sexta-feira

Putin aprova estratégia que diz que NATO é uma ameaça à segurança da Rússia

Nota prévia: A Rússia refaz a sua doutrina de segurança para impedir a progressão do avanço da influência dos EUA sobre o centro e leste europeu. E considera, e aqui reside a originalidade estranha da doutrina estratégica de Putin, que a Nato representa um risco maior do que o fenómeno do terrorismo bárbaro como hoje ele se manifesta em Paris e que tem origem no Daesh. Ora, isto dito pelo líder da 2ª maior potência militar do mundo só pode apoucar e diminuir a sua lucidez e honestidade intelectual, mas também não são estas as qualidades que se espera de um chefe de Estado, mas sim hipocrisia, cinismo e a realpolitik no pior estilo do novo império do czar da Rússia. Além de que o terrorismo é um fenómeno com uma natureza desterritorial, transnacional e que vive e sobrevive de fontes de financiamento do ouro negro e organiza-se através de redes de contacto que já não se neutralizam por recurso à lógica do arms race (controle de armamento nuclear) típica da Guerra Fria e do balanço bipolar de poder. Putin apenas pretende mascarar a realidade política internacional e afirmar uma nova doutrina estratégica que legitime a força na sua área da influência e, ao mesmo tempo, procura dar um sinal de aviso amarelo aos EUA de que a conflitualidade e, no limite, a guerra são e continuam a ser os principais instrumentos de regulação e de resolução dos interesses e dos conflitos na arena internacional, como se verificou na Crimeia recentemente. 
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Putin aprova estratégia que diz que NATO é uma ameaça à segurança da Rússia




Presidente russo, Vladimir Putin



Opresidente russo, Vladimir Putin, aprovou na quinta-feira uma nova estratégia de segurança nacional até 2020 que permite, sempre que a diplomacia falhe, o uso da força para defesa dos interesses nacionais, adiantou a EFE.
"O uso da força militar para a defesa dos interesses nacionais só é possível quando todas as medidas que não tenham caráter bélico se mostrem ineficazes", lê-se no documento publicado no 'site' do Kremlin, citado pela EFE.
Simultaneamente, o texto defende que a Rússia vai defender os seus interesses de forma pragmática, tendo por base o direito internacional e a igualdade entre os Estados, e que nunca se verá envolvida numa corrida ao armamento.
Na sua mensagem de Ano Novo, Putin felicitou hoje especialmente os soldados russos colocados na Síria desde finais de setembro para combater as posições do autodenominado Estado Islâmico.
A Rússia diz querer garantir os seus interesses através da defesa do papel essencial das Nações Unidas (ONU) nas relações internacionais e da cooperação com outros países, seja através do G20, dos BRICS ou outras cooperações internacionais.
O texto publicado no 'site' do Kremlin acusa os Estados Unidos e os seus aliados de tentarem pressionar a Rússia e castigar a sua independência com instrumentos políticos, económicos e informativos "para conservar a sua hegemonia no mundo".
Putin defendeu, no entanto, que a Rússia desempenha agora um papel muito mais importante na manutenção da estabilidade e segurança mundiais, e o país declarou-se disposto a cooperar em plano de igualdade com os Estados Unidos, uma vez que as relações bilaterais entre os dois países têm uma grande influência no resto do mundo, especialmente no que diz respeito à redução dos arsenais nucleares e combate ao terrorismo.
A estratégia promulgada por Putin insiste nos princípios de contenção estratégica e de modernização das Forças Armadas para melhorar a sua capacidade de mobilização perante novas ameaças como o terrorismo.
A principal ameaça para a segurança nacional, defende a Rússia, continua a ser a NATO, e o país defende ser "inaceitável" a expansão dos países da Aliança do Atlântico Norte em direção às suas fronteiras e a instalação de um escudo antimísseis.
A Rússia acusa ainda os países ocidentais de preparem o terreno e as condições que permitem que surjam grupos extremistas como o Estado Islâmico, devido à sua política de derrubar governos legítimos, o que causa instabilidade e origina conflitos, especialmente no Médio Oriente e no norte de África.
O documento defende também que o apoio da União Europeia e dos Estados Unidos ao "golpe de Estado" na Ucrânia motivou uma aguda divisão na sociedade ucraniana e ao rebentar de um conflito no leste do país.
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