quarta-feira

Dois factos "interessantes": Portugal tem os melhores campos de Golfe e a Pobreza a subir. A sombra de Angola

O GOLFE, OS POBRES PORTUGUESES E ANGOLANOS... E A CORRUPÇÃO


Com efeito, o XIX Governo (in)Constitucional poderá "orgulhar-se" de algumas das suas boas políticas e práticas viradas para o lazer, sendo que uma dela é a de criar condições para que tenhamos os melhores campos de golfe da Europa, uma tarefa dinamizada pelo sector do Turismo (tutelado pela Economia) e que vê nisso uma fonte valiosa de receita. Em si, a notícia é positiva. 

Portugal tem 9 dos 100 melhores campos de golfe da Europa, de acordo com um ranking do conceituado sitewww.top100golfcourses.co.uk. A nível nacional, o Monte Rei foi considerado o melhor campo do País, sendo seguido do Oitavos Dunes, no 2º lugar, e do Oceânico Old, no 3º.

Espanha e Portugal continuam a ser os destinos de eleição para os praticantes de golfe que procuram climas mais quentes”, pode ler-se, na explicação que acompanha o ranking.


No que diz respeito à pobreza - os dados são contrastantes com o sector do Turismo, pois temos mais pobres em Portugal, um fenómeno que afecta sobremaneira crianças e idosos, uma circunstância que, em larga medida, se fica a dever às erradas políticas públicas obsessivamente levadas a cabo por Passos Coelho e pela forma ultra-liberal como gere e organiza a economia e a sociedade. 

Mas não é por haver excelentes campos de golfe em Portugal que existem cada vez mais pobres, a pobreza radica na incapacidade de quem ainda exerce o poder e não consegue identificar outro modelo de desenvolvimento para a economia nacional. Um modelo que continue a garantir a existência daqueles campos de golfe mas, ao mesmo tempo, reduza substancialmente as causas geradoras da pobreza estrutural entre nós. 

O resultado está à vista e a OCDE, uma organização independente, certifica essa conclusão. 


No relatório de avaliação de Portugal, divulgado esta segunda-feira, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) refere que "Portugal tem uma distribuição de riqueza das mais desiguais da Europa e os níveis de pobreza são elevados", referindo que a atual crise económico-financeira veio interromper uma fase de declínio gradual tanto da pobreza, como das desigualdades.

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Um 3º elemento, para compor este brilhante "ramalhete desenvolvimentista", remete para a nota infra (Facebook), em que se explicita aquilo que 10 milhões de portugueses já sabem. São factos lamentáveis que desfilam nas sociedades contemporâneas, separadas por continentes onde, aliás, deixámos uma história e uma língua comuns, e, como se vê, também na depauperação dos respectivos povos (português e angolano) Portugal não se diferencia muito do seu país-irmão, Angola - um país onde a corrupção é quase uma regra de vida. 

Em Portugal, os indicadores da corrupção ainda são preocupantes:


O ideal seria pensarmos que vivemos hoje todos no melhor dos mundos possível, seguindo o optimismo do Cândido de Voltaire, e de como tudo isto não passa de contra-informação e dumas brincadeirinhas do FB. 




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terça-feira

Bill Gates e as suas previsões da treta


Bill Gates prevê que em 2035 não existam quase países pobres

O homem mais rico do mundo prevê que em 2035 os países mais pobres tenham uma subida considerável no nível de vida.

André de Atayde
Getty Images Bill Gates publicou hoje a carta anual da fundação que fundou com a mulher Melinda



Bill Gates, fundador da Microsoft e o homem mais rico do mundo, disse hoje estar
convito de que em 2035 quase não haverá países pobres. Pelo menos não tão
pobres como os 35 atualmente classificados pelo Banco Mundial como de baixos
recursos. Na carta anual publicada pela fundação que criou juntamente com a sua
mulher Melinda, o filantropista diz ainda que até esse ano, a maioria dos países
terá um PIB per capita maior do que a China tem agora.
Bill Gates publicou hoje a carta anual da fundação que fundou com a mulher Melinda


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Obs: Gates além de bilionário tem sentido de humor e é um brincalhão. Agora anda a brincar com as palavras... Aquele "quase" fica(lhe) a matar, e se o seu propósito era esclarecer ou dissolver alguns mitos acabou, perversamente, por os ampliar. 

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segunda-feira

Me, my self and I


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in DN - Ano da fé - por César das Neves.


Obs: O doutor César das Neves tem escrito artigos inteligentes sobre a nossa vida colectiva, mas também é capaz de fazer declarações idiotas acerca da natureza das coisas, como fez ontem na antena da tsf e dn. A razão por que isto ocorre remete, porventura, para o empolgamento de ser entrevistado e de, nessa instância, se julgar um homem público sobre quem recai o destino da humanidade. Excita-se e depois sai asneira. O problema do economista, além de ser demasiado fundamentalista em certos assuntos, é o de se levar muito a sério. Alguém como ele, que tem, seguramente, uma excelsa cultura teológica - deveria reler a Bíblia e estacionar o seu pensamento no Eclesiastes e compreender três coisas: 

1. O homem deve apegar-se menos à vaidade e não cair em pessimismos doentios;
2. Reconhecer a imperfeição da ciência humana e, por extensão, rever a mediocridade de certas opiniões que não encontram equivalência nos factos nem na melhor teoria económica e social disponível;
3. E moderar os desejos e as ambições, e não cair na tentação de definir padrões de felicidade para terceiros à luz da sua própria cosmovisão.

Com uma excelsa cultura teológica, surpreende-me ver um economista batido incorrer em erros de análise tão primários, com a agravante de serem social e moralmente penosos e aviltantes para a própria condição humana.

Alguém devia recordar ao economista-teólogo da Palma de Cima que tudo o que se diz e faz sob o sol é vaidade e vento que passa, razão por que sugerimos aqui ao economista-teólogo uma incursão ao Eclesiastes - que revela tudo aquilo que lhe faltou: sabedoria e common sense. 

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quarta-feira

O ultraliberalismo do nosso tempo = desemprego + pobreza

Não é já muito relevante saber se João Proença, da UGT, traiu ou não aqueles que representa comprando uma guerra no movimento sindical nacional, pois além de se representar a si próprio, quais gerontes há decadas no poder sindical (e o carvalho da silva, na CGTP-In- PCP é outro geronte ainda maior!!), é secundário ter dado aos trabalhadores aquela meia-hora simbólica, sendo tudo o resto mau para o lado de quem depende do trabalho: dias de trabalho, salários, condições de despedimento, feriados, etc.
Isto culmina numa questão sempre latente na história da evolução das sociedades e que se pode colocar assim: se não existisse o desemprego, seria o próprio regime ultra-liberal que o inventaria. Ele é-lhe indispensável e co-natural. É ele que permite à economia privada manter o seu jugo sobre a população planetária, ainda que sob a capa de contribuir para a coesão social, ou seja, a sujeição envernizada. Sempre foi assim na história da evolução social, com excepções pontuais.
Até porque não existe actualmente melhor meio de constrangimento sobre as populações e de garantia de paz social do que comprimi-la através desta grilheta que se desdobra no desemprego e nas consequências sociais e privações que ele sempre acarreta. De modo que, em Portugal, as usual, o povo é sereno...
O Gov, qualquer que ele seja, fará sempre o jogo do patronato. O Estado, é bom não esquecer é, ele próprio, o patrão de todos nós em Portugal, e se não o é directa e imediatamente, é-o mediante dispositivos indirectos que têm igualmente reflexos na vida dos agregados familiares e das pessoas individualmente. E aqui urge sublinhar que cerca de 85% do tecido empresarial é feito de PMEs ("Piquenas" e Médias Empresa), como diria esse vulto da banalidade que é manola Ferreira leite, agora defensora dessa excelsa ideia de que as pessoas com idade superior a 70 anos deverão pagar os serviços de hemodiálise. Antes tinha sido a promotora da ideia de meter a democracia na gaveta durante um semestre, passando empreender todas as reformas mediante a sua ditadura.
Confesso que ainda não percebi por que razão os media dão tempo de antena a esta idosa salazarenta e mal formada, ainda por cima completamemnte desmiolada pelo que diz, na forma e no conteúdo. É o que dá ter as costas largas em Belém... Até nisto o regime democrático tem azar.
Num país assim, com políticos falhos desta natureza, com um empresariado completamente dependente do patrimonialismo estatal e das suas graças e favores, com uma sociedade civil fraca e subsidiodependente, o resultado só pode ser um: uma pobreza crescente agravada com direitos sociais decrescentes, só estas condições podem levar a aceitar salários miseráveis e condições gerais de trabalho e de vida alinhados com a mediocridade dos políticos, empresários e sindicalistas que temos. Portanto, está tudo em linha ou alinhado pela bitola da mediocridade. No caso, quanto pior, melhor... É nesta senda que Coelho se perfila para acabar com o que restará de Portugal e dos portugueses.
Neste quadro, a imagem que o espelho devolve à sociedade só pode ser a pobreza e o desemprego estruturais. Curiosamente, para os pensadores utópicos do séc. XIX, o fim do trabalho traduzia uma imagem de felicidade, um objectivo supremo que era reivindicado. Mais recentemente, foi também graças à cibernética, então considerada uma (outra) utopia, que findaria a própria ideia do emprego.
Hoje, rebentadas todas essas utopias, entrámos numa outra ficção: a ficção governamental que temos - em boa medida - coligada com o nível do empresariado (subsidiodependente) que nos caracteriza, e que explica tão bem a natureza das relações entre o sector estatal e o sector privado, de que tivémos amostra nas nomeações para a EDP. O que deu a oportunidade a dez milhões e meio de tugas de conhecerem bem a personalidade do PM actualmente em funções em Portugal.
Seja como for, também não devemos pensar que a culpa é da cibernética ou da globalização, esse decisor oculto que está em todo o lado e tudo decide à nossa revelia, mas no mau uso que fazemos dos recursos materais e intangíveis que estão ao nosso dispor.

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