terça-feira

Onde se recorda o Cardeal - por Eurico Heitor Consciência -




Onde se recorda
O Cardeal
Não sei quem foi que disse nem estou para perder tempo com descobrir quem foi, quem foi que disse que os povos têm memória curta. E se a memória dos povos é curta, mais curta é a dos políticos. A dos políticos profissionais – que se mostram desmemoriados de todo quando lhes convém.
Saíram-me estas sensatas sentenças quando comecei a pensar nos políticos que transitaram do poder para empresas com que trataram e contrataram quando estavam a exercer cargos no poder. E o que pôs o meu pensamento em movimento foi a “guerra” que desencadeou o contrato que fez a anterior Ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, com uma consultora inglesa. Por faz e nefas, choveram mosquitos por cordas e invocaram razões de ética alguns dos nossos caros políticos, que já não têm memória dos saltos que dois ministros das Obras Públicas deram para empresas dalgum modo dependentes ou favorecidas pelos seus Ministérios : o Dr. Ferreira Amaral foi do Governo para a Lusoponte, onde continua, oh que bem que se lá está!; e o Dr. Jorge Coelho da culpa não há-de morrer solteira foi do Governo para a Mota-Engil (depois de conveniente pausa).
Mas no negócio dos saltos ninguém baterá Armando Vara que saltou dum balcão duma agência da Caixa Geral de Depósitos para Director da Caixa e de Director para Administrador da mesma – saltos que orgulhosamente lhes lembro que consagrei com a designação de triplo salto à Vara – espantosa inovação no atletismo luso.
Mas Ferreira do Amaral, Jorge Coelho e Armando Vara não passam de  desprezíveis  amadores  quando  comparados com  O Cardeal. O Cardeal  do Engº Guterres : o Dr. Pina Moura, que foi Ministro  das Finanças depois  de ter assessorado  durante anos o primeiro-ministro António Guterres. Com tanta  discreção que muita gente passou a pensar que quem governava realmente o país não era o Guterres; que era o Pina  Moura, que terá desempenhado junto de Guterres  a função que teve o maquiavélico Cardeal Richelieu junto dum daqueles muitos Luíses – reis que os franceses tiveram até à Revolução; se não fora a Revolução, estaríamos agora, seguramente, no Luís XXVII ou XXVIII. Pois o Luís do Richelieu foi, se não me engano, o Luís XIII, no reinado do que reinou o diabólico Cardeal Richelieu, ao qual foi comparado o ministro Pina Moura junto de Guterres, passando a ser conhecido pelo cognome de Cardeal.
Quando o Guterres acordou e cavou, por ter descoberto que se estava a aproximar dum pântano, O Cardeal passou a Deputado e Administrador da gigantesca empresa espanhola Iberdrola. Assim, O Cardeal foi funcionando simultaneamente como deputado da Assembleia da República portuguesa e administrador de interesses espanhóis em Portugal.
Sempre me perguntei como é que o deputado português Pina Moura resolvia os diferendos que tivesse com o Pina Moura Administrador da castelhana Iberdrola.
Depois destes magníficos exemplos, o caso da Drª Maria Luís não merece dois minutos de atenção. Tanto mais que ela, com dois ou três dias de trabalho por mês na Inglaterra, traz para cá cerca de dez miles todos os meses. Por isso desafio todos os políticos profissionais que temos a fazerem como a Maria Luís. Que vão trabalhar para a Inglaterra.
E fiquem por lá.
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