segunda-feira

Da luz, da velocidade e da história sem estória. Da não memória

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Talvez seja por causa da imposição do tempo mundial, como tempo presente único, que perdeu relevância o passado e o futuro, tal como eram intuídos há uns anos. 

- Talvez tenha sido pelo recurso à luz, e à sua velocidade, que acabámos por diluir a barreira do tempo real, e, com ela, à liquidação da noção de espaço-mundo e do tempo histórico que lhe andava associado. 

- O facto de recorrermos à constante cosmologia - assente nos duzentos mil quilómetros por segundo - que chegamos à noção de história sem estória e de um mundo sem mundo, ou de uma Terra reduzida à imediaticidade, instantaneidade e ubiquidade, ou seja, a um tempo privado de tempo, sem história, pois tudo rola à velocidade da luz que passa instantaneamente. 

- Paul Virilio, um pensador da velocidade do nosso tempo, estudou e debateu esta questão da compressão do tempo nas nossas vidas, e, nós, homens deste nosso tempo, estamos hoje confrontados com essa ausência de mundo e falta de geografia, de tempo e de memória. No limite, também falta de identidade, pois quase tudo o que fazemos beneficia quer um outro mundo, quer ainda um outro tempo - em ambos os casos incontroláveis por nós.

- Talvez toda esta velocidade da ordem do tempo - nos faça interrogar quem somos, quais as nossas limitações, e para que, afinal, precisamos de tanta velocidade. Como se estivéssemos em constante aceleração, no limite do cosmológico, nos tais duzentos mil quilómetros por segundo, "fabricando" acontecimentos para os quais nem somos autores nem beneficiários.

- Afinal, para que queremos fazer parte deste império do milagre da velocidade, suportado no live, na imediaticidade, na ubiquidade - como se fossemos pequenos deuses reinando na Terra - quando, depois, somos incapazes de fazer com que os comboios cheguem a tempo ao destino. 

-Talvez tudo isto seja uma subversão do funcionamento da democracia, e nos estejamos todos a perfilar para ingressar nesta tirania da velocidade, da cronopolítica e, com ela, no abandono da terra, do território e da ainda maior negação do interior que está cada vez mais despovoado. 

- Talvez seja velocidade a mais... E por causa disso tendemos a desintegrar-nos neste tempo sem tempo, sem geografia, sem memória, sem...

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