quarta-feira

A globalização pelintra made in Manel Pinho

Foto Jumento
Conheça o nosso sistema de Alerta rápido para evitar que Pinho diga mais calinadas...
[...]
Durante a visita do primeiro-ministro à China, Manuel Pinho apelou ao investimento chinês em Portugal alegando que os custos salariais são inferiores à média da União Europeia (UE) e têm uma menor pressão de aumento do que nos países do alargamento. «Portugal é um país competitivo em termos de custos salariais. Os custos salariais são mais baixos do que a média dos países da UE e a pressão para a sua subida é muito menor do que nos países do alargamento», sustentou o ministro, perante uma plateia de empresários chineses, na abertura do Fórum de Cooperação Empresarial Portugal China 2007. «Portugal tem um nível de salários mais baixo do que a UE, pelo que isso é um facto. Não vejo mal nenhum em que se refira um facto», comentou o porta-voz do PS, acrescentando que as declarações de Pinho não constituíram por isso «nenhum problema grave». [...]
Obs:
É a bernarda do dia, pois sempre que Manel Pinho fala ou entra mosca ou sai asneira. Não é de hoje, é de sempre. No plano formal, tal deve-se ao facto de Pinho não dispôr de muito vocabulário, de modo que está circunscrito aos balanços e balancetes que aprendeu no BES e dali não sai; depois é um desastrado nato, na medida em que não consegue distinguir uma avaliação técnica duma declaração política, e o branqueamento feito pelo deputado Vitalino Canas no sentido de atenuar os efeitos daquelas declarações, são a prova disso mesmo: nenhum problema grave, diz.
Em resultado destes dislates, ainda por cima num país que não é uma democracia pluralista como a RPC, Pinho deveria andar equipado com um mini-semáforo entre a laringe e a testa, de forma a que quando começasse a produzir o enunciado duma declaração lamentável a luz amarela disparasse automáticamente e fizesse disparar uma sirene de molde a avisar Sócrates que nas redondezas teria tempo de evitar a consumação daquelas barbaridades - carregando num botão de controlo remoto que cortaria o pio a Pinho. Este seria o dispositivo mais eficiente de controlo de danos que Socas poderia implementar a fim de manter sempre Pinho em regime de rédea curta. Se já não pensou nisso, quando regressar a Lisboa deveria integraressa rúbrica no Plano Tecnológico..
E porquê? E agora vamos à substância do problema que subjaz a sua lamentável declaração. Nessa situação política em que um país pequeno procura captar investimentos junto dum imenso país como a China, aquilo que se exige a um responsável político é que ele - não sendo mentiroso também não seja kamikaze, e Pinho - seja intra-muros, seja extra-muros parece concentrar em si ambas as desvantagens em quantidades industriais, fazendo dele aquilo a que já habituou os portugueses: um bronco. Receio bem que depois desta incursão pelo governo o bes já nem o quererá de volta quando Socas o resolver dispensar.
Seria legítimo que Pinho seduzisse o empresariado chinês, que continua a não respeitar os direitos humanos, a desconhecer os direitos sociais e pensa que o homem só nasceu para trabalhar, empregasse outros conceitos nessa estratégia de sedução empresarial. Como referir o facto de Portugal ser uma pequena economia europeia e muito aberta, que pode ser criativa e inovadora, adoptar um eficiente design nos seus produtos e um marketing na comercialização dos mesmos, enfim, que os portugueses podem representar uma boa aposta económica para os chineses e que, a prazo, a economia nacional faria o retorno dos investimentos feitos com imensas vantagens para os seus investidores.
Mas Pinho só se lembrou do vector "salários baixos", como se os tugas fossem uns mamecos de Cantão disponíveis para trabalhar 18h por dia ganhando uma tuta e meia. Os mais distraídos que tivessem captado o discursos de Pinho pensariam que se trataria dum ministro do Trabalho de Cabo Verde ou de São Tomé ou mesmo de Moçambique.
Em rigor, uma leitura extensiva das declarações de Pinho obriga-nos a pensar que vivemos com um sentimento contraditório e conflituoso dentro de nós, dado que podemos alimentar a máquina mundial do sistema capitalista porque somos uma espécie de chineses versão europeia, equipados com um bi-turbo e cabeça de motor rebaixada a fim de fazer a admissão e a explosão mais rápido. O objectivo, segundo Pinho, é uma contratualização de investimento estrangeiro por via de mão-de-obra baratucha, pouco refilona e bem adestrada, logo obediente a trabalhar as tais 18 h. per day.
Este pareceu-me ser o modelo de globalização predatória e pelintra eleito por Manel Pinho quando discursa abroad. É assim que ele julga que a melhoria de vida dos portugueses se faz no seio da economia global... A não ser que Pinho e o governo português tenham visto aquilo que mais ninguém ainda viu: é que por cada posto de trabalho de investimento chinês em Portugal o nosso País consiga criar mais dois na China. Se assim fôr Pinho está de parabéns, apesar das calinadas crónicas, se não fôr bem pode Socas ir já pensando num substituto que consiga ser ao mesmo tempo um bom técnico de macroeconomia e um político eficiente. Mas se calhar isso já é pedir muito nos tempos que correm.
Tanto mais que os economistas baseiam o seu optimismo relativamente à globalização e aos postos de trabalho nas teorias comerciais correntes da vantagem comparativa, ao tempo do velhinho Ricardo e Adam Smith. Tais teorias estabelecem que à medida que os PVD com grandes populações passam a desenvolver actividades que usam uma grande quantidade de mão-de-obra não especializada, os países europeus terão maiores vantagens em actividades que requeiram um uso mais intensivo de capital e operários com um bom nível de preparação. O problema é que aqueles economistas clássicos já começaram a reconsiderar as suas velhinhas teorias, vq., até os trabalhadores mais especializados nos países avançados (EUA + Europa) poderiam vir a perder face ao desenvolvimento da pujante economia chinesa, a nova fábrica do mundo que cresce cerca de 7 a 10 % ao ano.
Mas duvido que Pinho tenha equacionado todas estas variáveis quando disse aquelas bacuradas que nele já vão sendo tão crónicas que nem os chineses ligam. Até agradecem...

Os elefantes têm prioridade e o jogo das interpretâncias

  • Nota prévia: a leitura deste post deve ocorrer em correlação com o post imediatamente infra, especialmente após visualização do vídeo - Uma vergonha
Vejamos aqui os elefantes como simples referenciais, até porque não pude deixar de achar piada (e ao mesmo tempo tristeza e alguma frustração) na sequência da visualização do vídeo infra, logo remetendo este post para um problema de enunciados, tão importantes para os políticos, majistrados e demais gente que ocupa lugares no aparelho de Estado e que, por vezes, comunica com os pés.

Obviamente, não fiquealheio áquela expressão do PGR : tenho uma senhora que me faz o trabalho... Uma tal assessora. Mas a sinalização discursiva ficou, a questão comunicativa, semântica existe e, como tal, aqui a equacionamos sumariamente de forma utilitária. Quando se diz que os Elefantes têm prioridade - devemos estar atentos às estradas abertas e às que estão fechadas, bem como as que têm sentido obrigatório de modo a que nenhum turista fique esmagado aos pézinhos de um elefante.

Na maior parte das vezes, a função referencial dissolve-se noutras funções,sendo que a tarefa da informática é ajudar todas as pessoas, inclusivé os PGR digitalmente analfabetos (e aqui também podemos integrar Souto Moura, que não deixa saudades...), a armazenar e tratar a informação na sua forma mais racional, sem bem que a linguagem humana nunca seja neutra. Portanto, diga-se o que se disser - quando o homem diz que tem uma senhora que lhe trata do trabalho - acaba por se dizer sempre mais do que se queria dizer. Tanto mais na comunicação mediatizada, em que há uma enorme variedade de fórmulas que têm como finalidade verificar o circuito e de duzir milhentas leituras das comunicações.

Quer isto dizer que por vezes as palavras a mais são como o silêncio. Vejamos: durante anos andei à boleia, e depois passei a dar boleia a outros, e nesse jogo é natural que o condutor estabeleça uma conversa com a pessoa a quem deu boleia, doutro modo o silêncio é interpretado como uma atitude hostil incompreensível. Estabelencendo o paralelo: teria sido preferido que naquela situação narrada pelo vídeo infra - a Vergonha - o sr. PGR tivesse bem caladinho, assim poupar-nos-ía a uma multidão de asneiras que não revelam apenas iliteracia digital, mas também uma grave impreparação cultural e sociológica capaz de compreender o mundo contemporâneo, mormente na sua vertente de desvios e crimes contra a sociedade. Foi isso que me chocou, e não o facto do senhor confundir blogues com cartas anónimas, pois até nesta comparação foi tacanho e paroquial.

Nesse mesmo vídeo foram ditas palavras vazias, daí a forma como fixamos aquela narrativa: síndrome do esvaziamento. Mas a cuircunstância de o sr. PGR ter referido que tem uma senhora que faz o trabalho, ocorreu-me pensar o que diria essa senhora se estivesse alí, numa Comissão especializada da AR - depondo qualquer coisa. Será que ela diria, que tinha um senhor que lhe concluiria o trabalho - iniciado por ela sempre que ele - o PGR - lhe o solicitara?! Bom, nem quero pensar nesse jogo cruzado de narrativas lânguidas e luxuriantes nos gabintes da própria Procuradoria-Geral da República, que por natura deve ser um lugar austero.

Fiquemo-nos apenas por (mais) uma anedota popular judaica que ilustra bem esta situação. Em que um homem escreve a uma amiga, não para lhe pedir um trabalho informático mas para outra coisa, vejamos:

Querida Riwke, pfv manda-me as tuas pantufas. Claro que estou a falar das minhas pantufas e não das "tuas pantufas". Mas, se tu leres as "minhas pantufas", vais achar que o que eu quero são as tuas pantufas. Portanto, se eu escrever: "manda-me as tuas pantufas" - tu lês as tuas e percebes que o que eu quero são as minhas pantufas. Portanto, manda-me as tuas pantufas.

Se calhar o que o outro senhor queria mesmo dizer quando dizia ter uma senhora que lhe fazia o trabalho, tinha relação com isto: as pantufas. O que não deixa de ser uma (2ª) vergonha...

Os novos "leigos" para o subdesenvolvimento: o síndrome do esvaziamento

"Uma Vergonha"

Confesso que fiquei abismado ao ver este texto medieval por parte do actual PGR, o sr. Pinto Monteiro. Num momento em que ricos e pobres, gente ilustre e o zé povinho fazem um esforço por se aproximar das TIC ficando assim menos distante das novas ferramentas tecnológicas que ligam hoje o nosso mundo - damos de caras com esta "vergonha": uma vergonha vindo de cima, do topo da hierarquia do Estado, do Ministério Público... De facto, não se compreende. Ou melhor, compreende: fácilmente se percebe que o sr. PGR não tem nenhum problema com a blogosfera, ele tem - sim - é um grave problema com a informática em geral, e, para isso, como diz, ele "tem uma senhora" que lhe faz o trabalho.

Ouvir isto é chocante; ouvir e ver é agoniante... Faz lembrar o que uma certa burguesia e alguns barões diziam das governanatas que desciam do Norte para servir em Lisboa e... Não pela comparação que o PGR faz entre blogues e cartas anónimas, revelando desde logo um primarismo analítico que denuncia uma iliteracia tecnológica gritante, mas pelos valores e normas que ventila para a sociedade. Parece que o senhor pretende que a civilização, os campos da comunicação, a natureza da tecnologia e dos seus instrumentos regridam no tempo só para ele se sentir adaptado. Hoje, os governos, as sociedades, as empresas e as organizações em geral, as pessoas singulares - fazem um esforço por comunicar através das TIC, posto que são os meios mais rápidos, baratos e democráticos ao acesso de todos, mas quando chegamos à teorização cibernética do sr. PGR - percebemos duas coisas: 1) os blogues são uma vergonha; 2) e ele tem uma senhora que lhe faz o trabalho. Até dá vontade de perguntar qual..

Dizer isto na Europa - num país civilizado - teria consequências sociais, políticas e morais imediatas que em Portugal, de facto, não tem. O que é a prova provada de que Portugal é ainda um país africano a fingir que é europeu, só porque integra genéticamente essa plataforma geográfica. E é aqui que lavra a minha frustração: somos, efectivamente, (culturalmente) subdesenvolvidos.

Isto diz bem da mentalidade, da cultura tecnológica e da formação humanista, da preparação cívica e cultural da gente que hoje ocupa os postos chave na pirâmide de decisão do aparelho de Estado. É, de facto, uma vergonha. E não sobrelevo aqui a dimensão blogosférica, que até é a menos relevante, equaciono sim a incapacidade de gente altamente responsável por não conseguir compreender o mundo em que vive, desconhecer por completo o que é um PC, o seu hardware, para que serve o teclado, o rato e coisas banais assim. E o sr. PGR ainda tem a lata de dizer que "é um leigo e não gosta de se meter em assuntos que não domina..."

Por que razão o sr. PGR não se inscreve num daqueles cursos do INA promovidos pelo escol do Estado que se julga elite pensante e aprende as noções e as aplicações básicas. O mesmo deveria, aliás, fazer MMendes, líder do psd, que passa a vida a dizer que Sócrates governa em estilo powerpoint quando e ele, na realidade, é bem capaz de nem no word saber mexer...

De facto, toda a mundivivência do sr. PGR neste vídeo é deslocada, não serve para o posto que ocupa, sobretudo quando hoje grande parte da criminalidade passa pelos meios e suportes virtuais.

Consequentemente, interpreto aquelas lamentáveis declarações como o síndrome do esvaziamento, em que homens de responsabilidade não conseguem mexer nos instrumentos do nosso tempo, e se não o conseguem fazer interrogo-me se também conseguirão interpretar as dinâmicas sociais - as normais e as desviantes e criminosas - que com os processos múltiplos de globalização potenciam fenómenos perigosos, ameaças e novos riscos para a vida em sociedade numa fronteira aberta em que a regra d´ouro é a mobilidade permanente.

O conteúdo deste vídeo representa um retrocesso de um século na mentalidade europeia, do homem branco, afluente, tecnológicamente desenvolvimento e rápido. Não existe ali ponta de razão, de articulação, de modernidade, de common sense, apenas se detecta uma forma brujessa de comunicar, um atavismo cultural, uma contradição nos termos, um fragmento paroquial ligado por um sem número de banalidades que fazem com que o entendimento comum do nosso mundo fique ainda mais obscurecido. Tudo aquilo simboliza um regresso às trevas do pensamento e da acção.

Daí à vergonha é um passo. Concordamos, portanto, com o título do vídeo colocado no Youtube: uma vergonha - para utilizar "o pêlo do próprio cão", segundo diz o povo. E mais: confesso que até simpatizei com a sua nomeação, começou entusiásticamente e com vontade de mudar o que está mal na sociedade portuguesa (penoso que foi o legado de Souto Moura), mesmo que hoje - ao deparar-me com esta "vergonha" e vil tristeza - me tenha sentido mal por ser português.

"Eu sou o Cocas dos Impostos", Lady e genes marados

Kermit - Cocas dos "Impostos"

Este texto mais não é do que uma ficção, e qualquer verosimilhança com a realidade não passa disso mesmo...

Todos me conhecem, quer dizer identificam a minha cara, mas não sabem o que penso porque nunca falo. Sou conhecido por ter feito o Cocas, agora faço o Estado arrecadar mais receita dos impostos; sou também conhecido por aparecer no expresso, nos amigos do sol - de que o b c pi - é accionista, também apareço no Correio da Tarde, mas daqui não sopram elogios, só não apareço no Jornal de Letras por se entender que ainda não tenho dimensão cultural ou densidade intelectual, ou ainda não papei todas as massinhas, mas lá chegarei com mais umas tributações aos desgraçados dos tugas. Todos me conhecem, porque sou do bc pi-Opus dei, do psd-Manela Ferreira leite, hoje sou do ps, amanhã serei de quem me pagar mais e melhor. Serei sempre assim, como uma zelosa e garbosa meretriz que vai a casa e assegura todo o serviço ao domicílio; serei como um jogador de futebol, mercenário q.b. O Cocas, que é feito desse boneco que fez as delícias de muita juventude e hoje emerge confundido com outros bonecos que nenhuma memória deixarão...

Gene Marado de Paulo Portas

Modjo- Lady- dedicada ao gene marado...

Paulo Portas - Ministro da Defesa e dos assuntos do mar

"Uma Vergonha":

Uma ressalva: onde se diz: "eu sou leigo, deverá dizer-se: eu sou é mesmo bronco". Fica feita a errata daquela vergonhosa narrativa, depois ainda se fala em modernizar a formação intelectual, cultural e tecnológica dos altos quadros do Estado... Pois!!! Alguns nem sabem o que é um teclado e julgam que o rato morde... Valha-nos Deus, porque isto já lá não vai só com ciência!!!

Portugal aos pedacinhos...

REFERENDO

Louçã critica Marques Mendes por causa de pergunta

Francisco Louçã acusou o presidente do PSD de fazer uma «política salta-pocinhas» na questão da pergunta colocada no referendo sobre o aborto. O líder do Bloco de Esquerda diz que Marques Mendes está a criticar a pergunta que aprovou há apenas dois meses. O líder do Bloco de Esquerda acusou Marques Mendes de criticar a pergunta do referendo à despenalização do aborto, aprovado pelo próprio presidente do PSD, considerando que o líder social-democrata está a fazer uma «política salta-pocinhas».«O deputado Marques Mendes aprovou a pergunta há dois meses e agora o dr. Marques Mendes vai a Aveiro dizer ao dr. Marques Mendes, de Lisboa, que aprovou uma pergunta muito enganosa e que está muito irritado com o dr. Marques Mendes porque percebeu que a pergunta o estava a enganar a ele próprio», explicou Francisco Louçã.(..)

  • Agradecemos ao Jumento a disponibilidade destas duas imagens que já integram a iconografia política nacional e até já fazem parte dos arquivos oficiais da Assembleia da República.

Obs: Anacleto Louçã, com a inteligência e o talento que o caracterizam recentra bem a questão e desmascara o cinismo político de Mendes que, cada vez mais se parece com um roberto que vai fazendo aquilo que as circunstâncias vão ditando, consoante o vento sopre de nortada ou venha de sul...É uma pena, está-se a estragar pela incongruência, fatal em política.

Os grandes portugueses... (link).

Vou alí já venho...

Álvaro Barreirinhas Cunhal e António de Oliveira Salazar estão a ter ajudas com as quais a RTP e a produtora de ‘Os Grandes Portugueses’ não contavam. Há mensagens de telemóvel (SMS) a circular que induzem os incautos a votar no líder histórico do PCP ou no Presidente do Conselho. (...)

Obs: E ainda andamos nós aqui a moralizar a política dizendo mal do Fidel, do Eduardo dos santos e quejandos... Em Portugal, a lógica memorialista suportada pela tv de serviço público que temos perfila Cunhal (um petit democrata que Mário Soares evitou se convertesse em ditador de esquerda importando o modelo soviético para Portugal) e Salazar (um ditador de direita que nos apartou da II-Guerra Mundial mas deixou-nos subdesenvolvidos) como os mais desejados... Algo vai mal neste nosso reininho da Dinamarca, e uma dessas razões decorre da congénita atracção pelo abismo dos portugueses. Felizmente, ainda não fui infectado com esse virús, razão por que me considero lúcido, so far...

MAIS UMA GUERRINHA DE NERVOS COM VISTA AO DESGASTE, INSTABILIZAÇÃO, DESEQUILÍBRIO, DESMANTELAMENTO PSICOLÓGICO E CONSEQUENTE AUTODISSOLUÇÃO DA VONTADE DA DEPUTADA LUÍSA MESQUITA. EIS OS MÉTODOS CANALHAS E ESTALINISTAS DO VELHINHO E DO ACTUAL PCP, O PARTIDO MAIS PERVERSO DO SISTEMA POLÍTICO PORTUGUÊS. DE DEMOCRÁTICO NEM O NOME TEM... Luísa Mesquita quer explicações sobre falta de médicos e Alviela

A deputada do PCP Luísa Mesquita enviou um requerimento ao Governo onde questiona “quais são as medidas tomadas ou a tomar” pelo Ministério da Saúde para garantir o acesso ao Serviço Nacional de Saúde das populações de Muge e Ribeira de Santarém. A parlamentar eleita pelo distrito de Santarém recorda que os utentes de Muge (Salvaterra de Magos) já não têm médico no posto de saúde desde Maio de 2006, enquanto na Ribeira essa falta se regista há três meses. Desses factos O MIRANTE deu conta na sua edição de 17 de Janeiro. Ouvido na altura, o coordenador da Sub-Região de Saúde de Santarém explicou que a situação de Muge se deve a baixa prolongada da médica que ali presta serviço, o que impede a sua substituição. Já relativamente à Ribeira de Santarém, a situação foi apontada como transitória e deve-se ao pedido de exoneração do quadro por parte do médico que ali assegurava consultas.

***************************************************

Luísa Mesquita, deputada do PCP que tem permanecido em conflito com a direcção do partido (in Dn), participa amanhã, em Santarém, num debate sobre o aborto com parlamentares do PS e do Bloco de Esquerda. Trata-se de uma causa comum, que a deputada assume, como defensora de há longa data do "sim". "Falarei com muito empenhamento nesse debate, ao lado de pessoas de diversas posições político- -partidárias. O convite que recebi identifica-se com os meus princípios de cidadania", declarou ao DN Luísa Mesquita, também vereadora do PCP em Santarém.O debate realiza-se na Casa do Brasil, no centro histórico da capital do Ribatejo, a partir das 21.00. No palco, pelo "sim", estarão as deputadas Sónia Sanfona (do PS) e Helena Pinto (do BE). A ex-deputada do PSD Isilda Pegado defenderá o ponto de vista do "não".Luísa Mesquita revela não ter dado conhecimento à direcção do PCP desta sua participação. "Não achei necessário", salientou esta defensora do "sim", que defende a despenalização porque "dá à mulher a decisão sobre a sua própria gravidez sem receio de ser julgada ou violada na sua intimidade". E também porque "o 'sim' recusa o aborto clandestino, grave problema de saúde pública que penaliza as mulheres pobres".O presidente da Câmara de Santarém, Francisco Moita Flores, estará presente. Também ele - eleito como independente pelo PSD - votará "sim". Explica porquê ao DN: "Quando trabalhava na Polícia Judiciária em Lisboa, vi várias mulheres mortas na sequência de abortos. Fiquei com a convicção de que o aborto clandestino tinha de acabar."

Confusão diplomática na visita de Sócrates à China Maria José Morgado defende que aborto ilegal gera corrupção PSD sem posição gasta 500 mil euros Debate reúne Bloco, PS e Luísa Mesquita

O incêndio e o cinismo... Uma desgraça nunca vem...

Nota prévia:
Gostaríamos aqui de perguntar a ambos se conhecem o autêntico significado das palavras dignidade, cinismo e hipocrisia em política... Ao menos com Carrilho na edilidade teríamos tido a Bá como óptima montra da Capital. E entre a figura de Bá e as bexigas indisfarçáveis do actual edil temos de convir que aquele seria melhor opção. Embora cada um seja como cada qual, e o grave foi a incompetência, a incúria e a corrupção que cresceu em progressão geométrica. Hoje somos levados a pensar que Carrilho na Capital o País e Lisboa estaríam sensivelmente melhores, ou seja, menos maus...
Será de esperar que doravante o emplastro do Norte não se apresente a eleições na Capital...
"Colapso» em Lisboa não é surpresa, diz Carrilho Ex-vereador socialista confessa «imensa tristeza» com situação na CML O ex-vereador socialista na Câmara de Lisboa Manuel Maria Carrilho disse hoje ver «com imensa tristeza, mas sem qualquer surpresa» o «colapso» da autarquia, após a suspensão do mandato da vereadora do Urbanismo no âmbito do caso Bragaparques, noticia a Lusa.
«É com imensa tristeza, mas sem qualquer surpresa, que assisto ao colapso da Câmara de Lisboa», escreve o deputado do PS no seu blogue pessoal (Bloco de Notas).
«Eu sei bem que em política não adianta ter razão antes de tempo - antes pelo contrário. Mas na vida isso conta - e, no que me diz respeito, tudo foi dito e tudo foi escrito, nos momentos em que tal devia ser feito», refere Carrilho.
Para Manuel Maria Carrilho, o executivo presidido por Carmona Rodrigues (PSD) é o «pior» executivo de Lisboa desde o 25 de Abril de 1974, acusando a liderança social-democrata de «falta de visão, funda incompetência e indisfarçável inacção».
O ex-autarca sublinha ainda que já tinha alertado para a alegada existência de «negócios inexplicáveis» na autarquia da capital. Carrilho critica os que «agora falam, com surpreendente desenvoltura, da «malta do betão» e de outras coisas do género» e que não deram atenção quando ele apontava «indícios de negócios inexplicáveis».
«Eu assinalava os limiares da corrupção que se estava a tocar, e eles espantavam-se; eu apontava indícios de negócios inexplicáveis, e eles distraíam-se; eu diagnosticava a existência de um «polvo de interesses ocultos», e eles escandalizavam-se! Pois é, mas, como diz o ditado popular, atrás do tempo, tempo vem», sublinha Carrilho."

Aparições de Cuba: o morto-vivo...

  • Obs:Melhor fora que o morto-vivo se transformasse de vez num boneco de cera. O que obrigaria o regime a criar um museu para guardar o referido boneco, a que se podia associar as milhares de páginas dos seus discursos. Seria uma fonte de receita e de atracção de turistas importantes para a recuperação da débil economia nacional. Assim, com o morto-vivo - ainda a mexer - as rumarias não se fazem e a economia cubana teima em não fazer o take-of, à semelhança daqueles cadillacs estacionados pelas ruas de Havana há décadas por falta de peças suplentes e de manutenção, tal como a ditadura criada e mantida por Fidel.

Enjôo e hiper-alienação

Obs: a mobilização do país-real só atina com estas tramas de cordel, que têm, naturalmente, a sua importância (limitada), mas quando esta novela contagia o país a ponto de o pôr de cócoras - dá vontade de dizer: atirem este filme ao Tejo - que ora fala de abortos, de Carolinas sal-gados (sal da parte do pai, gado da parte da mãe), de apitos dourados e conexos. A única explicação que encontro para esta congénita mal-formação do esprit luso decorre da mentira em que gostamos de vegetar, de assumirmos a dores alheias e viver, assim, numa dor que desperta um clima de saudade, de faducho que nos abre caminho para a nostalgia, e é isso tudo acumulado que nos torna incapazes de perceber o atoleiro social e moral em que estamos só pelo facto de relevar esses assuntos mais do que 2 vezes ao dia.
Certos factos do Entroncamento que ocorrem neste Portugal de tanga transforma-nos mesmo nos macacos que já fomos, sucede que hoje parece que não conseguimos ser outra coisa... Aquelas imagens e narrativas subtraem-nos à melhor compreensão acerca do se passa no mundo. E o mais grave é que se olharmos para o mundo parece que ele mais não do que do que um aborto-gigante deixando as suas larvas em toda a periferia. Preferia mil vezes as narrativas do Pedro Caldeira na Bolsa de Valores, mas aguardemos que o bcp parta um braço, Macedo caía do avião em andamento, a Opa do tio Belmiro se realize e o País se safa do atoleiro estrutural em que está. Como é que é mesmo o nome deste País...

Sonoridades do tempo que passa na memória que fica

Whitesnake - Is This Love
Whitesnake - Here I Go Again
Russians - Sting
Fragile - Sting
Sting - When We Dance
Sting - Englishman In New York Music Video
à memória do meu amigo Luís Miguel Moreira que resolveu ceifar a vida c/ uma bala perdida em 1986 por estar farto de viver. Com ele aprendi a gostar de música e muitas outras velocidades e andamentos...
Sting - Send your love
O segredo está an Vodka...

Lighthouse family high

Lighthouse Family

Lighthouse family - Free

Forever you and me

Vicente Amigo

Al Jarreau (1988) - So Good

David Bowie - Blue Jean

David Bowie - Lets Dance [Live]

Gnarls Barkley - Crazy

Billi Idol - Sweet 16

Gnarls Barkley "Crazy"

Republicamos post de Julho/06

Republicamos este post a pedido de amigos e visitantes. Quiça possa exercer algum efeito terapeutico na mente daqueles que hoje fazem e se alimentam da guerra, onde quer que ela se encontre.
A música, consabidamente, é misteriosa, por vezes faz milagres. Vejamos:

Ela previne acidentes vasculares cerebrais (os terríveis AVCs), demência e dores crónicas; Reduz ataques epilépticos (assim o homem já se pode barbear sem se mutilar); Auxilia no tratamento da toxicodependência e enxa-quecas Potencia a concentração; Diminui a pressão arterial; Aumenta a criatividade em pessoas de todas as idades.

Isto não é "pedra" é um obelisco... A todos os que apreciam música e sonham voar, mesmo sem asas...
Recupera-se algum "freakismo" dos anos "80", mas com mais Hi-Tech., mais criatividade e, obviamente, mais loucura. Veja-se algo mais sobre Gnarls Barkeley in St. Elsewhere

terça-feira

Nem de propósito... A emigração económica. Um retrato de Portugal

O emigrante
Portugal procurado por classe média europeia (link)
Comunidade estrangeira irá aumentar dez por cento este ano Sabia que são os jovens europeus do Norte que mais procuram Portugal? E que, de ano para ano, aumenta a comunidade estrangeira residente em Portugal, sobretudo trabalhadores da classe média-alta com mais poder de compra.
Estes são os resultados de um estudo realizado pelo jornal de língua inglesa The Portugal News junto dos estrangeiros que vivem em Portugal e que prevê, para 2007, um crescimento da comunidade estrangeira a rondar os oito a dez por cento.
Segundo a sondagem, revelada hoje, que teve em conta 600 inquiridos, o nosso país é cada vez mais procurado por jovens do norte da Europa que vêm em busca de novas oportunidades.
Apesar da vizinha Espanha ter dez vezes mais estrangeiros inseridos na sua comunidade, Paul Luckman, director do jornal, afirma que isto é «positivo para Portugal», visto que quem procura o nosso país «são jovens e trabalhadores da classe média-alta com mais poder de compra».
Aos inquiridos foram pedidas as suas opiniões sobre a relação destes com o Governo português, com o comércio e com os serviços nacionais que utilizam.

Obs:

Não deixa de ser paradoxal que Portugal, um país europeu, que já integrou a União Europa há mais de 20 anos, seja hoje varrido por duas tendências contraditórias: a) ser procurado por jovens casais e reformados de classe A que por cá estudam, trabalham e passam férias; b) "empurre" os seus jovens quadros para o estrangeiro - metendo-os na rota da emigração económica, visto que internamente não são geradas as oportunidades necessárias e suficientes para obsorver os quadros licenciados que saem formados dos bancos das universidades. Isto até parece uma aposta da globalização contra o homem moderno, europeu, branco e tecnológicamente avançado.

Uma aposta que consiste no seguinte: somos hoje obrigados a viver com o sentimento conflituoso dentro de nós - pensando que poderíamos fazer cá dentro mais e melhor do que aquilo que vamos fazer "out there" - destribalizados e, em inúmeros casos, encontrando uma sociedade corrupta, subdesenvolvida, feita de economias paralelas e de subornos, que vive de comissões do ouro negro, e, mais gritante ainda, em países em que não se respeitam os direitos humanos e a generalidade das pessoas sobrevive com menos de 1 dólar per day. Não sei bem porquê, mas infelizmente Angola - que ainda não é uma democracia pluralista, corresponde a este perfil de Estado-falhado que só existe política e económicamente no mapa mundo por causa das suas riquezas naturais, as quais também não têm servido para desenvolver o território e as suas gentes.

Obviamente, isto não sucede por acaso...

TOMO

Diz-me qual a cor das tuas peúgas

Nota prévia: Já nos bastava o bcp/millenium ter colocado um seu homem do Opus dei à frente da DGCI, agora temos também a vontade de Paulo Teixeira Pito, que até cita Mark Twain para referir que a sua OPA ao BPI está de pedra e cal, não obstante o reforço do La Caixa, quer obrigar Constâncio do BP a justificar-se por ter facilitado aquele reforço. Bem sabemos como são os métodos do Opus Dei relativamente aos seus membros, especialmente quando fazem os votos de pobreza, castidade e de obediência cujas consequências são a separação dos filhos dos pais e de toda a família, por isso não me admiraria que qualquer dia o bcp pergunte a Vitor Constâncio a cor das cuecas, a marca das peúgas ou mesmo a refeição que tomou ao pequeno almoço.Isso poderia interferir no tipo de decisões que o BP toma relativamente a futuros reforços nos grupos financeiros que disputam operações Opistas.

Em nota de informação, o banco central diz que «pode opor-se à aquisição de participação qualificada em instituição de crédito apenas por motivos de natureza prudencial». Como o «La Caixa» é uma instituição idónea e com capacidade financeira inquestionável, o banco central, liderado por Vítor Constâncio, deliberou «não se opor ao aumento de capital do La Caixa no BPI de 19 para 33%». A autorização estava dada, por isso quando os espanhóis aumentaram a posição para 25% não carecia de mais comunicações prévias.

O Banco de Portugal lembra que «utilizou a mesma bitola quando antes também não se opôs ao aumento da posição do BCP até 100% no capital do BPI». No parecer enviado à Autoridade da Concorrência, o Banco de Portugal concluía que «a OPA lançada pelo BCP sobre o BPI não punha em causa a concorrência no sector».

Alice no País das Maravilhas, evocação do prof. (matem.) Lewis Carrol

Meus Deus! Se as coisas fossem estranhas hoje e ontem tudo corria normalmente... Mas coloca-se uma questão: se eu não sou eu, então quem sou eu? Estou segura de não ser Ada porque os cabelos dela são encaracolados e os meus não. Estou segura de não ser Mabel porque eu sei um monte de coisas e ela sabe muito pouco. E depois ela é "ela" e eu sou "eu" - oh! como tudo isto é complicado!
Lewis Carrol, in Alice no País das Maravilhas

Uma foto por dia, durante 6 anos

Noah takes a photo of himself every day for 6 years

Cyriak's animation mix

Em busca d'algo

A pergunta é feita num artigo aqui dentro a propósito do último livro de Stefan Klein (biofísico alemão) intitulado Simplesmente Feliz editado recentemente pela Asa. «a preguiça não nos faz felizes» diz ainda, no entanto « é necessário termos momentos infelizes para nos afastarmos do perigo». «O número de pessoas com depressão está a aumentar. Ainda não há certezas, mas provavelmente isso deve-se ao facto de fazermos cada vez menos trabalhos físicos e às inúmeras mudanças sociais, como a emigração e as rupturas familiares. A OMS estima que em 2020 a causa de maior sofrimento nos humanos seja a depressão. A única coisa que se pode fazer é preveni-la. O cérebro é muito flexível, por isso podemos ensiná-lo a ser mais feliz. Não há pessoas que não consigam ser felizes. Mesmo quando estão deprimidas são capazes de sentir felicidade» e quando lhe perguntam se é vantajoso ter uma relação amorosa estável, a resposta já não surpreende, no entanto consolida o que já se sabe «...vários estudos revelam que o indicador de felicidade mais importante é quantidade de relações sexuais. O sexo é a cola das relações. Há estudos que mostram que quando as pessoas estão apaixonadas, basta falarem na pessoa que amam para o seu cérebro ter as mesmas reacções de um toxicodependente depois de uma injecção de heroína...»
  • Para ver a conclusão a que chega o autor/a deste blog, aceda aqui. Cujos resultados seriam muito interessantes para a economia e a sociedade portuguesa, além de arrumar de vez com a questão da IVG...

Uma solução para o drama do aborto em Portugal: mais desenvolvimento e liberdade

Em Portugal há dinheiro para estádios de futebol que depois ninguém usa, mas não há dinheiro para apoiar activamente a natalidade. Milhentas são as razões que levam uma mulher a abortar: problemas económicos, sociais, culturais, psicológicos, familiares e outros, muitos outros. E aqui "nos outros" não devemos incluir uma pseudo-categoria sociológica do "estado d'alma" - tão aberrante quanto ridícula aventada pelo doutor Marcelo na rtp, a tv paga por todos nós, que é o local onde ele prepara a sua candidatura a Belém daqui por uns anitos. Seria preferível que ele desse mais um mergulho no Tejo, apesar de ser um dejá-vu, sortiria mais efeito junto dos pacóvios da opinião pública que ele pretende seduzir ou convencer.
Mas o meu ponto é outro na tentativa de resolução dum problema grave que afecta escandalosamente primeiro as mulheres, depois o tecido social no seu conjunto. Imagine que é uma mulher que engravida dum tipo sem interesse futuro nessa relação e deixa a mulher a braços com uma gravidez em gestação. Ela, se tiver fracos rendimentos e for oriunda dum meio social médio-baixo pode ou não abortar, mas as estatísticas (que não choram) acabam por não mentir, e dizem que ela, na maioria das vezes, opta pelo aborto. Dispensando-se assim da censura e do vexame da sociedade e da sua manifesta incapacidade económica para criar aquela criança e dar-lhe um futuro condigno.
Por conseguinte, ela acaba por ser racional, apesar do método anticoncepcional ter falhado, se é que usou algum. Mas por detrás desta situação concreta, que é o pão nosso de cada dia em Portugal, está a textura duma sociedade e duma economia, que nos aponta para a necessidade da eliminação das principais fontes de restrições em Portugal: a pobreza como tirania, a míngua de oportunidades económicas como sistemática da privação social, a incúria dos serviços públicos que, por causa duma lei tão canalha quanto decadente e hipócrita, se dá o direito de criminalizar as mulheres que não têm condições socio-económicas para ter uma criança em Portugal. Além disto, ainda temos de gramar com a prepotência de alguns moralistas - cujas mulheres já devem ter abortado "n" vezes, e depois lá vão eles para diante da caixa negra fazer mais uns exercícios de hipocrisia consentida com as mulheres em casa a dizerem para com elas: "aquele meu marido é mesmo um canalha além de hipócrita, primeiro obrigou-me a fazer um aborto, e depois vai para a tv defender a sua proibição"... Quantas situações destas não existem em Portugal... Quantas!???
O que me choca é que apesar do aumento sem precedentes da riqueza global, o mundo contemporâneo recusa liberdades elementares só por falta de condições económicas. Por que razão o Estado-providência português (que é uma miragem) não segue mais de perto a estratégia da Alemanha para incentivar a taxa de natalidad?! Já não digo disponibilizar 5.000 cts a cada grávida, porque assim éramos capazes de ter um baby-boom e depois não havia território que chegasse para tantas alminhas, mas pelo menos metade dessa verba afim de fazer face às despesas elementares naqueles casos de maior risco social e angústia pessoal onde as liberdades foram mais restritas, ou onde a pobreza económica e cultural esbulha a essas pessoas a liberdade de atenderem aos seus sonhos e projectos, e às vezes atender à sua própria fome.
Seria do alargamento destas liberdades que teríamos um progresso social e humano em Portugal, um desenvolvimento apoiado na acção de pessoas livres, e não em pessoas dependentes de tudo e de nada. No fundo, a relação duma mulher que está grávida de pai anónimo - com respeito à realização do desenvolvimento social vai muito para além da sua ligação constitutiva, por muito importante que seja, na medida em que as suas consequências interferem com a própria dinâmica da sociedade.
Creio sinceramente que as pessoas poderiam efectivamente realizar o seu plano de desenvolvimento pessoal através duma melhor integração nas oportunidades económicas, pelas liberdades civis e políticas, com melhores poderes sociais e institucionais e por um conjunto de possibilidades técnicas que são a boa saúde, a boa educação, a boa cultura, enfim, um universo de dispositivos institucionais que gerariam inevitavelmente mais oportunidades que acabariam por influenciar os seus destinos enquanto mulheres e agentes sociais, económicos e culturais numa sociedade.
Bem sei que isto iria encarecer em muito o budget do ministério da Saúde, da Educação e afins, mas creio que valeria bem a pena, cortando noutros sectores menos infra-estruturantes para apostar em políticas activas de natalidade. Projectos da União Europeia poderiam ajudar a cofinanciar esta necessidades de inverter a pirâmide etária em toda a Europa, que está, no seu conjunto, velha e deprimida e perderá a prazo para a Ásia que é muito mais reprodutora.
A guerra aqui não é só social e humana, é também económica e de afirmação geopolítica, mas parece que muitos responsáveis políticos ainda não perceberam esse ponto crucial na história geral da Europa no momento de viragem incerta em que se encontra.

Kunami...

Gato Fedorento

Obs: Se alguns analistas se dedicassem à produção de humor em lugar de pensarem que fazem análise política objectiva - o País só teria a ganhar, riamo-nos todos muito mais, diversificavam-se os humoristas em Portugal (que ainda são poucos) e não se estragavam tantas análises. O problema é quando não se tem consciência desse egocentrismo ridículo mitigado com falta de senso e desconhecimento que é uma mulher, o resultado são mesmo abortos de análises. 7 Valo.

Assim, nem Pensar!

Gato Fedorento - Assim Não

O egocentrismo na política: Belém de binóculos por um canudo...

O "abortostorming"

Ontem o Prós & Contras levou a cabo mais um debate sobre as duas posições acerca da IVG, os defensores do Sim e do Não. Os pontos de vista de ambos os lados são conhecidos, as práticas miseráveis de milhares de abortos por ano, apesar dessa lei que pune as mulheres que o fazem - também. Confesso que devo ter adormecido umas duas ou três vezes, especialmente no momento em que o Vasco rato procura ajustar contas políticas com Aguiar Branco, só porque MMendes o dispensou das tarefas do psd. Pensei que melhor fora o país se em vez de estar alí a discutir uma questão que é mais de consciência de cada um - fizesse um brainstorming acerca da melhor via para fazer crescer a economia, modernizar a sociedade e combater a pobreza e a exclusão social, apesar de se saber que, em certos casos, impedir o aborto implica, a prazo, colocar na sociedade mais marginalidade e insegurança nas nossas ruas e cidades. A alternativa ao aborto (como à emigração económica) está na pujança duma sociedade rica, livre e repleta de oportunidades económicas, sociais e culturais. Só na cabeça do prof. Martelo é que se defende que uma mulher faz um aborto por causa dum "estado d'alma"... Este pode saber alguma coisinha de direito e de intriga palaciana mascarada com análise política, mas de mulheres é que ele não sabe de certeza!!!

O PSD começa a viver a noite das facas longas

Muito me admiro só agora ver Marcelo pedir a cabeça de Carmona atribuindo essa tarefa de carrasco político a MMendes. Então Marcelo não se lembra do que se passou na obra da Infanto Santo - em que o pato bravo não tinha pago as devidas licenças e carmona permitia a sua laboração... Marcelo desconhecia as permutas de terrenos, os alegados actos de corrupção, os compadrios, as cunhas e a má gestão, os assessores, as remunerações na Epul - uma empresa autárquica... Marcelo, afinal, desconhecia muita coisa, é rápido numas situações e assume a velocidade de tartaruga noutras, com o agravo de sugerir a MMendes que trate primeiro da vidinha do psd e só depois atente na qualidade de vida dos munícipes, que são o mexelhão que menos conta em toda esta equação de poder local. Se isto é fazer política, se isto é produzir análise - então solicite-se, desde já, a Jorge Coelho que comente as obras filosóficas de Leibniz, Descartes, Kant e Hegel. Talvez isto faça mais sentido do que a racionalidade retardada de Marcelo... Sugerimos-lhe aqui que veja um programa sério de análise política que dá às 2ª feiras depois do telejornal, e responde pelo nome de Notas Soltas... Talvez aprendesse por lá alguma coisinha, assim os seus erros e omissões tornar-se-íam menos banais.
  • Artigos Relacionados:

segunda-feira

Harmonia das harmonias por entre sonoridades

A fusão fantástica do jazz, hip hop, bossanova e mais não sei o quê converte esta música numa pérola sobre um diamante que até nos faz crer que a Terra é um Paraíso, apesar de ser um inferno. É um estilo sem estilo, feito de multi-estilos numa harmonia perfeita. Depois de se ouvir isto fica-se com a sensação que se entrou no Verão, percorreu-se a Primavera, mergulhámos no Outono e assistimos a tudo isso na bancada do Inverno. Enfim, é um duche caleidoscópico que nutre a alma e revigora o corpo, para aqueles que ainda têm uma coisa e outra...
Smoke City - Underwater Love

As cidades

Todos sabemos que as cidades são pólos de produtividade económica e centros de concorrência que permitem criar condições e serviços que constituem a base social da força económica dum território. Acresce que a força de trabalho qualificada depende cada vez mais da competitividade económica na nova economia, a qual carece de um sistema educacional para as suas crianças, bons transportes públicos, segurança, espaços verdes e uma oferta cultural significativa.
Por outro lado, as cidades desenvolvem um crucial papel de manutenção e de integração sociocultural entre as várias populações que a compõem, i.é, entre o tecido multi-étnico que a integra e que faz, por exemplo, de Lisboa já uma cidade global. Integrando dezenas de milhares de pessoas oriundas de vários países, várias religiões, com origens linguísticas e níveis socioeconómicos diferentes. Ou seja, caberá perguntar que políticas a autarquia de Lisboa, embrenhada que está num vendaval político que a impede de pensar em políticas públicas positivas, tem desenvolvido a fim de integrar no plano sociocultural diferentes populações, sem que daí resulte a construção duma cidade fragmentada ou culturalmente intolerante.
Em 3º lugar, é sabido que as cidades são fundamentais na medida em que representam forças de gestão política. Significa isto que as cidades têm uma dupla legitimidade sobre o Estado-nacional: 1) têm maior legitimidade junto de quem representam; 2) e têm mais agilidade e rapidez na tomada de decisão no plano das instituições nacionais, porque se encontra mais perto dos cidadãos, dos seus interesses e preocupações.
Em rigor, as cidades são pólos geopolíticos de dimensão cultural e económica específicos capazes de coordenar interesses e de governar a actividade política no plano de maior proximidade dos cidadãos. Quando tentamos perceber que relação existe entre o que dissemos e a actual gestão política em Lisboa ficamos completamente mudos, surdos e cegos. Porque cego, surdo e mudo tem sido a conduta do actual edil que só par hazard ocupa a cadeira da maior autarquia do País.

O "grande" Carmona e a fome política de SLopes. O tempo das vendettas

Desde que me conheço, do alto dos meus 40 anos, não me lembro que Lisboa tenha sido tão mal tratada por um bando de players que resolveram assaltar politicamente a Capital para satisfação de egos pessoais, atendimento de interesses particulares obscuros, guerrinhas entre figurantes da política e muita, muita má fé e má gestão na política portuguesa. Creio mesmo que nenhuma outra cidade - como Lisboa - foi tão amargamente prostituída por aquela mitigação de interesses cruzados que fizeram da Capital aquilo que ela hoje é: um saco de gatos e um alguidar de alacraus em que os interesses dos munícipes pouco ou nada interessam, e a sua economia regional, a ordenação do território, a globalidade das políticas urbanas reflectem esse estado de degração política da responsabilidade dos seguintes figurantes: Durão barroso, sLopes, carmona, MMendes. Indirectamente Sampaio, que também já foi edil da autarquia alfacinha, podendo, por isso, tê-la poupado a tão indigna situação. Mas a falta de visão toldou-lhe a racionalidade.
Durão sempre quis ser e ter uma carreira na Europa, estava no governo mas só pensava em ser o chefe de banda da Europa, aproveitou o trampolim da guerra do Iraque para dar esse golpe do baú, já que tinha atingido um dos seus sonhos, ser PM, a cimeira dos Azores serviu de mola; SLopes não é bem uma realidade, todo ele decorre duma composição de sonhos: ser edil da Figueira, da Capital, ser PM, ser PR, namorado da cinha Jardim, jornalista, pivot, creio até que - se tivesse jeito - desejaria ser condutor de Fórmula 1 - só para poder beneficiar da companhia daquelas magníficas mulheres que hoje jamais estarão ao seu alcance... Aproveitou a fuga de Durão para logo se insinuar, e à margem de tudo quanto era democrático agarrou no psd e subiu a PM, contra a opinião de Manela Ferreira leite e de mais uns quantos no partido da São caetano.
Com a sucessão das fugas, e com SLopes a discursar na Ajuda na sua tomada de posse a toque de caixa de Lexotan, a autarquia entrou em regime de vacuum político, e Carmona - então amigo de Lopes - ocupou a cadeira, muito embora o tenha feita em ruptura com o seu velho amigo, Lopes, e de mão dada com MMendes - que ainda hoje manda na autarquia de Lisboa, e por lá recruta e despede pessoal amigo, como quem gere os tomates e o feijão verde no quintal.
Enfim, tudo isto é lamentável, tresanda a negocismo na política, espelha a pior bandalheira na gestão duma cidade que deveria ser exemplar e os lisboetas é que perdem. Carmona, atolado de problemas de alegada corrupção, compadrio, cunhas e má gestão reage como se estivesse a sair da sauna e tudo fosse o melhor dos mundos possíveis. Não acredito que isto decorre apenas da sua estupidez política...
Hoje ninguém fala de e para Lisboa. Ninguém se preocupa em saber como a Globalização pode alavancar uma melhor urbanização e, com isso, gerar efeitos criativos na cidade. Ao invés, Lisboa só é notícia pelo pior, pelas alegadas redes de corrupção, parte interessada em negócio, demissões, vereadores anões, falta de dimensão política, má gestão, nepotismo, incapacidade humana, técnica e cultural na equipa e na "liderança" de carmona.
Se Lisboa é um aglomerado de pessoas, bens e serviços não se percebe como pode ela ser ao mesmo tempo um terreno de oportunidades. Hoje a cidade fragmenta mais do que potencia as tradições locais e as redes de energias existentes. Já nos bastava o crescimento económico zero, agora também temos na principal cidade do País uma nulidade a aguardar pelo estertor político, marginalizando ainda mais Lisboa, empurrando-a cada vez mais para a periferia da Europa incapaz de gerir tendências globais. E era isso - gerir tendências globais - que seria suposto pedir a esta maravilhosa e cosmopolita cidade das sete colinas
.
Quanto à liderança das grandes cidades também seria de esperar uma conduta personalizada crucial na promoção das agendas urbanas a fim de potenciar um perfil internacional das cidades. Mas com carmona a única coisa de que se ouve falar é mesmo de corrupção, compadrio, incapacidade, incompetência, enfim, morte política a prazo. E aqui Marcelo vem dizer ontem aquilo que nós já dizemos há meses: este executivo da tanga deveria demitir-se imediatamente e convocar novas eleições. E MMendes, sob pretexto formal de que os mandatos são para cumprir até ao fim, deveria ter um pinguinho de vergonha e deixar-se de formalidades pseudo-democráticas e atentar mais nos interesses da cidade e dos munícipes.
Pois nem Mendes nem Carmona sabem o que é elevar as suas cidades ao nível dos maiores centros urbanos mundiais. Nenhum deles sabe o que é desenvolver políticas de atracção de investimento económico que traga mais valias para a Capital. Eles só conhecem as suas agendinhas pessoais e parece que tratam por tu as respectivas ambições pessoais.

Armadilhas políticas nas eleições francesas

Dahan é um cómico impostor que se faz passar por quem não é, evidentemente. Além disso é também amigo pessoal de Sarkosy, o candidato melhor colocado para vir a ser o novo PR de França. O resultado é óbvio: um assassínio de carácter a Segoléne - que caíu na armadilha... Parece que em política vale mesmo tudo. Até faz lembrar aqueles líderes partidários que após terem sido ofendidos por Alberto João da Madeira fazem as pazes políticas em nome do mero calculismo político e da relação de forças no terreno. Veja-se o enredo da tramóia...
Ségolène Royal «apanhada» por imitador Candidata falou com humorista pensando tratar-se do PM do Québec "Ségolène Royal «apanhada» por imitador"
França: sondagem dá vitória a Sarkozy
A candidata socialista à presidência francesa, Ségolène Royal, foi vítima do humorista Gérald Dahan, que decidiu telefonar-lhe fazendo-se passar pelo primeiro-ministro da região canadiana do Québec, Jean Charest. Durante a conversa, o imitador abortou o aparente apoio da dirigente socialista à independência da região francófona do Canadá, assim como o tema da ilha francesa da Córsega, onde existe um movimento independentista.
A chamada telefónica aconteceu na passada quarta-feira, quando Dahan - considerado próximo do candidato de direita ao Eliseu, Nicolas Sarkozy - assumiu a pele de Jean Charest para falar com Royal, sob pretexto das declarações que a socialista havia feito no dia anterior, em que se pronunciara sobre o direito dos habitantes do Québec a decidirem sobre a sua independência. «Como todas as democracias, o povo que vota é soberano e livre, portanto, os quebequenses decidirão livremente sobre o seu destino, quando chegar o momento de se pronunciarem», dissera a candidata.
Excertos da conversa com o humorista foram difundidos pela emissora RTL, esta sexta-feira, em que Royal se referiu também à região francesa da Córsega, onde existe um movimento que pretende a independência da ilha. «Os franceses não estariam contra [a independência da Córsega]. Não repita isso. Criaria um novo incidente», disse a dirigente, entre gargalhadas, citada pela edição electrónica do jornal El Mundo,pensando estar a falar com Charest - cujo porta-voz veio depois desmentiu a existência de qualquer contacto.
Estas declarações indignaram Sarkozy, que disse estar «consternado» devido a este incidente, considerando que a Córsega não é um assunto para brincadeiras». O líder de direita acusou Royal de «desconhecimento ou incompetência».
A conversa telefónica com o humorista levou ainda a que candidata socialista chegasse atrasada a um debate. Royal explicou que tinha estado a falar com o primeiro-ministro do Québec, adiantando que Jean Charest havia endereçado cumprimentos para todos os presentes."

Morrer electrocutado em plena viagem de Comboio

"Pelo menos 18 pessoas que viajavam sentadas no tecto de um comboio que circulava numa linha férrea da região ocidental dó Paquistão, um hábito comum no país, morreram e cerca de 50 outras ficaram feridas, quando um cabo de electricidade caiu sobre a composição. Fonte policial indicou que o acidente ocorreu com o Expresso de Quetta perto da aldeia de Bughri, na província Sindh, sendo que a maioria das vítimas morreu electrocutada, enquanto muitos dos feridos saltaram do comboio em andamento para tentarem salvar-se.Ainda segundo a mesma fonte, centenas de pessoas subiram para o tecto do comboio nas estações de Jacocabad e Shikarpur, com o objectivo de viajarem até à cidade de Rohri, a fim de participarem numa procissão religiosa xiita. Um funcionário da empresa de caminhos-de-ferro paquistaneses revelou que vários passageiros que viajavam no tecto da composição transportavam consigo símbolos religiosos e bandeiras, alguns dos quais terão batido nos cabos de electricidade que passam sobre a linha."

Antes do avião o Elevador é mesmo o meio de transporte mais seguro do mundo. Mas infelizmente é mais de alcance vertical e não horizontal... Seja como for este acidente não deixa de ser uma tragédia, mesmo num país como o Paquistão hiper-populoso, enquanto por cá Portugal continua a sua guerra entre a cruzada dum pai biológico que não quer que a sua filha fique junto dos pais adoptivos (excepto se a oferta em dinheiro for interessante) e o drama em que se transformou o aborto. Mais uma vez andamos ao lado das verdadeiras questões que marcam o efectivo desenvolvimento duma sociedade, que também precisa que a sua taxa de natalidade aumente para que Portugal não se converta num club da 3ª Idade que sente nos bancos do jardins a jogar à sueca e a falar de futebol e política

O gosto pelo segredo, pelo dinheiro e pelo poder: uma troika de abortos

Ainda pensei que o Jumento, autor da foto, poupasse o Mozart e evocasse o Stradivarius, dado que o sr. Macedo procura tocar vários instrumentos ao mesmo tempo. Neste encontro de Dg do fisco pouco ou nada há a sinalizar a não ser o ritual grotesco, pois em vez de encomendar mais uma acção de graças resolveu assumir a coisa de forma mais laica, fora dos portões da Sé e mais afastada da Igreja. Mas é bom não esquecer que a Opus Dei é uma igreja dentro da Igreja (detestada por esta), e os seus filhos - de que Macedo é apenas uma semente-joguete nas mãos de Jardim Gonçalves e de Paulo Teixeira Pito, foi levado a fazer os votos de pobreza, castidade e, mais importante, de obediência, por isso é que nunca fala. Há também quem assevere que ele nunca soube falar. É assim que a Opus está condicionando a sociedade lusa, por via do culto pelo segredo, pelo controlo rigoroso por parte daqueles superiores - que para agravar a situação viram a OPA do bcp ao BPI gorada - o gosto pelo dinheiro e por um certo conluio com o mundo da finança e do poder. Eis a sua cosmovisão.
Quem privou com o fundador da Opus Dei sabe bem como agressivo e violento era José Maria Balaguer e, acima de tudo, prepotente e autoritário. Vejamos umas breves palavras que Balaguer disse à sua secretária quando a despediu, sinalizadoras do seu carácter, por sinal palavras quase parecidas com as que Álvaro Cunhal disse a Zita seabra - hoje no psd - antes de abandonar o pcp, o partido mais estalinista e retrógrado da Europa e arredores:

"Se falares a alguém do Opus Dei, eu, Josemaría Escrivá de Balaguer, que tenho a imprensa do mundo inteiro nas mãos, vou desonrar-te perante os homens e a família. Tu és uma mulher pérfida, completamente corrupta, má, indecente... Puta, porca".

Creio que Cunhal não foi tão longe, mas asseverou a esta comunista hoje travestida de psd a assessorar MMendes, que se ela abandonasse o pcp ele - Cunhal - tudo faria para que ela nunca mais fosse ninguém fora do partido. Lembro-me de ter visto estas declarações de dona Zita a um programa de Herman José, no meio daquela gente inqualificável que ele convida para os seus programas manhosos.

domingo

Contigência e abortamento

Anselmo Borges Padre e professor de Filosofia
Uma vez, uma aluna levantou, num "trabalho", esta pergunta: "Onde estão todos aqueles que poderiam ter sido e não são?" Talvez uma daquelas perguntas inúteis, aparentemente preguiçosas, mas que não deixam de obrigar a pensar.
Afinal, se A, em vez de ter casado com B, tivesse casado com C, não existiriam aqueles filhos que há, mas outros. O encontro de dois seres humanos em ordem à paternidade e maternidade está dependente de tantas variáveis que a possibilidade do aparecimento de um ser humano concreto (este homem ou esta mulher) é tendencialmente nula. Porque a realidade desses dois seres humanos também não estava predeterminada: aconteceu, mas podia não ter acontecido. Mesmo no acto de geração de cada ser humano, há milhões de possibilidades e geralmente só uma se concretiza: há um espermatozóide que corre mais...
É quando pensamos nestes cruzamentos que de facto aconteceram, mas que pura e simplesmente podiam não se ter dado, que tomamos consciência da nossa radical contingência. Da nossa e da da História. Porque se A não tivesse existido, também B não teria podido existir. E, sem B, não existiria C nem D nem E. Faltando E, faltariam F, H, I, J. Estenda-se esta contingência até ao começo do aparecimento dos homens e das mulheres e às possibilidades de encontros e desencontros, multiplicadas indefinidamente, e ver-se-á como se é confrontado com a estupefacção de uma História que narramos como se estivesse pré-escrita algures, mas que poderia ser completamente outra, individual, colectiva e mundialmente.
Como seria o mundo sem Buda, sem Platão, sem Aristóteles, sem Euclides, sem Júlio César, sem Jesus, sem Maomé, sem Galileu, sem Lutero, sem Miguel Ângelo, sem Watt, sem Einstein, sem os matemáticos, os físicos, todos os cientistas e inventores e artistas e operários e políticos e generais, mas todos e cada um com nome próprio, mesmo os anónimos, que poderiam não ter existido?
Realmente, há a Filosofia, a Matemática, a Física, a Química, a Música, todos os saberes e artes, mas passando tudo por indivíduos concretos. A Matemática manifesta-se em matemáticos, como a Física em físicos, a Filosofia em filósofos, a Humanidade em homens e mulheres, os que houve, de facto, e não outros possíveis.
Toda esta consideração põe-nos em sobressalto frente à radical contingência que atinge cada homem e cada mulher. O enigma é este: cada ser humano existiu, existe ou existirá, mas de tal modo que a possibilidade de ter existido, de existir ou de vir a existir é tendencialmente zero. No passado, poderiam ter existido outros; no presente, podiam existir outros; no futuro, exactamente a mesma coisa, tanto mais quanto o presente e o futuro dependem das possibilidades realizadas no passado, que foram umas e não outras.
A contingência radical atinge, portanto, cada homem e cada mulher, mas, como escreveu o filósofo e teólogo R. Panikkar, precisamente assim: contingência deriva do latim cum tangere, com o sentido de que "tocamos (tangere) os nossos limites" e "o ilimitado toca-nos (cum tangere) tangencialmente". Cada ser humano existente é contingente, mas, existindo, é digno de respeito, pois tem dignidade inviolável. Essa dignidade assenta na presença nele do Infinito, que se manifesta essencialmente na liberdade e na autonomia moral.
A gravidez é o sinal da visita possível de uma alteridade enigmática, que nenhum ser humano domina. O abortamento é um drama, pois é a possibilidade de um ser humano que é apagada do mundo. Segundo o filósofo E. Lévinas, é frente a essa alteridade misteriosa, porque irredutível, exigindo a nossa responsabilidade, que Deus vem à ideia: não demonstra a existência de Deus, mas mostra o sentido dessa palavra.
Nesta magna questão, há níveis diferentes de debate, concretamente o jurídico-penal e o moral. Sem esquecer os aspectos biológicos, o problema moral e as suas raízes filosóficas e religiosas, o que se pergunta é se a mulher que aborta, num determinado quadro legal - se cumprida, a actual lei bastaria -, deve ser penalizada.
No seu drama, em lugar de uma punição penal, do que ela precisa sobretudo é de solidariedade. Estão a sociedade e a lei dispostas a apoiar eficazmente a mulher e, concretamente, a grávida?
Este apoio tem de traduzir-se em educação, prevenção, aconselhamento, combate à pobreza e exclusão, co-responsabilização do homem, incentivos à família e à natalidade. Também para que despenalização se não confunda com liberalização nem se torne método contraceptivo.
***********************************************
PS: O Dn sem o Pre. Anselmo seria, certamente, um jornal mais pobre, e o problema é que este seu último parágrafo tanto dá para o Sim como para o Não