sexta-feira

Marcelo: "É tempo de pagar dívida moral" ao país

Nota prévia: Com Marcelo em Belém, e serão "favas contadas" com os candidatos que se perfilam à esquerda, Portugal terá certamente uma troika de coisas profundamente distinta das que hoje balizam o mandato do sr.  silva, nos seus traços provincianos, sem humor, lúgubre e pavoroso, revelando desprezo pela cultura e as artes e uma previsibilidade enjoativa, além do parti pris lamentável em andar com o Governo de Passos e Portas ao colo nestes últimos 4 anos, apoucando os portugueses - que seria suposto representar e incumprindo a Constituição da República Portuguesa, de que deveria ser o garante e o fiel intérprete. 

Por contraste, Marcelo poderá oferecer aos portugueses um outro quadro comportamental, caso venha a ser eleito o novo PR em Janeiro próximo: 1) atenção à cultura; 2) algum humor na política; 3) imprevisibilidade nas atitudes e nos comportamentos. E muita, muita intriga política...

Seria desejável, e sabendo-se a sua orientação política, que Marcelo uma vez em Belém assumisse o triste papel de se converter no presidente dos laranjinhas, mera correia de transmissão da Lapa, em lugar de representar o conjunto dos portugueses que, porventura, nele votarão. 

Goste-se ou não de Marcelo, vote-se nele ou não, creio que chegou a sua hora. 

Uma hora e uma infalibilidade que só poderiam ser reversíveis a favor da esquerda caso o PS conseguisse empreender o 4º milagre de Fátima, convencendo o engº António Guterres a abraçar a causa da política portuguesa com o foco em Belém, que ele abandonou - sob o cunho do "pântano" - quando deixou o cargo de PM, na sequência da derrota das eleições autárquicas, em 2002. 
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"Tinha de fazer uma escolha", justifica o mais recente candidato às eleições presidenciais.
Aos 66 anos, Marcelo Rebelo de Sousa ponderou entre "romper com posições estáveis e sedutoras nesta fase da vida" ou "pagar ao país" o que recebeu em "educação, saúde, oportunidades de vida", entre outras experiências políticas e na comunicação social.
"É tempo de pagar esta dívida moral", disse Marcelo acrescentando que "de outro modo sentiria remorso por falhar por omissão".
O social democrata concorre a Presidente da República "com desprendimento" e garantindo que "o serviço público é de todos o mais importante".
Pretendendo "construir pontes", Marcelo promete fazer uma campanha "com independência, sentido nacional, espírito de convergência e afeto".
No arranque desta "caminhada feita por Portugal", Marcelo garante: "Não podem dizer que fugi e me escondi atrás das minhas conveniências".
A candidatura foi apresentada na biblioteca municipal de Celorico de Basto, local onde o comentador e professor universitário está recenseado.
O professor que liderou o PSD
Com 66 anos, dois filhos e cinco netos, Marcelo Rebelo de Sousa nasceu em Lisboa a 12 de dezembro de 1948, filho de um médico e de uma assistente social.
A primeira escola que frequentou foi o Lar da Criança, para onde entrou com apenas ano e meio e teve como colega o cirurgião Alfredo Barroso. Dali, Marcelo saiu para o Liceu Pedro Nunes, onde foi o melhor aluno. Já na Faculdade de Direito de Lisboa continuou o percurso de aluno brilhante, terminando o curso com 19 valores.
Mas, ao contrário de muitos outros, não foi na faculdade que teve o primeiro contacto com a política. Marcelo Rebelo de Sousa nasceu e cresceu no meio dela e conviveu desde cedo com a família do então primeiro-ministro do Estado Novo, Marcello Caetano, devido ao envolvimento político do pai, Baltazar Rebelo de Sousa, que chegou a ser ministro das Corporações e do Ultramar.
O seu percurso no PSD também começou cedo. Militante desde 1974, ficou responsável pela implementação do então PPD no sul do país. Vinte anos depois, em 1996, no pós-cavaquismo, chegou à liderança do partido, cargo que ocupou durante três anos, saindo depois do fracasso da tentativa de reeditar a Aliança Democrática, com Paulo Portas no CDS-PP.
A sua ascensão à presidência do PSD ficou para sempre marcada por uma frase que até hoje 'persegue' Marcelo Rebelo de Sousa. Pouco tempo antes do congresso de Santa Maria da Feira, quando questionado se algum dia seria candidato à liderança do partido, o 'professor' foi perentório: "Nem que cristo desça à terra".
Antes, em 1989, o agora candidato presidencial disputou as suas primeiras eleições como número um da lista do PSD e do CDS-PP à Câmara de Lisboa. É nessa campanha eleitoral que protagonizou um episódio até hoje recordado. Confrontado com alguma falta de notoriedade, Marcelo decide fazer alguma coisa de diferente e mergulha no Tejo em frente às câmaras de televisão para mostrar como o rio estava poluído. O gesto deu que falar, mas nem por isso lhe valeu a vitória.
Mas, além da liderança do partido e da experiência autárquica, não só em Lisboa, como em Cascais e Celorico de Basto, os 'corredores do poder' são bem conhecidos de Marcelo Rebelo de Sousa que foi deputado à Assembleia Constituinte, secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros do VIII Governo Constitucional, vice-presidente do Partido Popular Europeu entre 1997 e 1999 e membro do Conselho de Estado há quase 10 anos.
Profissionalmente, além da longa carreira como professor catedrático, não só na Faculdade de Direito de Lisboa, mas também na Universidade Católica, Marcelo Rebelo de Sousa passou também pelo Expresso, nos tempos iniciais do semanário fundado pelo militante número um do PSD, Francisco Pinto Balsemão.
Dessa altura vem também outro episódio caricato, quando foi publicada na secção 'Gente' do semanário, no meio de um texto, uma frase da autoria de Marcelo fora de qualquer contexto: "O Balsemão é 'lelé' da cuca".
Mais tarde, a relação entre os dois volta a sofrer novo abalo, quando Marcelo estava à frente do Expresso e Balsemão liderava o Governo, com os mais duros ataques ao executivo a surgirem precisamente naquele semanário.
Paulo Portas foi outro dos alvos das 'brincadeiras' de Marcelo, quando o atual líder do CDS-PP dirigia o semanário Independente. À saída de uma reunião com o então Presidente da República Mário Soares, Marcelo terá contado a Paulo Portas que tinha sido servida uma 'vichyssoise', uma informação que posteriormente se veio a confirmar ser falsa e que, anos mais tarde, começou a ser usada como exemplo de que Marcelo seria uma pessoa pouco fiável.
Essa é, aliás, uma das críticas mais repetidas à sua personalidade, a par de ser uma pessoa instável e demasiado imprevisível.
Simultaneamente todos o reconhecem como uma pessoa de grande inteligência, simpático, divertido, emotivo e um verdadeiro estratega político.
Agora, chegou a hora do professor que dava 'notas' aos políticos ser 'avaliado' nas urnas para tentar chegar ao cargo que muitos dizem ambicionar há vários anos.
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