terça-feira

Uma bala na têmpora, nenhuma carta e uma grande interrogação: coincidência?


Uma bala na têmpora, nenhuma carta e uma grande interrogação: coincidência?

Encontrado morto na madrugada desta segunda-feira, o procurador argentino Alberto Nisman acusou a presidente Kirchner de participar num "sofisticado" plano para ilibar o Irão de um atentado ocorrido em Buenos Aires na década de 90. Morreu apenas algumas horas antes de ir apresentar provas.
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Aparato policial à porta do edifício onde residia o procurador. Resultados da autópsia deverão ser revelados em breve
Aparato policial à porta do edifício onde residia o procurador. Resultados da autópsia deverão ser revelados em breve /  MARCOS
BRINDICCI/ REUTERS "Posso acabar morto." A especulação, que agora se tornou certeza, foi pronunciada ao jornal "Clarín", no
sábado, por Alberto Nisman. O procurador argentino fou encontrado sem vida esta madrugada, na sua casa em Buenos Aires. 
Segundo o próprio, recebeu várias ameaças desde que acusou a presidente Cristina Kichner de encobrir os responsáveis por 
um atentado à sede de uma associação judaica em 1994.

"Posso acabar morto." A especulação, que agora se tornou certeza, foi pronunciada ao jornal "Clarín", no sábado,
por Alberto Nisman. O procurador argentino fou encontrado sem vida esta madrugada, na sua casa em Buenos 
Aires. Segundo o próprio, recebeu várias ameaças desde que acusou a presidente Cristina Kichner de encobrir os
responsáveis por um atentado à sede de uma associação judaica em 1994.
O corpo de Nisman, de 51 anos, foi descoberto no chão da casa de banho. Junto ao corpo estava uma arma de
calibre .22 e uma cápsula de bala. Os resultados preliminares da autópsia revelam que o procurador morreu 
vitimado apenas por um disparo, que lhe atingiu a têmpora, adiantam os jornais argentinos nas notícias de última
hora, mas as conclusões só serão anunciadas mais tarde.
Às vozes que falam em suicídio, a procuradora Viviana Fein, responsável pela investigação, recomenda "cautela".
De acordo com os dados disponíveis, acrescentou a procuradora esta segunda-feira de manhã, a morte 
aconteceu "antes do jantar", não sendo possível esclarecer se a arma tinha silenciador. Junto ao corpo "não foi
encontrada nenhuma carta", disse ainda. "É algo muito grave e trata-se da morte de um colega, pelo que vos
peço um pouco de respeito e que me deixem trabalhar", concluiu, dirigindo-se aos jornalistas.
O caso está a abalar a Argentina. Esta segunda-feira era precisamente a data em que o procurador se ia 
apresentar no Congresso para explicar a acusação feita à presidente do país, mas também ao chanceler Héctor
Timerman, ao deputado Andrés "Cuervo" Larroque e aos dirigentes políticos Luis D'Elía e Fernando Esteche, 
entre outras personalidades. Além disso, o procurador pediu um embargo sobre os bens dos acusados, no valor
total de 200 milhões de dólares (cerca de 173 milhões de euros).
A moeda de troca

Como em qualquer trama policial, o caso tem todos os ingredientes para alimentar teorias da conspiração. 
Segundo as autoridades, a protecção pessoal de Nisman era assegurada por dez agentes policiais e foram estes
que deram o alerta durante a tarde de domingo "devido à falta de resposta aos insistentes telefonemas". "Ao 
constatar que o procurador também não respondia à campainha da casa e que o jornal de domingo permanecia no
corredor, decidiram avisar os familiares", refere o comunicado oficial.
A mãe de Nisman acabou por se deslocar ao edifício da zona nobre de Buenos Aires. Encontrou o apartamento
trancado por dentro, sem sinais de a porta ter sido forçada, mas com a chave colocada no interior, pelo que foi 
necessário pedir ajuda para entrar.
O desaparecimento do procurador Alberto Nisman deixa, para já, por esclarecer a acusação contra Kirchner. Que
é grave. Em causa está um suposto plano para encobrir o envolvimento do Irão no atentado contra a Associação
Mutual Israelita Argentina (Amia), que fez 85 mortos e 300 feridos há 20 anos. É que, por muito que o Governo
tenha negado a denúncia do procurador, que classificou como "falsa" e "vil", a suspeita ficou irremediavelmente no
ar.
"A presidente e o seu chanceler tomaram a criminosa decisão de fabricar a inocência do Irão, para saciar
interesses da República da Argentina", acusou Nisman. E a forma escolhida, acrescentou, foi negociar com 
Teerão "um sofisticado plano" para ilibar os participantes no atentado. A moeda de troca seria a Argentina exportar
 cereais para o Irão, recebendo petróleo.
Nisman deixa duas filhas, a quem, segundo o jornal "Clarín", já tinha preparado para as "coisas terríveis" que iam
"seguramente" ouvir a seu respeito
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Obs: Estranhas coincidências. Latinas, muito latinas...
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