segunda-feira

Portugal esquizofrénico


Grosso modo, Portugal ficou metade laranja metade vermelho, ainda que a situação (Governo) tenha ganho à oposição (PS) - que terá  agora uma vida difícil com uma liderança em processo de estabilização (se não for desafiada internamente); o BE, é a grande revelação, derrotou o seu velho rival programático e ideológico, o PCP. 

A outra novidade é que o PSD e o CDS juntos já não dispõem do laranjal sozinhos, terão, doravante, de facilitar que outros partidos também colham as laranjas que são dos portugueses, por direito.

Esta situação leva o PR a empossar um governo PSD-CDS, mas como esta coligação oportunista não tem programa, e os portugueses não querem mais esta austeridade sem nome e sem resultados, temos, assim, um país profundamente dividido em razão das divergências em matéria de educação, saúde, segurança social, privatizações e o mais. 

Creio, pois, que o resultado eleitoral de hoje veio trazer  mais sofrimento aos portugueses, já que todas aquelas opções de políticas públicas cavaram um fosso entre a coligação e as oposições, e é isso que divide dramaticamente o país em dois. E é essa desorganização que pode conduzir o país a um sintoma mais depressivo que encaminhe a economia para uma depressão ainda maior do que aquela que hoje vive. 

Perante tal divisão, como será assegurada a governabilidade de Portugal nos próximos quatro anos, perdão, dois (!?)...

Pois este governo, com a mudança de PR em Janeiro, poderá ser investido da legalidade de governar, mas não terá a legitimidade política necessária para fazer as reformas que a coligação em 4 anos jamais conseguiu empreender.

Daqui resulta a ideia dum país amargurado, dividido, alucinado, desorganizado, em suma, esquizofrénico. Um povo que, conhecendo o mentiroso e o impreparado, não hesitou um minuto em o eleger de novo.

Pergunto-me que nome tem um povo com esta psicopatologia?!


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