terça-feira

A estratégia - por Luís Meneses Leitão




Hoje parece claro que o avanço de António Costa contra António José Seguro, logo após este ter ganho as eleições europeias, correspondia a uma estratégia de José Sócrates de avançar para as presidenciais. Na verdade, se Seguro nunca lhe daria essa oportunidade, é manifesto que António Costa o faria. Era preciso, por isso, que Seguro fosse derrubado para que passasse a haver outra vez um PS dominado pelos socráticos. Com o desastre da gestão deste governo, esse PS já tinha as legislativas praticamente ganhas, pelo que o essencial passaria a ser fazer eleger Sócrates para Belém. Com os apoiantes que tem no PS, a partir de Belém, Sócrates poderia afirmar-se como o verdadeiro líder do próximo governo, numa solução à francesa em que António Costa, primeiro-ministro, seria um mero executor da política do Presidente Sócrates.
Esta estratégia sofreu um forte revés com a prisão de José Sócrates. António Costa ordenou aos militantes que pusessem o PS fora desta questão e ele próprio apenas foi visitar Sócrates no último dia do ano. Porém, a começar por Mário Soares, os militantes não lhe obedeceram, estando a haver uma autêntica romaria à prisão de Évora, mostrando que, para muitos socialistas, Sócrates continua a ser o verdadeiro líder do PS. Parece, por isso, ilusório pensar que o PS pode ficar afastado de José Sócrates, até porque já se viu que qualquer mensagem deste tem muito mais impacto público que mil intervenções de António Costa. E, como ele diz, este processo só agora começou.


Professor da Faculdade de Direito de Lisboa


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Obs: Esta análise parece-me estruturalmente errada nos seus pressupostos, pois considera que António Costa assaltou o PS para apear Seguro e, desse modo, o novel PS de A.Costa escolher Sócrates como candidato a Belém, algo que jamais aconteceria com Seguro na liderança do PS e como candidato a PM. Tese fantástica.

Tamanha idiotice que se afasta, aliás, das análises razoáveis e inteligentes de Meneses leitão que aqui habitualmente republicamos.

Idiotice porque a análise não contempla o principal factor que destrona os seus fundamentos e que se chama António Guterres, o elemento mais perturbador da esquerda e da direita política em Portugal em matéria presidencial. Nem Sócrates teria esse perfil nem o povo português, ainda a "quente", lhe passaria esse cheque em branco porque, segundo Meneses leitão, A.Costa queria e passaria a ser uma espécie de seu executor no governo.

Meneses leitão revela aqui várias fragilidades na sua análise: não conhece verdadeiramente António Costa, pois se conhecesse não o secundarizaria a Belém, qualquer que fosse o PR em funções, e também não transfiguraria o sistema semipresidencialista num sistema presidencialista à francesa em que cabe ao PR governar. 

Onde é que, nesta "estratégia" o fiscalista da Faculdade de direito arruma o engº Guterres?! Ou ainda julga, com santa ingenuidade, que o actual Alto Comissário para os Refugiados fica pela ONU ver a vida e os comboios passar!!!

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