quarta-feira

Ao novel Príncipe...

... Cabe ter o que teve o velho, mudam apenas as circunstâncias, os nomes, as vestimentas, as tecnologias, mas a sede e ambição do poder permanece invariável. Por isso, regressamos ao velho Nicolau que disse tudo inaugurando a Ciência Política, separando a religião das coisas do Estado, dantes mitigadas. 

A um príncipe, na linha teorizada por Maquiavel, importa ter, ou parecer possuí-las, as seguintes qualidades, pela sua utilidade: parecer piedoso, fiel, humano, íntegro, religioso, e sê-lo; mas guardar tal disposição de ânimo que, necessitando não o ser, possa e saiba o príncipe desempenhar o contrário

Aqui cabem as contradições, as traições (as pequenas, as médias e as grandes) e as deslealdades. 

É claro que Passos Coelho, um príncipe já velho e privado de toda a sabedoria (apenas com muita manha), triturou toda e qualquer máxima, porque quando chegou ao poder tratou de mandar para o caixote do lixo tudo aquilo que prometera de véspera, como um mentiroso compulsivo - cabendo aqui à Política um sub-capítulo de estudo com dignidade científica que poderíamos designar de mentira política e patologia psico-políticas.

No fundo, a política mudou pouco desde a sua fundação, pois cada agente, a fim de manter e manter-se no poder, tudo fará para preservar o poder do Estado nas suas mãos, pois os meios serão sempre julgados honrosos e louvados por todos. Até porque o vulgo  apenas atende às aparências e ao desfecho das coisas, como diz o velho mestre.

Nunca se viu nenhum candidato a príncipe, do presente ou do passado não muito distante, nunca pregar uma coisa que não seja a paz e boa fé, de preferência mitigando o discurso dizendo, solenemente, que baixará os IMPOSTOS quando chegar ao poder e o repasto ficará ainda melhor servido se, nessa lógica discursiva, se prometer também baixar o IVA na restauração, o que facilitará a venda massiva de sopas em Portugal.

Por algum lado terá de se começar a olear o motor. O motor da economia portuguesa que ainda não começou a crescer...

Um dia, verdadeiramente, descobrimos petróleo no Beato e então teremos todos os problemas nacionais resolvidos. Só não sabemos quando é que esse dia chega na eternidade dos tempos.

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sábado

Análise breve ao XIX Governo (in)Constitucional



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Remake

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quinta-feira

Evocação de Nicolau Maquiavel - 500 anos depois -


De Nicolau Maquiavel [1513-2013] já quase tudo está dito porque ele próprio o escreveu e melhor o pensou. De modo que pouco há a acrescentar ao seu imenso legado realista, salvo se julgarmos procedente que podemos alterar a realidade das coisas e a natureza do homem. O que é pouco provável. Assim, talvez o melhor, e com a simplicidade diante das pessoas grandes, seja o de procurar actualizar o seu pensamento em face da conjuntura, mas não mais do que isso, sob pena de incorrermos em pretensiosismos redescobertos a cada página da sua densa Obra, em particular os Discorsi.

Neste quadro, se quiser aplicar algumas regras legadas por Maquiavel aos actores menores desta Europa que se desconjunta e está em cacos, basta olharmos para a praxis política do actual presidente da CE, o compatriota Durão Barroso. Facilmente, aplicamos nele - e de forma política degenerada - todas as "boas" regras que Maquiavel teorizou para Il Principe. Mas que aqui se aplicam bem ao visado tomado como comezinho exemplo, pois é difícil encontrar entre os portugueses aquele que - perante o seu elevado nível de responsabilidade política - mais tem ofendido o povo português e penalizado ilegitimamente os seus interesses e, do exterior, colaborado numa chantagem pérfida e recorrente às suas instituições e ao princípio da separação de poderes que deve substanciar o rule of law

Mas não é nada disto que se vê e ouve na boca desses altos dignitários, meros agentes, afinal, apenas preocupados com os seus próprios interesses, carreiras e caprichos. É a gula do poder tão bem vista vista por Nicolau. Também aqui Nicolau disse tudo acerca da condição humana e da sua soberba. O que neles se reconhece é, tão somente, um apelo ao out of law que, no caso de ser professado pelo cidadão comum, teria como consequência ir parar à cadeia.   

Diria, sem querer ser atrevido, que Maquiavel escreveu um tratado permanente acerca da condição humana, e nele consta tudo o que de essencial o homem tem, deseja ou padece. Apenas, consoante as conjunturas e as tecnologias disponíveis, carece de alguma, pouca, actualização como comecei por referir. 

Por vezes, invectivado das piores malícias, só porque conheceu como ninguém a verdadeira natureza humana, que também é vil, Maquiavel foi injuriado de tudo e por muitos, sob a acusação de ter corrompido a política e destruído a religião e os preceitos da moral. Mas, afinal, não foram os ensinamentos de Maquiavel que perverteram os príncipes que, por seu turno, governaram os povos. E alguns, como hoje sentimos em Portugal, governaram (e governam) mal. 

Não basta pois, creio, invocar um qualquer Frederico da Prússia, numa versão refinada de um anti-maquiavel para desvalorizar o tratado de condição humana que Nicolau legou à humanidade. Não foi Maquiavel quem seduziu os príncipes a fazerem mal aos respectivos povos e Estados que sempre se degladiaram pelo melhor equilíbrio no concerto das nações, foram, sim, as circunstâncias políticas e o pensamento e acção concretos de todos os homens de Estado - em interacção entre si - que ditaram (e ditam) o balance of power (re)desenhado a cada conjuntura pelos mesmos homens de Estado que, por vezes, nenhuma estatura têm, porque fazem da mentira uma reinterpretação interessada dos factos (a que chamam verdade). 

Portas (do smart-cds) é, neste particular, a teoria prática acabada deste reconhecimento neo-maquiavélico. É ele que é, de facto, o primeiro-ministro em funções no país, com a particularidade de nunca ter ganho uma eleição legislativa em Portugal e valer, hoje, no mercado eleitoral cerca de 6% das intenções de voto, e já com muita benevolência maquiavélica. Tamanha é a aberração sociológica desta sub-representação política. 

Em suma, Maquiavel deixou-nos muitas questões por responder. Recupero aquela que me parece crucial para o nosso tempo: saber a quem se pode confiar com mais segurança a defesa da nossa LIBERDADE(?)

- Aos "aristocratas do risco" ou ao povo? 

Quais são os que têm mais motivos para instigar esta destruição/desmantelamento do Estado sob a capa de reforma de Estado vertido num borrão de pseudo-reforma, como fez Portas (a envergonhar Portugal diante da Europa) - também ela desfeita pela incapacidade de liderança e de visão de Barroso. 

Será que, nestes moldes destrutivos em que parece seguir aquela reforma do Estado, ganham aqueles que pretendem adquirir (vide, o processo de privatização dos Co$$eios) ou aqueles que querem conservar?

Talvez sem querer, o estudo acerca do Poder e da sua captura, manutenção e, se possível, reforço das condições do seu exercício - Maquiavel nos remete hoje para a questão de saber que tipo de instituições temos, e se elas salvaguardam a nossa liberdade, a liberdade comum. O que vemos em Portugal, nestes dois últimos anos, é um ataque crispado e sem fundamento jurídico-legal, a essas instituições e à liberdade de todos e de cada um dos portugueses, desde o esbulho reiterado de salários e pensões, ao confisco de propriedade e desregulação arbitrária do mercado laboral que tem escancarado a porta para despedimentos colectivos violadores da lei e das directrizes comunitárias. 

Em que mãos, afinal, devemos hoje depositar a nossa liberdade quando se trata de eleger um novo Governo e, já agora, porque urgente, um outro Presidente da República (também violador da Constituição da República Portuguesa)?!

A Maquiavel e à sua imensa obra só tenho uma palavra: obrigado. 

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sexta-feira

O grande debate entre os "três tigres" do PSD em of

Por razões alheias à minha vontade apenas visionei o debate entre "estes três tigres" do PSD. Falavam mas o som do aparelho tinha que estar em of. E agora, sem querer ser injusto para com as prestações de cada um dos candidatos, só me apraz recuperar uma máxima de Nicolau Maquiavel, um clássico da teoria política (moderna e contemporânea) para sublinhar que: em política, os aliados de hoje são os inimigos de amanhã.

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