sexta-feira

Evocação de Sartre

Sempre apreciei mais Sartre como escritor do que como filósofo e pensador, até porque nos desafios que se colocaram no quadro da IIGM - Raymond Aron conseguiu ter sempre, ou quase sempre, razão, pelo que o existencialista estava do lado errado da razão e da história - como os factos provaram no Centro e Leste europeu com as desgraças geradas pelo rolo compressor do comunismo soviético.

Mas adiante. Sartre não deixe de ter importância só por causa dos meus modestos caprichos. Contudo, chamo aqui Jean-Paul Sartre à colação, na antecamara de 2011, por causa duma peça que escreveu, Sem Saída, que espelha uma desconfiança das pessoas entre si, que estão numa espécie de inferno. Essas três personagens, melhor dizendo, sentem-se aprisionadas numa sala e condenados a manter-se acordados por toda a eternidade.
E no decurso da peça de Sartre torna-se evidente que nenhuma daquelas personagens está contente com a situação em que se encontra. Todos se sentem ameaçados, ansiosos e oprimidos pelas respectivas presenças. No fundo, sentem-se impiedosamente julgados pelos companheiros e lamentam não poder escapar da companhia uns dos outros.
Voilá, uma realidade perturbadora narrada pelo velho Sartre, que aqui evocamos, sobretudo quando passamos a vida a desejar Feliz Natal e Bom Ano uns aos outros mesmo sabendo que o que aí vem é, literalmente, o inferno: fiscal, económico, financeiro, social e o mais...
Sartre acaba por ser um pensador relevante porque consegue retratar como ninguém a própria miséria da condição humana, e, se assim for, estamos condenados a identificar alguns dos trajectos pessoais dos portugueses como aqueles personagens da obra de Sartre, Sem Saída.
Mas o ano novo está à porta, por isso urge criar aquela tonelada indispensável de ilusão para poder continuar a sonhar com os projectos inacabados inerente à própria natureza humana.
Bom Ano de 2001 - para todos aqueles que diáriamente nos visitam, de forma mais ou menos oculta.

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Presidente do BPN acusa Cavaco Silva de eleitoralismo ao atacar administração do banco

Foto do Negócios
Público
O Governo mandou, os banqueiros obedeceram. Foi o presidente do BPN e vice-presidente da CGD, Francisco Bandeira, quem reagiu em nome da instituição às críticas de Cavaco Silva por não ter conseguido resolver a situação do banco e serem agora precisas novas injecções de capital. A CGD reagiu ao início da noite.
Bandeira manifestou-se "surpreso" com as afirmações do candidato e acusou-o de recorrer ao banco com objectivos eleitoralistas: "A comparação do BPN aos bancos ingleses só terá sido possível, porque ligeira, em contexto de campanha, e certamente dever-se-á ao facto de deficiente informação, pois não são comparáveis as situações que levaram à crise dos bancos ingleses e as que originaram a nacionalização do BPN."
A resposta do presidente do BPN chegou depois das ordens do ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira. O governante não criticou, mas disse que os administradores deviam fazê-lo: "O Governo não comenta declarações de candidatos presidenciais em campanha eleitoral. Mas quer dizer que foi feita uma acusação muito grave à actual administração da Caixa Geral de Depósitos [CGD], porque é ela a responsável pela gestão do BPN. E naturalmente compete à administração da CGD defender a sua honra. E eu estou certo que o fará, espero que o faça, e o Governo está certo que o fará porque os contribuintes não podem ficar com essa dúvida", afirmou o ministro. [...]
Obs: Algumas conclusões desta novela mexicana chamada BPN.
1. cavaco demonstrou ter escassos conhecimentos de economia comparada ao meter no mesmo saco problemas de génese substancialmente distinta, e fê-lo, como teve a coragem de referir Francisco Bandeira, por motivos estritamente eleitoralistas. Afinal, parece que o prof. de economia & finanças não sabe nem duma coisa nem doutra. Lamentável, assim como lamentável foi a tentativa de branqueamento que o politico de Boliqueime fez a uma associação de administradores, alguns dos quais praticaram crimes de colarinho branco e, por isso, deveriam prestar contas à justiça. Estranhamente, essa responsabilidade apenas recaiu sobre Oliveira e Costa.
2. Em Portugal, e já Eça o tinha descrito magistralmente no séc. XIX, é prática serem os agentes políticos as marionetas nas mãos da alta finança, pois agora, segundo a posição combativa de Francisco Bandeira, quem respondeu à letra ao politico demagogo cavaco silva, revelando uma inversão (aparente) da fórmula, i.é, os administradores de bancos também conquistaram a capacidade de criticar as posições dos próprios agentes políticos, ainda que enquadradas pela filosofia governamental, como parece ter sido a indicação da super-estrutura reresentada por Pedro Silva Pereira.
3. Por último, este processo amplia a posição de Faria de Oliveira, um cavaquista dos 4 costados e presidente da CGD - (que está de saída) que fica numa posição tão delicada quanto vulnerável.
No fundo, o processo criminal, político e financeiro do BPN serve apenas para demonstrar a corrupção que grassou no país nos últimos 15 anos ao sombra do cavaquismo, algumas das suas cumplicidades políticas bem como a necessidade de fazer rupturas com esse passado fraudulento que actualmente esbulha literalmente os contribuintes através do erário público, e isso deve ser apurado civil e criminalmente.

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Três tempos - por António Vitorino -

O ano que logo à noite começa vai desenrolar-se em três tempos. O primeiro, e mais determinante, será o tempo da economia. Ou melhor, o tempo da execução orçamental. Será o tempo mais imediato e também o mais curto. Os números do primeiro trimestre serão decisivos, tanto para apurar da eficácia das medidas adoptadas pelo Governo, como para responder às dúvidas de credibilidade que se colocam nos mercados internacionais. DN
A resposta a estas questões começa cá dentro e depende, em primeira linha, de nós próprios. Algures neste tempo será mais claro se o "caso português" ainda vai ser visto (e tratado) à luz do paradigma vigente na União Europeia (a técnica do "salame" dos casos grego e irlandês, que já se percebeu não vai conter o progre- ssivo contágio da crise da dívida soberana) ou se já seremos incluídos numa outra aproximação às questões da sustentabilidade do euro, alicerçada numa vontade comum de coordenação das políticas económicas nacionais, via essa que me parece incontornável no caso de os dois países ibéricos acabarem por ser considerados em conjunto.
O segundo tempo é o tempo da política. Já se percebeu que as eleições presidenciais não vão constituir um momento de mobilização nacional que reverta o ambiente político geral do País. Os candidatos têm tido dificuldade em encontrar os pontos de aplicação do seu discurso com directa incidência nos problemas quotidianos dos portugueses, dificuldade essa, aliás, que resulta da delimitação dos próprios poderes presidenciais. Como nenhum dos candidatos que pode aspirar à vitória acabou por se deixar seduzir pelas teses da mudança de regime no sentido do presidencialismo, o epicentro do combate político permanecerá a luta partidária e o jogo parlamentar.
Assim sendo, fica em aberto a hipótese de uma crise política desencadeada a partir do Parlamento, só viável mediante uma convergência entre a esquerda e a direita para derrubar o Governo actual e assim abrir caminho ao uso do poder presidencial da dissolução. Para avaliar os riscos dessa operação talvez valha a pena olhar com atenção o que se vai passar na Irlanda nas próximas semanas...
O terceiro tempo é o tempo do social. O ambiente de crise que se vive só poderá resultar adensado pela efectiva aplicação das medidas de austeridade a partir de amanhã. As duas questões centrais do tempo social em 2011 serão, sem dúvida, o desemprego e a repartição equitativa dos sacrifícios impostos.
Neste particular, o maior risco vem daqueles que demagogicamente pretendem criar a convicção de que pode haver uma alteração significativa do desemprego no curto prazo. Com efeito, mesmo as tão reclamadas medidas de flexibilização do mercado de trabalho, na parte referente à facilitação da contratação, não produzirão efeitos de curto prazo, pelo que é de esperar que, sem um crescimento económico significativo, os actuais níveis de desemprego tenderão a perdurar durante o ano que ora se inicia. O que implica particular atenção às consequências de tal situação em termos de coesão social, num quadro complexo de contenção da despesa pública.
Já quanto à repartição equitativa dos sacrifícios, o que está em jogo, no limite, é a legitimidade e aceitabilidade social das medidas de austeridade, naquela zona fina de fronteira entre a responsabilidade solidária compartilhada e a propensão para reacções violentas de contestação e de desespero.
As excepções às regras de austeridade e os exemplos de desperdício dos recursos públicos serão objecto de um escrutínio muito mais severo e terão um potencial efeito devastador da própria legitimidade democrática no seu conjunto.
Os três tempos deste novo ano serão todos, pois, de grande exigência para os agentes políticos, económicos e sociais. Sabemos à partida que internamente não controlamos todos os dados nem todas as variáveis. Mas não será legítimo ignorar que aquilo que fizermos mal feito ou que deixarmos de fazer por inércia, receios ou bloqueios ancestrais será sempre aproveitado contra os nossos interesses como país e como sociedade.
De nós depende, pois, largamente, a forma como chegarmos a 2012.
Obs: António Vitorino é, de facto, um mestre a organizar o pensamento, a repartir as ideias e eficiente na exposição. Tenho pena que o seu contributo não esteja ao serviço da gestão da polis, especialmente em sectores-chave da administração da nossa coisa pública por onde passam inúmeros bloqueios da sociedade portuguesa que só agravam a dinâmica económica do país.
Um exemplo comezinho: alguém sabe, porventura, o que faz o actual titular da pasta da Justiça?
Certamente, muito pouca gente, e seria capaz de dar mais 3 ou 4 exemplos de ministros e de ministérios que estão em roda livre, e isso prenuncia uma deficiente navegação até 2012.
Veremos como esses players asseguram essa rota turbulenta até lá, se é que 3 ou 4 meses após cavaco ganhar Belém logo à 1ª volta o país - o país não conhece o rotineiro processo de convocação de eleições antecipadas com Cavaco a servir de fiel da balança, com a habitual parcialidade que se lhe conhece, dando, nesse processo, uma mãozinha a PPCoelho na sua ascenção ao cadeirão de S. Bento.
No fundo, cavaco tenderá a fazer com Coelho aquilo que fez com Ferreira leite nas legislativas de 2009, apenas com a diferença de que, neste caso, será melhor sucedido!!! A ser assim, e digo-o com imensas reservas, esta nova relação poderá traduzir o início dum novo ciclo político.

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A estrutura mental de Cavaco (por referência ao BPN affair)

No frente a frente com o candidato Manuel Alegre, na quarta feira, Cavaco Silva disse ter aprovado a nacionalização da instituição "face a uma lei que a Assembleia da República aprovou" e sobre a qual Cavaco disse ter manifestado muitas "muitas dúvidas", mas que o "Governo e o Banco de Portugal disseram que era a única alternativa para que não acontecesse um descalabro no nosso sistema financeiro e para proteger os depositantes".
(...) DN
Obs:
Depois de cavaco ter ganho imenso dinheiro com a especulação de acções da SLN, depois de ter imensas dúvidas acerca da nacionalização do BPN, depois de ter dúvidas acerca da sua própria existência - o actual PR acaba por actuar políticamente como se concordasse com todos aqueles termos.
Ou seja, na prática, cavaco pensa duma maneira e actua de forma contrária, e é nesta quadratura do círculo que cavaco faz política - procurando branquear inúmeros criminosos de colarinho branco que em Portugal, só por excepção, são presos, pois recordamos aqui que Oliveira e Costa foi o único "banqueiro" detido em Portugal. Banqueiro com aspas, porque o único banqueiro em Portugal é Ricardo Salgado.
O português médio, sem grande cultura política, já percebeu há muito que cavaco pretende branquear os players que administraram fraudulentamente o referido banco na última década, com o propósito de evitar ondas e, se possível, sair incólume do maior crime económico protagonizado por uma instituição bancária em Portugal - por um escol de ministros e de ex-secretários de Estado que nasceram e cresceram com aquele que foi PM de Portugal de 1985 a 1995.
Numa palavra: cavaco é o maior embuste da cena política nacional, e quando evoca os seus conhecimentos de economia e finanças como mola propulsora da economia nacional, só me recordo daquele compadre alentejano que, após ter lido um anúncio pedindo pilotos para a aviação comercial, se apresentou na direcção dos RH da empresa para dizer: não contem comigo!!!

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quinta-feira

Poeta-Alegre: Euros, contos, milhões, mil-reis, wherever...

Milhões, euros, contos-de-reis, tanto faz. A narrativa alegrense, que dizem ser um magnífico poeta, deixou-me tão confuso que agora jé nem sei em que tipo de economia me encontro (e que moeda utilizamos): liberal, autarcica ou escambo. Tanto faz, milhões de euros, contos, wherever. Kiwis, laranjas, limões, uvas, batatas, feijão verde, tomates, níparos. Voilá, o candidato em 1ª mão do BE, e em 2ª mão o afilhado-político do dr. Costa e do PS mais sectário da capital. Vão longe!!!

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quarta-feira

A máxima potência da previsibilidade (Cavaco) contra o esplendor da banalidade (Alegre)

O país assistiu hoje ao debate supostamente mais importante no quadro das eleições presidenciais, e aquilo a que assistimos foi uma luta entre a esfera da previsibilidade de mais do mesmo (Cavaco) contra o esplendor da banalidade (Alegre).
Pergunto-me o que andam a fazer os imensos jotinhas incompetentes do PS que nem um dossier de adágios temáticos souberam preparar ao poeta-Alegre (para que ele soubesse e pudesse ir um pouquinho além do enunciado dos problemas) - ante um cavaco estudioso, metódico, disciplinado e concentrado que hegemonizou todas as questões naquele paupérrimo debate. Mesmo as que jogariam contra si: escutas a Belém oriundas de S. Bento, SLN/BPN e conexos...
De resto, utilizo aqui o sub-título deste blog para caracterizar o debate: Cavaco vestiu o papel da serpente que hipnotizou o "passarão-Alegre" que, ainda que por momentos, pensou poder picar o rabo da serpente que, afinal, lhe deu o beijo da morte através do seu abraço constritor.
Ou seja, Alegre só não é um equívoco para o BE, pensou ser um pedrador mas não passou duma vítima fácil; Cavaco demonstrou fazer aquilo que sempre fez bem: ser o rei da previsibilidade e do bom senso apodrecido num país que não conseguiu compreender para que servem os seus altos conhecimentos de economia e finanças que, pelos vistos, Gov e país-real desconhecem.
Mas como ninguém elogia o actual locatário de Belém, ele próprio se encarrega dessa mega-tarefa, o que revela uma tremenda modéstia e humildade democrática.
Em suma: Presidente precisa-se.
Talvez um anúncio no Pingo Doce a amplificar essa necessidade prestasse um maior contributo a Portugal.

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terça-feira

Sociólogos dizem que portugueses receberam a crise com surpresa mas podem passar à "explosão"

Para António Barreto, o problema do país é a dependência do Estado e das organizações públicas (Foto: Paulo Pimenta)
Público.
Os dois sociólogos justificam a aparente calma da sociedade portuguesa, num contexto de agravamento de crise e de escalada de violência em manifestações pela Europa, com a falta de tradição organizativa e excessiva dependência do Estado.
“O ano 2010 é um ano de susto, em que os portugueses foram apanhados de surpresa. Um ano de medidas de austeridade aplicadas gradualmente e que não tiveram um efeito pleno na vida dos portugueses, como tiveram em países como a Grécia, onde as medidas foram particularmente drásticas”, afirmou Boaventura Sousa Santos.
Além disso, Portugal não tem tradição organizativa, considera o sociólogo, lembrando que o país viveu metade do século XX sem democracia e que, por isso, as pessoas continuam a ter medo e a viver como num regime de ditadura.
“É natural que algo aconteça a partir do momento em que estas medidas possam entrar não só no bolso, mas na cabeça das pessoas e estas percebam que estão a ser roubadas para que o sistema financeiro e os bancos continuem a ganhar rios de dinheiro e a fazer disparar o consumo ostentatório que tem neste Natal um dos pontos mais altos desde 2008”, afirmou.
Boaventura Sousa Santos acredita que as “coisas vão piorar” e que “se não houver inflexão vai-se assistir a uma situação explosiva nos próximos anos”.
Na opinião do sociólogo, Portugal não é dos países que “mais se ofendem, pois viveu muito tempo com a mediocridade escondida do salazarismo”, e “não tem tanta percepção de justiça”, mas pode ser contagiado pelas mobilizações sociais na Europa, perante o desgaste dos direitos sociais.
Para António Barreto, o problema de Portugal é a dependência do Estado e das organizações públicas. “Quanto maior a dependência, mais o receio de expressão livre e independente, sobretudo da expressão de contestação. Mas também este facto tem particularidades: recalcar a expressão crítica por causa de dependência pode conduzir a verdadeiras explosões, mais tardias, mas mais cruas ou violentas”, considera o sociólogo.
Durante este ano, o clima de contestação foi elevado, mas sob formas pacíficas e institucionais, considerou o sociólogo, lembrando, contudo, que a situação se pode alterar. “Nem sempre a contestação é proporcional à dificuldade. Por exemplo, taxas elevadas de desemprego e até situações de fome ou carência podem coexistir com graus igualmente elevados de resignação”, afirmou, manifestando-se convicto de que no próximo ano se “desenvolverá muito significativamente o descontentamento”.
Na opinião do sociólogo, se o poder político não souber responder com clareza e se revelar instável e incoerente, as coisas podem agravar-se. “E se o poder político persistir em não reconhecer os problemas, em não esclarecer, em mentir, em enganar os cidadãos e em, pior de tudo, enganar-se a si próprio, poderemos recear uma crescente tensão social”, acrescentou.
Obs: Bem ou mal, nem todas as revoluções se manifestam à séc. XIX com o guia do Das Kapital de Carlinhos Marx numa das mãos, e com a espada e o sangue na outra. Seja como for, e considerando as correlações complementares que ambos os sociólogos fazem acerca das condições socioeconómicas em Portugal, devemos reconher que quem nasceu na década de 80 não sabe quem foi salazar, o que representou o salazarismo nem, consequentemente, conheceu os seus efeitos, directa ou indirectamente.
Logo, a explosão social, a ocorrer em Portugal, escolherá outras causas, outras fontes, outros sistemas intelectuais de justificação - para retomar a terminologia dum grande sociólogo, Vilfredo Pareto (curiosamente, engenheiro de formação), e outros veículos de promoção da insatisfação social.
A emigração, consabidamente, tem sido uma válvula de escape, o conformismo representa outra fonte de inércia que, porventura, tem aplacado essa explosão social.
Veremos até quando esta mansidão perdura entre nós, sobretudo no Ano Novo de 2011 - que será, por todas as razões, talvez o ano mais difícil para os portugueses desde o 25 de Abril, quer no plano individual, quer no plano colectivo.

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segunda-feira

O poder simbólico de Assange = ordem gnoseológica = 1 milhão e 200 mil euros

Julio Assange vulnerabilizou e ridiculariozu, como ninguém antes dele, o poder tecnológico e o aparelho diplomático da República Imperial, chamuscou as relações que os EUA têm com a Europa, e instrumentalizou os conhecimentos informáticos que pôs ao serviço da sua mega-empresa de denúncia globalitária.
Nasceu, pois, um poder simbólico com base no qual Assange passou a reconstruir a realidade que tende a estabelecer uma ordem política e comunicacional emergente.
Matá-lo, seria estúpido, e os EUA não podem cometer tais disparates aos seus "indesejados" como a Rússia de Putin e de Medvedev fez aos jornalistas indisciplinados que caem que nem tordos com duas balas na testa. Isso não se pode fazer no Ocidente europeu por causa dos valores e dos princípios-guia que orientam a filosofia do Estado e da sociedade.
A emergência de Assange no sistema internacional é, porventura, o dado mais relevante dos últimos anos, já que emerge como o cidadão-global cujo empower radica nas TIC - e o interaccionismo com a sociedade mundial e a respectiva opinião pública planetária acaba por redefinir as relações de força da comunicação entre os principais players do mundo actual, desde políticos a financeiros e especuladores, que hoje vivem de modo cada vez mais inseparável, na medida em que dependem cada vez mais, na forma e no conteúdo, não apenas do poder material mas, sobretudo, do designado poder simbólico acumulado pelos milhares de telegramas que Assange - e a sua equipa de piratas informáticos - em conluio com os militares detractores à (dita) República Imperial - conseguiram esbulhar dos canais formais do aparelho diplomático.
A esta luz, Assange representa o novo sistema simbólico que vai reestruturar as linhas de comunicação e de conhecimento para o futuro no quadro da função política e de legitimação de dominação contribuindo, assim, para a domesticação dos dominadores (e não, "domesticação dos dominados", segundo Weber).
É a este novo campo de produção simbólica que algumas editoras vão pagar a Assange 1 milhão e 200 mil euros, coisa que dezenas de investigadores não ganham numa vida. Ainda por cima, esta luta simbólica serve os interesses particulares de Assange - que vê a sua organização sendo financiada por doadores desconhecidos (com recursos financeiros sabe-se lá donde!!!) nesta nova luta interna e externa pelo poder na esfera da globalidade.
Dantes esta luta fazia-se através de filósofos e de ideólogos cujas ideias procuravam modificar as sociedades, de que Carlinhos Marx foi um pioneiro no séc. XIX e XX, com desvios grosseiros, hoje, ao invés, essa luta realiza-se através de piratas informáticos, o que é um sinal dos tempos.
Giro-giro, seria vir a descobrir que Assange é um espião que veio do frio, e que os serviços de intelligence do ex-KGB já não o conseguiram absorver, levando Julinho a esta reconversão espectacular que domina a arena política mundial.
Vejam bem o homem, e digam lá se não se aproxima do padrão do espião que veio do frio de há umas décadas a esta parte...

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A Guiné-Bissau é um narco-Estado... E os desertos têm areia e os oceanos repletos de água

Imagem picada no rizoma.
Wikileaks: Guiné-Bissau é um «narco-Estado emergente».
Telegramas da diplomacia norte americana revelados pela Wikileaks indicam que a Guiné Bissau é um Estado controlado pelo tráfico de droga avança hoje o jornal El País, parceiro na divulgação de documentos secretos.
Os documentos revelam um alerta da agência norte americana de combate a droga (DEA) de que a África ocidental caiu nas mãos dos traficantes de droga. Em destaque a situação na Guiné-Bissau, descrita como «muito preocupante», sendo apontada como «o primeiro narco-Estado emergente» do continente africano.
O telegrama refere também vários supostos líderes do tráfico, entre os quais o ministro da Defesa e o chefe das Forças Armadas, não havendo provas de que o então presidente Nino Vieira – entretanto assassinado – estivesse implicado no tráfego.

Obs: A "organização das fugas" só divulga pratos requentados com anos de existência. Todos nós sabemos que a Guiné-Bissau não se dedica propriamente à plantação de feijão-verde nem à produção de crucifixos de madeira para vender aos crentes e beatos em Fátima, e é com base nestas informações, mais ou menos genéricas, que o seu fundador, Julinho Assange, se comprometeu a escrever a sua biografia em troca de 1 milhão e 200 mil euros. É obra. Espero que nessas narrativas desesperadas ele poupe o público a ler os fracassos sexuais que teve ao longo da vida.

Contudo, não podemos ocultar que os seus skills vieram questionar a forma como os agentes políticos e os aparelhos diplomáticos desenvolvem as suas comunicações, que a Internet veio curte-cicuitar - ao exigir mais transparência e vigilância nas relações políticas e nas comunicações globais.

A esta luz, a emergência deste simbolo do cidadão-global com um tremendo empower (via TIC) poderá configurar um "activo", mas o "passivo" desta nova relação global culmina na quebra de confiança que demorará anos a recuperar.

Entre o deve e haver o saldo da Wikileaks ainda não foi encontrado. Seja como for, Assange deveria ter começado a sua "guerra" das informações denunciando os crimes horrendos das ditaduras sobre as respectivas populações - porque é aí que a vida humana está mais directamente em perigo, mas ele optou pelos EUA e pela Europa onde, curiosamente, a democracia pluralista e o rule of law estão mais fortemente implantados.

Veremos como e quando isto acaba.

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domingo

Tony Judt disserta sobre a recessão

In memoriam: Tony Judt (1948-2010).
Um historiador, escritor e académico de 1ª água. Republicamos aqui esta síntese em sua homenagem. Como se pode ver pelas respostas - o quadro é profundamente negativo nas sociedades europeias (e não só), e daqui não decorre que Judt seja meramente um pessimista, mas sim um realista bem informado pelo rigor das suas investigações. Tony Judt on Recession
The economic crisis has affected not only bank accounts, but is reshaping society in general. In recent years, Western society, so used to feeling secure for so long, has had to deal with a myriad of insecurities. In our Read My Lips from the late Tony Judt's final book, "Ill Fares the Land," the author describes the long-term effects of recession on the human psyche.
1. What is the dominant feeling in Western society these days?
"We have entered an age of insecurity — economic insecurity, physical insecurity, political insecurity.”
2. What other feelings does insecurity breed?
“Insecurity breeds fear. And fear — fear of change, fear of decline, fear of strangers and an unfamiliar world — is corroding the trust and interdependence on which societies rest."
3. Why will this be hard for Western society to get through?
"We in the West have lived through a long era of stability, cocooned in the illusion of indefinite economic improvement. But all that is now behind us. For the foreseeable future we shall be deeply economically insecure. Poverty is an abstraction, even for the poor. But the symptoms of collective impoverishment are all about us.”
4. What signs of poverty are visible around us?
“Broken highways, bankrupt cities, collapsing bridges, failed schools, the unemployed, the underpaid and the uninsured: All suggest a collective failure of will."
5. Will capitalism suffer as a consequence of this insecurity?
"If we cannot trust bankers to behave honestly, or mortgage brokers to tell the truth about their loans, or public regulators to blow the whistle on dishonest traders, then capitalism itself will grind to a halt." 6. Why is bankers’ honesty so important?
"Markets do not automatically generate trust, cooperation or collective action for the common good. Quite the contrary." 7. Did people in earlier periods see the magic of markets shaken?
"By 1945, few people believed any longer in the magic of the market. This was an intellectual revolution. Classical economics mandated a tiny role for the state in economic policymaking.”
8. Why were people used to government intervention? “Two world wars had habituated almost everyone to the inevitability of government intervention in daily life."
9. In your opinion, what is globalization? "Globalization is an updating of the high modernist faith in technology and rational management which marked the enthusiasms of the postwar decades."
10. And finally, what is your view on the 1990s? "The 1990s: The first of two lost decades." Editor's note: All the quotes in this Read My Lips have been drawn from Tony Judt's book, "Ill Fares the Land," published by The Penguin Press HC on March 18, 2010.

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D. Jorge Ortiga: Arcebispo censura interesses partidários e carreirismo

O arcebispo primaz de Braga afirmou à Agência Ecclesia que “em Portugal, não há política, no sentido genuíno da palavra”.
D. Jorge Ortiga entende que “há demasiados interesses partidários e carreirismo. Há uma submissão exagerada a um líder, às orientações do partido. E deveria haver liberdade e responsabilidade da parte de todos”.
Numa longa entrevista que em passa em revista a intervenção da Igreja Católica em Portugal no ano 2010, o também presidente da Conferência Episcopal Portuguesa analisa a visita do Papa, os casos de abuso sexual por membros do clero, a crise económica, a aprovação da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo e o Centenário da República.
Ainda sobre a actividade política criticou que exista “quase sempre, da parte dos diversos partidos, orientação do voto e uma linguagem programada no Parlamento”, onde “são sempre os mesmos a falar”.
Doutrina social da Igreja como alternativa
Sobre o actual momento de crise, D. Jorge Ortiga, propõe como alternativa ao actual mo- delo económico, a que “resulta dos contributos da Doutrina Social da Igreja”.
“Estou convencido que este modelo social e económico da actualidade está ultrapassado, desapareceu e estamos a colher os resultados”, afirma o prelado bracarense, censurando o in teresse, no mercado que provoca lucro fácil, permitindo que alguns enriqueçam e outros continuem a viver na miséria”.
O arcebispo insiste que “a alternativa está numa consciência nova, assente nos princípios da Doutrina Social da Igreja da solidariedade e do bem comum”, porque “nesta fraternidade, haverá sempre quem tenha mais e quem tenha menos, mas as desigualdades não serão tão grandes; e não haverá pessoas com duplo e triplo emprego, antes a sensibilidade para reconhecer que o outro tem uma dignidade idêntica à minha e necessita de poder trabalhar e ter direito a uma vida digna”.
Observatórios sociais nas paróquias
Sobre as respostas aos mais necessitados, D. Jorge lembra que “a Igreja foi pioneira, nas cidades e nas aldeias, a lançar centros sociais e paroquiais há muitos anos para dar respostas sociais quando não se falava muito da necessidade delas”.
O presidente da Conferência Episcopal alerta, no entanto, que a acção daquelas instituições “não basta”.
A caridade é muito mais do que isso: é feita de atenção, de silêncio, de tempo”. D. Jorge Ortiga considera “importante ter um conhecimento da realidade, através de um Observatório Social, onde a paróquia pode ser um meio importante para dar a conhecer a real situação das famílias”.
Obs: D. José Ortiga é um homem intelectualmente estruturado: lê, estuda e reflecte antes de falar. Todavia, duvido que os agentes políticos lhes dêem ouvidos, mas, por outro lado, o carácter incisivo das suas palavras bem poderiam colher eco nos lugares comuns proferidos por sua eminência, D. José Policarpo. Pela coragem e presciência das suas palavras medite-se em propostas de solução que complementem as preocupações do arcebispo primaz de Braga, D. Ortiga.

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sábado

Evocação de Oscar Niemeyer e de Vasco Santana

Oscar Niemeyer - A vida é um sopro (fragmentos)

Pátio das cantigas- vasco santana e o candeeiro

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A dúvida meta-política de Fernando Nogueira...

... Consiste em saber se o ex-delfim de Cavaco votará em Fernando Nobre ou em Defensor de Moura, o único candidato que, não recorrendo a falsidades, desinformação ou propaganda, conseguiu denunciar alguns dos piores defeitos do actual PR encostando-o à parede - que, de facto, ficou suja de parcialidade e de falta de isenção que seria esperável por quem se reclama ser presidente de todos os portugueses. A esta luz, inclino-me a pensar que Nogueira votará Defensor de Moura nas próximas eleições presidenciais.

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A organização das fugas actua ao retardador...consoante as doações

WikiLeaks: Austrália trabalhou com Indonésia para gerir crise do massacre de jornalistas. Expresso Telegramas revelados pelo WikiLeaks provam que Camberra trabalhou nos bastidores com Jacarta para ajudar o executivo indonésio a gerir as consequências da execução de cinco jornalistas australianos em Balibó, Timor-Leste.
Obs: Se a organização das fugas sabia destas conexões deveria ter actuado preventivamente a fim de tentar salvar algumas vidas, mediante a pressão que colocaria na opinião pública internacional, apesar de sabermos a baixa consideração que assange tem pelos jornalistas no mundo; doutro modo, parece que a dita organização opera ao retardador, em função dos apoios financeiros que vai recolhendo pelo mundo e ao ritmo das doações privadas de inimigos dos Estados - para, tempos depois, já com os jornalistas abatidos e enterrados, revelar as ditas conexões. Parece que o objectivo da organização das fugas não é salvar vidas, moralizar e humanizar as relações internacionais, contribuir para a paz e segurança internacionais, mas colocar em maus lenssóis governos e Estados que, especialmente do lado da Indonésia, nunca souberam o significado da palavra Democracia e Liberdade.

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A contagem decrescente - por António Vitorino -

[...] dn
Nesse final de ano de 2009, as previsões à escala global dividiam-se entre os que decretavam o fim da crise e os que colocavam esse fim algures no termo do primeiro semestre do ano. Havia, assim, os que defendiam a necessidade de novos estímulos à economia para contrapor a uma provável recessão e os que preconizavam uma diminuição progressiva e gradual desses estímulos, embora tendo em conta a necessidade de conferir prioridade ao combate ao desemprego.
Foram raras as vozes que anteviram a natureza profundamente assimétrica da recuperação económica e menos ainda as que situaram na Europa o foco da instabilidade que hoje vivemos.[...]
Obs: Digamos que a segunda actividade mais falível depois de governar é fazer previsões, por isso o melhor é esperar que a realidade as faça, ainda que isso custe a cabeça de muita gente.

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sexta-feira

Jesus Cristo cravado na cruz com uma coroa de espinhos na cabeça. É bom não esquecer

É bom lembrar nesta época festiva que o Natal não é só comer o bolo-rei, trocar prendas, lembrar os deserdados da vida e o mais que o teatro do hiper-consumismo nos doutrina hora-a-hora, minuto-a-minuto.

Esta época é um momento de sofrimento por quem morreu aos 33 anos - por ter sido miseravelmente condenado à morte, tal como Sócrates, de Atenas, e nem os piores criminosos de então morreram como Jesus. Foi encravado nas mãos e nos pés para se aguentar naquela cruz - que hoje nós miramos, porventura, comendo o bolo-rei de boca aberta jogando perdigotos pelo espaço, como fazia "o outro" que agora diz que só aqueles que nascem duas vezes podem ser mais "sérios" do que ele. Que pobreza!!

Jesus Cristo, dizia, em lugar de pregos foi encravado nos pulsos e nas mãos - obrigando-O a empenhar (e a destruir) toda a sua massa muscular para suportar aquela imensa dor. Cravos de 20 cm com 6 de diâmetro e de cabeça quadrada foi uma barbaridade - que hoje nunca evocamos, porque, simplesmente, ou ignoramos os factos ou queremos esquecer essa dor não vá ela tocar-nos, ainda que de longe. O resultado foi as costas e os pulsos rasgados, e para se aguentar naquela maldita cruz teve de sustentar todo o seu peso nos pés, onde um cravo maior havia sido pregado nos dois pés.
Será que alguém consegue imaginar essa dor!?
É impossível pela via da imaginação sentir o que Ele deve ter sentido. Que belo Natal. Mas como Jesus não era Deus, logo imortal, só conseguiu aguentar aquela maldade por pouco mais do que um par de horas, depois finou-se, esvaido em sangue. Com a agravante dos "beneméritos" lhe terem colocado uma coroa de espinhos na cabeça, qual cereja no bolo. E foi assim que Jesus se foi: 3 cravos e uma coroa.
Eu, confesso, tenho o maior respeito por essa dor e pelo exemplo milenar que depois se lhe seguiu, espero ter uma morte mais suave, mas não esqueço esta maldade a milhares de anos de distância, até porque hoje se continua a matar com igual e superior requinte de malvadez e barbaridade. De pouco serviu o esse exemplo aos homens do nosso tempo.
É esta reflexão acerca do sofrimento humano que aqui desejaria partilhar, porque a vida não são só rosas, Senhor!!!
São também cravos e coroas de espinhos, para mal dos nossos pecados teremos de viver com isso na memória, para quem a tem, naturalmente!!

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Cavaco e Defensor Moura atacam-se sobre "larachas" e "tretas"

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Os candidatos presidenciais Cavaco Silva e Defensor Moura protagonizaram esta noite um debate tenso, com várias trocas de acusações.
DN
Além da questão BPN (ver relacionado), ao longo do debate, Defensor Moura acusou Cavaco Silva de ter favorecido "uma autarquia do PSD" nas comemorações do Dia de Portugal em 2009, de não ter cultura e de ter sido desleal para com os ex-líderes do PSD Fernando Nogueira e Santana Lopes e disse ter sido pressionado enquanto presidente da Câmara de Viana do Castelo a contratar a cantora Kátia Guerreiro e a construir "uma tenda que custou 165 mil euros".
O deputado do PS acusou ainda Cavaco Silva de ter desbaratado "milhões e milhões de contos" de fundos comunitários quando era primeiro-ministro.
Cavaco respondeu a esta última acusação citando elogios de Jacques Delors, "um socialista respeitado, não é como alguns daqui". Defendeu-se várias vezes acusando Defensor Moura de mentir e observou: "É preciso nascerem duas vezes para ser mais honestos do que eu". "Não se é candidato a Presidente da República só porque vem à cabeça, porque se quer ser, porque se diz umas larachas, umas tretas, umas palavras aqui ou acolá. É preciso ter conhecimentos e é preciso ter experiência", acrescentou.
Na resposta, Defensor Moura disse: "Chamar larachas e chamar tretas a demonstrações claras de falta de isenção, de favorecimento de amigos e correligionários, de pactuar com negócios ilícitos que estão nos tribunais".
Obs:
Do que conheço dos materiais políticos nacionais dos últimos 20/25 anos, não registei nenhuma "treta ou laraxa", para retomar a terminologia lamentável e de doca de cavaco silva para atacar Defensor de Moura, que revelou ter uma lucidez, apresentar factos e uma coragem singular em Portugal, que faltasse à verdade.
Com Fernando Nogueira o actual PR teve uma conduta lamentável, de grande deslealdade, opaco e parte interessada nas acções da SLN, parcial com autarcas consoante se trate camaras do PS ou do PSD, falta de fiscalização e de direcção política dos fundos comunitários no tempo de "vacas gordas" (com o certificado passado por Jacques Delors, caricato!!!) em que cavaco dirigiu Portugal (1985/95).
A não ser que falar verdade em Portugal seja crime, se assim for Defensor de Moura revelou-se uma agradável e mui sustentável surpresa. Sejamos sérios, e atente-se no nível dos argumentos e dos raciocínios utilizados pelo "experiente" cavaco silva, os quais nada serviram para ajudar o Gov e o país a crescer, a modernizar-se e a criar riqueza.
Numa palavra: o actual locatário de Belém é um embuste.

Um casamento forçado sem bolo-rei

Confesso que gostei de ver hoje Sócrates ir a Belém prestar vassalagem a cavaco. Fê-lo nos termos em que o fez, falando em "lealdade e cooperação institucional", porque sabe que o seu candidato presidencial, Alegre, é um rotundo derrotado antecipado; Cavaco, por seu turno, instou o Gov a ser "energético" para fazer face aos problemas e desafios de 2011. No final, o PM queria mais atenção e conversa, Cavaco apenas lhe deu um bacalhau a despachar e recolheu aos aposentos. A safa do país é que, desta vez, os portugueses não viram o PR a comer o bolo-rei, dando aquela "boa imagem de marca" de Boliqueime no Palácio Rosa que até a CNN aprecia.

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quinta-feira

Electricista romeno atirou-se das galerias do Parlamento em Bucareste

Adrian Sobaru saltou de uma altura de sete metros (Bogdan Stamatin/Reuters
Adrian Sobaru, electricista no canal de televisão estatal romeno, atirou-se das galerias do Parlamento em Bucareste para protestar contra as medidas de austeridade do Governo. Gritou “liberdade” e “vocês têm o pão dos nossos filhos”. [..] Público
Foi um protesto desesperado, feito enquanto o primeiro-ministro romeno, Emil Boc, discursava no Parlamento. Adrian Sobaru subiu ao corrimão da galeria e atirou-se de uma altura de sete metros. Sofreu vários traumatismos na cabeça e no resto do corpo, segundo o diário espanhol “El País”, mas os médicos dizem que não corre risco de vida.
Sobaru, na casa dos 40 anos, é pai de dois filhos e o seu protesto estará relacionado com os cortes anunciados pelo Governo. Levou para o Parlamento uma t-shirt onde se lia “vocês mataram o futuro dos nossos filhos” e saltou da galeria enquanto os deputados discutiam uma moção de censura contra o Governo que acabou por ser recusada. (...)
Obs:
Espero que este protesto tão dramático quanto surpreendente não cause um precedente na candidatura de Cavaco Silva que o leve, amanhã, a jogar-se da Ponte de Salazar, perdão, 25 de Abril, sob o pretexto de que se vai suicidar para salvar o BPN.
As notícias do Público assemelham-se cada vez mais às do Crime ou do C. da Manhã.
Os factos e as notícias que os veiculam continuam a não prestar, talvez seja preferível mudar de mundo, dada a impossibilidade de mudar de factos e de notícias!!!

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Oliveira e Costa é o anti-herói dos novos tempos neste 1º quartel do III milénio

Se tivesse que eleger a personalidade de tipo anti-herói de 2010 em Portugal não teria dúvida em fazer recair a escolha sobre Oliveira e Costa: um self-made man de Esgueira, Aveiro, que nunca brincou na vida, cedo começou a trabalhar para se sustentar e garantir o sustento da sua família. Mas o que, porventura, faz deste "engenheiro financeiro" especialista em "contabilidade criativa" um anti-herói é, de facto, o conjunto de atitudes e de comportamentos que desenvolveu na esfera pública, seja como ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais de cavaco silva, seja depois através da sua actividade bancária como fundador e CEO do BPN, essa criação eminentemente cavaquista.
Serão múltiplos e distintos os vários crimes económicos, financeiros que Costa praticou, muitos deles são tão criativos que nem sequer estão previstos na lei, porque esta, consabidamente, anda sempre atrasada relativamente à inventividade da alta criminalidade económico-financeira, por natura, sofisticada.
Mas o CEO do BPN consegue várias proezas simultaneamente, o que fará dele esse anti-herói dos novos tempos.
Vejamos sumáriamente algumas dessas proezas: Oliveira e Costa tem uma rede de colaboradores, desde administradores, adjuntos, meros executantes que actuavam mediante a sua ordem, outros com alguma autonomia, e só ele foi detido pelas autoridades criminais deste país. Significa que Oliveira e Costa foi fiel à sua lei da Omertà, pois podendo denunciar dezenas de pessoas que operavam na sua orbita, e que são co-responsáveis por aqueles crimes, acabou por os encobrir em nome dum desígnio maior a fim de circunscrever o problema, poupando, assim, directamente Belém e alguns efeitos colaterais do bloco central que tem uma perna dentro e outra fora do Gov.
Daqui decorre uma 1ª ilação: o nosso sistema de justiça é tão fiável quanto aqueles semáforos do Campo Grande que, por falta de manutenção, já mataram crianças por efeito de electrocução. O. e Costa podia agir animado pelo egoísmo puro e duro, pela mera vendetta, por vaidade (assacada por ele a Dias Loureiro na Assembleia da República), ou por outra qualquer característica da condição humana, porém Oliveira e Costa conseguiu segurar todos aqueles efeitos colaterais e preferiu "morrer sózinho" do que denunciar as centenas de colabores que foram executando a mega-fraude que descapitalizou o BPN, colocou os seus clientes no fio da navalha transferindo para os seus cerca de 1800 funcionários o odioso da tarefa de, diáriamente, defender o banco junto dos clientes, i.é, vendendo gato por lebre a fim de segurar os seus postos e trabalho.
Eis os ingredientes que fazem de Oliveira e Costa o tal anti-herói da sociedade portuguesa de 2010 - que poderá fazer as delícias da literatura e da 7ª Arte nos próximos tempos entre nós. Ao mesmo tempo rebelde e simpático, Costa afirma-se também um homem detentor dum refinado humor, senão mesmo sarcasmo, o que é fácil, especialmente se o dinheiro for dos outros, como é o caso.
Naturalmente, quando se fizer a história do tempo em que Oliveira e Costa esteve nos Assuntos Fiscais, perceber-se-á como é que certas empresas que não pagavam o dito "dízimo ao partido", eram depois perseguidas fiscalmente a ponto de terem de fechar portas por falência. Costa sempre sobreviveu, e só foi detido quando há denúncias "de dentro" do seu inner circle (como sucedeu a Isaltino, em Oeiras) que desperta as autoridades, sempre os últimos a saber, para a prática de burlas, fraudes fiscais, branqueamento de capitais e de inúmeras outras irregularidades que conduzem depois o Estado à nacionalização do bpn - nomeando uma Administração da CGD (que ora quer sair) - a fim de evitar o colapso definitivo daquela muleta cavaquista..
Mas Oliveira e Costa, embora sendo preso, sempre obteve a anuência da autoridades, à esquerda e à direita, deste e doutros governos, o que se explica, em parte, pelo carisma do ex-secretário de Estado de cavaco, mas também, e sobretudo, pela acordo tácito entre ps e psd em segurar o homem, culpando-o de tudo para não envolver mais ninguém e, ao mesmo tempo, atenuando-lhe a pena.
A esta luz, Oliveira e Costa é um verdadeiro anti-herói, já que se destaca do papel do vilão clássico, na medida em que obtem a provação de quem tem o poder político em Portugal, seja em S. Bento, seja em Belém, por maioria de razão. E fazer este pleno, além de ser um acto quase milagroso, revela também a natureza do nosso regime político e sobre que valores assenta para dirimir a alta criminalidade económico-financeira que tem grassado em Portugal nos últimos 10/15 anos.
Se fosse novelista ou realizador de cinema, era neste anti-herói que pegava para fazer o livro ou o filme da década em Portugal. Talvez nenhuma outra oportunidade ocorra em Portugal para descrever o comportamento, as ambições, as regras, as condutas, as fragilidades, o tráfico de influências, enfim, toda a corrupção nas suas várias instâncias e vertentes que tolhe hoje o sistema político, económico e financeiro no nosso país para reescrever a própria História de Portugal.
José Hermano Saraiva já está bastante velhinho para uma empresa dessa grandeza, e enquanto não desponta um historiador de fôlego capaz dessa mega-tarefa, sempre poderemos ilustrar em Banda Desenhada/BD alguns desses traços tipicamente lusitanos, mas que têm muitas conexões a Cabo Verde, Ilhas Caimão, outras off-shores e muitos outros destinos que um tal dias loureiro, poeta nas horas vagas, poderá, um dia, melhor do que ninguém, ajudar a esclarecer. Terá é que deixar passar os anos exigidos pela lei para não ir preso (in)voluntáriamente. Mas Loureiro é esperto, e sabe isso!!
O mais interessante, porventura, é que Oliveira e Costa já revelou ter duas personalidades diametralmente opostos: quando foi secretário de Estados dos Assuntos Fiscais era um tipo austero, frio, analítico, como cavaco; agora, já mais velho, debilitado e com os podres todos à mostra da vitrine da opinião pública, revela-se um ser dialogante, simpático, sentimentalista e com um excepcional sentido de humor.
O que também é revelador da miséria da própria condição humana. Tudo isto faz, objectiva e subjectivamente, de Oliveira e Costa o anti-herói por excelência da história da política, da economia e da alta finança portuguesa dos últimos tempos.
Oliveira Costa na comissão de inquérito

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Conselho de Ministros confirma aumento do salário mínimo para 485 euros em Janeiro

O Conselho de Ministros aprovou esta manhã o aumento do salário mínimo nacional, a partir de 1 de Janeiro, em 10 euros, para 485 euros. A ministra do Trabalho, Helena André, garante que no fim de 2011 chegará aos 500 euros.[...]Público
Obs: É óbvio que este avanço não basta para cobrir a inflação, ainda assim é positivo. Todavia, e com o o oportunismo politico-eleitoraleiro da época, é útiNegritol prevenir as hostes, não vá cavaco reclamar para si mais esta grande vitória social, dizendo que foi ele, nas catacumbas da casa de Eduardo catroga, que exigiu a Teixeira dos Santos esta cedência de mais 10 euritos comidos ao OE/2011 para agora beneficiar o proletariado que o dito cavaco (agora um marxista avançado da social-democracia), em período eleitoral, protege e promove. Aliás, cavaco "sempre se preocupou com o proletariado", como todos nós muito bem sabemos!!! daria vontade de rir, se a situação micro e macro-económica do país não fosse tão grave!!!

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Um debate que baixou as audiências. Já nem cavaco aquece o share televisivo.

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Um debate que baixou as audiências, sol
Os debates presidenciais não parecem ser um bom investimento para as televisões. Ontem, na TVI e integrado no Jornal Nacional, as audiências baixaram logo que começou o debate entre Manuel Alegre e Fernando Nobre. No primeiro minuto o Jornal Nacional perdeu 100 mil espectadores.
Aliás, os números mais baixos do Jornal Nacional aconteceram precisamente enquanto Constança Cunha e Sá moderava a discussão entre estes dois homens, que em grande parte disputam o mesmo eleitorado. O noticiário da TVI estava nos 26% de share, com mais de 900 mil espectadores, quando o debate começou. E os números foram baixando até atingirem os 19,2% de share e 710 mil espectadores, a pior performance durante os 40 minutos que o programa durou.
No conjunto dos 28 minutos em que decorreu, o debate - que foi a 'fatia de leão' do noticiário - teve 20,7% de share (contra os 23,9% de média do Jornal Nacional) e 764 500 espectadores (contra os 855 700 do programa).
Para os candidatos, não foi o pior, nem o melhor. Os resultados menos bons de ambos aconteceram na SIC (Cavaco SIlva - Fernando Nobre e Manuel Alegre - Francisco Lopes). Já o mais conseguido de Nobre foi o primeiro, com Francisco Lopes, na RTP, e o de Alegre foi também na RTP, com Defensor Moura.
SOL
Obs: Já nem cavaco aquece o share televisivo... Por este andar, as estações de tv ainda vão pedir aos candidatos e respectivos apoios e direcções partidárias justas indemnizações pelos "lucros cessantes" que as ditas estações passaram a ter com tais debates. Os quais se reflectem na quebra de audiências, o que fará pensar duas as empresas que lá investem a sua Pub.
Talvez para contrariar esta tendência recessiva, as televisões pudessem investigar as causas remotas e próximas de um affair que desencontrou o país com o sr. prof. Cavaco e Silva, quando este decidiu desencadear um golpe de estado constitucional com base numa inventona, as famosas "escutas de S. Bento a Belém", como forma de ajudar Ferreira leite a ganhar as legislativas e, at the same time, depor Sócrates do poder.
O resultado culminou no afastamento de Fernando lima, que em tempos levou o DN quase à falência, embora continuasse a trabalhar nas catacumbas de Belém e nas chamadas fugas de informação com certa imprensa.
Como o zé povinho está permanentemente alienado e não percebe o alcance de certas jogadas, continua a votar nas "crenças" e nos opinanços de Domingo - assente em "elaboradíssimos" argumentos do "porque sim" e "porque não".
Recordo que uma amiga minha até dizia que sempre tinha votado no cavaco porque ele se assemelhava a um manequim da rua dos Fanqueiros, e como ela sempre teve um fetiche por manequins - era a forma encontrada de a senhora ir para a "cama da sublimação" com o dito político provinciano de Boliqueime.
Há de tudo neste mercado de "elaboradas" ideias que fixam opções político-eleitorais, talvez por isso Portugal esteja como está: atrasado, alienado e, claro, repleto de "crenças"!!
É uma pena que em certos aspectos do nosso quadro de pensamento e de mentalidades, milhões de portugueses ainda pensem como os albaneses da Europa.

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quarta-feira

Compreender Cavaco "e" Silva, como diz o zé povinho...

É interessante registar a lógica discursiva do actual PR, Cavaco "e" Silva, sempre com um léxico paupérrimo e com umas articulações primárias acerca da economia e da sociedade, doméstica e transnacional.
Atente-se na sua nova charla presidencial e anti-FMI: Cavaco é contra a entrada desta organização em Portugal, porque, segundo diz, a sua entrada traduz o falhanço do Governo em funções. Isto é tão básico quanto aceitável para 10 milhões de idiotas, que somos todos nós, portugueses.
Mas o que cavaco não diz, aquilo que fica no silêncio negro do seu poder que assenta na sua lógica discursiva de pacotilha, é que caso o FMI entre no burgo seriam imediatamente auditadas inúmeras contabilidades públicas - de empresas e organizações - cujos reflexos irão chamuscar ainda mais o Gov e também o locatário de Belém.
Com o FMI no Terreiro do Passo, a ditar as regras do jogo, os impostos seriam agravados, o rigor nas finanças públicas seria mais pesado (com Teixeira dos Santos a ir para o olho da rua sem dó nem piedade), os cortes no Estado com vista ao seu emagrecimento seria uma realidade, a própria estrutura orgânica do actual Gov teria de minguar (diminuindo o número de ministros e de secretários de Estado), minguando também o número de assessores, consultorias externas e o mais que hoje faz do Estado português ser o agente público mais perdulário de sempre.
Mas aquilo que Cavaco não diz, porque o teme profundamente, seria as consequências práticas da mega-auditoria que o FMI mandaria de imediato fazer ao BPN a fim de apurar responsabilidades a quem, durante mais duma década, andou a cometer crimes fiscais e de colarinho branco vários que hoje são profundamente lesivos para o erário público, ou seja, para cada um de nós, que os paga mediante os nossos impostos. E é por isso que Cavaco não quer o FMI a escrutinar as contas públicas em Portugal.
Ele dá a entender que quer proteger o país dessa desgraça, mas, na realidade das coisas, ele apenas tenta proteger-se da gestão danosa de que - directa ou indirectamente - acabou por ser parte (e beneficiário).
Aqui há umas décadas, os formuladores de política externa norte-americana diziam que o que era bom para a General Motors/GM era bom para a América, hoje, ao invés, o que é bom para Cavaco (não entrada do FMI no burgo!!) é mau para Portugal.
Até nisto o actual PR pensa mais no seu umbigo do que nos verdadeiros e efectivos interesses nacionais.
É também por essa razão que até um candidato menos bem colocado no score presidencial, como é Fernando Nobre, teria um melhor desempenho no Palácio Rosa do que o actual locatário de Belém.

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O Natal

O Natal ainda é, afinal, a instância salvadora - pessoal e colectiva - que inventámos para nos reinventar. É neste momento que ficamos mais sensíveis ao "outro", às injustiças e desigualdades sociais, económicas e culturais, caindo mais facilmente na enunciação salvífica, criadora que consagre um novo mundo. Mas todos nós sabemos, antecipadamente, que o poder da nomeação vertido nas palavras é tão breve quanto frágil, por isso redundamos no fracasso da memória q temos de natais anteriores - em que nenhuma das profeciais se realizou, segundo o esquema mental de cada um. A esta luz, o efeito simbólico do Natal é o de nos dar a sensação duma existência superior, realizada, que consagre valores de justiça, de ordem, de bem comum, de liberdade, de democracia, de desenvolvimento, etc. Aproveitamos o Natal para nos "santificar" dos vários produtos tóxicos c/ que lidámos durante o ano, e é essa santificação - tendo no horizonte o desfecho de vida do menino Jesus - que lá vamos proclamando a universalidade daqueles valores, mesmo sabendo que pouca coisa se realiza. O Natal também serve para isso: criar novas categorias para nomear as coisas, as pessoas, o mundo na esperança de que as novas (velhas) profecias se realizem, e se assim for muitos de nós até seremos capazes de acreditar verdadeiramente no Pai Natal, que até nos poderá surpreender pelo quarto dos fundos, e não já pela chaminé...

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Oliveira e Costa - Um banqueiro no Confessionário

Confesso que "admiro" o sentido de humor de Oliveira e Costa.
Oliveira e Costa - Um banqueiro no Confessionário

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Cavaco Silva: E tudo o BPN levará?

Nota prévia: Não vi o dito debate, razão por que recorro aqui a esta cábula que me parece representativa.
in Expresso
O debate de ontem entre Cavaco Silva e Francisco Lopes surpreendeu-nos pela positiva. Porquê? Porque foi o primeiro debate em que houve efectivamente confronto, não suscitando de imediato uma vontade louca de adormecer ou mudar de canal.
Na forma, Francisco Lopes esteve muito bem. Aproveitou cada minuto para expor as fragilidades do primeiro mandato de Cavaco, sobretudo aquelas que são música celestial para os ouvidos do seu eleitorado. O candidato comunista adotou um tom curto, incisivo, sem rodeios e agressivo sem ser desagradável. Note-se a subtileza: até quando atacou Cavaco pelo escândalo BPN fê-lo de forma subtil - não envolveu Cavaco (como Alegre deu a entender que o fará) no caso, mas associou-o pela promulgação da lei da nacionalização ao negócio desastroso feito para encobrir Oliveira e Costa, seu colaborador e financiador da campanha de há cinco anos. Reparem só na subtileza! Além disso, reconheço que, para um comunista que decorou acriticamente a cartilha do partido, Francisco tem uma boa presença televisiva. Cavaco Silva, por seu turno, esteve muito analítico, aqui e ali muito nervoso, evidenciando que não estava preparado para abordar determinados assuntos com Francisco Lopes, nomeadamente a questão do BPN. Nunca tínhamos visto (nem nesta campanha, nem na campanha de 2005) um Cavaco tão crispado - o que poderá indiciar um excesso de confiança que, na minha perspetiva, é de evitar.
E quanto ao conteúdo? Ora, aí Francisco Lopes debitou a cassete comunista da década de 80 do século passado e Cavaco puxou pelos seus méritos enquanto governante. Primeira questão: o caso BPN deveria ter sido chamado à baila? Bom, na política portuguesa tem vingado o princípio do politicamente correto, traduzido na frase: à justiça o que é da justiça, à política o que é da política. Pois bem, lembra-se certamente que nas últimas legislativas, o PSD não utilizou o Freeport contra Sócrates, sendo que neste caso se tratava de um potencial crime cometido no exercício de funções governamentais. É curioso verificar que os mesmos colunistas que defenderam que seria um golpe baixo invocar o Freeport contra Sócrates, aplaudem efusivamente a utilização do BPN contra Cavaco. Entendamo-nos: o BPN é um processo que corre nos tribunais para apurar a eventual responsabilidade criminal dos acusados. Creio que é mau tom discutir numa eleição presidencial um processo judicial. Dir-me-ão: sim, mas o que queremos é apurar a responsabilidade política. Muito bem: então, a pergunta deve ser por que razão Cavaco aguentou Dias Loureiro como conselheiro de Estado após rebentar o caso BPN - e não qual a sua responsabilidade no caso. Porque se a formulação for esta última, implicitamente estamos a acusar Cavaco de participação num crime em que nem sequer foi constituído arguido! Meu conselho: Cavaco não se deve esconder - deve, pelo contrário, esclarecer de uma vez por todas o assunto, nem que seja de passagem. Quando? Antes de dia 29 - ou seja, antes do debate com Alegre. Sei que Alegre está tentadíssimo para queimar Cavaco com o assunto e Cavaco não reage bem, como ficou provado ontem. Que diabo: aproveite-se um comício qualquer, um discurso para puxar o tapete a Alegre!
[...]
Obs: Sugira-se a Cavaco que esclareça a sua participação (e a de seus familiares) na aquisição e venda de acções da SLN e do BPN, pois a sua opacidade é nociva para a democracia, sugere que encobre seus antigos colaboradores e deixa um lastro de falta de transparência na relação da esfera política com a da economia. Com a agravante de que o país conhece a origem histórica do dito banco e das suas profundas relações ao "cavaquismo". O esclarecimento da componente política nesta mega-empresa (que há muito se tornou num caso de polícia) será o melhor. Não o fazer é dar lume a um palheiro cheio de palha seca no seu interior. Com o absurdo de ser o seu presidente, Oliveira e Costa, a ser detido no processo, como se não houvesse cúmplices e testas de ferro em centenas de operações que desfalcaram a tesouraria do banco, o qual teve de ser intervencionado para "segurar" os depósitos dos credores legítimos e, ao mesmo tempo, manter e funcionamento cerca de 1800 funcionários que, coitados, têm de dar a cara diáriamente pela maior fraude financeira em Portugal. O que também é revelador do estado comatoso em que se encontra a nossa miserável Justiça.

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terça-feira

Yes Minister: Sir Humphrey explains Foreign Policy

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segunda-feira

O populismo de Cavaco e Sócrates no "Portugal dos caninos"

Imagem WHKG
Foi lamentável ver este fdsemana os dois homens que ocupam o vértice do aparelho de Estado em Portugal, PM e PR desenvolverem sistemas intelectuais de justificação que roçam o mais descarado populismo, ainda por cima à boleia dos deserdados da vida, daqueles que não têm casa, não têm emprego, não têm uma família, não têm amigos, enfim, estão entregues à sua sorte e aos pequenos esbulhos que vão fazendo nas esquinas da vida.
Ver Cavaco aterrar num casamento de ex-homeless foi como avistar um E.T. no Terreiro do Passo; ver Sócrates tentar convencer a sua genuína preocupação com os sem abrigo foi, apesar de ser um pouco mais sofisticado na argumentação, um exercício igualmente lamentável, porque se cada um de nós fosse um E.T. que aterrasse em Portugal ficaria convencido que existem políticas públicas consistentes dirigidas a essas camadas da população - que, em rigor, faz disso um sistema de vida, e muitos deles nada fazem para ingressar na vida activa e serem, de novo, agentes activos da sociedade e da economia, em suma, capturarem a sua condição de cidadãos plenos.
No fundo, um e outro, PM e PR recorrem ao populismo mais ou menos descarado para delimitar o terreno e marcar pontos junto das populações em contexto eleitoral. A esta luz o populismo consiste numa fé, num credo baseado na premissa segundo a qual o povo condensa a virtude esmagadora através das suas tradições colectivas, é o mesmo povo que está arredado das políticas de S. Bento e Belém.
É nestes momentos que os agentes políticos usam e abusam do populismo para demonstrar quão importante a pequena gente do povo e do campo - está ameaçada pela aliança do capital industrial e do capital financeiro, e quer Cavaco quer Sócrates tentaram - com as suas posturas face à pobreza em Portugal - fortalecer essa ideologia assente na supremacia da vontade do povo enquadrado pela relação directa entre esse mesmo povo e o líder. E como o poeta Alegre não tem esse estatuto, capacidade, autoridade e influência de ombrear com Cavaco essa jogada na actual partida de xadrez em que se tornou estas eleições presidenciais, foi o PM himself quem assumiu essas dores.
Mas Cavaco foi longe demais, pois não hesitou em ser um penetra num casamento para o qual não foi convidado, de gente humilde a quem ele nunca deu um tostão furado ou fez qualquer referência. E lá se apresentou, com uma lata tremenda, mais o seu chefe da casa civil, Liberato, que deambulava insignificante pela festarola como se tivesse roubado o queijo na dispensa aos seus irmãos mais pequenitos. Lampeiro, com o "queijinho dos votos" no bolso...
Há imagens que valem por mil palavras!!!
Ante este cenário de subúrbio, dei comigo a pensar que lá estava cavaco entre os seus, como se também tivesse passado por igual experiência-de-rua, frequantador habitual da sopa-dos-pobres aos Anjos. Só que no Palácio Rosa - que coabita com Dona Maria.
E é com estes "descamisados da vida" que se vai afirmando o populismo eleitoral, qual paixão moralista sem nenhum programa a sustentar as balelas que esses players cantam ao zé povinho apenas com o fito de lhes sequestrar o voto. E o povo alienado ainda acredita neles!!!
No fundo, quer Cavaco quer Sócrates imputam esse apelo à força mobilizadora do povo para restaurar as forças socioeconómicas duma nação estourada - por eles próprios - que agora julgam poder recuperar através desse mito que é o povinho.
Estas narrativas, este quadro de mentalidade e os raciocínios a que conduzem os portugueses, só traduzem uma coisa: o estado verdadeiramente doente e decadente a que os players políticos e as instituições no seu conjunto chegaram, porque até os materiais a que PR e PM recorrem para se digladiarem políticamente evocam aqueles sucateiros de Sacavém que pretendem vender as peças das viaturas sinistradas mais caras do que na origem.
Ao que chegou uma nação quase milenar com uma História épica feita com a gesta dos Descobrimentos.
Tenho para mim que, se por um acaso do destino, engenheiria social da genética ou um milagre dos deuses, homens como Pedro Álvares Cabral, Vasco da Gama, Infante D. Henrique ou até mesmo Luíz Vaz cá regressassem e vissem quem (e como) hoje os políticos nacionais dirigem os destinos de Portugal, renunciariam aos seus feitos para que nunca estivessem associados a este "Portugal dos caninos".

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domingo

Marcelo idolatrado pela TVI: share de mercado oblige. Narciso y el espejo

A TVI explora bem e expreme ainda melhor a prestação do doutor Marcelo nas suas habituais charlas domingueiras. Consabidamente, ele fala bem, tem telegenia, faz teatro e gesticula imenso no seu "circo de ideias". De tudo resulta uma narrativa fluente e racional de fácil compreensão para a plebe, ainda que aqueles raciocínios sejam pouco profundos e, não raro, sejam parciais. Mas não há ninguém imparcial e completamente isento nas suas apreciações críticas, de resto, a neutralidade é tecnicamente impossível, como noutra sede Max Weber demonstrou. Neste contexto, tivémos hoje um exemplo de como a TVI funciona como espremedor de Marcelo: dedica-lhe as músicas de Natal em directo, ao evocar a morte de Carlos Pinto Coelho a redação da tvi não hesitou e foi logo escolher uma peça onde intervieram Marcelo himself e o seu pai, enfim, tudo gira em torno de Marcelo (e de sua família), a evocação do visado, essa, lamentávelmente - acabou secundarizada. Ou seja, aquilo é um exercício de puro narcisismo e nisso cabe à direcção da tvi, e do sr. Júlio magalhães, a responsabilidade dessa idolatria, o que é profundamente lamentável.
Narciso y el espejo

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Sondagem da TVI dá a Cavaco mais do triplo dos votos de Alegre

Sondagem da TVI dá a Cavaco mais do triplo dos votos de Alegre Por Maria Lopes
Se as eleições presidenciais se realizassem este mês, Cavaco Silva conseguia uma vitória folgada logo na primeira volta, com 64,3 por cento, de acordo com uma sondagem divulgada esta noite pela TVI. [...]
Obs: É de esperar. Portugal ainda é um país conservador e Cavaco, quer se queira quer não, é o mal menor no actual xadrez presidencial. E bem sabemos como cavaco - com as suas habilitações económicas - forneceu ao Gov 727 ideias, foi pena ninguém ter dado por isso e o Gov não ter conseguido aproveitar nenhuma. Hoje, Cavaco manifesta a sua grande preocupação com os pobres, talvez por isso tencione abdicar da sua reforma do BdP, que servirá para criar uma continha na CGD a fim de prover recursos necessários às necessidades dos deserdados da vida.

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sábado

Nestas presidenciais tenho para mim que até o dr. Soares votará Cavaco

Manuel Alegre tem feito uma "triste" figura. De cabeça perdida, algo desorientado entre a mulher de sempre (o PS) e a amante desde Janeiro (Bloco de Esquerda), o poeta optou por lançar atoardas em todas as direcções, pegando em situações que nada têm a ver com política e com o cargo de Presidente da República para atacar de forma mesquinha o mais do que provável vencedor da corrida eleitoral. Uma campanha a todos os títulos desastrosa de Alegre. Verdadeiramente suicida.
Expresso
Desde os cantos dos Lusíadas a historietas da PIDE e fichas de bom comportamento entregues ao antigo regime, tudo tem valido para Alegre atacar Cavaco espalhando a sua fanfarronice habitual. Nada acrescenta. Mostra-se refém por não poder combater um PS decadente que aparentemente o apoia (não se sabe bem onde nem como, ou António costa já pode ser considerado líder do PS?) e incapaz de ter um discurso descolado de uma rebeldia descabida que já nem lhe assenta bem na idade e contraditória com o estado de coisas.
Alegre está a disparar os seus últimos cartuchos políticos. Uns dias de braço dado com a mulher (PS) outros dias em modo rebelde com a amante (Bloco) na traseira da mota. Até finalmente calçar as pantufas políticas.
Em relação à obra de Luís Vaz de Camões, alusão patética com que Alegre pretendeu rebaixar o actual Presidente (que tem passado a campanha mudo, não se sabe se a conselho de Henrique Raposo que esta semana lhe dedicou a crónica "Cale-se, dr. Cavaco Silva, cale-se") a única associação coerente que se poderá fazer entre o número de cantos dos Lusíadas (são dez) e estas Presidenciais é que deve ser mais ou menos o mesmo número de votos que Manuel Alegre irá conseguir obter nas urnas.
Em relação a estes dois candidatos, os únicos "presidenciaveis", estão bem um para o outro, porque são ambos um deserto de ideias.
Obs: Nas últimas presidenciais parece que o poeta teve 1 milhão de votos - que ele pensa ter guardado no bolso. Na verdade, o juízo mais razoável que os portugueses dispostos a votar irão fazer será, mais ou menos, o seguinte: entre um velho sem ideias, sem experiência de governação, sem conhecimentos de economia e do funcionamento a Europa, e um presidente em funções que se tornou o homem mais previsível do mundo, creio que os tugas tenderão a fazer voto útil massivo em Cavaco. É simples, e será esta simplicidade que dará a Cavaco uma esmagadora maioria sociológica logo à 1ª volta.

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Ana Gomes tem um sonho: depor o MNE, Luís Amado em pleno directo. Apanha a boleia da Wikileaks

Ana Gomes: "Estou a ler os telegramas e a sublinhá-los" por DN.
Ana Gomes reiterou esta sexta-feira, em entrevista ao canal TVI24, que continua a haver muita matéria por esclarecer quanto aos voos da CIA com prisioneiros de Guantánamo, especialmente depois das informações divulgadas pelo WikiLeaks.[...]
Obs: Seria, talvez, mais sério que a diplomata comprasse um revólver e desse um tirinho político em Amado, que tenta depor de MNE há anos, desde que Sócrates formou Gov. Primeiro com Freitas, depois com Amado. Claro que a diplomata não o pode fazer directamente, resta-lhe cavalgar a onda histriónica da Wiki para ajudar a acabar com o resto de Amado. Não é sério, ainda que discorde da linha de política externa de Amado, e revela da parte de A.gomes uma lamentável falta de solidariedade interna. Mas é assim que a senhora eurodeputada sabe (e quer) fazer política. A "sua" política. Enfim, mais um ajuste de contas para sinalizar o esplendor do seu ressentimento por não ter sido convidada para as Nexexidades... Depois de Timor, este é o segundo grande desígnio de vida da diplomata - a que alguns chamaram "Rottweiler". Que maldade!!!

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Futuro além da crise - por António Vitorino -

Escrevo antes de serem conhecidas as conclusões do Conselho Europeu deste final de semana. Mas não custa antecipar que elas serão... o que a Alemanha quiser! Melhor dito: não serão exactamente tudo o que a Alemanha quiser, mas decerto estarão em linha com o que tem sido a conduta da principal economia europeia durante a crise da Zona Euro.dn
Logo, medir a diferença entre aquilo que têm sido as declarações públicas dos responsáveis alemães, de pronto seguidas pelos franceses, e o texto das Conclusões do Conselho será o melhor indicador do ponto em que estamos e do que nos espera no futuro próximo!
Para quem está habituado a descodificar as pequenas palavras ou as entrelinhas, o exercício até poderá não ser difícil. Mas o sentido global do que se disser tem de ser perceptível para o conjunto dos cidadãos, dos agentes económicos e... convém não esquecer, dos famigerados mercados!
Sabe-se que será adoptada uma revisão cirúrgica e minimalista dos Tratados, visando criar um Fundo de Estabilização Financeira com carácter permanente na Zona Euro para acorrer no futuro a situações (como a actual) de pressão sobre a moeda única europeia. Os esclarecimentos quanto ao fundamento desta proposta serão cruciais, designadamente no que toca ao significado do envolvimento dos interesses privados detentores de dívida soberana na sua operação futura. Qualquer ambiguidade nesta matéria será fatal para os países que se encontram neste momento mais expostos às pressões dos mercados financeiros internacionais.
Já se sabe que os Tratados obrigarão a uma "estrita condicionalidade" o acesso futuro a esse Fundo, o que, aliás, é o que já sucede hoje com o seu antecessor, como bem o sabem os gregos e os irlandeses. Questão relevante a ver com atenção é a de saber se a base legal assim criada caracteriza o Fundo como "mecanismo de último recurso" como pretende a chanceler Merkel. Este aparente inocente inciso dirá muito não apenas sobre a natureza do Fundo no quadro da governança económica da Zona Euro mas também sobre o grau de solidariedade que dele se possa esperar no futuro...
A leitura dos detalhes, que decerto será esquadrinhada pelos especialistas, permitirá, contudo, tirar uma conclusão mais relevante e de interesse mais geral: a de saber se este Conselho foi o último de uma sequência condicionada por uma certa estratégia de resposta à crise financeira global ou se foi também já o primeiro de um novo ciclo de posicionamento da União Europeia no quadro económico global.
Com efeito, até ao momento, a resposta europeia à crise tem-se caracterizado por uma lógica ternária. Primeiro os dirigentes europeus manifestam preocupação, depois os dirigentes nacionais dos países sob pressão adoptam medidas de austeridade, finalmente abre-se o acesso ao Fundo actual (vigente até 2013) sujeito a novas regras de condicionalidade negociadas com a Comissão e o FMI. A esta valsa a três tempos os mercados têm respondido em cada um dos seus três momentos com ligeiros alívios da pressão, logo retomando a espiral de desconfiança e assim determinando o aumento dos juros cobrados aos países que têm absoluta necessidade de refinanciar a sua dívida. Neste "jogo de gato e de rato" os principais responsáveis europeus criticam severamente os especuladores, mas normalmente guardam silêncio sobre o efeito perverso da venda de dívida soberana dos países sob pressão por parte dos bancos dos principais países europeus (alemães à cabeça, logo seguidos dos britânicos e dos franceses...).
A doutrina dominante até ao momento parece, pois, pretender persistir nesta lógica que vai sacrificando paulatinamente os elos fracos da cadeia minando a prazo a credibilidade da moeda única europeia.
Ora, este Conselho Europeu, ao estabelecer um mecanismo sustentado de resolução deste tipo de crises financeiras, incluindo a previsão da eventual reestruturação da dívida dos países em risco de incumprimento, pode ser a primeira ocasião para clarificar os objectivos da intervenção europeia na coordenação das políticas económicas dos Estados membros, tarefa de que foi incumbida uma task force liderada pelo presidente do Conselho Europeu, Van Rompuy. O que disserem os parágrafos dedicados a este tema serão determinantes para o nosso futuro para além de crise. Nosso aqui significa claro o futuro português, mas também o do projecto europeu no seu conjunto!
Obs: Uma reflexão eficiente de AV ao detectar as dinâmicas europeias numa Europa com uma "lógica ternária", só é pena que a dita Europa esteja sendo gerida pelo velho duopólio franco-alemão - com as demais médias e pequenas potências a sujeitarem-se às regras da alta finança desses dois potentados. Maldito directório...