quarta-feira

Ana Sofia Antunes é a primeira secretária de Estado cega

Nota prévia: Esta nomeação, no plano simbólico, revela uma profunda abertura à diferença, procurando incluir na sociedade as pessoas com limitações na sua mobilidade. E, como sabemos, quer Lisboa quer as demais cidades do país - estão longe de serem "amigas" das pessoas com deficiência. Pelo que esta nomeação pode ser mais, muito mais do que uma mera medida simbólica, mas representar uma profunda decisão de carácter político com vista a adaptar os acessos das nossas cidades e infra-estruturas às pessoas com limitação na sua mobilidade.

Por outro lado, desejaria aqui corrigir uma expressão utilizada abaixo (que sinalizei a vermelho): as pessoas "não se formam em advocacia", formam-se em Direito e depois podem - ou não - exercer a advocacia.

Por vezes, a maior cegueira é aquela que decorre da nossa ignorância...
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A jurista Ana Sofia Antunes, presidente da ACAPO, concorre pelo círculo de Lisboa nas listas do PS

ALBERTO FRIAS


Durante o último período de campanha eleitoral, a imprensa anunciou que as legislativas trariam à Assembleia da República, pela primeira vez, uma deputada cega. Apesar de se encontrar numa posição elegível na lista socialista para o círculo de Lisboa, Ana Sofia Antunes ficou a um lugar de entrar no Parlamento, mas com o novo Governo de António Costa consegue fazer História: é a primeira secretária de Estado cega.
A nova responsável para a Inclusão de Pessoas com Deficiência tem 34 anos, é formada em advocacia e trabalhou durante vários anos na Câmara de Lisboa. Ana Sofia Antunes assessorou o vereador da Mobilidade na autarquia, Nunes da Silva, e também foi lá que exerceu funções de assessoria jurídica. Atualmente, a socialista preside à Associação dos Cegos e Amblíopes e é provedora do cliente na EMEL (Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa).
O convite de António Costa para integrar a lista de candidatos ao Parlamento pelo círculo de Lisboa foi “agridoce”, revelou a agora secretária de Estado numa entrevista concedida ao “Diário de Notícias” em agosto passado. “É um momento de alegria, mas também de tristeza: porque é que isto só está a acontecer em Portugal agora?”, defendeu, considerando o atraso de Portugal nestas matérias “constrangedor”.
Na mesma entrevista, Ana Sofia Antunes explicava também que o lugar que ambicionava conseguir na bancada parlamentar socialista serviria para chamar a atenção para os obstáculos que as pessoas com deficiência enfrentam, causa que poderá abraçar a partir desta quinta-feira, como secretária de Estado para a Inclusão de Pessoas com Deficiência. “Não faria sentido nenhum, tendo esta oportunidade, não constituir como minha principal prioridade o trabalho em prol das pessoas com deficiência”, esclareceu, na altura.
O trabalho que Ana Sofia Antunes desenvolveu na Câmara de Lisboa - o seu plano de acessibilidade pedonal para a capital teve grandes apoios por parte de António Costa - e a sua posição no que toca à representação de pessoas com deficiência podem ser trunfos para a nova legislatura. É que a nova secretária de Estado não considera que a sua cor partidária seja “relevante” para alcançar os objetivos: “As pessoas sentem-se representadas por uma pessoa com deficiência, independentemente da bancada”.
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