domingo

Paredes vai pedir declaração de calamidade pública face aos prejuízos do tornado

Nota prévia: Sem telhas, sem janelas, 100-pintura...

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"É completamente impossível não pedir a calamidade pública. Fazê-lo impõe o reconhecimento de que algo catastrófico aconteceu", observou.

Os meios da Proteção Civil estão a preparar um documento com todos os dados sobre o que aconteceu na noite passada para, nas próximas horas, ser encaminhado ao Governo. [...]

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Obs: Apesar de não termos registo de catástrofes naturais com baixas humanas e avultados danos materiais em Portugal, é de supor, sobretudo com as alterações climáticas que se estimam estar na origem da eclosão dos eventos extremos, que haveria toda a vantagem em introduzir uma metodologia de proporcionalidade na solução de prevenção na (re)construção dos danos decorrentes daqueles fenómenos naturais extraordinários. 

Ou seja, as entidades competentes, e em última instância o Estado através da tutela - que é o MAI (agora refrescado com um novo secretário de Estado que "deverá perceber" muito do assunto) - não só devem considerar os custos absolutos da prevenção em face dos benefícios que a actividade irá trazer, como também se hão-de apurar/considerar os custos relativos das medidas preventivas para o Estado promotor do risco e, eventualmente, também para as pessoas/empresas/entidades (públicas, privadas e mistas) potencialmente atingidas pelos efeitos dos eventos extremos - tendo em conta a sua capacidade económica.

Mesmo não havendo aqui o risco de natureza transfronteiriço (afectando outros Estados), impõe-se que a relação dos cidadãos com as entidades que operam na área da Protecção Civil e o Estado em Portugal - no seu conjunto - cooperem mais intensamente, trocando informações de forma permanente e proactiva alargando, assim, o debate em torno da prevenção aos efeitos das catástrofes naturais - como um método de trabalho futuro capaz de desenvolver uma maior vigilância e prontidão na resposta a estes eventos extremos.

Por último, e sem quer fazer ironia com a desgraça alheia, não deixa de ser curioso notar que aquele prédio que foi alvo da fúria do tornado (Cfr., imagem supra) - supostamente - não ficou sem a pintura por causa da passagem do tornado naquela localidade. 

Ou seja, até na desgraça a fúria do deuses deixa um traço de ironia ou de perfídia, ou ambas...que espelha, no fundo, o retrato da paisagem do que é ainda a face do Portugal profundo. 


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terça-feira

Climate Change as Terrorism Against the People - by Stephan Richter -

Nota prévia: o tufão das Filipinas, assim como toda a cadeia de eventos extremos que tem varrido o planeta nas últimas décadas, são a consequência natural dos comportamentos humanos (desviantes), desde logo ao nível das emissões de CO2 para atmosfera e das consequências imediatas (e mediatas) que isso implica no clima planetário e nas condições de vida gerais do homem. A gestão desses riscos globais, que sofreu uma evolução tremenda no último meio século, vem dizer às nações (e aos seus decisores) uma coisa simples: os Estados têm que se apetrechar mais e melhor - humana e tecnologicamente - no sentido de se minimizar os efeitos das catástrofes naturais, de que o caso das Filipinas se tornou tragicamente paradigmático. E é neste carrefour que a humanidade caiu: por um lado, ninguém já nega que as catástrofes naturais são, por definição, imprevisíveis e até irresistíveis (por mais planeamento que exista ao nível do sistema de decisão nacional e internacional), enquadrando-se na chamada causa excludente de responsabilidade; por outro lado, e é isto que está ao alcance do homem, a recolha, cruzamento e tratamento de informação permite aos Estados e às suas entidades competentes (designadamente, na esfera da Protecção Civil) adoptar planos de prevenção e minimização de riscos por zonas e sectores de actividade, cabendo à técnica (e à tecnologia disponível no mercado) a concepção de sistemas de alerta precoce que reduzam os impactos humanos e materiais decorrentes da existência desses eventos extremos. E nesta matéria, como se ilustra no pequeno ensaio infra de Stephan Richter, tanto tem a aprender as Filipinas como os EUA..., como, no fundo, os restante países do mundo que nunca estarão imunes aos efeitos de um evento extremo. 

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Climate Change as Terrorism Against the People

In view of the typhoon in the Philippines, has the United States misplaced its global priorities?

Super-Typhoon Haiyan crossing the Philippines, November 8, 2013. (Credit: NASA)
Super-Typhoon Haiyan crossing the Philippines, November 8, 2013. (Credit: NASA)

Takeaways


  • From the vantage point of Filipinos and many poor people around the world, climate change is terrorism on them.
  • Why is there still no domestic consensus in the United States that there is such a thing as climate change?
  • Climate change is a far bigger threat to people’s physical safety than all the things the US is trying to sell them.
  • Americans asking why the Philippines were so unprepared for disaster relief must have forgotten New Orleans.
  • We need a very real debate about the constant militarization of U.S. foreign policy.
  • Clearly, the West can't do it all. We need to have more of a regionalization of these efforts.
  • Asian countries need to invest in infrastructure to be better prepared for disasters for their very own sake.
As part of the pivot to Asia, the U.S. government has ramped up its counterterrorism cooperation with the Philippines, Indonesia and elsewhere. This has, understandably, sparked debate there over the wisdom of increased U.S. military presence.
But the bigger question from the perspective of Filipinos, in light of the natural disaster they have just experienced, is this: Why is it that the United States still doesn’t have a domestic consensus that there is such a thing as climate change? When we talk about a global community, we at least ought to be able to start with that item at the top of the agenda.

The vantage point of Filipinos

For Filipinos and many poor people around the world, climate change, in effect, is terrorism conducted on them. And that is a far bigger threat to people’s livelihood and physical safety than all the things the United States is trying to sell them in order to have its troops’ forward positioned in the Philippines.
The United States, notwithstanding its recent rescue missions in the disaster area, hasn’t put enough emphasis on fighting climate change, despite its extensive security implications. The U.S. may have the world’s largest military, but it is this question that it will be faced with time and again. Is the world’s mightiest country going after the right issue at the top of the global pecking order?
The typhoon in the Philippines is a useful reminder that we need to think more about what can be done, both on climate mitigation and on disaster preparation.

U.S. perspectives

The U.S. reaction to the situation in the Philippines was curious. A lot of room was given to asking why the Philippines were so unprepared. Why indeed? It is a very poor country.
Americans starting to lecture about doing disaster relief leaves a sour taste in other peoples’ mouth. Few outside the United States have forgotten the lack of U.S. preparedness in New Orleans.
Another instinctive reaction is to point to China. Sure, it hasn’t helped enough – and, yes, China has higher CO2 emissions than the United States, but it is the latter that is supposed to be the advanced and responsible power.
China also comes in for quick criticism that, if and when it engages, it acts in quite a self-interested manner in global infrastructure projects in places like sub-Saharan Africa.
True, but it also gets the job done. The Chinese bring in their workers and get it done quickly. Too often, when one looks at those areas, Western powers for centuries have promised to do infrastructure and they haven’t exactly delivered. So the Chinese can hold that in their favor.

Beware the constant militarization

But the more important point in the global context is that we need a very real debate about the constant militarization of U.S. foreign policy. That taking this approach simply “sells” better in Congress compared to more soft-power infrastructure projects certainly isn’t good enough a reason. Neither is the fact that this approach allows some folks in D.C. to pay for ever-larger villas in the suburbs.
What needs to be addressed in this context is that there are many people in the Washington establishment who have strong incentives to ensure the United States takes a more aggressive posture in the Pacific, whether through lobbying fees or pricey defense appropriations.
The return on these “investments,” while high for a few Washington insiders, is actually much lower than on building better highways and seawalls, which benefit everyone.
But while it would be a positive step for the United States to invest more in long-term development projects to aid emergency preparedness, there are other means to achieve the same ends.

Asia investing in its own future

In Asia, for example, there is the Asian Development Bank, suitably enough based in Manila, the capital of the Philippines. What better tool is there than to take out long-term loans — on behalf of all the poor countries backed by the credit rating of the ADB – so that these countries can invest in being better prepared for the next climate event?
Clearly, the West can’t do it all. We need to have more of a regionalization of these efforts. And these countries – independent of the discussion about who’s at fault for climate change – need to be prepared for their own sake.
Either way, the investment in infrastructure also makes commerce easier, allowing countries to grow their national economies and promote tourism. So it’s an investment in their own future and they need to do that.
Individual countries can’t shoulder that burden alone. The Philippines remains a very poor country. President Benigno Aquino III has been doing quite well on fighting corruption and the economy has been growing a little bit faster than in the past.
But the Philippines would probably need to have 20 years of solid economic growth before they could be adequately prepared on key emergency preparedness infrastructure in their own right.
Editor’s note: This essay is based on Stephan Richter’s comments during the November 15, 2013 broadcast of the Diane Rehm Show.

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quinta-feira

Sismo vai matar dezenas de milhar em Portugal (título alarmante da tvi) - que exige meditação




Portugal sofreu em 1755 um terramoto de magnitude 8,5 a 9, semelhante ao do Japão. E é uma certeza científica que vai repetir-se a qualquer momento. «Pode ser amanhã, pode ser depois de amanhã. É errado pensar que só será em 2755», disse à TVI Maria Ana Viana Baptista, geofísica.

O Laboratório Nacional de Engenharia, em 2005, previu que o grande terramoto vai matar entre 17 mil e 27 mil pessoas, mas essa estimativa peca por defeito. O grande problema está na falta de resistência da maioria dos edifícios portugueses, ao contrário do que acontece no Japão, explica Mário Lopes, professor do Instituto Superior Técnico.

«Conhecendo a cidade de Lisboa, receio que possamos ter riscos acentuados em mais de 50 por cento dos edifícios da cidade», disse João Appleton, engenheiro civil.

Para o economista António Nogueira Leite, um sismo «teria um impacto na economia portuguesa equivalente a um ano de criação de riqueza». 

As políticas de controlo da qualidade da construção e os planos de reabilitação urbana têm ignorado a maior ameaça que paira sobre a economia e a vida dos portugueses

O Algarve, o Litoral Alentejano e a grande Lisboa, serão gravemente afectados pelo sismo que pode acontecer a qualquer momento. Como no Japão, as zonas costeiras e as margens do Tejo vão voltar a sofrer o impacto mortífero de uma onda gigante.

Em Julho de 2010 todos os partidos votaram, por unanimidade, uma recomendação ao governo, para que se crie com urgência um plano nacional com vários pontos decisivos: redução da vulnerabilidade sísmica das infra-estruturas hospitalares, escolares, industriais, governamentais, de transportes, energia, património histórico e zonas históricas dos núcleos urbanos. A resolução recomendava ainda ao governo o reforço do controlo da qualidade dos edifícios novos e a obrigatoriedade de segurança estrutural anti-sísmica nos programas de reabilitação urbana.

Oito meses depois, o governo não fez nada: limitou-se a propor um modelo de seguros, para indemnizar os prejuízos materiais dos sismos. A Sociedade Portuguesa de Engenharia Sísmica, num parecer enviado ao parlamento, reagiu com indignação: «A opção do governo é ineficiente, eticamente condenável porque não se preocupa com a salvaguarda da vida humana e contraria a resolução da Assembleia da República».

A verdade é esta: quando o sismo chegar, a Assembleia da República vai ficar de pé, porque recebeu obras de reforço anti-sísmico. Mas os principais hospitais de Lisboa, por exemplo, deverão colapsar. 

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segunda-feira

O elevado risco cardíaco que paira sobre a juventude

Nota prévia: a alimentação hiper-calórica, o sedentarismo e a falta duma cultura conducente à prática do desporto leva a um:
O elevado risco cardíaco que paira sobre a juventude.dn
As conclusões do estudo que hoje será apresentado no Instituto Ricardo Jorge não deixam margem para dúvidas: quase metade dos alunos de Lisboa, com idades compreendidas entre os 15 e os 18 anos, padece de, pelo menos, um factor de risco cardíaco. E, destes, 35% apresentam já dois e 12% três problemas.
Tecnicamente, os resultados obtidos na região da capital não podem ser extrapolados para todos os adolescentes portugueses, mas o País é demasiado pequeno para que este cenário negro seja único.
O que quer dizer que estamos perante um problema grave, de consequências irreversíveis (42% dos nossos adultos são hipertensos) e que exige medidas concretas - dos pais, das escolas, dos médicos e do Estado. Todos têm a obrigação de adoptar, o quanto antes, comportamentos que invertam esta morte lenta da juventude nacional e que a ajudem a perceber que manter as rotinas que se traduzem nestes números é uma espécie de autocondenação.
A prevenção é, neste plano, um caminho obrigatório. E, além dos resultados do estudo, a prova de que esta está a falhar em larga escala é o facto de mais de metade dos estudantes analisados (55%) praticarem menos de uma hora de exercício físico por semana fora da escola.
A escolha é simples: ou investir forte na prevenção, de preferência cedo, ou dentro de uma a duas décadas Portugal arrisca-se a ter a maioria da sua população activa a viver sob o risco iminente de ataque cardíaco. (...)

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