segunda-feira

Soares não esquece o que Alegre lhe fez nas últimas presidenciais. Uma entrevista auto-psicobiográfica

Mário Soares diz que Passos Coelho "é um líder que pode ir longe".Económico
O antigo Presidente da República, Soares, não acredita que Passos Coelho queira governar neste momento.
"O próprio Passos Coelho tem dito sempre, e é uma forma de inteligência que ele tem demonstrado, que a situação neste momento se houvesse mudança de Governo seria ainda mais catastrófica", afirmou Mário Soares, no programa ‘Gente que Conta' da TSF.
Sublinhado a falta de experiência e o desconhecimento de todos os ‘dossiers' que o Governo tem em cima da mesa por parte de Passos Coelho, o antigo Presidente da República considerou que "só um inconsciente é que irá ser primeiro-ministro nesta altura, quer em Portugal, quer na Espanha, quer em França".
Quanto às críticas de Passos Coelho, Mário Soares entende que "faz parte da função da oposição criticar", mas que "no momento final" o líder do PSD e o Governo chegarão a um entendimento.
Na entrevista à TSF, o histórico socialista teceu ainda elogios a Passos Coelho e a Cavaco Silva.
Para Mário Soares, Passos Coelho "é um líder que pode ir longe, desde que ele perceba bem a situação em que Portugal está e bem aquilo que lhe vai custar quando ele um dia for primeiro-ministro".
Sobre Cavaco Silva, Soares aplaudiu o apelo do Presidente da República para a necessidade de um entendimento para o Orçamento do Estado para 2011.
Mário Soares falou ainda sobre a situação económica do país, mostrando-se convicto de que "Portugal vai resolver os seus problemas sozinho". Aliás, sublinha, "é isso que diz o Dominique Strauss-Kahn, presidente do FMI".
"O fundo não está nada preocupado connosco. Está optimista em relação àquilo que tem sido o esforço para equilibrar as contas públicas", acrescentou.

Obs: Aquilo que me surpreende no dr. Mário Soares é a sua resiliência ao envelhecimento, ele já viu toda uma geração de homens partir: Mota Pinto, Sá Carneiro, Magalhães Mota, Salgado Zenha, Cunhal entre muitos outros.

Contudo, nesta entrevista Soares procura fazer três coisas: 1) dar uma mão a Sócrates; 2) intimidar PPCoelho que elogia para, logo de seguida, designar de inexperiente; 3) e dar mais uma sticada no poeta Alegre - que espartilhou o eleitorado do PS nas últimas eleições presidenciais que serviram, entre várias coisas, para humilhar políticamente o velho leão da política portuguesa.

Tudo isto revela que, afinal, Soares continua a ter uma memória de elefante. Ele não perdoa nem esquece. E a prova disso é que o vemos valorar as iniciativas de Cavaco (de Cavaco!!!) só para minar o terreno a Alegre.

De resto, este é um candidato em que nem o próprio PS acredita. Alegre é, assim, uma imposição ao PS, ante o deserto de candidatos credíveis para disputar com Cavaco o 1º lugar no aparelho de Estado. Ainda por cima, comportando a estrondosa desvantagem de o poeta ser o candidato apoiado, em 1ª instância, pelo BE, o partido político mais radical e anti-sistema em Portugal.

Ou seja, com esta entrevista Soares, por um lado ajuda Socas, intimidando PPCoelho; mas, por outro, limita o campo de actuação do poeta apoiando o campo sociológico de Cavaco a Belém.

Nesta cambalhota, Soares dá com uma mão aquilo que com a outra tira ao actual PM. E com isso procura executar a sua vendetta pessoal que remonta às últimas eleições presidenciais traduzidas no milhão de votos de Alegre, o que prova que a política está cada vez mais personalizada e fulanizada em Portugal, como demonstrámos na reflexão infra sob a designação: as birras da república.

Etiquetas: