Macro de grande, skopein de observar: observar o infinitamente grande e complexo. Tentar perceber por que razão a ave vive fascinada pela serpente que a paralisa e, afinal, faz dela a sua presa.
quinta-feira
Portugal foi o país europeu onde mais desceu a oposição à imigração
Portugal é o país europeu onde a oposição à imigração mais desceu nos últimos três anos, dentro de uma Europa dividida, mas com a maioria dos países em defesa da entrada de imigrantes, revela o Inquérito Social Europeu.
De acordo com os dados mais recentes do Inquérito Social Europeu, foi em Portugal que mais diminuiu a oposição à imigração no período entre 2014 e 2017, logo seguido do Reino Unido.
No inquérito de 2014/2015 foram ouvidos 1.174 portugueses, número que aumentou para 1.184 no inquérito de 2016/2017, e se a média europeia se fixa nos 2,52 (entre 1 para muita oposição e 4 para nenhuma oposição), Portugal consegue ficar nos 2,27 no inquérito mais recente, depois de ter estado nos 2,64.(..)
in Público
(...) No que diz respeito a Portugal, Alice Ramos frisou que "as pessoas estão mais favoráveis à entrada de imigrantes", ao mesmo tempo que defendem que o Governo deve ser generoso e sensível aos problemas dos refugiados e ao seu acolhimento".
No entanto, dividindo o grupo "imigração", é possível constatar que os portugueses são mais favoráveis à entrada de imigrantes quando eles pertencem à mesma raça ou grupo étnico, com 70% a defender que se deve "deixar vir alguns ou muitos".
Número que muda para pouco mais de 50% quando estão em causa pessoas de raça ou grupo étnico diferente e para os 50% quando são pessoas vindas de países não europeus pobres.
No que diz respeito à percepção dos imigrantes como uma ameaça, "os portugueses, tendencialmente, estão mais inclinados a ver os benefícios da diversidade cultural que os imigrantes trazem do que a ver como aspecto negativo". Algo que se repete para o indicador económico, com os portugueses a entenderem que a vinda destas pessoas é boa para a economia portuguesa.
Relativamente à Europa, é possível constatar que se divide em três grupos, entre os que mantém a posição (caso da Alemanha, Estónia e Eslovénia), os que aumentam a sua oposição à imigração e os que descem.
Alice Ramos admitiu ter ficado surpreendida, já que os dados mostraram uma "generalização da abertura à imigração", com o bloco mais a favor da imigração a incluir Bélgica, Suíça, Espanha, Portugal, Finlândia, França, Reino Unido, Irlanda, Holanda e Noruega. Não estava à espera que houvesse tantos países a manifestar uma maior abertura porque quando comparamos 2002 com 2014 a tendência era para a estabilidade e agora vemos que há cada vez mais opiniões favoráveis aos imigrantes, mesmo nos países que já eram favoráveis", disse. Já no outro lado da barricada estão a Áustria, República Checa, Polónia, Itália, Lituânia, Suécia e Hungria, com este último a ser aquele onde mais aumentou a oposição aos imigrantes. No global, foram ouvidos 34.456 cidadãos europeus, e os resultados vão ser apresentados esta quarta-feira, em Lisboa, por altura da apresentação do consórcio PASSDA, que junta o Arquivo Português de Informação Social, Atitudes Sociais dos Portugueses, Comportamento Eleitoral dos Portugueses. ____________________
Portugal vai candidatar António Vitorino à presidência da Organização Internacional para as Migrações
Nota prévia: Creio que Portugal, através do Governo em funções, não poderia ter identificado melhor candidato para lançar à OIM do que o próprio António Vitorino. Não por já ter sido MDN ou eurodeputado e uma vasta experiência política, mas, acima de tudo, por "trazer mundo dentro de si", circunstância que lhe permite em cada reflexão, em cada intervenção pública (ou publicada) ou ainda em cada decisão, reflectir um conhecimento especializado e sistémico de conhecimentos acerca da problemática da imigração neste 1º quartel do séc. XXI. Um tempo em que se estima que cerca de 200 milhões de migrantes circulem mundialmente, e, num nível nacional, em Portugal (país de candidatura e vocação universalista), o debate centra-se em torno do impacto que terá cerca de meio milhão de imigrantes, os quais representam qualquer coisa como 10% da população trabalhadora e 5% do total da população nacional. Dados fundamentais para o nosso mercado de trabalho e a sustentabilidade da nossa economia. Em rigor, o nosso progresso e desenvolvimento depende, hoje, da imigração. Por outro lado, e esta é uma realidade que António Vitorino conhece como ninguém, é que desde há 30 anos a esta parte Portugal alterou o seu perfil no mundo, ou seja, de um país de emigrantes passou para um país de imigrantes (com um intervalo suicida da Troika potenciado pelo Governo mais austeritário de Portugal - 2011-15, pela mão de Passos Coelho - que convidava os seus concidadãos a emigrarem); de exportadores de massa crítica Portugal passou a ser um país acolhedor de recursos humanos essenciais à nossa economia e sociedade, hoje profundamente envelhecida e a carecer de urgente renovação. Estes problemas demográficos (e de segurança social, de educação, de produtividade, etc) colocam sérios dilemas à governação, já que obrigam a uma constante redefinição de políticas públicas para a área da imigração, e uma pessoa com o perfil técnico e político de António Vitorino poderia responder à altura da complexidade e dos desafios que mais de 200 milhões de pessoas colocam diariamente, a cada hora e minuto, apenas por circularem fora do seu país de origem. Devemos reconhecer, para concluir esta nota acerca da melhor opção para liderar hoje a Organização Internacional para as Migrações (que contará, certamente, com o apoio de António Guterres, SG-ONU) que um dos aspectos cruciais colocados por este novo (velho) fenómeno, decorre da questão de saber que tipo de imigração pretendemos: a que drena massa crítica (brain drain) para o exterior, e na qual muitos países tanto investiram, ou naquela opção societal que consegue atrair e fixar esses recursos humanos (brain gain), necessários ao desenvolvimento das sociedades. Creio, pois, que são desafios desta natureza, além daqueles mais prementes como os relacionados com os refugiados e a ajuda humanitária, que países como Palestina, Somália, Afeganistão, Paquistão e, mais recentementea Síria coloca (decorrentes de guerras civis prolongadas potenciadas com terrorismo), e que questionam directamente a vida, a que o ex-Comissário Europeu (da Justiça e Assuntos Internos, por sinal reconhecido como o melhor de entre os seus pares) pode e deve responder, em estreita articulação com a ONU, de cuja organização maior depende. Numa palavra: António Vitorino poderá representar a candidatura mais eficiente a essa importante organização internacional, porque condensa em si as dimensões mais críticas que racionaliza as componentes dos direitos humanos, da diversidade cultural e da necessidade de as sociedades e as economias buscarem quadros de desenvolvimento, de bem-estar e paz permanentes. O que requer, como sinalizámos acima, alguém especialmente dotado, como é o candidato, para estabelecer essa ponte e fazer, no plano do decision making process esse cross-fertilization de políticas públicas relativas ao fenómeno mais complexo e problemático do nosso tempo, depois do terrorismo globalitário. Por estas razões, e outras que oportunamente desenvolveremos, desejamos aqui sorte ao candidato e ao país proponente: PORTUGAL.
António Vitorino tem 60 anos, é advogado e foi juiz do Tribunal Constitucional. No plano político desempenhou vários cargos. Foi deputado e eurodeputado eleito pelo Partido Socialista e assumiu também os cargos de ministro da Presidência e ministro da Defesa no Governo de António Guterres.
António Vitorino foi ainda Comissário Europeu da Justiça e dos Assuntos Internos entre 1999 e 2004. Vai ser agora o rosto português na corrida à liderança da Organização Internacional para as Migrações, uma instituição que pertence às Nações Unidas.
Marcelo tem marcado a agenda política nacional com os convites que tem feito para formar o seu gabinete em Belém e chamar a si assessores para as mais diversas áreas, da diplomacia à cultura.
Agora, na frente externa, voltou a surpreender pela positiva ao convidar para o seu 1º Conselho de Estado o Sr. Europa, Mário Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE) de que dependem os vários governadores dos bancos centrais dos países da UE. Para o efeito, Marcelo, "raposa velha", convidou também o próprio Governador do BdP, Carlos Costa que tem estado debaixo de fogo pela forma laxista, retardada e incompetente como tem "procurado resolver os problemas de regulação" do sector em bancário (inexistente em Portugal, dado que o BdP não se modernizou nem acompanhou as modalidades emergentes de corrupção de colarinho branco) e que se tem saldado num verdadeiro desastre literalmente pago pelo desgraçado do contribuinte. Os casos BES e Banif são os mais conhecidos e gritantes, mas há mais pelos quais o sr. C.Costa deveria responder, quer no Parlamento, quer em sede de Tribunal...
Ora, Marcelo conhecendo a delicadeza da situação porá em confronto o "patrão" e o "empregado" para daí extrair a orientação futura a tomar, dado que o Governo também não pode - no âmbito das suas competências e atribuições - demitir o Governador (como desejaria A.Costa), posto que o Governador, apesar das inúmeras solicitações nesse sentido, também não se demite. Além de incompetente, C.Costa é obstinado e está agarrado ao poder no BdP.
O tema da reunião do CE presidido por MRS são dois documentos essenciais que o Governo terá de entregar em Bruxelas: o programa de estabilidade e o programa nacional de reformas. Ora, como Portugal saiu de um resgate, nas condições e com os sacrifícios para a economia portuguesa e os portugueses que são conhecidos, justifica-se a presença do homem cujo cargo europeu tem mais poder e influência na actual Europa. No fundo, Mário Draghi representa o dinheiro da Europa (ou a Europa do dinheiro), daí o significado especial do convite de MRS ao presidente do BCE.
Com este convite Marcelo Rebelo de Sousa, habituado que está a criar factos políticos, assegura o impacto mediático a nível europeu do seu primeiro Conselho de Estado, sensibiliza as instituições europeias para os problemas e fragilidades da débil economia portuguesa e, com sorte, ainda consegue fazer com que seja Mário Draghi a demitir Carlos Costa, que é hoje mais a fonte do problema do que a solução da regulação financeira em Portugal. Por outro lado, MRS secundariza completamente o papel e o espaço de manobra do Governo português na questão da regulação (e da insustentabilidade do Governador à frente do BdP), além do facto de ser o próprio PR, MRS, quem irá, na 2ª semana de Abril, a Estrasburgo falar ao Parlamento Europeu.
Com esta iniciativa MRS marca o arranque da sua presidência: coloca na agenda europeia a questão da regulação; ajuda o Governo português a gerar consensos em torno das questões financeiras e económicas, de que depende o crescimento e desenvolvimento de Portugal; e procura fazer com Mário Draghi aquilo que Cavaco, há 1/4 de século fez com Jacques Delors, um amigo poderoso duma economia pequena, frágil e profundamente dependente das exportações.
Numa fase em que o €uro vive momentos de grande incerteza e risco conseguir fazer de Mário Draghi um amigo de Portugal, é um facto de extrema relevância do papel que Portugal irá assumir na Europa, e, ao mesmo tempo, o PR irá obrigar o PM, A. Costa, a negociar com as esquerdas (PCP + BE) os acordos necessários para consensualizar aqueles dois documentos que são da maior importância para o futuro de Portugal e dos portugueses.
Marcelo, de facto, está a sair melhor do que a encomenda e tem revelado uma excepcional capacidade de iniciativa política. Qualquer comparação com o PR cessante é fatal para o sr. Silva, que aqui pode aprender a fazer política, dado que MRS já fez mais por Portugal em 15 dias do que Cavaco numa década, que foi um tempo verdadeiramente perdido para Portugal e um lamentável erro de casting na política portuguesa, especialmente a partir do farol de Belém.
Nota prévia: O PS assumiu hoje parte do seu Programa eleitoral que comunicará à sociedade para conquistar o poder em 2015, com base no estudo realizado por um grupo de economistas. Mal de um país em crise ficar apenas nas mãos dos economistas, que têm falhado todas as previsões (internas e estratégicas), é como na guerra: um assunto demasiado importante para ser entregue apenas a generais. Inevitavelmente, os impostos teriam de vir à baila e ocupar o eixo da comunicação, da qual todas as outras dependem. O dinheiro, sempre o dinheiro, ou a forma como ele é usado.
- Com efeito, o PS tinha de começar por algum lado, e prometer aliviar os impostos e os descontos para a SS suportados pelos trabalhadores e pelas empresas nos próximos anos. Tal é não só inevitável como recomendável. Com esta medida, o PS procura libertar mais recursos e liquidez às famílias para potenciarem o consumo interno e, desse modo, dinamizar a economia (mercado interno). Logo, aliviar as pensões e os custos às empresas é transferir para ambos maior capacidade competitiva no futuro próximo. O objectivo do PS, nesta política de alívio contributivo, é a de ultrapassar a proposta do PSD, cujos planos de Governo para reduzir a TSU às empresas - se ficam apenas no âmbito dos mecanismos de flexibilidade ditados por Bruxelas, e com um período mais dilatado no tempo. Ou seja, o PS quer menos impostos e num espaço de tempo mais curto. Menos para melhor.
- Sobre os 600 ME que o Governo defende ser preciso poupar com a reforma dos sistemas de pensões, o PS entendeu não dar-lhe "pasto", mas o grupo de economistas que realizou o Relatório entende ser necessário uma homogeneidade dos regimes de pensões, eliminando as diferenças ainda subsistentes entre o regime geral e a CGA. E para a sustentabilidade da SS, o mesmo Relatório sugere algo perigoso, porque de receitas incertas, ou seja, pretender consignar a fonte de financiamento da SS à receita do IRC e ao novo imposto sobre heranças acima de 1ME. Foi aqui que "cai da cadeira", a não ser que A. Costa pense que a SS encontra a sua sustentabilidade - com a crise de emprego conhecida (e que não mudará automaticamente com o PS em S. Bento), que intensifica o défice dos descontos para o sistema de pensões, agravada por uma maior longevidade das populações, no tal imposto sobre heranças, hoje cada vez mais raras, ou então está a pensar no mercado chinês...
- Afectar ou condicionar o sistema de SS a impostos fora desse mesmo sistema é, no mínimo, um erro e um risco que as futuras gerações não devem assumir, e que o Estado não tem o direito de hipotecar "jogando" com o dinheiro que os cidadãos lhes confiam para gerir. Importa notar, que o dinheiro da SS não pertence ao Estado, é dos cidadãos que fazem os descontos, ao Estado incumbe geri-los de forma eficiente e transparente.
- Esperava que A. Costa nos dissesse que iria questionar e anular, em nome do interesse público, inúmeras Parcerias Público Privadas (PPPs) que, essas sim, são o verdadeiro sorvedouro de recursos ao Estado sem que os cidadãos tenham a devida contrapartida desses onerosos contratos leoninos que o Estado mantém com os Melo das "Brisas" e companhia.
- Ou seja, tudo girou em torno dos recursos financeiros e da forma como os afectar no funcionamento do Estado. Não vi, nesta fase de apresentação do Relatório, uma única ideia sobre o modelo de desenvolvimento económico e social para Portugal, e como conseguir assegurar duas ou três coisas básicas numa economia, numa comunidade: assegurar crescimento, coesão e desenvolvimento. E como dinamizar esses vectores na discussão com Bruxelas, que hoje até tem um novel presidente da CE, Jean-Claude Juncker que foi e é amigo dos pequenos países do Sul da Europa.
- Pode ser que no futuro próximo, o Relatório "venda" ao país melhores ideias. Ansiamos por elas.
Porta-voz. Mário Centeno apresentou hoje as grande linhas do relatório do grupo de peritos económicos. As propostas apresentadas deverão servir de base à vertente económica do programa com que o PS se vai apresentar a eleições.
Mário Centeno, o economista que coordenou o grupo de peritos que elaborou o documento técnico com o cenário
macroeconómico e as propostas que, espera-se, venham a servir de base à vertente económica do programa com que o PS
se vai apresentar a eleições, é, aos 48 anos, um ilustre desconhecido para a maioria dos portugueses.
Obs: (alegada) Corrupção e mentira política em Portugal
Este episódio descrito por Paulo de Morais, que é um autorizado estudioso do fenómeno da corrupção em Portugal, revela bem o modo de fazer política (local e nacional) hoje entre nós. Os actores políticos pensam duma maneira (quando pensam algo!!), mas depois votam noutro sentido.
Isto entronca com um fenómeno mais banal entre nós, a mentira política - que se institucionalizou em Portugal nos últimos anos, designadamente com Passos Coelho - que foi eleito com base num Programa Eleitoral comunicado à sociedade, mas uma vez alçado a S. Bento rasgou integralmente esse programa e tem governado como sabemos: impostos, cortes e desmantelamento do Estado social. A ordem é aleatória. Mas nada disso, da forma como ocorreu, constava do seu Programa eleitoral demonstrando total desprezo pelo eleitorado e até pelas instituições que zelam pela salvaguarda das normas da Constituição, como é o Tribunal Constitucional.
No plano local, direi que os governos de proximidade hoje fazem tudo para estar de bem com o capital, mesmo que a sua origem, os seus players estejam comprometidos em processos obscuros de contornos preocupantes. Mas esta parece ter sido a forma mais eficiente de fazer política local de grande proximidade a Norte de Coimbra.
O que importa, seja a que título for, é angariar uns milhões, ou identificar o mensageiro que identifique esse processo de capitalização cultural legitimado pelo revestimento do verniz autárquico. Um mau presságio, portanto.
António Costa reconheceu, num encontro com chineses, que Portugal está numa situação "bastante diferente" da que estava há quatro anos - para melhor. A direita lançou o vídeo no Facebook e está a dar polémica.link ___________ Obs: Em política, por vezes, ou muitas vezes, a forma como as coisas são ditas sobrepõe-se à sua substância, ou seja, o edil da capital e candidato a PM, que anda a virar frangos há décadas, já deveria saber que a prudência e o realismo das comunicações públicas são a fonte do sucesso. De facto, os chineses, o seu brutal investimento em Portugal (energia, comércio, fundos/capitais, saúde, seguros, habitação, restauração, etc) aumentou exponencialmente desde 2011, mas isto não se deve ao facto de Sócrates ter saído do poder em 2011 e ter entrado para S. Bento uma dupla de incompetentes que tem, literalmente, destruído o tecido económico nacional, expulsado pessoas do país, aumentado a taxa de desemprego, a carga fiscal (e a sua distribuição), agravado a pobreza e as desigualdades sociais entre os portugueses. Deve-se a razões de acumulação de riqueza interna na própria China que já não encontra dentro de si margem para desenvolvimento, daí a emigração de capitais para os países da Europa. Em relação a isto o cds, que tem a legitimidade de 6 ou 7% - nada diz. Pois a sua preocupação consiste em mandar umas atoardas para o ar para ver se instala a confusão de molde a que incompetência de S. Bento (na Justiça, na Educação, na Saúde, nos Negócios Estrangeiros, etc) passe pelos intervalos da chuva. O oportunismo do eurodeputado do cds, que procurou lançar a confusão - apenas porque o candidato do PS a PM sublinhou o óbvio e fez uma declaração ambivalente - está na razão directa da forma parcial e ambígua com que A.Costa pretendeu sublinhar que o investimento chinês maximizou alguns sectores da economia em Portugal sem, com isso, ter tirado o país do abismo em que ainda se encontra. Foi isto que faltou A.Costa dizer. Ou seja, melhorou no volume de investimento chinês em Portugal (na áreas supra-referidas), mas tal não é - nem era expectável que fosse - condição suficiente para por a economia nacional a crescer, a gerar riqueza, emprego, prosperidade e bem-estar. Mas como A. Costa - anda preocupado com as taxas da água em Lisboa, entre outros problemas autárquicos confluentes com o Estádio da Luz - que consomem qualquer líder, é muito natural que algumas comunicações não sejam particularmente conseguidas, com a agravante de os assessores, ou alguns deles - que têm um excesso de "filosifite analítica" na cabeça - também não ajudarem à festa. Quanto à direita em Portugal - urge dizer uma coisa, ou melhor duas: é muito reaccionária e pouco progressista. E é pena.
Há uma coisa que há muito se perdeu em Portugal que é o sentido da dignidade do Estado. Mesmo antes do memorando, quando Sócrates foi chamado a despacho a Berlim por Angela Merkel devido à subida dos juros da dívida portuguesa, fui de opinião que um primeiro-ministro de Portugal não se deveria sujeitar a esse tipo de tratamento. E muito menos me pareceu aceitável que quando Sócrates foi derrubado — a meu ver já tarde porque Passos Coelho insistia obstinadamente em mantê-lo no cargo — a chanceler alemã tivesse o descaramento de ir criticar a decisão do parlamento português no parlamento alemão. Estou por isso muito à vontade para achar inaceitável que, entre duas reuniões do Eurogrupo, a Ministra das Finanças vá prestar vassalagem a Berlim, aceitando que o país seja exibido carinhosamente por Schäuble como exemplo a seguir. O governo pode naturalmente tomar as decisões que entender nas reuniões do Eurogrupo, contra ou a favor da Grécia. Mas já não me parece que o Ministro das Finanças de um Estado soberano deva contribuir para uma clara operação de spin do Ministro das Finanças alemão, na altura em que ele é contestado no seu próprio governo, precisamente pela sua instransigência em relação à Grécia.
Portugal segue com absoluto fanatismo uma estratégia que está completamente errada e que só pode trazer o desastre. O Syriza é um partido radical de esquerda, que em caso algum deveria estar à frente de um governo europeu. Se o está, é precisamente devido às constantes humilhações a que foram sujeitos os gregos pela troika, humilhações igualmente praticadas em Portugal, como agora Juncker veio reconhecer, para desgosto dos fanáticos que acham que ainda nos submetemos o suficiente. E nesse aspecto, se esta deriva não for invertida, a situação só pode ficar muito pior. As pessoas que hoje festejam a "hollandização" de Tsipras, devem pensar que a seguir a Hollande virá inevitavelmente Marine Le Pen, assim como um falhanço do Syriza na Grécia atirará o país para as mãos do Aurora Dourada. Numa altura em que a Rússia adopta uma nova atitude expansionista, que ameaça redesenhar o mapa da Europa, continuo a achar que os dirigentes europeus estão a brincar com o fogo.
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Obs: O Direito Internacional Público recebe aqui um novo "contributo" para o reforço da figura do Estado-vassalo na contemporaneidade.
É lamentável, para não dizer abjecto.
Mas são episódios deste teor que revelam a correlação de forças nas relações internacionais. A força sobrepõe-se sempre ao direito, e este raramente tem a ver com a justiça dos povos, sobretudo dos mais espoliados, como tem sido o povo português, facto reconhecido por J.C. Juncker recentemente.
Cambalhotas da história - vis-à-vis o caso angolano
Nota prévia: Inversão da História - alguns historiadores defendem que a dinâmica histórica e a vida dos povos obedece a ciclos de nascimento, desenvolvimento, maturidade e morte (de modo repetitivo e sem grandes inovações no transcorrer histórico). À formação do Euromundo, em que Portugal pontificou no concerto das nações, e teve um papel relevante no recorte das fronteiras africanas no séc. XIX, não obstante o Mapa Cor-de-Rosa e do ultimatum britânico, sucede, doravante, a decadência dessas velhas potência coloniais. A vingança das nações reside na capacidade desse turn-over por parte d´algumas dessas ex-colónias, ricas em matérias-primas estratégicas (como petróleo e diamantes), em capitais que já não sabem como reeinvestir internamente - e que vão encontrar - por ironia do destino - nas velhas potências coloniais - o pasto para exercer todo o poder do dinheiro, da gestão e do mando - agora através de participações de capitais em empresas portuguesas que começam a ser engolidas por aquela dinâmica da vingança das novas nações (africanas). Se assim for, tese que também encontra respaldo no caso global chinês (de grande sucesso), a história repete-se no concerto das nações. Contudo, há apenas uma grande diferença quando comparamos as situações da era colonial para a era pós-moderna em que vivemos: é que Portugal, além do mando, da força e da imposição das suas regras e leis, também levou a religião e a cultura, que serviu para construir boa parte de todo aquele património edificado - dando-lhe coerência através duma língua comum: o português. E também foi assim que construiu o Brasil, a maior de todas as colónias, evitando, desse modo, que o Brasil hoje se multiplicasse numa centena de países no cone sul-americano, porque foi unificado pela língua de Luís Vaz. A este respeito, veremos o que srª Isabel aporta à economia nacional, para além do dinheiro oriundo do petróleo, dos diamantes e dos negócios escuros do seu papá..., que nunca foi democrata - nem Angola assim se pode definir!!!
Isabel dos Santos, que o El Confidencial chama de "princesa", é a principal protagonista dos investimentos em Portugal.
Embora a presença das ex-colónias em Portugal ainda seja baixa, estas já entraram em setores estratégicos. E a principal protagonista é mesmo “a princesa” Isabel dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos e a mulher mais rica de África, segundo a Forbes. Só em Portugal, a angolana detém participações na petrolífera Galp, no BPI e na NOS, além de estar presente no banco privado angolano (BIC), com sede em Lisboa. No mês passado, Isabel dos Santos lançou uma OPA de 1,2 mil milhões de euros à PT.
Mas não é só Isabel dos Santos que se destaca nos investimentos em Portugal. Continuando no círculo fechado do poder presidencial angolano, sobressaem o general Manuel Hélder Vieira Dias, chefe da Casa Militar, com investimento no setor imobiliário, e ainda o atual vice-presidente da República e ex-CEO de Sonangol, Manuel Vicente, a quem se atribui uma forte ligação a empresas energéticas portuguesas. Também o empresário António Mosquito marca presença na Controlinveste (DN, JN, Dinheiro Vivo, TSF, entre outros órgãos de comunicação).
Os grandes grupos empresariais portugueses estão agora compostos por uma “burguesia angolana” que cresceu graças aos lucros do petróleo, diz o mesmo jornal, referindo que “não é à toa que são os investidores estrangeiros que mais peso têm no PSI-20, com posições de cerca de 3.000 milhões de euros”.
E num Portugal a ressacar dos ajustes orçamentais impostos pela troika (FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia) o crescimento das antigas colónias é uma via de escape. Em 2011, o primeiro ano de ajuda externa, emigraram para estas ex-colónias entre 120 a 150 mil portugueses. Por outro lado, estes países são também uma fonte de receita. O jornal espanhol cita Celso Filipe, subdiretor do Jornal de Negócios, que situa o investimento angolano em Portugal entre os seis mil e os dez mil milhões de euros, “que podem ser mais, pois existem muitos investimentos de natureza pessoal, por exemplo no negócio imobiliário, impossíveis de quantificar”.
Dois factos "interessantes": Portugal tem os melhores campos de Golfe e a Pobreza a subir. A sombra de Angola
O GOLFE, OS POBRES PORTUGUESES E ANGOLANOS... E A CORRUPÇÃO
Com efeito, o XIX Governo (in)Constitucional poderá "orgulhar-se" de algumas das suas boas políticas e práticas viradas para o lazer, sendo que uma dela é a de criar condições para que tenhamos os melhores campos de golfe da Europa, uma tarefa dinamizada pelo sector do Turismo (tutelado pela Economia) e que vê nisso uma fonte valiosa de receita. Em si, a notícia é positiva.
Portugal tem 9 dos 100 melhores campos de golfe da Europa, de acordo com um ranking do conceituado sitewww.top100golfcourses.co.uk. A nível nacional, o Monte Rei foi considerado o melhor campo do País, sendo seguido do Oitavos Dunes, no 2º lugar, e do Oceânico Old, no 3º. Espanha e Portugal continuam a ser os destinos de eleição para os praticantes de golfe que procuram climas mais quentes”, pode ler-se, na explicação que acompanha o ranking.
No que diz respeito à pobreza - os dados são contrastantes com o sector do Turismo, pois temos mais pobres em Portugal, um fenómeno que afecta sobremaneira crianças e idosos, uma circunstância que, em larga medida, se fica a dever às erradas políticas públicas obsessivamente levadas a cabo por Passos Coelho e pela forma ultra-liberal como gere e organiza a economia e a sociedade.
Mas não é por haver excelentes campos de golfe em Portugal que existem cada vez mais pobres, a pobreza radica na incapacidade de quem ainda exerce o poder e não consegue identificar outro modelo de desenvolvimento para a economia nacional. Um modelo que continue a garantir a existência daqueles campos de golfe mas, ao mesmo tempo, reduza substancialmente as causas geradoras da pobreza estrutural entre nós.
O resultado está à vista e a OCDE, uma organização independente, certifica essa conclusão.
No relatório de avaliação de Portugal, divulgado esta segunda-feira, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) refere que "Portugal tem uma distribuição de riqueza das mais desiguais da Europa e os níveis de pobreza são elevados", referindo que a atual crise económico-financeira veio interromper uma fase de declínio gradual tanto da pobreza, como das desigualdades.
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Um 3º elemento, para compor este brilhante "ramalhete desenvolvimentista", remete para a nota infra (Facebook), em que se explicita aquilo que 10 milhões de portugueses já sabem. São factos lamentáveis que desfilam nas sociedades contemporâneas, separadas por continentes onde, aliás, deixámos uma história e uma língua comuns, e, como se vê, também na depauperação dos respectivos povos (português e angolano) Portugal não se diferencia muito do seu país-irmão, Angola - um país onde a corrupção é quase uma regra de vida.
Em Portugal, os indicadores da corrupção ainda são preocupantes:
O ideal seria pensarmos que vivemos hoje todos no melhor dos mundos possível, seguindo o optimismo do Cândido de Voltaire, e de como tudo isto não passa de contra-informação e dumas brincadeirinhas do FB.
Obs: Provavelmente, trataram-se de crimes de colarinho branco que coincidiram, no tempo e no espaço, em que o mega-juiz Alexandrino e o super-procurador Teixeira estavam de férias ou nalgum retiro do Campo Grande promovido pela Prelatura...
Perguntinhas acerca da cooperação luso-timorense e os vested interests
Em face dos elementos conhecidos, em que o Parlamento e Governo timorense deram ordem de expulsão a 7 cooperantes portugueses em Timor, a operar na área judicial, convinha saber se os mesmos foram além dos seus mandatos extrapolando, assim, as suas atribuições e competências (??).
Convinha apurar esta situação com rigor, a qual deverá (já) ser do conhecimento do embaixador português acreditado em Dili.
De seguida, seria vantajoso procurar compreender em que medida e extensão aquela ordem de expulsão aos 7 altos funcionários portugueses possa estar inserida na ordem de expulsão mais alargada aos 50 cooperantes internacionais na esfera judicial - que se encontravam no território no quadro de um Programa da ONU.
Quando se responder a estas duas questões de lana-caprina poderemos formar um juízo mais sólido acerca das verdadeiras motivações das elites políticas timorenses relativamente à presença portuguesa em Timor, e de que forma a futura cooperação bilateral irá abrir um espaço de influência crescente às potências regionais que, de facto, nunca de lá saíram.
Reporto-me, naturalmente, à Austrália e Nova Zelândia e aos interesses petrolíferos no mar de Timor - relativamente aos quais Portugal não tem, nem nunca teve - uma palavra a dizer, nem a beneficiar.
Se os decisores hoje no Poder em Timor-Leste tivessem alguma memória - compreenderiam que se hoje estão no comando duma nação emergente, ainda que sem um Estado a funcionar, a Portugal e aos portugueses o devem, pelo que deveriam ter sido mais cautelosos, dialogantes e prudentes com estes ímpetos politico-diplomáticos que, a médio e longo prazos, podem tornar-se perigosos para aquela incipiente nação de pouco mais de 1 milhão de pessoas.
ISTO NÃO É UMA REFORMA, É UM SUICÍDIO COLECTIVO INDUZIDO PELO ESTADO VIA MINIST. DO CAOS/JUSTIÇA
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Administração da Justiça recomenda não usar o Citius
por Lusa, publicado por Ricardo Simões Ferreira
A Direção-Geral da Administração da Justiça pediu hoje a todos os utilizadores do Citius que não pratiquem "quaisquer atos no sistema informático" e que salvaguardem, "em sistema digital autónomo, todos os atos praticados" neste sistema, "após 01 de Setembro".
Em comunicado dirigido aos administradores judiciários, a que agência Lusa teve acesso, a Direção-Geral da Administração da Justiça (DGAJ) solicita que a recomendação seja efetivada "até ao final do dia de hoje", abrangendo, com a recomendação, "gravações, alarmes e detalhes dos intervenientes que tenha sido objeto de alteração".
A recomendação não abrange os tribunais de competência territorial alargada.