segunda-feira

O processo do Marquês - por Rui Tavares -

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Houve de facto, há 230 anos, um célebre “processo do Marquês”. Aconteceu dois anos depois de Pombal ter perdido o poder na corte e de os seus fiéis inimigos e alguns desleais amigos terem ocupado os cargos correspondentes no Governo da “Viradeira” de Dona Maria I. O ex-ministro do Reino foi acusado de corrupção e enriquecimento às custas do tesouro público, sem esquecer todos os seus abusos de poder e repressões ferozes. Entre 1779 e 1781, o velho Marquês (tinha a idade do século, tendo nascido em 1699) veio defender-se vigorosamente numa série de textos que de pouco lhe valeram. Não só as suas antigas vítimas estavam pouco dispostas a ouvi-lo, como a verdade é que ele havia enriquecido no exercício do poder. Os amigos que lhe restavam de pouco lhe podiam valer: estavam dispersos pelo país, num discreto exílio, trocando entre si cartas como a que citei no início deste texto. As acusações foram dadas por provadas e o Marquês de Pombal foi condenado. Mais humilhante ainda, foi depois perdoado pela rainha, em razão da sua velhice e enfermidades. Em 1782, Pombal morreu com o nome manchado e o orgulho ferido.
Quem for que tenha dado o nome de "Marquês" ao caso de José Sócrates prestou assim um mau serviço ao processo e ao país. Desde logo porque, para o bem e para o mal, Sócrates não é Pombal. E sobretudo porque o processo do Marquês, há 230 anos, foi o epítome do que este não deveria ser: uma amálgama de sentimentos, arrogância de um lado e desejo de vingança do outro, divisão do país em duas metades incomunicáveis que se foram guerreando, sob diversos disfarces, nas gerações seguintes. O país não saiu regenerado, nem melhor. Pombal, nem bem condenado, nem inocentado. Depois dele veio Pina Manique, e depois Napoleão, e a rainha, agora já louca, embarcou para o Brasil dizendo: “Não corram! Vão pensar que estamos a fugir.”
E estávamos. Espero que já não seja o caso
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Obs: Medite-se neste oportuno relato histórico de Rui Tavares, também ele historiador. O bold a amarelo é nosso. 

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terça-feira

Nós não somos este escaravelho - por Rui Tavares -


Obs: Um elucidativo texto de Rui Tavares - que pega numa temática eminentemente científica e dá-nos uma lição cultural e de tipo sociopolitológico em que urge meditar. Durão barroso, esse desertor-feiticeiro que converteu a Europa em cacos - deveria urgentemente conhecer este texto e tirar as devidas ilações. Ou seja, não queremos mais "escaravelhos" em Portugal, ou vindos da Europa...

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segunda-feira

ULISSES - RELANÇAR A EUROPA A PARTIR DO SUL, Rui Tavares


sinopse
A crise dividiu a Europa ao meio e inventou uma categoria de países a que chamaram um nome de animal: os PIIGS. Este documentário parte do episódio da Odisseia em que Ulisses salva os seus marinheiros que também tinham sido transformados em porcos pela feiticeira Circe. Aqui começa uma viagem pelos "países Ulisses" - Portugal, Itália, Grécia, Espanha - para explicar como um projeto de recuperação económica assente na valorização das pessoas, do conhecimento e do território poderia permitir vencer a crise e salvar a Europa. ULISSES, realizado por Sílvia Pereira e produzido pela Farol de Ideias a partir de uma ideia original de Rui Tavares, explica-nos quais poderão ser os novos caminhos de valorização dos países da crise e como o contributo deles é indispensável para o projeto europeu.

Realização: Sílvia Pereira
Produção: Farol de Ideias




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sábado

INICIATIVA DE RUI TAVARES "Livre" vai ser o novo partido "no meio da esquerda"







Obs: Nesta fase de descrença colectiva dos eleitores relativamente à vida pública em geral, e aos agentes políticos em particular, tenho para mim que até aqueles detractores do PSD que dão entrevistas à Visão a queimar aqueles que ajudaram a eleger para S. Bento - estarão disponíveis, num puro acto de contrição, a votar neste "partido de tipo novo", como diz o historiador Rui Tavares  - a quem se deseja muita sorte nesta nova aventura cujo risco é calculado. Será, porventura, como passar pelos intervalos da chuva. 


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