segunda-feira

O povo suicida - por Luís Meneses Leitão -


Nota prévia: Uma reflexão interessante de Luís Meneses Leitão. Só ficou por explicar em que teses, teorias ou argumentos é que o articulista se fundamenta para dizer o que diz do livro do sr. Raposo - acerca dos Alentejo e dos alentejanos ("inócuo"). Espero, contudo, que esta nota não sirva para abrir o apetite pela curiosidade do livro que tanto se tem criticado, mas não há outro jeito de o fazer, salvo se alguém se der ao trabalho se o meter online para que seja objecto de avaliação mais concreta, porque pela minha parte não alimentarei os direitos autorais do autor nem da sua editora. 

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Luís Menezes LeitãoO povo suicida


A vida não tem, para ele, sentido transcendente. Querem viver talvez, sim, porém, para quê? Vale mais não viver.” E o autor aponta uma série de exemplos de suicídios de portugueses famosos, como Camilo Castelo Branco, Antero de Quental e Mouzinho de Albuquerque, chegando ao ponto de afirmar que o regicídio de D. Carlos e D. Luís Filipe tinha sido, no fundo, um suicídio de Manuel Buíça.
Se Unamuno escrevesse esse texto hoje, seria imediatamente trucidado na internet e nas redes sociais por graves ofensas praticadas contra o povo português. Foi o que sucedeu a Henrique Raposo que, tendo escrito um texto absolutamente inócuo sobre a dimensão do suicídio no Alentejo, foi imediatamente objeto de ataque de uma turba virtual, sendo obrigado a apresentar o livro sob proteção policial. Pelos vistos, há muita gente que não compreende o que a liberdade de expressão significa e acha que lançar uma fátua sobre um autor é a melhor maneira de fazer crítica literária.
Se me perguntassem sobre a dimensão do suicídio nos portugueses, eu diria que onde essa dimensão é maior é nos políticos. Desde Alcácer-Quibir até à guerra colonial, tem havido imensos suicídios políticos em Portugal, alguns com consequências trágicas para o país. Como exemplo recente, temos que a ex-ministra das Finanças decidiu utilizar uma seta global para se suicidar politicamente na semana passada. E parece que o PSD quer ir alegremente atrás dela.
Professor da Faculdade de Direito de Lisboa. Escreve à terça-feira 
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