quinta-feira

O Luxembourg leaks. O mega-escândalo da Europa de Juncker. A corrupção do Rochedo



A Europa, confirma-se com mais este escândalo do rochedo do Luxemburgo, não é senão um caso de corrupção moral, ética, política, financeira e económica. Demonstra-o a investigação desenvolvida por umas dezenas de jornalistas - que descobriram a existência de acordos fiscais secretos durante uma década entre o governo do rochedo e mais de 300 grandes empresas multinacionais. Entre as quais se perfilam a Pepsi, a Axxa, o Ikea, a Amazon, a Apple e tutti quanti...

O curioso da questão é registar que tais acordos foram firmados quando o então PM, o Sr. Juncker, era PM do rochedo, e actual presidente da CE, o qual, por gestão danosa, de forma deliberada ou negligente, consentiu que o Luxemburgo, e o conjunto dos países da Europa - perdessem milhares de milhões de euros em receita fiscal, tão necessária para gizar e implementar políticas públicas de apoio aos países da periferia, como Portugal, Grécia e outros pequenos e pobres países, bem como desenvolver apoios para fomentar o crescimento económico das regiões mais desfavorecidas da UE, atenuando as suas assimetrias regionais.

Ao comportar-se desta forma, económicamente criminosa, Juncker não terá mais condições de credibilidade política para, doravante, presidir aos destinos da principal união de países, porquanto foi um dos cúmplices que ajudou nesse esbulho institucionalizado e que foi agora descoberto por duas dezenas de jornalistas. Tais revelações não só deveriam inibir Juncker de exercer qualquer cargo ou acto político, como deveria levá-lo a apresentar a sua demissão imediata, pois da sua gestão ruinosa resultou um empobrecimento geral de todos os países da Europa que, desse modo, contaram com uma soma considerável de recursos públicos, decorrentes de receita fiscal não arrecada, e que, desse modo, empobreceram ou afastaram-se uns dos outros em matéria de convergência europeia e de indicadores socioeconómicos de desenvolvimento. O que abriu caminho à Austeridade em Portugal...

Curioso também foi notar algumas preocupações recentes de Juncker, na qualidade de PM do rochedo, em que defendeu sempre que o seu país não era um paraíso fiscal e que até cultivava práticas conducentes à transparência em matéria financeira. Juncker, quando fez estas declarações, ou estaria embriagado, ou mente compulsivamente ou ainda é um político hipócrita que está permanentemente de má fé, e, se assim é, deveria demitir-se imediatamente - abrindo um processo de sucessão na Comissão Europeia.

Por outro lado, e independentemente da decisão de Juncker, as perdas fiscais resultantes daqueles acordos secretos deveriam ser analisadas à lupa, apurados os montantes em falta e, consequentemente, reclamados às empresas multinacionais relapsas que não os pagaram, ou que o fizeram "por fora" directamente para contas offshore de alguns titulares de cargos públicos europeus, pelo que deveriam também ser investigadas as contas do ainda presidente da CE e doutros eurocratas ligados - directa e indirectamente - a esse mega-escândalo europeu, que abanou os fundamentos do próprio processo de integração europeia e deverá suscitar o combate de todos aqueles que lutam contra a corrupção na Europa, pois é disso que (também) se trata!!!

Os actores europeus deveriam apurar todos os processos e leis internacionais violadas, apuradas e reclamadas os seus montantes fiscais  - que entrariam assim nos cofres dos Estados lesados - e, mediante esta reversão de impostos para os Estados pelas empresas multinacionais relapsas, deveriam servir para refundar a Europa, definir o campo de uma nova solidariedade europeia assente numa política de fundos comunitários mais assertiva e melhor fiscalizada, de molde a evitar erros do passado recente na aplicação desses fundos. 

Este LuxLeaks deveria servir para algo refundador do velho projecto europeu de Robert Schuman, Jean Monnet, Paul H. Spaak, K. Adenauer, De Gasperi, Altiero Spinelli e tantos outros que empenharam as suas vidas para fundar uma associação de Estados livres e soberanos que, juntos, em nome da paz, da prosperidade e do desenvolvimento social e económico, dessem um destino de esperança ao mundo contemporâneo.  


Para já,  e como cidadão simultaneamente português e europeu, importa uma palavra de reconhecimento ao Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) que teve a arte de levar a bom porto esta investigação e de fazer esta revelação, que, em condições normais, compete às autoridades judiciais e de investigação criminal, e doutras entidades estatais dos Estados membros, desenvolver. 

Mais uma vez,  a opinião pública internacional parece reclamar aos media, ou a alguns de entre estes, um papel e uma missão que, em rigor, cumpre às entidades criminais e de combate à alta criminalidade económico-financeira de países corruptos desenvolver, como o Luxemburgo, que sempre foi um rochedo que esbulhou cidadãos, primeiro; depois, esbulhou os barcos que navegavam na zona do Rochedo do Mónaco, permitindo ao monarca, e à sua família, fazer fortuna à custa de bens alheios; por último, como ilustra o vídeo infra - as autoridades políticas deram-se ao luxo de esbulhar o próprio mar, em nome sabe-se lá de quê... Mas não será difícil imaginar!!!

Ora bem, o Sr. Jean Claude Juncker foi PM deste mesmo rochedo durante quase uma década, foi co-autor destes crimes económico-financeiros e de índole natural, pelo mal que fizeram aos recursos marítimos, subtraindo mar em nome do betão, e, apesar de tudo isso, de todos esses crimes, ainda é presidente da CE!?

Em face desta barbaridade política, económica, ética e de ordem natural, não me surpreenderia se amanhã víssemos o Sr. Juncker, do alto de um microfone da eurocracia, alegar que permitiu que todo esse esbulho tivesse lugar em nome da atracção de IDE (Investimento Directo Estrangeiro) tão necessário para a criação de emprego, bem-estar e prosperidade no conjunto dos países desta miserável Europa de Junker e de Barroso. 

Seriam mínimos todos esses estragos, se o que vier a ser alegado tivesse algum fundamento ou relação com a realidade!!!

A Europa, as suas instituições, práticas, comportamentos e, claro, elites decisoras, é hoje um cancro repleto de metástases, razão pela qual todo o projecto europeu deveria hoje ser revisto e refundado, e muitos dos que hoje desenvolvem cargos de elevada responsabilidade na eurocracia bruxelense - deveriam ser demitidos pelas respectivas opiniões públicas nacionais e internacionais. 

Juncker podia, e devia, começar já por dar o exemplo. 

Em nome dos ideais dos seus fundadores, logo após a II Guerra Mundial!!!
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Aquilo era um rochedo, O Rochedo de Mónaco, projectado sobre as águas e os antepassados do rei de Mónaco fizeram fortuna roubando os barcos que passavam no mar. Agora roubam o próprio mar...




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