quinta-feira

Um testemunho de Manuel Monteiro a convite de Medina Carreira

Manuel Monteiro é, seguramente, um homem íntegro, esteve na vida pública com lisura, dela não se aproveitou, como fazem centenas de políticos medianos, dentro e fora do parlamento e dos partidos. Só é pena não se ter apercebido dos defeitos do escol dirigente quando exercia o poder como líder do CDS/PP, ou imediatamente após a sua saída, quando perdeu o partido para Paulo Portas. Fazê-lo agora tem alguma validade, mas não o vigor da sua denúncia quando exercia o poder ou após a sua retirada da vida política activa, pois nessa fase a sua influência para alterar aspectos que alimentam essa podridão geral da vida pública nacional - era muito maior do que o é hoje. Sem retirar ética e moral ao seu capital de queixa, a eficiência e eficácia da sua denúncia cai hoje em saco roto. De fora do sistema jamais conseguirá alterar um só aspecto das centenas de disfunções que o sistema político comporta. Mas valeu o esforço. 


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terça-feira

As ideias em ciência. Diletantes vs especialistas num país com um governo desmiolado que governa assente no método do compadrio


Normalmente, a "ideia" em ciência só é preparada no âmbito do trabalho árduo, embora nem sempre isso possa ocorrer. Científicamente, a ideia de um diletante - como demonstram estas declarações idiotas de um membro do XIX Governo (in)Constitucional - pode ter a mesma influência, ou ainda maior, para a ciência que a ideia de um expert.

O diletante  difere do expert, na medida em que lhe falta um processo de trabalho firme e digno de confiança. Ou seja, o diletante - como revelam as declarações referenciadas no link supra - na medida em que ele não está em posição de controlar, estimular ou explorar a ideia nos seus aspectos fundamentais. 

Contudo, a ideia não é um sucedânea do trabalho, e o trabalho, por seu turno, também não pode substituir a ideia, nem criá-la, tal como também não o pode o entusiasmo isoladamente. Entusiasmo e trabalho, e acima de tudo ambos em conjunto, é que geram  as ideias em ciência.

Significa isto, em total desencontro das declarações idiotas do "ministro das cervejas" que integra governo ainda em funções, que as ideias nos chegam quando lhes apraz. As melhores ideias ocorrem efectivamente à nossa mente da forma como um dia alguém descreveu: ao fumarmos um charuto no sofá; ou quando caminhamos por uma rua que sobe lentamente; ou de qualquer outra forma semelhante. De qualquer modo, as ideias chegam quando não as esperamos, um pouco como as relações de amor, e não quando as estamos pensando e  procurando na nossa mesa de trabalho. 

Todavia, as ideias certamente não nos ocorreriam se não tivéssemos pensado à mesa e buscado respostas com uma dedicação apaixonada.

O que é manifestamente uma tarefa incompatível com as declarações de um diletante, curiosamente feitas a pretexto de auxiliar um outro actor caído em desgraça por estar a destruir o que resta do frágil edifício de I&D construído nos últimos 15 anos em Portugal. 

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