segunda-feira

O maoista: Me, my self and I

Há quem comente e defenda que Durão evocou o tema do BPN por causa das eleições, mas esses mesmos comentadores, com quem nada se aprende e desenvolvem equivalente complexo de egocentrismo curiosamente presente na personalidade de Barroso, esquecem-se de nomear que eleições: as europeias ou as presidenciais?!

- Durão sabe que os seus mandatos à frente da CE foram fracos, senão mesmo medíocres, e uma das formas que encontrou para não se discutir a sua performance nesta última década em Bruxelas, foi essa: recorrer à queima de borracha que, curiosamente, tanto pode queimar Cavaco - e o seu inner circle - como quem - em 2008 - viabilizou a nacionalização do banco, ou seja, o Governo de Sócrates. 

- Mas mais, muito mais do que as eleições europeias, o maoista Barroso terá, porventura, em mente o posicionamento para a corrida presidencial que, essa sim, lhe interessa pessoalmente, ainda que a consistência dessa corrida possa ser dinamizada ou amputada com a discussão em torno do que foi, é e será a Europa nos próximos anos. 

- Neste contexto, seria útil que os candidatos ao Parlamento europeu, as forças partidárias, a sociedade civil em geral pudessem discutir mais o que correu mal na Europa nesta última década, por que razão se tem vindo a destruir o pilar solidarista e as políticas gerais de integração - em nome da balança comercial superavitária da Alemanha que nunca encontrou em Barroso um freio à altura. 

- Por isso, objectivamente o maoista barroso foi um contribuinte liquido para engordar a Alemanha e empobrecer os países da periferia da Europa, como Portugal, do qual desertou e, doravante, pretende regressar com os olhos postos em Belém. Nem que para isso tenha que remexer no caixote do lixo da história do financiamento partidário ao PSD, nos players que integraram o inner circle de Cavaco (de quem foi ajudante), e naquele PS que, com Sócrates e Teixeira dos Santos, permitiram a nacionalização do banco. 

- E, já agora, nessa linha de entendimento da história das ambições deste tipo de gente que assaltou o poder nas instituições (nacionais e europeias), que até está em linha com muitos desses comentadores com quem estão em sintonia geracional com o ainda presidente da CE e o maior desertor política da história da nossa democracia pluralista, Barroso também deseja jogar um mar de lama para a cara daqueles que após a nacionalização do BPN - em 2008 - sob pretexto de evitar uma crise sistémica a todo o sistema financeiro, viabilizaram a sua privatização aos angolanos ao preço da uva mijona; um processo precocemente aproveitado por Mira Amaral - que o tomou por 40ME, um valor que, em rigor, nem pagava o património físico da instituição esbulhada por Oliveira e Costa, Dias Loureiro e um conjunto de ex-colaboradores do actual locatário de Belém.
- Em suma, o que Barroso pretende é - como dizem os brasileiros - "botar merda no ventilador" para, assim, não se discutir os seus medíocres mandatos na CE e abrir caminho para as presidenciais com um largo apoio da sociedade portuguesa como, de resto, o próprio Barroso defendeu na entrevista ao Expresso-Sic.
- Desta feita, não são as eleições europeias que estão em causa, como defendem certos básicos da análise política, é muito mais do que isso que está em jogo. Ainda que o jogo seja o de sempre: um jogo SUJO. 

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