quarta-feira

Os cubanos continuam à espera. O (des)bloqueio do orgulho ferido


Os cubanos continuam à espera


Os primeiros encontros entre as delegações norte-americana e cubana têm início esta quarta-feira. Marcam o virar de uma página na relação entre os dois países, mas há quem pense que os efeitos no dia a dia da ilha serão reduzidos. É o caso de Marco Sans, um cubano que teve de deixar a sua família para trás e abandonar o seu país, "para não apodrecer lá". O Expresso conta a sua história.



Alexandre Meneghini/Reuters Havana. Dois homens jogam xadrez num passeio, na capital cubana. As relações sociais em Cuba são de proximidade, como explica Marcos: “Os cubanos sentem que são todos família.”
Uma grande maioria reagiu com alegria e esperança; uma percentagem menor com sentimento de derrota e até de traição; e outros tantos com poucas expectativas a respeito do que esta decisão pode trazer para as suas vidas". Foi assim que os cubanos reagiram à notícia que anunciava o retomar das relações diplomáticas entre Cuba e os EUA. Pelo menos é esta a avaliação de Leonardo Padura, escritor cubano, um mês depois do anúncio dos presidentes Barack Obama e Raúl Castro sobre a normalização das relações entre os dois países.
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Obs: Mais do que a ideologia, as lideranças ou os programas políticos dos dois Estados em - guerra civil surda - há mais de meio século - era o orgulho ferido - de parte a parte - que bloqueava o retomar das relações politico-diplomáticas entre os EUA e Cuba. 

Sucede, porém, que o orgulho ferido de milhões de cubanos e de norte-americanos, que também foram humilhados na Baía dos Porcos, que resultou duma tentativa de invasão gorada por parte de 1200 exilados cubanos (nos EUA) ligados ao antigo regime liderado pelo homem de mão dos EUA (Fulgêncio Batista) - vale hoje menos do que a promessa de um futuro livre, democrático e próspero para milhões de cubanos e de norte-americanos que estão ansiosos por retomar as relações económicas, diplomáticas, políticas, culturais de doutra natureza que hoje deve guiar o mundo democrático e civilizado. 

Segue uma imagem da Baía dos Porcos onde ocorreu a tentativa de invasão falhada, em 1961, em plena era Kennedy e que redundou num tremendo falhando da sua Administração e num estreitar de ligações de Cuba à então poderosa ex-URSS - que alimentou ainda mais o clima de guerra fria, a que se seguiu a crise dos mísseis...

O passado só é importante para que se evite replicar os mesmos erros no futuro. Mas o futuro do futuro - está agora aberto para estes dois povos, estados e sociedades, não obstante as brutais diferenças entre ambos os países - separados por 180 km entre a Florida e Cuba. Uma distância que até se percorre a nado...


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