quinta-feira

Costa é amigo dos bancos

Nota prévia: Paulo Baldaia tem, quanto a mim, duas características fundamentais na sua profissão: (1) consegue - como nenhum outro jornalista - descodificar a realidade mais complexa e trocá-la por miúdos, o que facilita a compreensão pela opinião pública dos fenómenos politicamente relevantes; (2) e é rápido como a lebre a fazê-lo no espaço público. Tem uma grande vantagem do seu lado, é director da melhor antena radiofónica do país onde, precisamente, se faz ouvir.
- Dito isto, que me parece de elementar justiça, veja-se como ele critica a forma como o PM cedeu à negociação do Santander Totta, o banco adquirente do Banif, e deixou os restos para os contribuintes pagarem. Além das explicações por fazer da parte do PM e do Governador do BdP, ainda em funções...
- Eu próprio, na 3ªfeira (numa reflexão ligeira feita aqui) - sublinhei a ideia de que o PM acabou por privilegiar os interesses da banca em detrimento dos legítimos interesses dos contribuintes, que o PM supostamente deveria (saber) salvaguardar e promover. Mas não foi isso que A.Costa fez, o que ele fez foi ir ao OE/16 e rapar desse imenso tacho os recursos necessários para pagar a desbunda dos gestores do Banif, que deixaram de honrar os seus compromissos ao Estado (que capitalizou aquele banco em 2013) e, doravante, vincular os contribuintes a pagarem cerca de 3 mil M€ para tapar o buraco desse fartar de vilanagem. Cabe cerca de 400€ por cada português-otário para pagar a desbunda do Banif...
- A.  Costa, que é um exímio negociador, revelou-se aqui uma espécie de representante da alta finança junto dos contribuintes, pois em vez de saber proteger o interesse geral contra os interesses particulares, fez exactamente o contrário, o que só lhe fica mal enquanto PM. Já  que A.Costa representa os portugueses, e não o Conselho de Administração do Santander/Totta, o qual, aliás, se prevaleceu de ser accionista maioritário da empresa dona da TVI para mandar esta estação veicular uma notícia bombástica acerca do Banif, com isso fazendo uma desvalorização colossal das suas acções, e, por extensão, desvalorizar a cotação global do banco a ponto de o comprar pela bagatela de 150M€. 
- Ora, um PM que pactua com isto é um PM que não defende adequadamente o bem comum contra interesses grupais, e mesmo com a abstenção do PSD na aprovação do orçamento rectificativo - contará com o voto contra do PCP e a reserva do BE, o que poderá fazer perigar a manutenção do XXI Governo Constitucional, mas mais grave é lesar os contribuintes desta forma parcial e injusta. 
- Talvez o mais adequado seja fazer aquilo que Horta Osório sugeriu, uma auditoria feita por entidades independentes de modo a aferir como o dinheiro se evaporou, que práticas de gestão ruinosa estiveram na sua origem e apurar todas as responsabilidades da parte de quem prevaricou e fez dinheiro ilegitimamente com tais operações. 
- Se se fizer isto, os responsáveis verão o seu património penhorado para responder perante as dívidas e, com isso, aliviar os milhões de €uros que os otários dos contribuintes são, indevidamente, chamados a pagar por erros, omissões e eventualmente fraudes cometidas pelos gestores do Banfi e/ou de quem especulou ilicitamente com os seus capitais.
- Era isto que o PM - A. Costa deveria ter sabido precaver, e ao não o fazer comportou-se como um CEO do banco junto do zé-povinho, e não como um PM de um país civilizado e responsável. Talvez por isso o título do artigo de Paulo Baldaia - Costa é amigo dos bancos - encontre plena justificação na sua reflexão. 

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Costa é amigo dos bancos



O desastre provocado pela inactividade do anterior governo no caso BANIF está à vista de todos. Agora é tempo de olhar para a resolução que compromete o actual governo e o Banco de Portugal. O preço a pagar pelos contribuintes é estranhamente elevado, tendo em conta a dimensão do banco. Não houve um português que fosse que não estranhasse o valor a pagar pelos contribuintes (pode ultrapassar os três mil milhões de euros). Surpresa total para todos? Para o Santander não terá sido, porque foram eles a impor as condições do negócio.
Como o Santander só quis o "filet mignon", no anúncio da resolução ficámos com a sensação de que poderíamos recuperar algum dinheiro quando vendêssemos a entremeada, os tais activos que por serem desinteressantes transitaram para o "veículo". É, aliás, esclarecedor que o próprio ministro das finanças, falando para portugueses que chumbam no mais simples teste de literacia financeira, nos procure explicar sem tradução esta operação apressada. Veículo, explica qualquer dicionário, é um meio de transporte. Ora, este veículo a que chamaram Navigest foi pago pelos contribuintes e devia transportar os rendimentos da venda dos activos directamente para os cofres do Estado. Pois, mas segundo nos disse ontem Jorge Tomé, em entrevista à SIC-Notícias, a Navigest é do Fundo de Resolução e é para lá que vai o dinheiro. Tomé disse mais, disse que foi tudo vendido a preço de saldos e que haverá mais-valias garantidas. Para o Fundo!
O Fundo de Resolução é um organismo autónomo que pertence ao Estado, mas deve ser financiado pelos bancos do sistema. O tal sistema a que os contribuintes têm sido chamados a ajudar. O que o dito "veículo" vier a fazer de receita será contabilizado como receita do Estado, porque o Fundo é do Estado mas vai desonerar os bancos que o deviam financiar. Tão simples como isto. A ajuda dos contribuintes ao BANIF não é só ao BANIF é a todos os outros bancos e isto não nos foi explicado por quem decidiu a operação. Costa, chame-se ele primeiro-ministro António ou governador Carlos, tem de se explicar melhor.
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