terça-feira

António Costa já encomendou a alma a meia dúzia...


1. António Costa começou por ser derrotado nas últimas eleições legislativas de 4 de Outubro, mas depois conseguiu fazer a quadratura do círculo e vencer. E venceu porque conseguiu chamar a si - e ao PS - 40 anos de afastamento com o PCP e fazer uma entente cordiale com o BE, um partido em crescimento pela mão de Catarina Martins, uma líder que se tem revelado excepcional. Com isso, A.Costa viabilizou uma maioria absoluta com incidência parlamentar necessária à governação, obrigando Cavaco a aceitar a indigitação do seu nome para S.Bento.

2. Como esta sua vitória foi tão sui generis quanto estrondosa ele conseguiu enterrar politicamente Sócrates e o socratismo, absorvendo alguns dos seus colaboradores mais eficientes, como João Galamba e neutralizar outros. No caso da Justiça que envolve o ex-PM não se meteu, ganhou até muita distância com essa frieza, o que lhe deu espaço político para dizer ao país que ele é uma coisa e Sócrates, inocente ou condenado, é outra.  

3. Mas antes de enterrar politicamente Sócrates, que viu a justiça cair-lhe encima, sem ainda se saber ao certo em que consistirá a acusação (cujos prazos o MP já deixou expirar, numa grosseira violação formal do exercício tramitacional da justiça) A.Costa sepultou António José Seguro, e fê-lo com alguns requintes de malvadez, revelando que em política a vingança é um prato que se serve tanto a frio como a quente, desde que se sirva. Quem ainda se lembra das imagens de Seguro a sair da sede do PS, no Largo do Rato, e a entrar no seu carro, percebe o que aqui se escreve. A política também é drama.

4. Após despachar Sócrates e Seguro, os pequenos obstáculos internos ou domésticos no PS, eis que começam a sentir-se os efeitos colaterais fora do PS, ou seja, na área do CDS e PSD, partidos oportunisticamente coligados apenas para manterem o poder, custe o que custar e com grosseiro sacrifício para Portugal e os portugueses. O Banif é, talvez, o caso mais estrondoso para o impacto nas finanças públicas do que foi a vergonha, a impreparação, a incompetência e a mentira sistemática institucionalizada pela dupla de meliantes Pedro & Paulo - a que A.Costa - com a sua ascensão a PM veio fazer implodir. Paulinho das feiras, essa virgem velha e ofendida (rameira política de sempre), já foi obrigado a demitir-se, e essa é também mais uma consequência da elevação de A.Costa ao cadeirão de S. Bento. E vão três.

5. Todavia, os estragos que António Costa fez na política pura e dura em Portugal não se ficam por aqui, ou seja, Pedro Passos Coelho, o tal que se esquecera de pagar as suas contribuições/prestações obrigatórias à segurança social durante 5 anos a fio, alegando esquecimento e desconhecimento da lei (justificações idiotas e não procedentes ao nível do direito) está também na calha para implodir. É certo que passos está na liderança do PSD há cinco anos, mas a forma anti-social e tributeira como governou, seguindo a cartilha da extrema-direita neoliberal, abrindo fissuras na sociedade que já não têm remendo, além de que entre ele e o Portugal profundo há hoje uma distância que vai de Massamá à Muralha da China. Daqui decorre que no PSD há já quem peça a sua cabeça, como Rui Rio (e outros), pois já se gerou a convicção interna no PSD de que com aquele velho e ferido líder o PSD jamais conseguirá alcançar o poder a médio prazo. 

6. Depois de ter despachado Sócrates, Seguro e Portas, e estando Passos Coelho na calha para a implosão política, outro dos sacrificados é, seguramente, Carlos Costa, Governador do BdP, ainda que aqui a competência de demissão não seja do Executivo mas do Banco Central Europeu. Contudo, a "bernarda" do Banif, que veio por a nu a incompetência pessoal e funcional do governador e a sua incapacidade para regular e detectar as imparidades no balanço do banco, faz com que Carlos Costa, o velho guardador de tacos de golfe do engº João de Deus Pinheiro, seja mais um óbito político a prazo da subida ao poder de A.Costa. Já não é Carlos Costa quem está no BdP, mas uma sombra desmaiada e turva que já ninguém reconhece. Pelo que Carlos Costa já é mais um fantasma de si próprio do que o técnico respeitado de véspera.

7. Cavaco será o óbito futuro para engrossar a meia dúzia de políticos reduzidos a cinzas na sequência da ascensão de António Costa ao poder, com a ajuda do BE e do PCP. A tal ponto de o PM, por ocasião do encontro de Natal entre ele e o ainda PR, se ter dirigido a Cavaco dizendo-lhe que quando Vª exª estiver em plena "liberdade" - poderá gozar mais e melhor a vida, desde que não risque mais politicamente nos destinos de Portugal e dos portugueses. 

Depois de ter despachado meia dúzia para "o Cemitério dos Prazeres da política à portuguesa", importa perguntar a A.Costa se vai alí aos pastéis de Belém comer mais meia dúzia de cada vez..., ou se já começou a fazer dieta por causa do Banif. 

Quero (antes) dizer, pôr os portugueses a fazer dieta, já que são estes, os mesmos de sempre, a responder e a pagar a conta pela desbunda grosseira e criminosa dos gestores e banqueiros do costume. 

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