quinta-feira

A Tecnoforma e o paradoxo do burro de Buridan






O Portugal romântico vive um momento realista. Romântico pela visão, realista pela necessidade dramática na luta contra os problemas e conflitos que temos pela frente. Portugal mais parece um tubo de ensaio político romanceado em que há duas figuras centrais: Passos Coelho (deputado e "abre-portas" na Tecnoforma); e o Passos Coelho, o alegado PM desta República das bananas... 

Recordo que o paradoxo do burro de Buridan consiste em colocar o burro, com fome e equidistante entre um fardo de palha e um balde d´água, e o animal, porque não sabe qual dos dois bens deve consumir primeiro, acaba por morrer por indecisão estratégica.

Análoga é a posição de Passos Coelho, ao tentar explicar a quadratura do círculo em que ele próprio se colocou, ao declarar ser deputado em regime de exclusividade e, simultaneamente, receber dinheiro duma empresa para a qual (alegadamente) trabalhava - sem que o pudesse fazer por lei. E, presume-se, sem a devida declaração em sede de IRS.

Seja como for, e mesmo que os esclarecimentos sejam sofríveis a questão remete para a esfera ético-moral, o que significa que Coelho é já um pássaro ferido. Pode voar mais 200 ou 300 metros, mas acabará por ir morrer à praia - enfeitado com o paradoxo filosófico do burro de Buridan. 

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PS: Foi sintomático (e lamentável) ver hoje o ajudante do Desenvolvimento Regional, cujo nome não recordo, vir anunciar que os fundos comunitários serão todos aplicados, pelo que não haverá devoluções a Bruxelas. Tudo serviu para apagar o incêndio da Tecnoforma. Os dinheiros públicos (e comunitários) desta desgraçada República servem para remover ou ocultar tanto lixo, até para tentar tapar o sol com a peneira aos portugueses que há muito perceberam o que se passou...

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