sexta-feira

A Escola do Estado Novo




Aos poucos Portugal vai regredindo: há dois discursos, o do Governo inconstitucional que vê o take-of económico e a consolidação das contas públicas (pura ilusão); e depois há o Portugal real, desfasado daquela mentira ampliada pela propaganda baixa de passos coelho. Um Portugal que vive esbulhado por uma elite (sem qualidade moral e técnica) que assaltou o aparelho de Estado e o governa como se se tratasse duma empresa cujo fito é levar à falência. A Ciência e a Educação têm sido pilares progressivamente destruídos pela actual tutela que, sem competência, preparação e mérito está a cilindrar essas instituições em Portugal. O novo lema da 5 de Outubro já não é Deus, Pátria e Família, mas radica na economia bárbara guiada pela lógica neoliberal e pelo lema da austeridade em que o talhante corta cegamente os recursos afectos a uma área e canaliza-os - deliberadamente - para outras áreas mais do seu agrado e do grupo de amigos e negócios que resolveu patrocinar. Tudo contra o Estado e lesando o bem comum. Um crime sem nome que merece castigo. Crato é o fiel intérprete desta devastação.  

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Ministério da Educação nomeia mulher de Crato para órgão de fundação


Ministério da Educação nomeia mulher de Crato para órgão de fundação

Crato assegura que o processo não passou por si MIGUEL MANSO



A mulher do ministro Nuno Crato foi nomeada pelo Ministério da Educação e Ciência no último Verão para integrar o conselho científico das Ciências Sociais e Humanidades da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). O ministro garante que não teve qualquer intervenção no processo.
A selecção para este órgão consultivo começa com os investigadores a manifestarem interesse em desempenhar a função e a decisão final compete ao ministério, adianta o jornal i na sua edição deste sábado.
Ao diário, a tutela garantiu que a escolha da professora Luísa Araújo e dos restantes membros do conselho científico das Ciências Sociais e Humanidades coube à secretária de Estado da Ciência, Leonor Parreira, e que o ministro Nuno Crato não teve intervenção em nenhuma das designações.
“Os conselhos científicos da FCT são formados por 54 pessoas. A selecção é realizada pelos serviços da FCT com base nos currículos científicos dos candidatos, que se propõem a partir de uma chamada aberta a toda a comunidade científica”, disse a tutela. O ministério fez também questão de sublinhar que a função não é remunerada.
Luísa Borges de Araújo, docente do Instituto de Educação e Ciência, está, assim, entre os 13 investigadores que compõem este conselho científico e que foram seleccionados em três fases. Na primeira, os cientistas mostram interesse no cargo, tendo de obedecer a critérios como ser doutorado e ter pelo menos oito anos de experiência após a obtenção do grau académico. Depois, prossegue o jornal i, é o conselho directivo da FCT a propor os nomes à tutela, cabendo a designação final dos candidatos ao “membro do Governo responsável pela área da ciência”.
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Obs: A falta de pudor, de transparência e de competência em todo o processo de avaliação exigiria, no mínimo, a impugnação dos concursos e a demissão do bando que assaltou a Educação e Ciência entre nós - bem como o conjunto de todas as políticas públicas que emanam do impreparado XIX Governo (in)Constitucional que permite a bandalheira que se instalou no frágil edifício de I&D em Portugal alavancado nos últimos 15 anos em Portugal. 

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terça-feira

As ideias em ciência. Diletantes vs especialistas num país com um governo desmiolado que governa assente no método do compadrio


Normalmente, a "ideia" em ciência só é preparada no âmbito do trabalho árduo, embora nem sempre isso possa ocorrer. Científicamente, a ideia de um diletante - como demonstram estas declarações idiotas de um membro do XIX Governo (in)Constitucional - pode ter a mesma influência, ou ainda maior, para a ciência que a ideia de um expert.

O diletante  difere do expert, na medida em que lhe falta um processo de trabalho firme e digno de confiança. Ou seja, o diletante - como revelam as declarações referenciadas no link supra - na medida em que ele não está em posição de controlar, estimular ou explorar a ideia nos seus aspectos fundamentais. 

Contudo, a ideia não é um sucedânea do trabalho, e o trabalho, por seu turno, também não pode substituir a ideia, nem criá-la, tal como também não o pode o entusiasmo isoladamente. Entusiasmo e trabalho, e acima de tudo ambos em conjunto, é que geram  as ideias em ciência.

Significa isto, em total desencontro das declarações idiotas do "ministro das cervejas" que integra governo ainda em funções, que as ideias nos chegam quando lhes apraz. As melhores ideias ocorrem efectivamente à nossa mente da forma como um dia alguém descreveu: ao fumarmos um charuto no sofá; ou quando caminhamos por uma rua que sobe lentamente; ou de qualquer outra forma semelhante. De qualquer modo, as ideias chegam quando não as esperamos, um pouco como as relações de amor, e não quando as estamos pensando e  procurando na nossa mesa de trabalho. 

Todavia, as ideias certamente não nos ocorreriam se não tivéssemos pensado à mesa e buscado respostas com uma dedicação apaixonada.

O que é manifestamente uma tarefa incompatível com as declarações de um diletante, curiosamente feitas a pretexto de auxiliar um outro actor caído em desgraça por estar a destruir o que resta do frágil edifício de I&D construído nos últimos 15 anos em Portugal. 

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