sábado

O exemplo duma Não entrevista: Monjardino sobre Ricardo Salgado

O setor financeiro manda na política e há-de ser sempre assim
“Conheço o Ricardo Salgado desde miúdo e não tenho o costume de deixar cair as pessoas quando estão penduradas”, começou por dizer o presidente da Fundação Oriente ao jornal i.
Para Carlos Monjardino a crise do BES só veio provar que é o sistema financeiro que manda na política. “As pessoas habituaram-se a pôr o sector financeiro nos píncaros da lua. Da mesma forma que acham que o setor financeiro é completamente independente do setor político. E não é. O setor financeiro manda na política, sempre mandou, e há-de ser sempre assim", continua.[...]

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Obs: Já Eça, no séc. XIX, caricatura os políticos como pequenos bonecos de palha manipulados pelos banqueiros, como se fossem "robertos" em noite de teatro.

Pelo que não há novidade nenhuma nos lugares comuns aqui proferidos pelo presidente da FO. Nem se percebe se das suas declarações ele pretende afundar mais Ricardo Salgado ou o tenta salvar da história (tarefa impossível!!) - que ele próprio teceu, ao pretender manipular o regime e os agentes políticos de quem se achava dono. No fundo, Ricardo foi vítima dele próprio e de alguns membros da sua família. 

Nunca se pode enganar tudo e todos sempre!!!

Ao (de)negar estes factos Monjardino só se ridiculariza perante a história e perante o conceito de verdade, que submerge perante "o seu" conceito de amizade, o qual deveria ficar na esfera íntima. Quer dizer, o solidarismo de Monjardino não isenta os crimes económicos e financeiros e as múltiplas fraudes cometidas pelo BES pela mão directa e indirecta do seu amigo) - que lesaram milhares de pessoas, empresas e instituições em Portugal e abroad. Mas isso pesa pouco no conceito de amizade de Monjardino...  

Creio que há momentos na história das relações entre as pessoas, entre estas e as instituições e o conjunto da sociedade com quem interagem - que nos deveríamos abster de emitir qualquer opinião. Pois se o objectivo é absolvê-las (dos crimes que cometeram), o efeito é perverso e o resultado final é, manifestamente, negativo.

Foi o que deduzi destas palavras de Carlos Monjardino relativamente ao seu amigo de infância, Ricardo salgado, um dos homens que mais depauperou Portugal e que, em nome dum suposto padrão financeiro, CORROMPEU elites políticos anos a fio em Portugal - degradando a democracia representativa, amputando o estado de direito e desvirtuando o funcionamento da sã concorrência e economia de mercado. Instituições, valores e regras que deverão pesar pouco na consciência do dr. Monjardino!!!

Faria um grande serviço à nação "se o amigo do seu amigo" ficasse calado, caladinho.  Porque para além do conceito de amizade de Monjardino, muitos outros valores superiores se levantam, mas não será em nome desses valores que o presidente da FO se poderá e/ou deverá manifestar.

A estória está repleta destes efeitos perversos, por vezes queremos fazer o bem, mas só fazemos o mal!!!

Também isto é invariável, tal como a ideia de que os políticos não passam de bonecos nas mãos dos interesses dos banqueiros...

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