segunda-feira

Passos coelho: o sr. 22%

Nota prévia: Toda a gente sabe, se não for parte interessada na manipulação estatística e na "martelagem" dos números, que a taxa de desemprego em Portugal não é, de longe, a que é propagandeada pela coligação negativa psd-cds que agravou todos os indicadores socio-económicos em Portugal nos últimos 4 anos. Mas o governo de Passos insiste em tratar os portugueses como idiotas e indigentes mentais. Como responder a isto a 4 de Outubro próximo?! Creio que só haverá uma resposta possível: varrer o lixo destes números e de quem os agravou. 

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509 mil desempregados não entram nas contas oficiais. Taxa seria de 22%

por Rafaela Burde Relvas
509 mil desempregados não entram nas contas oficiais. Taxa seria de 22%
Fotografia © Arquivo Global Imagens

Há 257 mil inativos e 252 mil trabalhadores em situação de subemprego que não são contabilizados como desempregados pelo INE.
"A verdade dos factos comprova que, face a junho de 2011, houve uma redução efetiva do número absoluto de desempregados em Portugal." A afirmação, do final da semana passada, foi de Marco António Costa, porta-voz do PSD, depois de o Instituto Nacional de Estatística (INE) ter divulgado estimativas provisórias do desemprego relativas a junho. De facto, o número de desempregados baixou de 675 mil no segundo trimestre de 2011 para 636,4 mil em junho de 2015. Mas o número de inativos disponíveis e de subempregados a tempo parcial, não contabilizados no desemprego oficial, disparou mais de 70% desde 2011 até este ano. No primeiro trimestre, havia 508 800 pessoas numa destas duas situações.
Os números são destacados por Eugénio Rosa, economista da CGTP, no seu último estudo, em que salienta que "a redução do desemprego oficial tem sido conseguida através do aumento significativo do número de desempregados que não são considerados nos números oficias de desemprego". Ao todo, no final de março deste ano, havia 256,8 mil inativos disponíveis (desempregados que não procuraram emprego no período em que foi feito o inquérito do INE) e 252 mil trabalhadores em subemprego (aqueles que pretendem ter trabalho a tempo completo mas, como não conseguem, aceitam trabalho a tempo parcial). Somando estes aos 636,4 mil desempregados oficiais (número ainda provisório, relativo a junho), o total de desempregados ultrapassaria os 1,143 milhões. A taxa de desemprego passaria de 12,4% para 22%.
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quinta-feira

O desemprego - por Luís Meneses Leitão -

O DESEMPREGO. link


Este belíssimo texto de Pedro Santos Guerreiro justifica uma análise sobre um drama que tem vindo a atingir profundamente as sociedades desenvolvidas e que consiste no problema do desemprego. Não consigo compreender — e acho um erro político grave — que se cantem loas ao "sucesso" do programa de ajustamento e se prometa que um dia — seguramente daqui a muitos anos — chegarão os gloriosos amanhãs que cantam e lá acabaremos por atingir as terras de leite e mel do equilíbrio imposto pelo Tratado Orçamental. Mas nesse glorioso processo de "ajustamento", cada vez mais exigente, chega sempre algo que todos os economistas avisam: níveis de desemprego sem precedentes neste país. Não é o facto de as estatísticas apresentarem um ponto a mais ou a menos, que impede o impacto brutal de notícias como esta, que normalmente significam que o flagelo chegou a amigos e conhecidos. As pessoas angustiam-se e perguntam se não serão o próximo na lista. É por isso que a maior boutade alguma vez dita por Passos Coelho foi quando disse que o desemprego era uma oportunidade para mudar de vida.

Neste âmbito, um dos filmes que vi retratar com mais brilhantismo o desemprego, a propósito da crise financeira dos EUA, foi Homens de Negócios (The Company Men), com Ben Affleck e Tommy Lee Jones. O filme retrata a história de um executivo, com um bom emprego, que um dia chega à empresa alegre depois de um jogo de golfe, recebendo a notícia de que iria ser despedido. Assistimos então ao completo desmoronar da vida dessa pessoa, sendo que não é o único, uma vez que todos os dias a empresa vai mandando novas pessoas para o desemprego. A justificação que o administrador dá é simples: a empresa está a ser objecto de uma OPA, que só se conseguirá frustrar valorizando as acções e para isso é necessário reduzir os custos laborais. Nessa luta contra a OPA, a empresa vai sucessivamente despedindo mais e mais trabalhadores, lançando as suas famílias no desespero. Até que, depois de os despedimentos se terem multiplicado, o administrador diz que afinal a empresa não conseguiu resistir e a administração vai aceitar a OPA. Quando alguém lhe diz que lamenta esse fracasso, o administrador responde que não se justifica o lamento, pois as suas acções, que irá alienar na OPA, valem agora 600 milhões de dólares.

Aí somos levados a perguntar o seguinte: qual é a lógica disto tudo? Que interessa que alguém receba 600 milhões de dólares ou metade dessa importância, já que uma pessoa normal nem em toda a sua vida gasta valores dessa ordem? E o resultado disto é que o desemprego acumula-se e o tecido empresarial vai sendo destruído numa lógica de capitalismo de casino. Seguramente que alguma coisa se perdeu do espírito original do capitalismo. Os verdadeiros empresários criavam riqueza e sentiam-se responsáveis pelo bem-estar dos seus trabalhadores. Hoje a lógica passou a ser apenas comprar e vender acções, valendo tudo para se obter o melhor preço. Resta saber a que custo.
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Obs: O prof. Luís Meneses Leitão pensa e escreve bem, e circunstancia eficientemente as suas interessantes crónicas - de que esta é, tristemente, mais um exemplo ilustrada com recurso à 7ª arte.
- Certamente, não é por ser "catedrático", como há dias vi egocentricamente sugerido algures, que isso acontece. Isso acontece porque o autor pensa e escreve bem, naturalmente. Faculdade que está só ao alcance de alguns, catedráticos ou não... 
- Relativamente ao despedimento colectivo que confronta quase duas centenas de jornalistas há que perguntar, atendendo à quebra brutal de venda de jornais diários e de venda de conteúdos informativos em geral, com as consequentes quebras no financiamento da Pub. dessas publicações e projectos editoriais, como é que esse processo não conheceu o seu início há mais tempo. 
- Contudo, neste momento o país pergunta-se é quando é que é possível "despedir" o PR e o Governo, desejavelmente em simultâneo, dado serem ambos parte do mesmo malefício ao país.
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domingo

Passos Coelho e os números

O alegado primeiro ministro revelou, em plena noite de Natal, que não respeita os números nem a verdade. 

Muito menos respeita a verdade dos números.

Um actor político que recorre a este tipo de expedientes não deve desempenhar funções desta responsabilidade. Devia sair ou ser demitido. 

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A geração nem-nem


Portugal já tem quase meio milhão de jovens que não estudam nem trabalham






Obs: Várias gerações destroçadas por erradas políticas públicas, impreparação do escol dirigente, pura incompetência, exagero fiscal que mata qualquer capacidade de iniciativa e empreendedorismo, experimentalismo político, corrupção e um excesso de partidarismo que engrossa aqueles vícios que, por sua vez, agigantam ainda mais aquele ciclo vicioso em Portugal. Nos últimos 2 anos esta destruição de emprego ganhou uma dimensão trágica entre nós e empurra para a emigração compulsiva cerca de 300 portugueses diariamente. Eis um pequeno balanço do que tem sido o "passismo". Esta tem sido a proeza de Passos Coelho e dos seus rapazes, fazer regredir Portugal aos anos 60 do séc. XX. 


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quarta-feira

O ultraliberalismo do nosso tempo = desemprego + pobreza

Não é já muito relevante saber se João Proença, da UGT, traiu ou não aqueles que representa comprando uma guerra no movimento sindical nacional, pois além de se representar a si próprio, quais gerontes há decadas no poder sindical (e o carvalho da silva, na CGTP-In- PCP é outro geronte ainda maior!!), é secundário ter dado aos trabalhadores aquela meia-hora simbólica, sendo tudo o resto mau para o lado de quem depende do trabalho: dias de trabalho, salários, condições de despedimento, feriados, etc.
Isto culmina numa questão sempre latente na história da evolução das sociedades e que se pode colocar assim: se não existisse o desemprego, seria o próprio regime ultra-liberal que o inventaria. Ele é-lhe indispensável e co-natural. É ele que permite à economia privada manter o seu jugo sobre a população planetária, ainda que sob a capa de contribuir para a coesão social, ou seja, a sujeição envernizada. Sempre foi assim na história da evolução social, com excepções pontuais.
Até porque não existe actualmente melhor meio de constrangimento sobre as populações e de garantia de paz social do que comprimi-la através desta grilheta que se desdobra no desemprego e nas consequências sociais e privações que ele sempre acarreta. De modo que, em Portugal, as usual, o povo é sereno...
O Gov, qualquer que ele seja, fará sempre o jogo do patronato. O Estado, é bom não esquecer é, ele próprio, o patrão de todos nós em Portugal, e se não o é directa e imediatamente, é-o mediante dispositivos indirectos que têm igualmente reflexos na vida dos agregados familiares e das pessoas individualmente. E aqui urge sublinhar que cerca de 85% do tecido empresarial é feito de PMEs ("Piquenas" e Médias Empresa), como diria esse vulto da banalidade que é manola Ferreira leite, agora defensora dessa excelsa ideia de que as pessoas com idade superior a 70 anos deverão pagar os serviços de hemodiálise. Antes tinha sido a promotora da ideia de meter a democracia na gaveta durante um semestre, passando empreender todas as reformas mediante a sua ditadura.
Confesso que ainda não percebi por que razão os media dão tempo de antena a esta idosa salazarenta e mal formada, ainda por cima completamemnte desmiolada pelo que diz, na forma e no conteúdo. É o que dá ter as costas largas em Belém... Até nisto o regime democrático tem azar.
Num país assim, com políticos falhos desta natureza, com um empresariado completamente dependente do patrimonialismo estatal e das suas graças e favores, com uma sociedade civil fraca e subsidiodependente, o resultado só pode ser um: uma pobreza crescente agravada com direitos sociais decrescentes, só estas condições podem levar a aceitar salários miseráveis e condições gerais de trabalho e de vida alinhados com a mediocridade dos políticos, empresários e sindicalistas que temos. Portanto, está tudo em linha ou alinhado pela bitola da mediocridade. No caso, quanto pior, melhor... É nesta senda que Coelho se perfila para acabar com o que restará de Portugal e dos portugueses.
Neste quadro, a imagem que o espelho devolve à sociedade só pode ser a pobreza e o desemprego estruturais. Curiosamente, para os pensadores utópicos do séc. XIX, o fim do trabalho traduzia uma imagem de felicidade, um objectivo supremo que era reivindicado. Mais recentemente, foi também graças à cibernética, então considerada uma (outra) utopia, que findaria a própria ideia do emprego.
Hoje, rebentadas todas essas utopias, entrámos numa outra ficção: a ficção governamental que temos - em boa medida - coligada com o nível do empresariado (subsidiodependente) que nos caracteriza, e que explica tão bem a natureza das relações entre o sector estatal e o sector privado, de que tivémos amostra nas nomeações para a EDP. O que deu a oportunidade a dez milhões e meio de tugas de conhecerem bem a personalidade do PM actualmente em funções em Portugal.
Seja como for, também não devemos pensar que a culpa é da cibernética ou da globalização, esse decisor oculto que está em todo o lado e tudo decide à nossa revelia, mas no mau uso que fazemos dos recursos materais e intangíveis que estão ao nosso dispor.

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segunda-feira

Jovem suicida-se após rejeição em 200 empregos

Família quer criar fundação para ajudar a lidar com o mercado de trabalho. dn
Vicky Harrison estudou som e imagem e tinha o sonho de ser produtora de televisão. Inicialmente foi sobre essa área que incidiu a sua procura de emprego. À medida que o tempo foi passando alargou o âmbito da pesquisa, até ser candidata a empregada de balcão, de mesa, repositora em cadeias de supermercados. Mas a reposta foi sempre negativa. Duzentas recusas e dois anos depois, a jovem britânica, de 21 anos, pegou em várias caixas de comprimidos e suicidou-se por overdose.
A tragédia aconteceu há um mês mas só agora a família parece ter encontrado coragem para tornar o caso público nos media. Os pais e o namorado, a quem deixou bilhetes de despedida, pretendem criar uma fundação que ajude os jovens a lidar com as dificuldades do mercado de trabalho. Numa altura em que as eleições legislativas britânicas estão à porta e o desemprego atinge dois milhões e meio de jovens no Reino Unido, os críticos do Labour, no poder, acusam as suas políticas de estarem a "criar uma geração perdida". Os mais radicais culpam a abertura que existe face aos imigrantes, que fazem o mesmo trabalho que os cidadãos britânicos, mas por salários relativamente mais baixos.
"A Vicky era uma rapariga brilhante e inteligente que entrou em depressão por não conseguir encontrar trabalho. Estar no desemprego durante tanto tempo, parecia-lhe demasiado humilhante", disse a mãe, Louise, de 43 anos, citada pelos media britânicos. "Teve tantas recusas que a sua confiança ficou afectada. Ela sentia que não tinha futuro", afirmou o pai, Tony, de 53 anos, ao jornal local Lancashire Telegraph.
Vicky Harrison cresceu em Darwen, Lancashire, tendo-se formado com boas notas pela Faculdade de Runshaw, em Leyland, integrando depois a universidade londrina de South Bank. Não chegou a completar o curso, porque não estava a gostar muito dele. Foi então que iniciou a difícil missão de entrar no mercado de trabalho. A 30 de Março, recebeu a última recusa de um infantário. No dia seguinte o pai encontrou-a estendida na sala de estar. "Eu já não quero ser mais eu. Não fiquem tristes, a culpa não é vossa, só quero que sejam felizes", escreveu a jovem no seu epitáfio.
A família criou agora um memorial na Internet: http://vicky-harrison.gonetoosoon.org/ contém alguns dados e algumas fotografias de Vicky, permite deixar mensagens de apoio, escrever tributos, acender velas e oferecer presentes virtuais.
Obs: Medite-se seriamente neste tipo de situações que, porventura, é maior do que pensamos, pois as estatísticas oficiais não choram, e só uma parte é oficialmente conhecida, como a violência doméstica e problemas conexos gerados pela sociedade post-modernaça que criámos e que a globalização predatória agravou.
Que descanse em paz.

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