quinta-feira

Quem tramou Roger Rabbit? - questiona consistentemente Carlos Matos Gomes -




Parece-me evidente que o escarcéu à volta dos 5000 euros da Tecnoforma pagos a Passos Coelho e da exclusividade dele na Assembleia tem a intenção de o tramar politicamente.

É ingenuidade a mais acreditar que somos um povo cujas elites se levantam em clamor por causa de um ministro, primeiro, segundo ou terceiro não ter declarado uns dinheiros por fora e ter recebido outros de legalidade duvidosa. 

Haverá quem esteja sinceramente escandalizado, mas não foram esses que lançaram esta campanha.

Desculpem, mas o interessante, neste caso, seria saber quem “bufou” o caso para o Público. É óbvio que o Público, tal como outros jornais a propósito dos projectos de construção civil de Sócrates, ou do diploma de engenheiro civil depois de ser engenheiro técnico, ou das escutas de Belém não investigou nada. Limitou-se a receber uma denúncia que pode ser, ou ter sido anónima, ou não. Há agentes informadores avençados!

Seria fácil chegar perto da origem sem necessidade do talento de um detective de olho mágico. Tudo começou, como se sabe, com a notícia de que PCoelho recebera o equivalente a 5000 euros durante os anos em que esteve na Tecnoforma e que não os declarou ao fisco. Só uma entidade sabia desse pagamento: o procurador do Ministério Público que investiga a Tecnoforma e os seus inspectores da Judiciária. Só uma entidade sabia que P.Coelho não declarara o dinheiro para pagamento de impostos, a Autoridade Tributária. 

O pontapé de saída para este caso sai daqui: ou da equipa do MP que investiga a Tecnoforma, ou a da AT. O procurador do MP já foi transferido. Parece-me bem. É o principal responsável e é suspeito. Devia estar sujeito a um processo de averiguações.

Também julgo ser relativamente fácil chegar a quem transmitiu a informação fiscal. O acesso aos processos e às bases de dados são controlados, julgo, e ficam registados. 

Para mim, mais importante do que saber se P Coelho recebeu e não declarou, declarou mas não o que devia, era e é saber quem no MP, ou na AT trai os seus deveres enquanto funcionário do Estado, ao serviço de quem está, o que pretende. É importante para o caso de P Coelho, como era para o caso de Sócrates – o que muitos hoje esquecem. 

Sinceramente, prefiro ter como chefe de governo um homem comum, capaz de pequenas trafulhices, mas eleito e escrutinável, do que ter magistrados, polícias, funcionários na sombra a manipularem em proveito não sei de quem. Incluindo de interesses estrangeiros ou de grupos financeiros. Derrubar por processos ínvios um primeiro-ministro, tal como aconteceu com Sócrates, nunca é um acto desinteressado, nem para o bem da pátria. Fazer coro também não me parece prudente. Enquanto cidadão não fico satisfeito por estar a acontecer a PCoelho o que ele, se não aplaudiu, nunca criticou quando aconteceu a outros, a Sócrates, nomeadamente.

Depois há o aspeto de higiene política, de processos políticos: tivemos um regime de bufaria, de delação durante mais de 40 anos, de funcionários corruptos, de pides, legionários que vendiam informações. Não me regozijo por os ver de volta, venais e rafeiros, pior ainda se integrados em organizações e instituições que devem ser respeitáveis, como é o caso da magistratura, da polícia judiciária, da autoridade tributária.

Quero com isto dizer que os funcionários e os magistrados não devem cumprir os seus deveres de comunicarem crimes e infracções de responsáveis políticos sempre que deles tenham conhecimento? Muito pelo contrário, quer dizer que não o devem fazer para proveito próprio ou ao serviço de mandantes encobertos. Quero com isto dizer que repudio a balcanização da justiça e a falta de princípios dos que defendem que a falta de princípios é uma coisa boa quando a nosso favor e condenável quando ao serviço dos adversários.

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Obs: Envie-se uma xerox do dr. Relvas para conhecer a sua opinião ou reacção...

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