quinta-feira

António Costa podia ser a única via para precipitar a queda do XIX Governo (in)Constitucional e fazer regressar o país à normalidade político-constitucional


Quando se colocou  possibilidade de António Costa ganhar terreno a Seguro para disputar a liderança do PS e ser candidato a PM, Costa apenas mostrou as garras mas não avançou. Com isso deu um sinal de que não estaria verdadeiramente empenhado em disputar a liderança do PS que, pelos actuais estatutos, dificilmente ultrapassaria Seguro pela "secretaria" e também não seria fácil reconquistar todo o aparelho do partido em desfavor do actual secretário-geral, Tó Zé Seguro. E assim se gerou um perigoso impasse na direcção da esquerda, ou na esquerda liderada pelo PS.

Por seu turno, Tó Zé Seguro tem-se revelado um desaparecido em combate, ou não sabe capitalizar o descontentamento social em favor do PS e das propostas alternativas nas quais o Portugal profundo se possa rever e apoiar. 

Seguro é  frágil  nos debates parlamentares, não raro é até  ultrapassado pelos membros do seu grupo parlamentar, como ocorre frequentemente pelas interessantes prestações na área económica de João Galamba; Seguro é igualmente frágil nas suas prestações extra-parlamento, ou seja, na sociedade civil as suas propostas não chegam, e as que passam não têm consistência ou já estão ultrapassadas pelo ambiente da opinião da opinião pública, ou foram esmagadas pela aritmética política da coligação contra-natura do centro-direita que assaltou o aparelho de Estado em Portugal e governa à boleia de impostos e de esbulhos sucessivos aos funcionários do Estado, o bode expiatório de eleição de Coelho.

Um exemplo comezinho para aferir da escassa autoridade política e utilidade social de Seguro: o que fez ele para desqualificar a equipa da Educação dirigida por Crato e cujas medidas estão literalmente a destruir o que foi feito nos últimos 15 anos em matéria de I&D?

Tó Zé Seguro não existe políticamente, sobrevive apenas na tenaz daquela coligação contra-natura que está a sequestrar Portugal e os portugueses com medidas violadoras da CRP, que destroem a confiança nos agentes económicos e inibem qualquer tipo de investimento gerador de emprego, riqueza e bem-estar.

Se olharmos para as pessoas que integram a equipa de Seguro (João Ribeiro, ex-porta voz do PS emigrou para a Ásia pela mão da ONU), ou seja, para o seu governo sombra - encontramos a outra face da sua própria fragilidade política, de modo que Seguro, em rigor, não se pode apoiar em si nem na equipa que escolheu para enfrentar os desafios do País e, ao mesmo tempo, acelerar a decomposição política do governo mais impreparado e incompetente de que há memória de 1974. 

Neste beco, urge perguntar como sair dele. E a resposta mais plausível remete para o nome de António Costa, o elemento mais salvífico desta gaiola em que o PS caiu (em boa parte agravada pela conduta parcial e lamentável de Belém).

Costa tem uma longa experiência política (ministerial e autárquica), goza de largo apoio sociológico na esquerda e penetra bem no eleitorado do PSD que está descontente com a congénita incompetência de Passos Coelho e do seu miserável governo - que tem atacado a generalidade das políticas públicas e perseguido obsessivamente certos grupos socio-profissionais, como os funcionários públicos e os pensionistas. 

Contudo, e chegados aqui, temos um problema de emana da motivação pessoal de A. Costa e do seu projecto de vida política para o futuro no curto e médio prazos. Significa isto que o actual edil da capital preferi(rá) jogar no tabuleiro das presidenciais (apoiado naturalmente pelo PS e pela esquerda da esquerda, o que é verosímil), do que procurar, nesta fase mais sénior da sua vida pública, disputar a liderança do congresso no PS para destronar o frágil Seguro e, desse modo, posicionar-se na corrida às próximas eleições legislativas contra o incompetente Passos Coelho.

Ou seja, seria útil para o PS e para Portugal que Costa assumisse, desde já, os comandos do partido de molde a passar a fazer uma verdadeira oposição ao governo, mas este é um caminho que ele já declinou internamente; resta-lhe o caminho de Belém, mesmo que ele saiba que deixa o PS entregue a alguém que só muito dificilmente conseguirá afirmar-se como alternativa credível, ganhar as próximas eleições legislativas e governar eficientemente Portugal no sentido de o devolver à normalidade politico-constitucional e à senda do crescimento económico e do desenvolvimento social. 

A. Costa conhece como ninguém este quadro de possibilidades, e parece agir - por acção e omissão - no sentido de consolidar o trilho de Belém, e se assim for não deixará de ser (ainda que por omissão) o co-autor do crime político que está em curso pelo facto de o PS de Seguro não ter ainda conseguido afirmar-se com autoridade que faz de qualquer oposição um actor político credível e preparado para a complexa tarefa da governação. 

Entre o desafio do trabalho político árduo e a zona de conforto que vai da Praça do Município ao Palácio Rosa - Costa não hesitará em escolher este último caminho. É, aliás, para isso que ele já há muito trabalha.

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