segunda-feira

Notas Soltas - por António Vitorino - e a análise da situação do psd

Até António Vitorino, como se pode constatar, ficou surpreendido com a demissão abrupta de Meneses, talvez com o fito de "empurrar" aqueles que internamente o têm criticado neste último semestre de não-liderança do psd de Gaia. Deixando apenas um breve mês de preparação das directas aos seus mais directos críticos, Meneses (que tem a máquina do partido na mão) também não está a dar grande folga aos seus críticos: Aguiar Branco, Pacheco Pereira, António Borges e tutti quanti...
Em todo o caso, recordamos aqui aquilo que AV referiu em relação à durabilidade da liderança de Meneses - cujo diagnóstico aquele vaticinou duraria até ao Verão de 2008. Nesta óptica, António Vitorino falhou apenas em 60 dias...
Quanto a Marcelo Rebelo de Sousa - todos nós percebemos que está a pensar em Belém, o cadeirão de S. Bento dá imensas dores de cabeça. Mas até lá ainda terá de fazer mais comentário político e deixar Cavaco concluir este mandato e repetir o segundo, como é da praxe constitucional em Portugal.
Quanto às lideranças que ora se perfilam no PSD convinha, de facto, que a ruptura com o passado se fizesse por Pedro Passos Coelho (PPC), e não - digo eu - pelas velharias obsecadas pelo défice enfeudadas ao cavaquismo, que é exactamente aquilo que Manuela ferreira leite representa, além de ser madrinha do António Preto: o homem da mala e das cartas de condução. Até me admira como é que o seu nome ainda não foi ventilado (para tesoureiro do partido...), dada a apetência daquele para essas questões mais tili-tin-tante$.
Se assim for, i.é, se o partido escolher PPC - que não é uma herança de Cavaco ou um seu subproduto (como manela ferreira leite), tal representaria aquilo que Sócrates fez quando assumiu a liderança do PS - e rompeu com a tradição do legado dos pais fundadores do partido do Largo do Rato. Por mim, confesso que esta é, de longe, a melhor das opções neste momento que se oferece ao psd. Desde que, claro está, PPC não enverede pela linha populista que foi o que, como defendeu AV - fez com que Meneses nunca deixasse de ser um líder contestado.
Mas a boa nova da semana não decorre do circo mediático que se vive nas estreitas ruas da Lapa, mas sim da assinatura do Tratado de Lisboa na AR. Portugal será o 9º país a aprovar o tratado que, em rigor, pouco tem de neoliberal, e até consigna na sua letra (e esprit) a formulação de uma economia social de mercado, proclama a formulação keynesiana do pleno emprego e a criação de serviços públicos que, em rigor, converte este Tratado de Lisboa numa alavanca de coesão social entre os 27 países da UE.
Embora alguns poetas - patetas - alegres - em busca de palco e de eco da sua alta-vox tonitroante confundam as medidas, e onde se lê economia social de mercado certas pessoas só vejam os perigos, os riscos e as ameças da globalização predatória.
Como se fosse o Tratado - e não a práxis política diária dos governos dos Estados, das empresas e das atitudes das pessoas - no exercício da sua cidadania - aquilo que verdadeira conta.
No momento em que escrevemos, e à luz da velocidade em que as notícias fluem, pergunto-me se o Zeca Mendonça não decidiu (também) apresentar-se à liderança do partido da Lapa... Quem diz Zeca diz, igualmente, o putativo presidente da Junta de Freguesia da Marmeleira (Pacheco Pereira) - no dizer do líder cessante...