sábado

Sophia Loren - o tesouro da 7ª arte e um capital genético extraordinário. Faz 80 anos


Nasceu como Sofia Scicolone, em Roma, a 20 de setembro de 1934. Filha bastarda, os primeiros anos foram de pobreza pelas ruas em Pozzuoli, perto de Nápoles, agravada pela Segunda Guerra Mundial.
Aos 15 anos, foi uma das finalistas do concurso de beleza Miss Itália 1950 e acabou eleita Miss Elegância, começando a despertar a atenção dos cineastas. Seguiram-se aulas de representação e primeiras presenças no cinema, registadas como Sofia Scicolone ou Sofia Lazzaro.
Sophia Loren nasceu com os filmes lançados em 1953 e a sua grande oportunidade surgiu no ano seguinte quando foi escolhida por Vittorio De Sica para protagonizar um dos segmentos do filme «O Ouro de Nápoles»: foi o primeiro de 14 filmes com o realizador. Em 1955, com «Que Pena Seres Vigarista!» (1955), foi reunida com Marcello Mastroianni, outro dos homens determinantes na sua carreira: fizeram 14 filmes juntos.
Determinante, em termos profissionais e pessoais, foi o produtor Carlo Ponti: conheceram-se em 1950, quando ela tinha 15 anos e ele 37. Casaram em 1957, mas como Ponti ainda era oficialmente casado com a primeira mulher de acordo com a lei italiana, que não reconhecia os divórcios, foram obrigados a anular o casamento em 1962 para não enfrentar acusações de bigamia. Só em 1966, em França, foi possível oficializar a relação, que durou até à morte de Ponti em 2007, aos 94 anos.
O primeiro filme em língua inglesa foi «Orgulho e Paixão» em 1957, partilhando o ecrã com Frank Sinatra e Cary Grant, que se apaixonou perdidamente por ela, facto confirmado agora com o lançamento de um livro de memórias com 300 páginas, «Ontem, Hoje e Amanhã - Minha Vida» (tradução livre), título que alude a um dos seus filmes mais importantes, uma antologia realizada por De Sica em 1963 na qual interpretava três papéis diferentes.
Seguiram-se outros filmes, de qualidade variável, mas foi quando deixou cair a capa de beleza e glamour, com «Duas Mulheres», que foi levada a sério: ganhou o Óscar de Melhor Atriz, a primeira vez que isso aconteceu com um filme não falado em inglês.
Nos anos seguintes e até meados dos anos 70, quando optou por dedicar mais tempo à sua família, continuou a mostrar o seu talento tanto para drama como comédia em grandes produções americanas e filmes europeus, tornando-se a estrela do glamour cujos 80 anos estão agora a ser celebrados.
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Obs: Felicite-se Sophia Loren pelo que foi, é e será. Uma proeza da natureza. 
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domingo

Sophia Loren: um "avião" de todos os tempos

Sophia Loren é uma força poderosa da natureza: classe, jovialidade, sensualidade, magnetiza e atrai os olhos das camaras que a filmam mais os realizadores que, durante décadas, a procuraram para representar filmes memoráveis.
A diva trabalhou com os grandes do seu tempo, como Fellini, Scola, De Sica e outros que fizeram dela uma mulher ainda melhor. Notabilizou-se quando em 1962 foi considerada a Melhor Actriz no filme Duas Mulheres. Agora desafia Manoel Oliveira a arranjar um papel para ela, com ou sem Douro. Acredito que neste momento Manoel de Oliveira já esteja agarrado à sua inventiva para driblar um papel para a diva.
Vemo-la na imagem com o seu amigo Marcello Mastroianni, que parecia estar de cabeça perdida - que era uma sensação comum aos homens que naquele tempo viram Sophia actuar com toda aquela carga dramática de bela mulher, bela actriz que daria a amiga que todos desejamos para ter nos nossos lares.
Quase aos 76 Loren daria cabo da cabeça de muito realizador, cabendo agora a Oliveira recriar o seu imaginário cinematográfico e conceber um papel para Sophia que teria, seguramente, uma na majestade deslumbrante representando nas encostas do Douro, uma das paisagens mais bonitas - e produtivas - de Portugal.
O vinho, nestas coisas, é sempre um coadjuvante indispensável. Sophia, além de uma bela Mulher, é também um desafiador dos tempos.
Oliveira sabe-o... Veremos se resiste aquele furacão!!

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