quinta-feira

Da série: "Ferraris" que matam. Uma Grécia e uma Europa a ferro e fogo

Nota prévia: A corja dos plutocratas europeus vis-à-vis a Grécia de Tsipras.

- Depois de ter espoliado o exangue povo grego, cujo Estado e a economia está completamente desorganizada, a corja do dinheiro penitencia-se. Mal comparado, seria como se numa passadeira o condutor do Ferrari mandasse passar o casal de idosos, e quando estes tentam atravessar a zebra aquele acelera a fundo, e ainda abre as portas para ter a certeza que ceifa os velhos nessa passagem. 
- Eis o que tem feito a Lagarde, o super-Mário (do BCE, ainda que de forma mais discreta e prudente) e o outro CORRUPTO do Juncker - ex-PM do Lux (e actual Pr. da Comissão Europeia) - que isentou as mega-empresas de pagar impostos. 
- É esta mafia calabresa, ou melhor "Cosa Nostra Europeia" - que manda e representa as principais instituições políticas, económicas e financeiras europeias e internacionais e decreta se um povo tem direito (ou não!!!) a comer diariamente...
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Depois de Lagarde foi a vez de Mario Draghi. É preciso aliviar a dívida grega: "É indiscutível", Link


A diretora-geral do FMI acredita na reestruturação da dívida de Atenas
BCE aumenta crédito de emergência à Grécia. Teto de 88,6 mil milhões é reforçado com 900 milhões de euros. Lagarde acredita na reestruturação da dívida. E Draghi também.

O Banco Central Europeu decidiu hoje subir em 900 milhões o limite da linha de crédito de emergência à banca grega, anunciou Mario Draghi, o presidente do BCE. O limite estava nos 88,6 mil milhões de euros, mas o aumento hoje anunciado não será suficiente para permitir o levantamento dos controlos de capital na Grécia ou a reabertura dos bancos.
Questionado pelos jornalistas, Draghi referiu que o aumento vai no sentido de satisfazer as "necessidades imediatas" de financiamento da banca grega, explicando que a verba é adequada para a próxima semana e foi acordada com o Banco da Grécia, dando oportunidade ao BCE de analisar o desenvolvimento da situação grega nos próximos dias. O presidente do BCE disse ainda que os controlos de capital têm o objetivo de proteger os depositantes, mas que a decisão de os levantar será sempre do governo grego, sublinhando que seria desejável que os bancos gregos pudessem reabrir em breve.
No dia 20 de julho [data em que a Grécia deve reembolsar um empréstimo de 4,2 mil milhões de euros ao BCE] vamos ser reembolsados, bem como o FMI", afirmou Mario Draghi que considerou ainda que a necessidade de reduzir o peso da dívida grega, que representa cerca de 180% da riqueza do país, é "indiscutível", embora não exista ainda resposta quanto à melhor forma de o fazer.
Esse deverá ser o tema das negociações das próximas semanas entre a Grécia e os seus credores, acrescentou o presidente do BCE.
Draghi escusou-se a comentar as declarações do ministro das Finanças alemão, que continua a defender uma saída temporária da Grécia da zona euro, mas afirmou que o BCE trabalha assumindo que a Grécia é e continuará a ser um membro da zona euro. Sobre o pagamento que a Grécia tem de fazer na segunda-feira, no valor de 3,5 mil milhões de euros, ao BCE, o presidente da instituição mostrou-se confiante de que Atenas cumprirá, justificando o seu otimismo com a solução que está a "a caminho de ser aprovada pela Comissão Europeia", que deverá garantir à Grécia um empréstimo intercalar financiado pelo Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira até ao resgate. Draghi chegou mesmo a insinuar que a Grécia, caso cumpra com todas as exigências, poderá até beneficiar do "quantitative easing", um programa do Banco Central Europeu de estímulo à economia.
Ao início da tarde, o Eurogrupo - que reuniu por teleconferência na manhã desta quinta-feira - divulgou um comunicado em que se congratula pela adoção, por parte do parlamento grego, de todos os compromissos especificados na declaração da cimeira da zona euro de domingo - que terminou segunda-feira de manhã.
O conjunto dos ministros das Finanças da moeda única anunciou ainda ter chegado a um princípio de acordo para um resgate de três anos à Grécia, sujeito à implementação de procedimentos nacionais relevantes, que deverá ser aprovado pelo Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira até ao final da semana. Após esta aprovação, as instituições credoras poderão assinar um memorando de entendimento detalhando as medidas exigidas pela assistência financeira.
O Eurogrupo pediu ainda às autoridades gregas que aprovem no parlamento o segundo grupo de medidas previstas na cimeira de líderes - o primeiro grupo foi aprovado ontem à noite - até ao dia 22 de julho, e que a legislação seja atualizada em conformidade.
FMI confiante na reestruturação da dívida grega
Christine Lagarde está confiante numa reestruturação da dívida grega, apesar da oposição de Berlim, que se prepara para votar no Bundestag (parlamento alemão), já amanhã, o acordo que formaliza o terceiro resgate a Atenas. O parlamento finlandês aprovou, entretanto, o início das negociações para o programa de ajustamento grego. A votação estava prevista para amanhã mas acabou por ter lugar esta quinta-feira. Alexander Stubb, o ministro das Finanças da Finlândia, afirmou porém que o país não aceita um perdão da dívida grega, mas está aberto a discutir outras opções.
"Tenho esperança, porque percebi nas últimas duas horas que houve algum ruído positivo no que diz respeito ao princípio da reestruturação da dívida grega", disse a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, em entrevista à CNN na noite de quarta-feira. Na conversa, conduzida por Christiane Amanpour, Lagarde insinuou que a Europa estará agora mais aberta a uma solução deste género, sublinhando que é necessário "encontrar uma forma" de aliviar o fardo da dívida e permitir ao país uma demonstração de que é possível regressar ao caminho da sustentabilidade.
As declarações de Lagarde surgem depois de, na segunda-feira, as agências internacionais terem tornado público um relatório confidencial do FMI que duvidava da sustentabilidade da dívida grega, ameaçando mesmo não participar no terceiro resgate caso não haja uma restruturação da dívida, ou até um 'haircut' - uma redução do valor em dívida, que tem sido sempre recusada pelos estados-membros da zona euro.
Lagarde apresentou, na entrevista à CNN, várias opções que permitem aos credores aliviar a dívida grega: dar à Grécia mais tempo para pagar os empréstimos, reduzir as taxas de juro ou até perdoar uma parte deste montante. Mas admitiu que o 'haircut' não está em cima da mesa, "não nestes estados-membros".
O FMI defende que Atenas deverá receber um "período de graça de 30 anos" antes de começar a pagar as dívidas, tendo feito esta recomendação no documento interno que realiza uma análise da situação grega após o fecho dos bancos e da aplicação das medidas de controlo de capital. Lagarde deixou claro que o Fundo responsabiliza o governo do Syriza pela deterioração da sustentabilidade da dívida grega, acusando-o de recuar nas reformas que tinham sido acordadas com o governo anterior, liderado por Antonis Samaras, do partido da Nova Democracia, de centro-direita.
Apesar de crítica, Lagarde garantiu no entanto que o FMI se mantém disponível para formalizar o terceiro resgate grego, cujas difíceis negociações devem iniciar-se nos próximos dias, tendo já o parlamento helénico dado luz verde às reformas a implementarna sequência do acordo com os credores internacionais. Na manhã desta quinta-feira, uma porta-voz da União Europeia já veio saudar a decisão do parlamento grego, dizendo que a aprovação do primeiro conjunto de quatro medidas a implementar satisfaz as condições dos credores para iniciar negociações.
Ministro das Finanças alemão diz que 'Grexit' seria o melhor caminho
Já o ministro das Finanças alemão mantém-se firme na defesa do 'Grexit', sem abandonar a posição que tem vindo a sustentar nos últimos dias. Em entrevista à rádio pública alemã, Wolfgang Schäuble congratulou-se com o voto a favor do acordo no parlamento grego e reconheceu-o como um passo importante, mas continua a dizer que o melhor caminho para a Grécia seria uma saída temporária do euro, uma vez que o corte da dívida parece efetivamente ser a única solução mas a medida é "ilegal" e incompatível com as regras da moeda única.
Schäuble refere que as necessidades de financiamento da Grécia aumentaram exponencialmente nas últimas semanas e que Atenas parece ter chegado a uma situação impossível: o 'haircut' não é possível, mas a dívida grega tornou-se insustentável.
Esta quinta-feira, o Eurogrupo reuniu por teleconferência, para decidir os próximos passos até ser formalizado o novo programa de ajustamento. Em discussão está também o empréstimo intercalar de que a Grécia precisa até receber a primeira tranche do resgate, que será garantido pelo Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (EFSM), para o qual contribuem os 28 estados-membros da UE e não apenas os países que aderiram à moeda única.
Segundo a Bloomberg, os ministros das Finanças terão já aprovado um acordo de princípio que prevê a entrega de sete mil milhões de euros à Grécia como "financiamento-ponte" para suprir as necessidades imediatas de financiamento do país. Porém, diz a agência, a decisão será anunciada só amanhã, sexta-feira, após o voto dos parlamentos dos estados-membros da zona euro que têm de aprovar formalmente a abertura das negociações do terceiro resgate.
Também para hoje está marcada uma reunião do Conselho de Governadores do Banco Central Europeu, que será marcada pela questão grega. A Grécia tem de pagar na próxima segunda-feira, 20 de julho, três mil milhões de euros ao BCE.
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FMI considera necessárias "medidas corretivas" e "supervisão intrusiva" na banca

FMI considera necessárias "medidas corretivas" e "supervisão intrusiva" na banca

Fundo emitiu comunicado onde reconhece a existência de "bolsas de vulnerabilidade" no sistema financeiro, mas recusa fazer comentários sobre instituições em particular.



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Obs: Já lá vai o tempo em que as notícias (intra e extra-muros) relativas ao banco alface eram positivas. Mas nos últimos anos os métodos, as ligações (Angola), os esquecimentos (declarações de rendimentos ao Fisco), os alegadas esquemas de corrupção foram tantos e tão graves que este fim seria mais ou menos previsível. 

Só não se esperaria que fosse tão grave e coincidisse com a reforma daquele que parece estar na origem dos grandes problemas do GES: Ricardo Salgado - que cai sem glória e, pelos vistos, rebaixando o valor das acções do banco cotadas em bolsa. 

A situação é já tão grave que até a "Miss FMI", naquele estilo sofisticado de quem come caracóis com talheres d´ouro, apela ao Estado português para realizar uma "supervisão intrusiva", um palavrão tão pomposo que evoca a mega-fraude do BPN. 

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segunda-feira

Carta Governo pediu 'socorro' ao FMI para dívidas das empresas: a bipolaridade política de Pires de Lima

ECONOMIA
Governo pediu 'socorro' ao FMI para dívidas das empresas


Obs: O ministro da Economia - em resultado do endividamento das empresas nacionais - não hesita em pedir ajuda ao FMI para que este facilite a reestruturação das empresas; mas, pelos vistos, muda frontalmente o seu critério tratando-se da urgente reestruturação da dívida pública. 

O País já se habituou a ver neste projecto de ministro uma estranha bipolaridade política: quando estava fora do Governo falava grosso e defendia uma descida do IVA escandaloso (a 23%) da restauração. Quando Paulinho o meteu no governo, traiu o sector e revelou subserviência a um primeiro-ministro incompetente apenas para se manter no cargo.

Agora defende a reestruturação da dívida das empresas privadas solicitando, para o efeito, o auxílio do FMI, mas opõe-se frontalmente à utilização dessa orientação para a dívida pública - de que depende a sustentabilidade da economia portuguesa nas próximas décadas.

Pires de Lima até a avozinha venderia se lhe prometessem a eternidade.

Lima não é um ministro, é uma cambalhota que há muito já deveria ter resignado ao cargo, quer por grosseira falta de autoridade política, quer ainda por ser imoral e contraditórias as suas lamentáveis posições. 

Enfim, uma verdadeira bebedeira política. Eis o "contributo" de um gestor duma cervejeira para a degradação da vida política em Portugal. 


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domingo

O Vasquinho e as provas públicas

Sponsorizado pelo FMI, OCDE e Goldman Sachs




Estas não são umas provas quaisquer...


As tias que avancem...

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quarta-feira

Lagarde admite "erro" na política de austeridade

Lagarde admite "erro" na política de austeridade


Christine Lagarde admitiu hoje que o "erro" em relação aos efeitos da austeridade obrigou Portugal e Grécia a aplicarem programas de ajustamento num espaço de tempo demasiado curto.
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Obs: Já em 2000 Joseph Stiglitz criticava severamente as políticas ultra-liberais do FMI como estando na origem da destruição das incipientes economias africanas, asiáticas e sul-americanas. Volvidos 13 anos os problemas repetem-se, agora na Europa - com a particularidade de a Comissão Europeia agravar ainda mais os timings da austeridade, conforme as inúmeras declarações de Durão barroso, o ex-primeiro-ministro - o desertor do governo português, em 2004. Não aprendemos nada com os erros do passado, e nem o reconhecimento idiota da feitora do FMI atenua o que quer que seja. Esta Europa vive de incompetentes e, mais grave, cria condições para que eles se repliquem no poder como cogumelos. Revoltante é esta gente ser toda inimputável pelos danos provocados às economias e sociedades onde o FMI aplica draconianamente as suas medidas de reestruturação económica e financeira, ou esbulho.

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sábado

O modelo de desenvolvimento luso-albanês proposto pelo FMI e apadrinhado por Passos Coelho e Portas

UMA METÁFORA DO PORTUGAL DO XIX GOVERNO CONSTITUCIONAL



O Governo português, na ânsia de escapar ao chumbo do Tribunal Constitucional no que diz respeito às medidas mais sociais previstas no OE-2014 - lá foi adocicando a pílula com o valor mágico do salário dos fp a partir do qual não serão efectuados cortes, esse número é 675€. Provavelmente, não daria para pagar a laca que o dr. Portas gasta em 15 dias para colar o cabelo à testa.

Obedecendo ao comando de salários baixos do FMI, o XIX Governo (in)Constitucional, como é bom aluno, obedeceu cega e piamente. Política de salários baixos essa que contraria as posições do CDS, parceiros sociais e, creio, também do PSD, embora este partido, desde que é presidido pelo estarola de Massamá (o pior líder do partido, segundo o douto Marcelo), nunca pensa nada sério acerca de coisa nenhuma. 

Assim, o que temos como objectivos estratégicos no nosso modelo de desenvolvimento socioeconómico é: salários baixos, desemprego massivo, falência de empresas brutal, aposta nas exportações (que pode intensificar as exportações sem, contudo, criar mais postos de trabalho, basta potenciar o capital-intensivo e introduzir nova tecnologia nas respectivos linhas de produção, comercialização e distribuição) e, claro, emigração económica compulsiva, à razão de 350-500 pessoas por dia. 

Ante este cenário dantesco de destruição económica (que não é reposta pelo inexistente crescimento), aparece-nos o "soldadinho leal", Pires de Lima, ministro da Economia, falar em "milagres", qual versão do "oásis" de Braga de Macedo - conhecido pelo "adiantado mental" - de há 20 anos, em pleno cavaquismo, revelando que esta gente é muito prolixa em metáforas - cuja bota não bate com a perdigota.

Dramático não é concluir isto, que é óbvio e está ao nível de qualquer pessoa com um nível de cultura média; trágico é reconhecermos que a capacidade de conceber e de imaginar (porque a política é, essencialmente, um trabalho da imaginação, ainda que temperado com a razão) o nosso modelo de desenvolvimento social e económico e a dinâmica de crescimento, não possam ir além daquelas medidas regressivas propostas pelo FMI e cegamente interiorizadas pelo XIX Governo (in)Inconstitucional. 

Um dia o FMI acorda e diz que a capital de Portugal é Madrid, porque aí o crescimento já se fez sentir, e os portugueses começam logo todos a falar espanhol. 

É a esta miopia política relativamente ao nosso futuro colectivo que designo de modelo de desenvolvimento luso-albanês proposto pelo FMI e adoptado domesticamente pela dupla maravilha Coelho & Portas. 


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terça-feira

A glória do dr. Borges

Os materiais económicos em Portugal, pela sua gravidade, encaminham a decisão política europeia no sentido do FMI ser o próximo convidado indesejado a fazer o papel de mordomo da "casa-portugália" e a riscar no rectângulo. Recordo que quando Ferreira Leite era a chefe do economato do PSD, Borges era seu Vice e só pensava e dizia lugares comuns. Hoje, ao invés, este emigrado de luxo a dirigir um departamento importante do FMI, pode capturar a sua desejada (embora discreta) glória quando o FMI colocar um pé em Portugal e começar a mandar nos botões onde ainda carrega Sócrates. A decisão está para breve e a glória de Borges está escrita nas estrelas deste futuro negro reservado à economia portuguesa.

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sábado

Portugal merecia melhor do que isto!!!

A dificuldade hoje em Portugal, e amiúde pela Europa, reside no embotamento institucional das nossas sociedades, o que implica uma dificuldade adicional para a esfera política dar forma racional às emoções - que quer os agentes individualmente conduzem na acção do aparelho de Estado, quer as emoções colectivas com o fim de proporcionar a toda a sociedade um adequado curso de acção. Eis o que se verifica hoje em Portugal, uma profunda incapacidade em nos governarmos, num país pequeno, pobre, improdutivo somos capazes de ter a classe política mais inepta de que há memória no burgo. É pena, porque Portugal merecia mais e melhor. Começa a ser um sonho o regresso do FMI - nem que seja para provar que, de facto, não nos deixamos governar - e quando tal sucede governamos mal.
Pai nosso, que estais nos céus,
Santificado seja o Vosso nome.
Venha a nós o Vosso reino.
Seja feita a Vossa vontade,
Assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Perdoai-nos as nossas ofensas
Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.
Não nos deixeis cair em tentação,
Mas livrai-nos do mal.
Ámen.

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quarta-feira

Redução do défice deve concentrar-se na contenção salarial

REGRESSO AO PASSADO, À VELHA DÉCADA DE 80 DO SÉC. XX. CHAMEM A "POLÍCIA PFV..."
Redução do défice deve concentrar-se na contenção salarial, TSF
O FMI considerou, esta quarta-feira, que Portugal não consegue diminuir o défice só com a retoma. O Fundo Monetário Internacional defende medidas fortes de consolidação orçamental como a contenção de salários.
Os economistas do FMI consideram que a consolidação orçamental em Portugal passa pela redução da despesa e defende muita cautela nos aumentos salariais para 2010.
«A consolidação deve concentrar-se na redução da despesa corrente primária, especialmente da massa salarial do sector público (com base nas recentes reformas da administração pública) e das transferências sociais», refere-se no artigo IV do FMI, dedicado à análise da economia portuguesa.
A organização internacional defende muita cautela nos aumentos salariais para 2010,«especialmente após o grande aumento, em termos reais, verificado em 2009 e a necessidade de sinalizar a contenção salarial ao sector privado».
A principal necessidade, acrescentam, «consiste em adoptar rapidamente uma estratégia credível a médio prazo baseada em projecções realistas e medidas concretas».
Na lista de recomendações ao Executivo, o documento explica que «os critérios de elegibilidade para os subsídios sociais devem ser analisados com cuidado em termos de eficácia e os custos dos serviços de saúde carecem de gestão rigorosa», mas acrescenta que «a necessidade de consolidação é suficientemente grande para que a melhoria da receita deva igualmente ser considerada».
Os especialistas dizem, assim, que «a atenção deve incidir sobre o alargamento da base de incidência através da redução da despesa fiscal e da simplificação da sua administração. O aumento da taxa do IVA, embora em geral indesejável, seria uma opção no caso de outras medidas não produzirem os resultados desejados».
O relatório sublinha que baixar o défice é um desafio que exige uma liderança determinada ao longo de muitos anos e salienta que «será igualmente essencial que as políticas existentes para apoiar a consolidação a médio prazo sejam integralmente implementadas».
Obs: Os economistas do FMI, frios e analíticos por natureza, têm razão. Uma razão fria, por isso somos de parecer que a receita seja enviada ao sr. Governador do Banco de Portugal, Vitor Constâncio, a fim deste poder começar por dar o exemplo - que se generalizará a toda a função pública. Da contenção salarial, evidentemente...

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