sexta-feira

O COZINHEIRO, O LADRÃO, A SUA MULHER E O AMANTE DELA The Cook the Thief His Wife & Her Lover

Nota prévia: É um filme que todos, ou quase todos, já vimos. É grostesco na forma como a acção se desenrola, e nem quero pensar como seria se fosse dado aos portugueses a faculdade de obrigarem os seus eleitos a fazer aquilo que o ladrão faz ao amante da sua mulher quando descobre a infedilidade... 


Enfim, trata-se duma pedra de sal sobre uma campanha eleitoral para Belém que suscita mais risadas do que reflexões sérias. Portanto, um filme em linha com o espírito do nosso tempo. Um tempo grotesco.

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O COZINHEIRO, O LADRÃO, A SUA MULHER E O AMANTE DELA

  • The Cook the Thief His Wife & Her Lover





Comédia negra coproduzida pelo Reino Unido, França e Holanda em 1989, escrita e realizada por Peter Greenaway. The Cook, the Thief, His Wife and Her Lover teve nos principais papéis Richard Bohringer, Michael Gambon, Helen Mirren, Alan Howard e Tim Roth.
A maior parte do filme desenrola-se num restaurante francês de Londres chamado "Le Hollandais", cujo dono, o gângster Albert Spica (Michael Gambon), se banqueteia todas as noites acompanhado da sua mulher Georgina (Helen Mirren) e de outros convivas. Cansada do seu maçador e sádico marido, a mulher acaba por aí encontrar um amante (Alan Howard) com quem tem relações sexuais nos diferentes e menos confortáveis locais do restaurante com o beneplácito do cozinheiro (Richard Bohringer). Assim que o ladrão descobre que a mulher lhe é infiel nas suas barbas, enraivecido, ordena que os seus homens obriguem o amante a engolir um livro inteiro, página por página, até à morte. Este é o prelúdio para a cruel conclusão do filme sob o signo do canibalismo.
Trata-se de um filme acentuadamente artístico cuja originalidade assenta no seu assombroso visual e encenação meticulosa de ideias grotescas. São inesquecíveis a fotografia de Sacha Vierny, o estilizado guarda-roupa de Jean Paul Gaultier e a banda sonora sombria de Michael Nyman. O jogo visual utiliza quase na íntegra cenários interiores das diferentes divisões do restaurante, aos quais atribui diferentes cores dominantes, ao mesmo tempo que os movimentos de câmara conferem uma plasticidade de autênticos quadros vivos. As personagens, embora sejam fortemente tipificadas e não muito realistas, são interpretadas pelos atores de forma magnífica, com destaque para a entrega de Michael Gambon e Helen Mirren. Apesar do filme ter sido conotado na altura como um manifesto político, acaba por ter um alcance mais geral, satirizando situações mais comuns e universais. Fortemente polémico pelo grafismo excessivo e pelos temas que abrange, é uma história para adultos de estômago forte, cuja sensibilidade não se detenha perante as formas mais ousadas de violência e humilhação.

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