domingo

Já falta pouco - por Paulo Baldaia -

Nota prévia: Paulo Baldaia, de forma previsível, desenha aqui o destino de A.Costa,  ainda que sublinhando os escolhos que o PS terá pela frente com a agravante de ter de identificar quem, à  esquerda, lhe dará a mão para formar a maioria parlamentar necessária à governação (socialista) estável.Tudo em aberto, portanto...


por PAULO BALDAIAHoje
A grande política que supera em energia gasta o trabalho ideológico - em que o que importa é a marcação cerrada que a coligação fez ao PS com as garantias e as fintas do PS à maioria com o programa antecipado na internet - acabou eclipsada pela mais irracional das coisas que contam na vida das pessoas: o futebol. Religiosamente, os milhões de benfiquistas e de sportinguistas fizeram jejum da política para se dedicar em exclusivo à traição de Jesus. Nada é mais sério para quem vê o seu profeta fazer a via-sacra da Segunda Circular, trocando o vermelho pelo verde. Descontando esta suprema ironia, a verdade é que há na coligação quem saiba bem o que é marketing político.
Com um PS que pareceu muitas vezes parado no tempo, julgando que ainda resulta prometer o fontanário em Alguidares de Baixo e as rotundas em Alguidares de Cima, a coligação aposta na mais simples das mensagens. PSD e CDS procuram ter espaço para ainda lutar pela vitória, garantindo que com eles o país não voltará a passar por uma crise e o oferecendo uma cláusula constitucional que impede os governos de aumentar a dívida. A maioria, que aposta tudo em marcar a diferença com o que considera ser a irresponsabilidade socialista, lança a casca de banana e o PS escorrega feliz, recusando qualquer limite constitucional ao que os governos podem fazer com o dinheiro futuro dos portugueses. Assim trabalha para o marketing da coligação que apenas nos quer convencer de que o PS vai de novo fazer derrapar a despesa pública, o défice e a dívida.
O PS já não tem muito tempo para mostrar que é de facto diferente, diferente para lá das propostas avulso, como a descida da TSU que se limita a prometer um pouquinho mais de crescimento económico, por via do consumo privado. O que está em jogo nestas eleições é uma ideia de país. Sabemos o que quer a coligação, precisamos de saber em que é o PS é verdadeiramente de esquerda e em que é que isso se reflecte num país que precisa urgentemente de mais justiça social. Ontem, António Costa ensaiou um bom discurso sobre o emprego que considera ser a causa das causas. Só precisa de ser afinado para não ficar perdido entre os fontanários.
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