domingo

Obscenidade televisiva: A TVI já faz campanha presidencial por Marcelo


A tvi especializou-se em colocar "vacas sagradas" no espaço público nacional. 


A TVi - que já não é a tv da igreja - resolveu desenvolver uma relação simbiótica com o seu comentador de serviço e, ao mesmo tempo, promover a campanha presidencial ao prestidigitador Marcelo. E fá-lo nos seguintes termos e ambiente:

1. Convidou todos os jornalistas que o entrevistaram na Tvi ao longo dos anos e resolveu identificar pequenas larachas que tiveram lugar em contexto de entrevista, nos "directos";

2.Cada jornalista teve aqui o seu momento espectacular de glória, fazendo já campanha pelo candidato;

3. Esta foi a forma encontrada pela TVI, uma estação de televisão, e também pelo entrevistado, de se promoverem mutuamente, tal como se se tratasse duma perfeita relação simbiótica que é, consabidamente, uma relação de interesse mutuo entre dois ou mais organismos diferentes beneficiando-se dessa mesma associação.

Em face deste estado-espectáculo (e de fixação do agenda-setting) - pergunto-me em que medida isto beneficia a isenção e o rigor informativo, que deve (ou devia!!) presidir ao funcionamento de uma empresa de comunicação, já que se trata, descarada e despudoradamente, duma campanha presidencial (in)formativa feita em contexto televisivo que, em nada, promove aquela suposta isenção informativa e a própria instituição que é a presidência da república. 

Se a TVi queria fazer uma festinha de despedida ao seu entrevistado, com a anuência deste (que dela beneficiou), poderia tê-lo feito em "of" e não impingir "farinheira de Marcelo" durante uma hora em horário de prime-time aos portugueses.

Contudo, acredito que muitos portugueses preferem chouriço a farinheira, ainda assim isto diz bem do cruzamento de interesses, motivações, perspectivas, gostos, empatias, amizades que se estabelecem entre os media e os actores políticos, assim como as relações de promiscuidade que se tecem entre eles e que escavaca, ou tem escavado a democracia em Portugal. 

Com isto não pretendo dizer que o entrevistado favorece essas características na sociedade portuguesa, nem tão pouco que todos aqueles jornalistas são fiéis promotores dessas "virtudes", mas devo reconhecer que uma estação de televisão deve fazer um esforço de imparcialidade e isenção, especialmente quando está a promover activamente um dos candidatos em detrimento doutros que não gozam, não gozaram nem irão gozar no futuro próximo do mesmo tempo de antena do que o comentador-candidato-presidencial Marcelo. 

Até neste afagamento do ego de Marcelo a TVi se comportou como uma estação-farinheira.  

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PS: Já agora, pergunte-se à estação da tvi se continua a reportar de Queluz ou se vai abrir uma delegação de interesses no Palácio Rosa, ali na rua da Junqueira...

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