segunda-feira

O desespero de Paulinho Portas



Paulo Portas anda desesperado, e é sob esse receio de perder o poder e os
lugares no aparelho de Estado por parte dos seus boys, que ele se socorre
do empresariado português, agora a Confederação do Turismo Português,
tradicionalmente subsidiodependente, para pressionar a opinião pública, 
o PR, o PS e a esquerda. 
Portas não hesita em recorrer à chantagem empresarial como método de
alcançar os seus objectivos políticos: em Julho de 2013, dando a entender 
a Passos que se iria demitir, a famosa "demissão irrevogável", fazendo o 
Governo cair, o que obrigaria a eleições legislativas antecipadas. Não 
apenas não se demitiu, como foi promovido a vice-PM no aparelho 
de Estado por Passos na sequência dessa simulação. 
Agora, com vista a reforçar as condições de atar o CDS ao PSD - e ambos
ao PR e à opinião pública nacional, que ele quer condicionar contra o PS
e a esquerda, designadamente instrumentalizando o empresariado - que
lamentavelmente se presta a esse serviço sujo, o que Portas está a (tentar)
fazer é  simples, lamentável e ao mesmo tempo alarmante: Portas pretende
vender a ideia de que com um governo à esquerda não haverá investimento
directo estrangeiro, nem criação de emprego, nem riqueza e prosperidade.
No fundo, Portas projecta no PS e em toda a esquerda, aquilo que
precisamente aconteceu ao longo destes últimos 4 anos pela sua mão e 
pela do seu comparsa, Passos: ambos fizeram um Portugal mais pobre, mais 
injusto e desigual entre Norte e Sul, interior e litoral. 
Mas utilizar os patrões portugueses não diz apenas do carácter de Portas,
é também sintomático de como os empresários portugueses, ou alguns
deles, se vendem ao poder político na esperança de obter prebendas
do Estado quando tudo estiver mais calmo. Também aqui teremos mais
uma lista VIP de empresários amigos...
É, de facto, um lamentável descaramento, uma grosseira cara de pau,
só possível por parte de alguém que se encontra no estertor do fim do
(acesso ao) poder, e do poder que já deixou de "poder" assegurar aos 
seus boys no aparelho de Estado, por isso mandatou Mota soares a 
fazê-lo à pressa, actos esses que podem e devem ser anulados 
posteriormente pelo novo Governo.
Curiosamente, Portas e o CDs estão no poder mediante uma coligação
pós-eleitoral com o PSD, e, agora, acusa o PS desse método como sendo
impeditivo de formar governo à esquerda.Para Portas, como se vê, há várias
legitimidades democráticas, e os seus votinhos são sempre melhores que os
dos outros. 
Portugal há muito que deixou de ser um país de bem, tornou-se num sítio
muito mal frequentado, como diria Almada.  
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