quinta-feira

Sua beleza - por Sophia -



Sua Beleza

Sua beleza é total 
Tem a nítida esquadria de um Mantegna 
Porém como um Picasso de repente 
Desloca o visual 

Seu torso lembra o respirar da vela 
Seu corpo é solar e frontal 
Sua beleza à força de ser bela 
Promete mais do que prazer 
Promete um mundo mais inteiro e mais real 
Como pátria do ser 

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas" 

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terça-feira

Mar - por Sophia -


Mar
I
De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua,
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua
.
II
Cheiro a terra as árvores e o vento
Que a Primavera enche de perfumes
Mas neles só quero e só procuro
A selvagem exalação das ondas
Subindo para os astros como um grito puro.

in Poesia, 1944

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sexta-feira

Sophia de Mello Breyner Andresen: uma imensidão

  • Sophia e o "sangue dinamarquês" na poesia e na cultura portuguesas com vocação universal.
Fica. 


Sophia de Mello Breyner Andresen: (1919-2004)



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quinta-feira

Esta Gente - por Sophia de Mello Breyner Andresen

Recupero Sophia, uma "aristocrata" da poesia e também por ser imensa - cujas mensagens ecoam como búzios - mas cabe aqui. Este poema poderia ser o "CANTE" de Sophia. Um hino a um Portugal digno, justo e limpo!!


Esta GenteEsta gente cujo rosto 
Às vezes luminoso 
E outras vezes tosco 

Ora me lembra escravos 
Ora me lembra reis 

Faz renascer meu gosto 
De luta e de combate 
Contra o abutre e a cobra 
O porco e o milhafre 

Pois a gente que tem 
O rosto desenhado 
Por paciência e fome 
É a gente em quem 
Um país ocupado 
Escreve o seu nome 

E em frente desta gente 
Ignorada e pisada 
Como a pedra do chão 
E mais do que a pedra 
Humilhada e calcada 

Meu canto se renova 
E recomeço a busca 
De um país liberto 
De uma vida limpa 
E de um tempo justo 

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Geografia"

Tema(s): Povo 

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sexta-feira

Hoje é dia grande: Dia de Sophia


Sophia - um raio de luz que se abateu sobre nós e nos contagiou...
Esta Gente, linkEsta gente cujo rosto 
Às vezes luminoso 
E outras vezes tosco 

Ora me lembra escravos 
Ora me lembra reis 

Faz renascer meu gosto 
De luta e de combate 
Contra o abutre e a cobra 
O porco e o milhafre 

Pois a gente que tem 
O rosto desenhado 
Por paciência e fome 
É a gente em quem 
Um país ocupado 
Escreve o seu nome 

E em frente desta gente 
Ignorada e pisada 
Como a pedra do chão 
E mais do que a pedra 
Humilhada e calcada 

Meu canto se renova 
E recomeço a busca 
De um país liberto 
De uma vida limpa 
E de um tempo justo 

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Geografia
"

Tema(s): Povo 

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terça-feira

Geografia - por Sophia de Mello Breyner Andresen -





Cidade dos Outros

Uma terrível atroz imensa
Desonestidade
Cobre a cidade

Há um murmúrio de combinações
Uma telegrafia
Sem gestos sem sinais sem fios

O mal procura o mal e ambos se entendem
Compram e vendem

E com um sabor de coisa morta
A cidade dos outros
Bate à nossa porta

Sophia de Mello Breyner Andresen, “Geografia”

À Anália Soares que gosta de Sophia. 

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