao cavaquismo - com quem hoje, Portas, ironicamente se dá.

Numa palavra: Costa deve concentrar os seus recursos e esforços nas legislativas, o que o levará a afastar-se cada vez mais dos assuntos e problemas da autarquia, que hoje lhe vão minando o caminho. Deverá ainda rodear-se duma equipa de assessores com mais cosmovisão e experiência de vida, de molde a preparar melhor as ideias e as mensagens a serem transmitidas em público. 

Todos nos recordamos do que um dia Manuela Ferreira Leite disse no American Club, diante empresários e homens de negócios influentes em todo o mundo (suspender a democracia por seis meses e governar em ditadura, fazendo assim todas as reformas que Portugal precisaria). Com isto não quero comparar A. Costa a uma versão cavaquista de saias, o que pretendo sublinhar é que o edil da capital terá de redefinir alguns aspectos da sua vida pública e da sua agenda política e, por extensão, terá também de ter mais tempo para si a fim de pensar mais e melhor nas mensagens que pretende transmitir à sociedade portuguesa. 

Continuando a querer fazer bem a duas coisas ao mesmo tempo, nos Passos do Concelho e no Largo do Rato, o resultado que se afigura previsível será mais do mesmo, e isso será dar o ouro ao bandido e reforçar a possibilidade de a coligação contra-natura cds-psd reganhar terreno e anular a diferença que hoje a separa do PS. 

De facto, o caminho está aberto para António Costa, mas ele terá também que saber que se trata dum caminho repleto de espinhos. 

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quarta-feira

António Costa está a errar o alvo e a desgastar-se politicamente dialogando com o Vice-Pantomineiro, Portas

UM ERRO DE CÁLCULO E DE PERSPECTIVA. O ERRO DA MOSCA.

Imagem picada no rizoma

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Costa desafia Portas: Quanto cobra o Governo por passageiro e por dormidas em Lisboa?



Candidato socialista a primeiro-ministro convida vice-primeiro-ministro a esclarecer quanto cobram os organismos governamentais por passageiro que desembarque em Lisboa e qual a receita de IVA com dormidas na capital.


O candidato socialista a primeiro-ministro, António Costa, desafiou hoje o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, a esclarecer quanto cobram os organismos governamentais por passageiro que desembarque em Lisboa e qual a receita do Estado com dormidas na capital.
Estas questões foram colocadas pelo presidente da Câmara de Lisboa numa nota enviada à agência Lusa, depois de o líder do CDS e vice-primeiro-ministro ter criticado as novas taxas turísticas de Lisboa, considerando que é arriscar matar a atual "galinha dos ovos de ouro" do crescimento da economia, que é o setor do turismo.(..)


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Obs: Alguém deverá sugerir e relembrar ao dr. António Costa que ele é candidato a PM e não candidato a substituir o dirigente do partido do táxi - actualmente a servir de muleta ao Governo - para evitar que este caia de maduro.
Este erro de perspectiva só desgasta politicamente o candidato socialista a PM, o que revela aquilo que o próprio AC ainda não quis reconhecer, certamente por capricho: é que é impossível fazer as duas coisas eficientemente, ou seja, ser um autarca em full-time e desempenhar cabalmente essa função; e ser igualmente eficiente no desempenho do papel de candidato a PM. Ao sobrepor as duas funções, agasta-se perante ambos os eleitorados: o alfacinha e o do país.

Por outro lado, os lisboetas, e os portugueses em geral, dado que AC hoje tem como interlocutor os dois eleitorados, sabem que o campeão dos impostos é o Governo e não a autarquia de Lisboa, pelo que é verdadeiramente gratuita e desnecessária (senão ridícula!!!) a luta para que AC está sendo arrastado (fomentada também por si), sem que ele percebe que se encaminha para um muro de aço laminado que o leva para um tanque de álcool.

Por vezes até os homens politicamente sagazes cometem o erro da mosca: esta sabe que quer transpor o vidro para se encaminhar para o outro lado da janela, mas como não consegue passar pela fresta da mesma - volta a chocar no vidro que a impede de aceder à desejada liberdade!!!

Repte a operação até que alguém a mate. 

Gostaria que AC não tivesse o destino da mosca, muito menos por um Vice-pantomineiro que nenhuma legitimidade política tem para estar no Governo, pois que se saiba não ganhou nenhuma eleição, e só lá está porque o CDS tem um papel específico no sistema político português: ser a meretriz de luxo que entra ao serviço sempre que o PSD ou o PS não conseguem obter junto do eleitorado a desejada maioria absoluta!!
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sexta-feira

A ironia política de António Costa no Parlamento

NARRATIVAS COM EFEITOS DIFERIDOS NO TEMPO:


Costa compromete-se a reembolsar sobretaxa do IRS

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Costa diz que OE resulta de um "governo esgotado"



Estas posições foram assumidas por António Costa no final de uma reunião de três horas e meia, na Assembleia da República, com um conjunto de 17 economistas, alguns deles ex-membros de governos de António Guterres e de José Sócrates.
"Este Orçamento não tem qualquer sinal de inversão da política económica, sendo o último de um Governo esgotado e sem soluções. Este Orçamento não revela qualquer arrependimento do fanatismo orçamental, mas tão só um fracasso da estratégia orçamental", declarou o presidente da Câmara de Lisboa, expondo as razões que levam o PS a votar contra a proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2015, na generalidade.
De acordo com o candidato socialista a primeiro-ministro, a decisão do Governo de aumentar o défice de 2,5 para 2,7 por cento em 2015 "não se traduz num aumento do investimento produtivo, num reforço do apoio social às famílias, ou num aumento da justiça fiscal, mas resulta simplesmente da incapacidade do Governo em gerir bem as finanças públicas".
"Assistimos a um novo corte no investimento público, a um corte brutal na educação e nas prestações sociais, sendo estabelecido um teto às despesas sociais substitutivas dos rendimentos do trabalho - prestações que apoiam as pessoas mais carenciadas. Este é o décimo segundo ou décimo terceiro orçamento deste Governo e é mais um igual aos anteriores. Para haver novas soluções, é preciso um novo Governo", disse, tendo a seu lado o presidente da bancada socialista, Ferro Rodrigues.
Na reunião com António Costa e Ferro Rodrigues, estiveram presentes cerca de 30 especialistas na área da economia, entre as quais o ex-ministro das Finanças Campos e Cunha, Brandão Brito, Eduardo Paz Ferreira, Freire de Sousa, João Leão, Luís Nazaré, Manuel Caldeira Cabral, Pedro Lains e Ricardo Cabral.

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Obs: Com efeito, trata-se dum OE/2015 que atinge os funcionários públicos e espelha um brutal desinvestimento na Educação e continua a seguir uma linha de rumo austeritária, ainda mais fanática do que a praticada pela troika, e que depois foi reconhecida como errada pelo FMI. 

Temos, pois, um PM obsessivo que demonstra nada aprender com os seus próprios erros penalizando, mais uma vez, uma nação inteira e adiando o seu futuro. 

Pergunta-se, onde está Belém e qual a finalidade do juramento solene de Cavaco!!

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quarta-feira

Racismo e preconceito – por Carlos de Matos Gomes

A eleição que a direcção do Partido Socialista entendeu levar a cabo para escolher o seu candidato a primeiro-ministro teve um efeito colateral:fez estalar o fino verniz que cobre o racismo de muito boa gente com quem nos cruzamos nas ruas, nos ecrãs de televisão e nas colunas dos jornais. De gente que nos dá conselhos sobre o défice, o sistema político, a forma de sermos felizes. Isto a propósito da cor da pele de António Costa. link

A propósito desse assunto, que eu julgava fazer parte das seções de tratamentos de beleza das revistas de cabeleireiros e barbeiros, li e ouvi de tudo, não só de idiotas assumidos e reconhecidos, mas de gente que julgava imune a essa doença. E o mais surpreendente foi verificar que o preconceito era transversal, vinha de mulheres e de homens, de pessoas que se afirmam progressistas, liberais, abertos e de conservadores e reaccionários das velhas cepas do salazarismo e do colonialismo. Só faltou o velho anúncio do restaurador Olex de não ser natural um preto com carapinha branca.

O preconceito racista – neste caso contra António Costa – prova a existência nos aparelhos políticos da noção de que vale tudo na luta política, à esquerda e à direita. O preconceito racista expôs as contradições dos dois grandes grupos da sociedade com os elementos caraterizadores das suas ideologias. Os conservadores, a direita nacionalista, que se assumem como os verdadeiros patriotas, os herdeiros das glórias da nação que “deu mundos ao mundo” entram em conflito com a História de Portugal, que glorificam e restringem à época de ouro dos descobrimentos e da diáspora colonial. Uma certa esquerda, herdeira das revoluções francesa e russa, entra emconflito com as ideias de igualdade.

O recurso ao argumento da cor da pele – um não branco, um hindu, um preto, um monhé, um chamussa  – por parte daqueles a que Eça de Queiroz classificoude patrioteiros revela como o discurso salazarista do Portugal do Minho a Timor, todos iguais, todos portugueses não passava de um slogan para explorar os que não eram brancos. Mais, revela como os exemplos da Exposição do Mundo Português de António Ferro e de Henrique Galvão e da História do Matoso para o 2º ciclo dos antigos liceus, utilizados pelo regime durante 40 anos não passavam de pura e reles propaganda: o caso tão cantado da política de miscigenação de Afonso de Albuquerque na Índia afinal era e é uma treta. Os patrioteiros acham bem que os valentes marinheiros portugueses tenham copulado com mulheres indianas, mas não aceitam os seus filhos como portugueses de pleno direito. Cantaram e apaparicaram a teoria do luso-tropicalismo de Gilberto Freyre, mas afinal acham que os mulatos só são bons para cantar, dançar e jogar à bola.

Mas nem tudo é ideologia. Há o mercado, claro. O preconceito racista agora revelado contra António Costa tem também uma forte componente de oportunismo político e partidário. António Costa entra no mercado dos votos da esquerda e da direita. Por isso os aparelhos partidários da esquerda e da direita utilizaram o argumento da cor para o esconjurar. António Costa tem politicamente dois pecados: sendo de “cor”, não é um pobre explorado, um trabalhador da construção civil, um operário, um proletário. Sendo um “homem de cor”, é também um intelectual, um burguês. Não se enquadra nos estereótipos, incomoda uma certa esquerda e uma certa direita. Ele é alguém cuja “cor” lhe permite ser adoptado por minorias desfavorecidas como um dos seus e colher o seu voto. O que essa esquerda não pode admitir. E também visto como alguém que atingiu elevados patamares de sucesso “apesar da cor”. Isto é, ele é excepcional, o que uma certa direita não aceita, por ser um péssimo exemplo e um concorrente de peso. Daí a acusação que alguém lhe fez de se ter maquilhado de branco para uma entrevista na TV, como quem diz: ele está a fazer-se de branco, ele não é o “preto” que vos vai defender. Daí os comentários de fim de semana dos gurus da direita nas TV: Passos Coelho que se cuide, que se ouviram logo a seguir à votação. Daí ainda duas outras acusações: Uma: Costa é o “mainato” o criado de Sócrates (como é preto não pode ser patrão de si mesmo). Costa que diga qual é o seu programa (como é preto não tem nada na cabeça. Já agora, qual é o programa de Passos Coelho, o de Jerónimo de Sousa, o do Semedo e Catarina, ou até o de Seguro, para não falar no de Portas?)

A utilização do preconceito racista contra António Costa revela os limites da abertura ao mundo dos portugueses, os seus medos e, no final, a sua mesquinhez. Revela porque somos pobres e marginais. A expulsão dos judeus é considerada hoje uma das causas da nossa decadência e do nosso subdesenvolvimento, o preconceito racista está na mesma linha. Conheci Orlando Costa, pai de António Costa, escritor, linguista demérito, Aquino de Bragança, um dos grandes intelectuais que pensava o papel de Portugal no mundo que se reorganizava após a IIGuerra, ambos naturais de Goa;estudei num colégio com muitos colegas de África, quase todo o comité central do PAIGC – Filinto Barros, Fidélis Almada, heróis como Areolindo da Cruz… conheci intelectuais negros como Mário Cabral, como Mário Pinto de Andrade, percebo agora melhor porque os afastámos de nós, porque fizemos delesnossosinimigos na guerra colonial.

Perante o triste espectáculo do racismo latente, profundo, revelado na campanha contra António Costa, percebo hoje melhor o logro da chamada “política ultramarina” dos governos de Salazar e de Caetano. Parece-me agora evidente que Amílcar Cabral, sendo português, engenheiro agrónomo não podia ser chefe do governo de Portugal. Nem o médico Agostinho Neto. Nem o professor Eduardo Mondlane, nem nenhum dos portugueses de cor, mesmo que nascidos em Portugal, mesmo que formados em universidades portuguesas. Isto é, esses homens e mulheres não eram e sentiram que não eram portugueses. Eram Antónios Costas, que, logo que se apresentassem a disputar um lugar de poder para o qual estavam intelectual e profissionalmente capacitados, logo alguém lhes lembraria a cor da pele.

Esta campanha de racismo contra António Costa revela também a hipocrisia da homenagem nacional e verdadeiramente popular que foi feita a Eusébio. Um artista de cor? Excelente. Diverte-nos. Podemos exibi-lo. Um primeiro ministro de cor? Inaceitável. Coloca em causa a nossa matriz. Esta campanha explica ainda o racismo e o preconceito subjacente nas homenagens a “heróis da guerra do ultramar”. Heróis aclamados porque nunca entenderam os direitos dos “de cor” a discordarem dos brancos, a governarem-nos, se fosse caso disso, ou então a governarem-se sem tutelas.

Por isso, para esses, não é admissível ter na presidência do governo alguém de “cor”, mesmo que nascido em S. Sebastião da Pedreira, na Maternidade Alfredo da Costa (por acaso também ele um médico de “cor”), licenciado em direito pela universidade de Lisboa, mas filho de um intelectual e democrata Orlando Costa, descendente de goeses, brâmanes convertidos ao catolicismo. Isso é que não pode ser! Ofende a pureza do sangue celta, de onde saíram, pelo que vejo na televisão a cores, os loiros Passos Coelho, Paulo Portas, Paula Teixeira da Cruz, Maria Luíz Albuquerque, Carlos Moedas, o defunto António Borges, mas também Teresa Guilherme, a loiríssima Lili Caneças, Ricardo Espírito Santo, e até, segundo alguns quadros, o menino rei D. Sebastião, o responsável pelo maior desastre da nossa História.

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Obs: Carlos Matos Gomes tem, no plano literário, duas grandes virtudes: tem ideias sólidas e sabe comunicá-las de forma simples e ímpar. Nesse processo partilha sempre pequenas lições de História, Filosofia, Psicologia entre outras misérias da condição humana, como as que decorrem duma campanha racista e sórdida, por vezes dissimulada, dirigida ao actual edil da capital e, em boa parte, dirigida por jornalistas ressabiados que, durante um determinado período de tempo, ficaram desempregados e pensaram que o Expresso de Balsemão tinha lá um lugar especial na direcção para eles. Não tinha. 

É, aliás, essa mesma gente que ainda não conseguiu ultrapassar os complexos de inferioridade relativamente à homosexualidade, à sida e a outros aspectos e causas fraturantes que atingiram de perto alguns desses players menores que hoje julgam fazer jornalismo tentando, desse modo, ocultar um passado que ainda não conseguiram digerir. 

De facto, as pessoas morrem, mas os filhos não aguentam viver com um trauma tão pesado. O escape é encontrar no outro, no que é diferente, um bode (resp)iratório. 

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segunda-feira

António Costa representa a nova "agência de rating" da República Portuguesa




Imagem picada no Expresso

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Após a vitória expressiva de António Costa sobre o seu competidor interno, aquele granjeou uma legitimidade política própria e quase unipessoal sobre o PS, a qual se estende à condução deste à vitória nas próximas eleições legislativas. Mas até lá ainda há muito caminho por percorrer, um trajecto repleto de espinhos e incertezas, em qualidade e quantidade, pelo que nada será fácil. 

No PS algo terá de mudar internamente, quer na forma de estruturar a comunicação com a sociedade, quer na forma de produzir informação técnica com valor político relevante para informar a dialéctica política; no plano externo, i.é, da relação de oposição política ao actual governo do centro-direita, dentro e fora do Parlamento, o tipo de liderança terá, forçosamente, de ser também mais combativo, persuasivo e alternativo ao que foi no passado recente. Não basta pressionar o governo para não aumentar os impostos, porque a classe média já está esmagada, os empresários falidos e a mancha de pobreza alastra no país.

É nesta conformidade que fará toda a diferença começar já a estruturar, sector a sector, políticas públicas mais orientadas para o crescimento económico e a sustentabilidade social sem que, com isso, a racionalidade do Estado perca eficiência e qualidade na prestação dos seus serviços sociais, de educação, de segurança social, etc... 

Até porque o calendário eleitoral pode, a qualquer momento, ser antecipado por motivos supervenientes. A esta luz, o próprio PR tem demonstrado que pode ter problemas súbitos de saúde, o que revela que até estes imponderáveis podem, a qualquer momento, reprogramar o calendário político nacional. 

Desse modo, fará igualmente sentido olhar e pensar a acção estratégica de António Costa na liderança do PS como alguém que se constitui numa espécie de "agência de rating" - que tenderá a classificar o risco decorrente da manutenção no poder do actual governo de centro-direita, altamente nocivo para a economia, a sociedade e o próprio aparelho de Estado que tem vindo a desmantelar da forma mais criminosa possível, e cuja marcha tem de ser parada e/ou invertida. 

E é aqui que concorre o tipo de liderança a empreender pelo líder do PS daqui para o futuro. Um futuro que para ser de esperança terá de ter ideias, projectos e uma eficiente comunicação capaz de os transmitir à sociedade e de polarizar aí energias positivas. 

Neste momento, ainda temos um risco elevado de governança, dado que o XIX Governo (in)Constitucional ainda se encontra em funções (com o respaldo de Belém), mas quando se captar mais e melhor Investimento Directo Estrangeiro, quando se devolver confiança à sociedade e aos agentes económicos, quando forem repostos os valores esbulhados aos pensionistas e funcionários públicos e quando houver verdadeiros programas de incentivo económico para as PMEs - dentro de medidas mais abrangentes a todos os sectores da economia, então estaremos em condições de (re)pensar Portugal noutros moldes e com outra expectativa e esperança.

Todas essas variáveis dependem dum factor determinante na gestão e condução da coisa pública: a liderança. E a este título também é colocado sobre António Costa, e ao país, o maior desafio da sua vida, que consiste em transpor para a chefia do Governo tudo aquilo que integra a sua experiência ministerial e de edil na maior autarquia do país. 

Mas nem tudo são rosas, Senhor!!!
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quarta-feira

A selfie d´hoje de António Costa e Seguro...


Veremos como corre hoje a selfie de ambos. Uma coisa é certa: A. Costa já terá revisitado a entrevista e, seguramente, compreendeu, para além das muitas análises distorcidas que atribuíram a vantagem ao edil da capital, que será necessário ter um discurso mais assertivo de modo a explicar aos simpatizantes, militantes e aos portugueses em geral - no que é que ele se diferencia do seu contendor. 

No debate d´ontem essa diferençiação não se evidenciou. Foi apenas uma luta entre dois homens portadores de projectos indiferenciados. 

Veremos como corre hoje essa exposição para ambos os lados. De preferência, com mais futuro e menos passado. Ainda que este não deva ser apagado, para o melhor e o pior. 

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domingo

Lapsus Linguae

Já perdi a conta aos debates que moderei entre os dois. Foi em conferências da TSF e da Ordem dos Técnicos Oficias de Contas que eles criaram a tradição de, anualmente, discutir política de forma séria e sem campanha pelo meio. Dessas conversas (justiça, finanças públicas, educação, saúde, sistema político e tantas outras matérias) resultou, como gosta de dizer o socialista, uma "estima mútua". Rio e Costa não são amigos, menos ainda companheiros na luta política, mas o respeito que têm um pelo outro e pelos eleitores permitiu-lhes encontrar nesses debates muitos assuntos em que estão de acordo.
Com caminhos bem diferentes, os dois criaram, pela obra feita, uma notoriedade que os fez chegar a este momento como se estivesse escrito nas estrelas que terão de se enfrentar. É isto que António Costa, na entrevista de ontem ao Expresso, parece desejar, mas, na verdade, é bem capaz de se tratar de um lapsus linguae, consequência da pressa que revela, nessa entrevista, em querer livrar-se de António José Seguro.
António Costa garante que "verdadeiramente" o seu "adversário neste processo é Rui Rio", dando como certo que será escolhido para ser candidato a primeiro-ministro pelo PS, e lembra que as sondagens mostram o desejo de os portugueses mudarem de protagonistas, com Rio a ser o preferido da direita.
Verdadeiramente, Costa já está a pensar, por mais que o negue, em Rio como parceiro de governo, dando igualmente como certo que derrotará Passos Coelho nas legislativas. Mais do que a "estima mútua", é a visão do que deve ser a política que une estes dois protagonistas e será o desejo do eleitorado a determinar se eles vão ou não governar juntos.
O adversário de Costa neste processo não é Rio, nem ele verdadeiramente quer que seja. Se fosse, a confiança nas vitórias (primárias socialistas e legislativas) não seria tão grande como a que ele revela na entrevista de ontem. Se também o PSD mudasse de protagonista para as próximas eleições e escolhesse Rio, as hipóteses de vitória de Costa desciam substancialmente. Nos debates a dois foi mais o que os uniu do que o que os separou, mas em campanha se perceberia como eles são muito diferentes. E não é apenas uma questão de pronúncia.

  • (Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo acordo ortográfico)

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Obs: Medite-se na reflexão oportuna de Paulo Baldaia.

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Todos desejam Guterres para Belém

Nota: Fragmentos de uma entrevista a António Costa

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Um dos grandes problemas que estamos a viver resulta do facto de a direita ter construído esta ilusão de que as opções políticas que lhe estão subjacentes resultam de meras necessidades ou determinismos técnicos. Ora, é falso. Não podemos aceitar como determinismo técnico aquilo que assenta em opções políticas. E aquilo que reforça a democracia é a escolha democrática ser feita em torno de políticas e em nome de valores. Se há coisa que se perdeu na sociedade portuguesa foi a desvalorização dos valores e a desvalorização da política. Se me pergunta a mim se a técnica é necessária. Com certeza. Devo ser das pessoas que há mais anos consecutivos exerço funções executivas. E se as exerço é porque tenho bem a noção de que gerir o concreto não se faz só com base em valores. Não fui daquelas pessoas de fazer carreira política escondido na sexta fila da bancada do Parlamento. Desde há muitos anos que estou na primeira fila. Por isso dispenso lições sobre o exercício da acção executiva e não desvalorizo as limitações da técnica, nem acho que o voluntarismo político possa sobrepor-se. [...]

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sábado

Costa abre porta a alianças com o PSD se Passos Coelho sair. Costa não deve ser o "alfaiate" de nenhum partido político em Portugal


António Costa abre a porta a alianças com o PSD se Passos Coelho sair, Link


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Obs: Por uma questão de princípio o líder (ou o candidato a líder de um partido), como é o caso de António Costa - e actual edil na CML - não deve imiscuir-se na liderança e gestão interna dos outros partidos, quaisquer que eles sejam.

Isso cabe ao eleitorado do psd e aos candidatos que se apresentem à sua liderança nos congressos para o efeito, não compete a A.Costa definir a sua estratégia de alianças por relação a factos, factores e variáveis que não dependem de si e, pela natureza das coisas, escapam completamente ao seu controlo. 

A menos que AC pretenda alicerçar a sua campanha interna (contra Seguro) na base de um renovado PSD, ou seja, ajudando a criar um "fatinho" à medida do edil da capital de molde a que o mesmo possa ser vestido por Rui Rio, o que, a ser verdade, ainda seria pior a emenda que o soneto. 

Nesta conformidade, A. Costa não deve ser o "alfaiate" do PSD, nem de nenhuma outra liderança de partido do sistema político com representação parlamentar.

Compreende-se que Costa queira punir a dupla Coelho & Portas por nos terem desgraçado, debilitando todos os indicadores socioeconómicos em Portugal, desde 2011. Todavia, é com alguma dificuldade que vejo A. Costa, que é um homem estruturalmente inteligente, fundar a sua estratégia de coligações nas legislativas com base numa ingerência na vida partidária doutro partido, e, ao mesmo tempo, afirmando no espaço público quem são os seus interlocutores predilectos na oposição. 

Se Seguro sabe disto ainda caricatura Costa por esta irracionalidade política, até porque ninguém tem a certeza de que com Rui Rio na liderança do PSD Portugal - e os portugueses - não estariam hoje piores. Pois não se conhece uma única ideia para Portugal a Rio...

Creio que isto não é pensar Política nem fazer Política, é, no mínimo, pedir a um partido da oposição que meta na sua liderança um líder à medida, e isto não é muito diverso daquilo que o mesmo PS - e a generalidade dos portugueses de bem têm criticado Passos Coelho - quando este pretende antecipar do Tribunal Constitucional quais são as medidas que este não vetará em ordem a que o Governo legisle impunemente. 

Entendo, pois, que neste particular AC está a pensar e a fazer política com os pés, e não com a cabeça, como tem sido seu apanágio. E também não será assim que se federam grupos, tendências ou sensibilidades na lógica do alargamento socioeleitoral necessário nesta contenda interna à vida do PS e, simultaneamente,no espaço de competição com o PSD e a direita em Portugal pela nova captura do Poder em 2015.  

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S

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domingo

Uma leve brisa de ar fresco - por Miguel Sousa Tavares -

Artigo picado aqui


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Obs: Valerá a pena meditar nesta reflexão lúcida de MST. Mais uma. Não diz nada de novo, novo é, porventura, o murro na mesa que importava dar nestes últimos 3 anos de destruição governativa que essa coisa inominada do XIX Governo (in)Constitucional anda, criminosamente, a fazer a Portugal e aos portugueses. E com a conivência de lesa-pátria do Sr. Silva, a partir do decadente farol de Belém. Hoje, já não vale a pena jurar a Constituição, pois quem a jura é aquele que mais a viola, e isto não deixa de ser uma IGNOMÍNIA, entre outras - onde pontifica o BPN - a maior fraude do séc. XX-XXI. 

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sábado

António Costa - as linhas estratégicas da candidatura -




As linhas estratégicas da candidatura










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As motivações de António Costa para S. Bento - perdida a oportunidade de Belém. A variável Guterres.





António Costa, ainda autarca em Lisboa, e na sequência dos magros resultados das eleições europeias que colocaram o PS quase ao nível desta coligação ultra-liberal que tem afundado Portugal, olhou para o seu futuro político e perguntou-se: 

- "Guterres fez o seu pré-anuncio para Belém, cargo que desejo a partir do Largo do Município. Excluída essa oportunidade, o cargo de relevo nacional que me resta, após sair da liderança da autarquia, é mesmo o Palácio de S. Bento. Mas, para isso, terei de voltar a ser candidato à liderança do PS, conquistar o partido, derrotar Seguro e, de seguida, ser o candidato do PS a Primeiro Ministro e derrotar Passos Coelho nas legislativas de 2015".

Creio ter sido este o cálculo político que António Costa fez para consigo próprio na noite das eleições europeias, em que o PS, sociologicamente, se distancia pouco do PSD e CDS, facto que deixou os militantes e simpatizantes socialistas frustrados. 

Neste quadro, António Costa, especialmente nesta fase da sua vida e da vida conturbada e recessiva do país, não queria ser candidato a SG do PS, nem candidato a PM, já que a sua mira política estava apontada para a sua candidatura a Belém, em 2016. Um cálculo e um desejo cilindrados por duas palavras de António Guterres, admitindo, em tese, a possibilidade de assumir essa candidatura, federando toda a esquerda, e entrando até no eleitorado mais conservador do centro e da direita. 

Se este cálculo estiver correcto, somos também forçados a admitir que esta última candidatura de Costa à CML, foi idealizada como um trampolim para Belém, à semelhança, aliás, do que fizera Jorge Sampaio em 1996 - quando abandona a autarquia e se candidata a Belém, deixando pregado ao chão o seu rival, Cavaco Silva. O mesmo fez Jacques Chirac, em França. Talvez esta intenção oculta de António Costa ajude hoje a compreender por que razão ele nunca quis avançar nas duas últimas oportunidades no passado recente, deixando sempre o caminho aberto a António José Seguro. Por esta razão, a questão da liderança no PS também nunca se colocou verdadeiramente, ainda que espicaçada pelos socráticos que passaram, naturalmente, a apoiar António Costa.

Neste contexto, os resultados das europeias constituíram apenas o pretexto para Costa irromper contra Seguro e mobilizar o partido em seu torno para derrotar o PSD em 2015. Por outro lado, a certeza que Costa passou a ter relativamente à forte possibilidade de Guterres avançar para Belém, foi a pedra de toque que fez o autarca repensar toda a sua vida e carreira política. Ou seja, António Costa sabia, para já, que Belém era ainda um lugar inalcançável, mas S. Bento podia estar ali, ao dobrar da esquina no Largo do Município. Se Costa não avançasse nesta concreta fase, tudo ficaria comprometido na sua vida política: Belém para Guterres, S. Bento para quem ganhasse as legislativas  em 2015, e Costa ficaria sem um lugar de relevo nacional para exercer após o seu mandato na autarquia da capital. Perante este deserto de oportunidades, restava-lhe avançar contra Seguro para conquistar o PS, primeiro, e o país, depois. Foi o que fez.

Para facilitar e corporizar esta vontade oculta, António Costa conta com o apoio activo de todos os socráticos, da nova e velha geração, que vai de J. Lello a João Galamba (e outros), deputados esses que nunca se identificaram com a pessoa e o estilo de liderança de A. José Seguro. Aliás, convém dizer que um dos problemas de Seguro na liderança do PS radica no seu grupo parlamentar, o qual nunca o apoiou, facto que foi paralisando a acção de Seguro no Parlamento, principal base de apoio político a um líder na oposição. Especialmente, nestas circunstâncias excepcionais em que o país está intervencionado pela troika, privado de soberania e de autonomia política e financeira que o impede de gizar políticas públicas libertas daquele jugo do FMI, BCE e CE. 

Seguro foi, assim, apanhado neste vendaval de forças e contra-forças:

- por um lado, o seu grupo parlamentar nunca o apoiou, até sabotou o seu trabalho; 
- por outro lado, a variável Guterres funcionou mais como mola dinamizadora da acção de Costa do que uma vitamina para Seguro;
- e, em terceiro lugar, a envolvente externa, com a troika a ditar as operações nas finanças públicas em Portugal, meteram toda a oposição dentro de um colete-de-forças que, curiosamente, limitou mais a acção do líder do PS do que paralisou o Governo, que ultrapassou as medidas propostas no Memo da troika mediante um plano geral de empobrecimento da economia nacional, plano esse que assentou numa brutal carga fiscal sobre as pessoas e empresas, o qual fez disparar a pobreza, o desemprego e a emigração. Eis os "activos" de Passos Coelho.

Ainda que Seguro tivesse ganho dois actos eleitorais, as autárquicas e as europeias, a margem estreita que o separa da coligação PSD-CDS, serviu de pretexto para Costa avançar e preparar o PS e a liderança para o próximo embate nas legislativas de 2015. 

Resta agora a Seguro lutar e resistir, mas com uma grande diferença relativamente ao passado recente, certo de que nunca foi apoiante de Sócrates. Seguro goza agora de toda a liberdade do mundo para criticar o consulado de Sócrates e, através dele, procurar atingir Costa e todos aqueles que o apoiam. Importa é saber se essa será a melhor estratégia para tentar impedir um velho pretendente à sucessão natural da liderança do PS e, ao mesmo tempo, reconquistar o partido e, mais difícil, o país.

Quanto a António Costa, importa dizer que nem tempo terá de fazer o seu mea culpa por ter decidido romper o contrato social que fez com os lisboetas que o elegeram para a CML. Mas como os portugueses já estão habituados a estas deslealdades, admito que, desta vez, também não estranhem. 

O povo português faz lembrar aqueles maridos que são sempre os últimos a saber: adoram ser enganados. 

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quarta-feira

Vangelis - conquest of paradise

Veremos qual a versão escolhida por António Costa para sonorizar o embate que se avizinha. Embora seja bom não perder de vista que o adversário é a coligação ultra-selvagem que se alapou em S.Bento, para prejuízo de todos os portugueses, até daqueles que votaram nela.  


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quinta-feira

António Costa podia ser a única via para precipitar a queda do XIX Governo (in)Constitucional e fazer regressar o país à normalidade político-constitucional


Quando se colocou  possibilidade de António Costa ganhar terreno a Seguro para disputar a liderança do PS e ser candidato a PM, Costa apenas mostrou as garras mas não avançou. Com isso deu um sinal de que não estaria verdadeiramente empenhado em disputar a liderança do PS que, pelos actuais estatutos, dificilmente ultrapassaria Seguro pela "secretaria" e também não seria fácil reconquistar todo o aparelho do partido em desfavor do actual secretário-geral, Tó Zé Seguro. E assim se gerou um perigoso impasse na direcção da esquerda, ou na esquerda liderada pelo PS.

Por seu turno, Tó Zé Seguro tem-se revelado um desaparecido em combate, ou não sabe capitalizar o descontentamento social em favor do PS e das propostas alternativas nas quais o Portugal profundo se possa rever e apoiar. 

Seguro é  frágil  nos debates parlamentares, não raro é até  ultrapassado pelos membros do seu grupo parlamentar, como ocorre frequentemente pelas interessantes prestações na área económica de João Galamba; Seguro é igualmente frágil nas suas prestações extra-parlamento, ou seja, na sociedade civil as suas propostas não chegam, e as que passam não têm consistência ou já estão ultrapassadas pelo ambiente da opinião da opinião pública, ou foram esmagadas pela aritmética política da coligação contra-natura do centro-direita que assaltou o aparelho de Estado em Portugal e governa à boleia de impostos e de esbulhos sucessivos aos funcionários do Estado, o bode expiatório de eleição de Coelho.

Um exemplo comezinho para aferir da escassa autoridade política e utilidade social de Seguro: o que fez ele para desqualificar a equipa da Educação dirigida por Crato e cujas medidas estão literalmente a destruir o que foi feito nos últimos 15 anos em matéria de I&D?

Tó Zé Seguro não existe políticamente, sobrevive apenas na tenaz daquela coligação contra-natura que está a sequestrar Portugal e os portugueses com medidas violadoras da CRP, que destroem a confiança nos agentes económicos e inibem qualquer tipo de investimento gerador de emprego, riqueza e bem-estar.

Se olharmos para as pessoas que integram a equipa de Seguro (João Ribeiro, ex-porta voz do PS emigrou para a Ásia pela mão da ONU), ou seja, para o seu governo sombra - encontramos a outra face da sua própria fragilidade política, de modo que Seguro, em rigor, não se pode apoiar em si nem na equipa que escolheu para enfrentar os desafios do País e, ao mesmo tempo, acelerar a decomposição política do governo mais impreparado e incompetente de que há memória de 1974. 

Neste beco, urge perguntar como sair dele. E a resposta mais plausível remete para o nome de António Costa, o elemento mais salvífico desta gaiola em que o PS caiu (em boa parte agravada pela conduta parcial e lamentável de Belém).

Costa tem uma longa experiência política (ministerial e autárquica), goza de largo apoio sociológico na esquerda e penetra bem no eleitorado do PSD que está descontente com a congénita incompetência de Passos Coelho e do seu miserável governo - que tem atacado a generalidade das políticas públicas e perseguido obsessivamente certos grupos socio-profissionais, como os funcionários públicos e os pensionistas. 

Contudo, e chegados aqui, temos um problema de emana da motivação pessoal de A. Costa e do seu projecto de vida política para o futuro no curto e médio prazos. Significa isto que o actual edil da capital preferi(rá) jogar no tabuleiro das presidenciais (apoiado naturalmente pelo PS e pela esquerda da esquerda, o que é verosímil), do que procurar, nesta fase mais sénior da sua vida pública, disputar a liderança do congresso no PS para destronar o frágil Seguro e, desse modo, posicionar-se na corrida às próximas eleições legislativas contra o incompetente Passos Coelho.

Ou seja, seria útil para o PS e para Portugal que Costa assumisse, desde já, os comandos do partido de molde a passar a fazer uma verdadeira oposição ao governo, mas este é um caminho que ele já declinou internamente; resta-lhe o caminho de Belém, mesmo que ele saiba que deixa o PS entregue a alguém que só muito dificilmente conseguirá afirmar-se como alternativa credível, ganhar as próximas eleições legislativas e governar eficientemente Portugal no sentido de o devolver à normalidade politico-constitucional e à senda do crescimento económico e do desenvolvimento social. 

A. Costa conhece como ninguém este quadro de possibilidades, e parece agir - por acção e omissão - no sentido de consolidar o trilho de Belém, e se assim for não deixará de ser (ainda que por omissão) o co-autor do crime político que está em curso pelo facto de o PS de Seguro não ter ainda conseguido afirmar-se com autoridade que faz de qualquer oposição um actor político credível e preparado para a complexa tarefa da governação. 

Entre o desafio do trabalho político árduo e a zona de conforto que vai da Praça do Município ao Palácio Rosa - Costa não hesitará em escolher este último caminho. É, aliás, para isso que ele já há muito trabalha.

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sábado

Jaime Lerner foi ao São Luís e António Costa apresentou a Carta Estratégica de Lisboa 2010-2024. Evocação de Camões no São Luís

Jaime Lerner é arquitecto e urbanista e ex-Prefeito de Curitiba e consultor das Nações Unidas para Assuntos Urbanos; António Costa é o edil da capital de Portugal e tem um vasto currículo político, ontem encontraram-se no teatro São Luís, em Lisboa, para trocarem experiências acerca do melhor modo de pensar, conceber e desenvolver políticas públicas para a cidade. Montado o Comissariado que tratou dos temas no plano sociológico e urbanístico (com base nos eixos como recuperar a população, tornar Lisboa uma cidade ambientalmente sustentável, como tornar a capital numa cidade amigável e inclusiva, como transformar Lisboa numa cidade inovadora e criativa, como afirmar a identidade de Lisboa num mundo globalizado e como criar um modelo de governo eficiente e participado) - o resultado foi animador e prenuncia planos interessantes para Lisboa nas próximas décadas.
Regressaremos ao assunto, todavia gostaríamos de deixar aqui uma pequena reflexão acerca do Urbanismo como um modo de vida no mundo contemporâneo.
Essa concepção de urbanismo preocupa-se menos com a diferenciação interna das cidades do que com o urbanismo como forma de existência social. Ou seja, o grau em que podemos considerar o mundo contemporâneo como "urbano", na linha de Wirth não depende inteiramente da proporção da população total que vive nas cidades. A influência que as cidades exercem sobre a vida social humana é maior do que o rácio da população urbana indica, dado que a cidade é não só o local de habitação e de trabalho do homem moderno, como constitui o centro de fomento e de controlo da vida económica, política e cultural que levou as comunidades mais remotas do mundo para a sua órbita e transformou num cosmos lugares, pessoas e actividades diversas.
António Costa ao eleger este método de fazer política de cidade - desencadeando um processo assente num comissário geral que coordenou comissários sectoriais - cada um tratando de um eixo infra-estruturante para a vida da cidade nas próximas décadas (depois interligando todos esses eixos) - revelou saber fazer política urbana, apoiando-se na Prospectiva - que recorre ao planeamento e à ciência da concepção de futuros desejáveis para identificar a racionalização dos meios reais para chegar a resultados eficientes e resolver os problemas da polis.
No fundo, António Costa sabe que para iluminar a acção presente à luz dos futuros possíveis - teve de escolher aqueles que melhor pensam a vida na cidade no quadro das sociedades modernas em que nos movemos, e que isso só faz sentido se as políticas públicas urbanas tiverem um desenho antecipado que compreenda a mudança - em resultado das mutações tecnológicas e sociais, mas também partilhe com as populações uma visão de longo prazo que reforce a melhoria das condições de vida de todos nós.
Em rigor, António Costa - que é um político complexo - percebeu que quanto mais depressa se roda, mais longe devem alcançar os faróis, e que a inércia das estruturas de decisão e os comportamentos mandam que se semeie hoje para colher amanhã.
É isso que está sendo feito para (e por) Lisboa, até porque quanto mais uma árvore demora a crescer, menos se deve esperar para a plantar.
E o mais curioso em todo este processo de tomada de decisão política na capital é que o mesmo teve o alto patrocínio de Luís Vaz de Camões, já que no topo do teatro São Luís há uma frase do nosso maior poeta de sempre que diz, tão somente o seguinte:
FAZEI MAIS O QUE SOUBERDES.
Nota: Uma chamada de atenção para um pequeno grande pormenor notado pelo Objectiva3 - de Cristina Garcia - relativamente à boa utilização do Parque Bossa Nova, no Leblon - um Projecto de Jaime Lerner.

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