quarta-feira

Portugal FEDE. Manipulação dos motivos e interesses da classe política vs national interest



A Habilidade Específica do Político
A habilidade específica do político consiste em saber que paixões pode com maior facilidade despertar e como evitar, quando despertas, que sejam nocivas a ele próprio e aos seus aliados. Na política como na moeda há uma lei de Gresham; o homem que visa a objectivos mais nobres será expulso, excepto naqueles raros momentos (principalmente revoluções) em que o idealismo se conjuga com um poderoso movimento de paixão interesseira. Além disso, como os políticos estão divididos em grupos rivais, visam a dividir a nação, a menos que tenham a sorte de a unir na guerra contra outra. Vivem à custa do «ruído e da fúria, que nada significam». Não podem prestar atenção a nada que seja difícil de explicar, nem a nada que não acarrete divisão (seja entre nações ou na frente nacional), nem a nada que reduza o poderio dos políticos como classe. 


Bertrand Russell, in 'Ensaios Cépticos: A Necessidade do Ceptcismo Político' 

_________________


Obs: Nada como citar o maior filósofo da política do séc. XX, Sir Bertrand Russel, para enquadrar esta questão, a qual permite compreender, no domínio da manipulação das paixões das massas, o modo como os agentes políticos mitigam as suas motivações, objectivos, razões e interesses pessoais com os supostos interesses nacionais. Ainda que esta deriva tenha sido, com mais propriedade, estudada e desenvolvida por Gustave Le Bon. 

________________________________



Etiquetas: , ,

segunda-feira

  • Um ensaio interessante que merece uma leitura atenta.

Do "gesto destrutivo" à abertura do espaço: em torno do conceito benjaminiano de violência (Gewalt)

Maria João Cantinho

Resumo


Mais do que nunca, é urgente pensar na questão da violência e do seu poder na nossa cultura. A emergência da crise política, social e económica da Europa e a dissolução dos sistemas democráticos, tal como eles funcionavam, é evidente. Partindo da análise de algumas interpretações actuais sobre o estado da democracia (Rancière, Zizec, Nancy etc.), retomo o texto no qual Walter Benjamin procura levar a cabo uma análise da questão da violência como poder e a sua função, na aplicação do Direito e da Justiça. Tomando como base o texto “Zur Kritik der Gewalt”, que foi paradigmático nas concepções actuais da soberania e do estado de exceção (desenvolvidos por Benjamin e Carl Schmitt), tento mostrar o que Benjamin entendia por violência revolucionária, questionando o seu sentido e a sua legitimidade.

Palavras-chave


violência, revolução, direito, democracia, messianismo.


O carácter destrutivo conhece apenas uma divisa: criar espaço; conhece apenas 
uma atividade: abrir caminho. Sua necessidade de ar puro e de espaço é mais forte 
do que qualquer ódio (BENJAMIN, 1972a, p. 396)1
.



Etiquetas: , , , , , ,