terça-feira

A quadratura do círculo no Portugal político. Agora só falta governar




1. António Costa é, de facto, o grande vencedor desta sua elevação - de trajecto problemático - a PM.

- Vejamos: perdeu as eleições legislativas de 4 de Outubro, mas renasceu das cinzas, qual Fénix renascida e negociou com as esquerdas um programa comum de governo, abatendo 40 anos de "muro de Berlim" ideológico entre o PS e o PCP; o BE deu o mote e compôs o ramalhete nessa festa a três. Mas o azedume da vitória de A.Costa estende-se a Tó Zé Seguro, que fica ainda mais afastado dum eventual regresso à liderança do PS, e ao acto de contrição que Cavaco, ainda PR, teve de fazer para engolir um sapo do tamanho do mundo e, de caminho, empurrar borda-fora os seus amiguinhos da direita ultra-liberal que escavacaram Portugal desde 2011. Os sentimentos de Pedro e Paulo por A. Costa são tão previsíveis quanto viscerais. Nem valerá a pena descrevê-los. Estão estampados nos rostos e nos esgares de Pedro e Paulo...

Com a sua indigitação, Cavaco matou-se politicamente. Curiosamente, foi o PR que o indigitou, a custo, mas será, doravante, a criatura quem irá defenestrar o Criador. Cavaco já era, e começou hoje o seu rápido caminho para o cemitério do esquecimento da memória dos portugueses, que atazanou durante décadas. Primeiro, como PM, de cujos fundos comunitários beneficiou quase ilimitadamente; depois, como PR, representando um papel subversor da CRP, abusando dos seus poderes, violando a Constituição, sendo parcial e sectário no tratamento com os partidos políticos, e amparando uns (Pàf) contra outros (esquerdas). Cavaco não foi um árbitro, foi um chefe de tribo com condutas primárias, vingativas e nada edificantes para o interesse nacional, que sempre confundiu com a sua carreira política e as suas mesquinhas e desmedidas ambições pessoais. 

2. O BE e o PCP também são vencedores, estão agora no 1º balcão do teatro-revista à portuguesa a mandar bitaites para o novel Executivo, e podem interferir nele a partir de fora, sem nunca serem responsabilizados directa e pessoalmente, como se integrassem o governo. Catarina e Jerónimo serão, doravante, os polícias de A.Costa - que já não andará na auto-estrada à vontade.

3. Marcelo Rebelo de Sousa já felicitou o seu ex-aluno, A.Costa e está radiante. Pisca o olho à esquerda e à direita, despreza diplomaticamente Passos e Portas, de quem não precisa para se fazer eleger, e procura fazer o pleno socioeleitoral e, ao mesmo tempo, não se deixar enredar nas pressões em que a Pàf e os media o pretendem envolver, perguntando-lhe o que faria se fosse PR: dissolveria ou não o Parlamento? Ora, é bom lembrar que Marcelo é só candidato, por enquanto ainda não ocupou o cadeirão do Palácio Rosa. Mas o que é curioso nesta relação política cínica de Marcelo com a sua própria área sociológica, o PSD, é constatar que ele foi preterido por Passos na definição do perfil para PR. Houve até um congresso, em 2014, em que Passos agendou essa questão, e disse que o PSD não apoiaria um "cata-vento" mediático para Belém; doravante, Marcelo só se pode rir de toda essa tragédia que se abateu sobre a dupla de meliantes, corridos do poder pela dita extrema-esquerda: BE e PCP, considerados partidos anti-sistema, apenas com uma função tribunícia e nunca partidos com vocação de poder, como ora se confirma com a não integração de membros desses partidos no elenco governamental de A.Costa.

Enfim, começa agora o calvário do PS e de A.Costa em particular. Mas ter corrido com o PM mais impreparado do pós-25A em Portugal, já foi uma tremenda vitória dos portugueses. Nessa jogada, arrumar na prateleira o próprio Cavaco, o porta-voz de Passos, foi uma glória.

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